que fazem parte do entorno das fazendas de camarão, bem como a população das comunidades abrangidas pelo agronegócio e número de empregados por localidade.
Tabela 2: Distribuição dos estabelecimentos de carcinicultura por localidade, número de famílias, número de trabalhadores e população abrangida pelo agronegócio, no município de Aracati – Ceará, 2006.
LOCALIDADE Nº.
ESTABELECIMENTOS
FAMÍLIAS PESSOAS EMPREGADOS NA CARCINICULTURA
Cumbe 09 133 563 170
Canavieira 03 56 226 90
Vila São José 04 202 692 100
Alto da Cheia ∗ 83 339 150
Lagoa do Mato ∗ 82 356 100
Total 16 556 2176 610
Fonte: SIAB/PACS/ACS – 2006
Essas localidades abrigam empreendimentos do agronegócio e relacionam-se de forma muito próxima com eles, no que diz respeito ao processo produtivo, ao manuseio de seus resíduos, às mudanças econômicas, sociais e ambientais, enfim são influenciadas por tudo que envolve a carcinicultura. Porém, existem outros participantes desse processo que estão envolvidos apenas no trabalho, porque residem em cidades vizinhas como Fortim, Itaiçaba e Jaguaruana, portanto não vivem o cotidiano daqueles que moram no entorno dos
projetos em execução. Isso implica dizer que esse quantitativo de 2176 pessoas tende a aumentar consideravelmente quando olhado por este ângulo da questão.
Em relação ao número de empregos diretos devidos à chegada da carcinicultura, existe uma projeção do Departamento de Pesca e Aqüicultura (DPA) que aponta a geração de 0,7 empregos por hectare cultivado, sendo que, nas fazendas do Ceará este valor é ainda menor, girando em torno de 0,2 empregos por hectare cultivado, o que corresponde a 20
empregos – relações formais – em fazendas de 100ha2. Também O Ministério do Meio
Ambiente, em sua pesquisa realizada na região do Jaguaribe, traz à tona problemas como a questão da oferta de empregos, que no Aracati é de 0,89 empregos/ ha, contrariando alguns estudos que apontam o empreendimento como a salvação para os nordestinos, principalmente no período de estiagem, quando a necessidade de uma renda fixa é imensa.
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O município tem na carcinicultura uma oferta na ordem de 1.154 empregos diretos, que representa 0,5 empregos/ha, o que comparado, ao valor correspondente ao estado do Ceará (0,2 empregos por hectare), encontra-se acima desse valor, em decorrência da existência do Laboratório de Pós-larva e da Unidade de Beneficiamento que não se incluem no cálculo geral do Estado como sendo área de cultivo de camarão em cativeiro, na qual estão
consideradas as Fazendas de Engorda, ficando para os referidos setores, anteriormente
citados, como complementares do agronegócio. Assim,embora o município tenha essas duas
Unidades a mais em seu circuito de empreendimento, a oferta de emprego por hectare assume uma escala descendente, quando comparado ao levantamento realizado pelo MMA, que em 2005 aponta uma oferta de emprego para o Aracati de 0,89 empregos/ha, mas que já tem este valor diminuído pelas constantes demissões do setor nessa região. Particularizando a projