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Entre tantas falas de significados e significâncias imensuráveis, “Que é uma área muito vasta, imensa, imensa vastidão no Ensino Religioso, tem muita coisa importante” (Professor 03), tivemos a dura tarefa de não fazer menção13 a algumas aqui, na forma escrita de nossa pesquisa, em respeito às normas sobrea quantidade

13 Como a necessidade dos gestores serem mais adequadamente instruídos sobre os objetivos do ER:

“aqui em João Pessoa, eu percebo que há uma necessidade enorme dos formadores, dos gestores, entender o que é de fato o Ensino Religioso” (Professor 05).

de laudas para um trabalho de dissertação. Entretanto, destacamos uma das falas referentes a pessoa da Prof.ª Mestra Maria José Holmes, pessoa a qual todo o grupo fez menção tecendo elogios e reconhecimentos constantemente pela sua vida de dedicação ao Ensino Religioso, desde o dia da sua implantação na Secretaria de Educação do Município de João Pessoa até a sua aposentadoria compulsória e, ainda mais, porque essa fala também faz menção a Prof.ª Espec. Maria Azimar F. e Silva que foi, assim como Maria José, outra “filha que não foge à luta”, valorosas mulheres. Sendo que a Maria Azimar atuou no Ensino Religioso na Secretaria de Educação do Estado da Paraíba:

Quero dizer assim que todos os professores do município têm muito, muito a agradecer a Maria José Holmes que coordenou o Ensino Religioso como voluntária.

Mas ela não deixou, porque o Ensino Religioso precisa muito dela. Ela é uma das fundadoras. Ela e Azimar, nós temos muito que agradecer a elas nunca poderemos esquecê-las. Porque elas fizeram, iniciaram essa história no município de João Pessoa e no estado. Porque Azimar é do estado. (Professor 02).

Embora, Almeida e Carvalho (2005) afirmem que desde que Karl Marx chamou a atenção para a questão, ‘Quem educará os educadores?’ , essa pergunta “ainda se encontra sem resposta” (ALMEIDA; CARVALHO, 2005, p. 104), o ER aparenta ser um caso em que os professores são motivados por iniciativas de consciência própria bem consolidadas. Estes professores estão trabalhando por conta própria, decidiram não esperar o ritmo do Sistema de Ensino para despertar14, criar/regularizar a carreira de professor de ER e reconhecer as novas perspectivas do ER.

Logo, registra-se também que surgiu, em vários momentos durante as falas dos professores, colocações como: “Por que ainda as graduações, a licenciatura, é nova no nosso país. Então, ela não contempla todos os docentes” (Professor 07). O que aponta para um misto de sentimento de desprezo, desvalorização, ausência de interesse de reconhecer e/ou oportunizar uma política de formação inicial (conforme o PNE/2014) em Licenciatura em Ciências das Religiões específica para esse grupo que vem atuando ao longo dos anos junto a essa FCPER. Contribuindo, desta forma,

14 Essas colocações dos professores são uma denúncia da inviabilidade da ausência de vínculo

empregatício (como a ausência da abertura de vagas para professores de Ensino Religioso nos últimos concursos da prefeitura de João Pessoa) para que o grupo possa ter uma continuidade mais consistente e que alcance outros níveis na carreira profissional.

com uma Educação mais adequada para milhares de crianças, adolescentes e jovens na cidade de João Pessoa, num viés de que na “importância do papel do educador [...] a certeza de que faz parte de sua tarefa não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar” (FREIRE, 1996, p. 27).

A UFPB oferta o curso de Licenciatura em Ciências das Religiões, visando a “formação específica do professor da disciplina Ensino Religioso” (MIELE, 2011, p. 31). Porém, apenas em regime presencial, o que interfere na realidade desses docentes. Uma vez que há impossibilidade, por parte destes professores, de serem, ao mesmo tempo, professores e alunos. “Eu acho que como a gente não têm nenhuma licenciatura ainda abrangente para nós professores do município, pelo horário, pelos custos, então fica muito difícil” (Professor 10).

Ademais, para a grande maioria dos professores de ER que estão na ativa há a necessidade de completar a carga horária15 e, assim, precisam trabalharem grande quantidade de escolas em vários locais diferentes, muitas com direções extremas consideravelmente distantes uma da outra. Ainda mais, por alguns deles terem participado desde o início desse processo e da marcha do movimento em prol da criação do Curso de Licenciatura em Ciências das Religiões na UFPB/Campus de João Pessoa, com o objetivo que eles fossem formados. O que até hoje ainda não aconteceu nem para eles, nem para a grande maioria dos professores de ER de outras Redes Municipais de Educação, nem os da Rede de Educação do estado da Paraíba, especificamente.

Como verifica-se, esses fatores que tornam praticamente impossível o acesso a essa qualificação específica (graduação na modalidade presencial), formação essa desejada pelos professores que proporcionaria um agregar consubstancial a esses docentes. Os quais, já apresentam, em sua maioria, um tempo considerável de

15 A questão de uma aula apenas por semana é outro percalço na atuação profissional desses

professores de ER, a qual foi pontuada durante a pesquisa. Embora seja algo nitidamente de controle e manutenção política (contratação de mais professores como prestadores de serviço), devido as constatações das benesses proporcionadas aos educandos e principalmente pela promoção do próprio benefício dos educandos. Antes de tudo essa é outra decisão (ato político) que urge por uma iniciativa coerente. “Por que? O Ensino Religioso ele é um componente que ele tem quarenta e cinco minutos diário (de aula uma vez por semana). Quando você entra dentro de uma sala de aula que você faz uma chamada e que você consegue sentar todo mundo, essa aula se resume a trinta minutos. Então, realmente eu tenho trinta minutos para mostrar, para transmitir [...] porque na verdade a gente vai fazer um diálogo” (Professor 06). Assim, verifica-se que não se conjectura nem quantos benefícios a mais seriam proporcionados aos educandos se houvesse duas aulas por semana? Como se deu com outras disciplinas, a exemplo da Educação Artística, História, entre outras.

práticas didático/pedagógicas no exercício da atividade profissional docente como professores de Ensino Religioso, mas que como ressalta Miele (2011, p. 32) “Para isso é necessário a formação de um profissional que esteja capacitado a tratar do fenômeno religioso na sua complexidade. Esta formação tem especificidades que vão além da abordagem feita pela antropologia ou história das religiões”.

Enquanto uma oferta específica do Curso de Ciências das Religiões, na modalidade de Educação a Distância (área em que a UFPB apresenta considerável performance em vários cursos na educação superior brasileira) – o que contemplaria grande parte destes professores – não é disponibilizada para esses docentes, é gratificante perceber que, mesmo na espera, há a iniciativa individual e coletiva dos professores entrevistados em ministrar o componente curricular de ER, buscando a sua essência. A mesma espera, por um Curso de Licenciatura em Ciências das Religiões (presencial e/ou à distância), existe em praticamente todo o Brasil. Considerando que este curso ainda não é oferecido na maior parte das Universidades públicas brasileiras.

Como toda espera alcança o seu sentido, quando compreendido o propósito, os professores de ER cônscios de sua função desenvolvem as suas atividades demonstrando que é possível gerar uma perspectiva social de alteridade por meio desse componente curricular.

Por tudo que durante essa pesquisa foi pormenorizado, por esses profissionais da Educação que atuam como docentes de ER, com suas metas centradas no “valor teórico, social, político e pedagógico do estudo da religião para a formação do cidadão” (PASSOS, 2007, p. 76), verificamos dentro da singeleza como pessoas - que eles demonstram ser, em suas falas simples, seguras e despretensiosas - um entendimento que poderíamos designar como tendo quatro fases de um ciclo o qual eles anelam constantemente, a saber: reatualizar, ressignificar, reapropriar e reiniciar.

Assim, observamos que os professores em questão não param... Eles seguem, ainda que por conta própria, como já mencionamos. Por conseguinte, à medida que o tempo passa, eles se aproximam mais dos educandos e principalmente da consolidação da constituição de sua fundamentação epistemológica no ER, suportada por suas práticas didático-pedagógicas.

Ademais, é preciso que uma FCPER venha a ser estruturada, e reestruturada, constantemente na óptica de suportar os professores de ER com conhecimentos que

promovam, como destaca Silva (2001), o sentido da docência de auto reconhecimento de modo a que ele, como professor de ER, venha a sentir-se capaz em meio a sua autonomia de conseguir desenvolver objetivos e técnicas de ensino constituídas “[...] eu diria também, que na transversalidade e outros níveis do saber os quais também são muito importante” (Professor 03). Assim, constatamos durante o período desta pesquisa que no ER esse suporte é capaz de ser mais adequadamente propiciado através Transposição Didática do Saber das Ciências das Religiões para o saber a ser ensinado no componente curricular de ER, como pode ser constatado no capítulo a seguir.

Benzer Belgeler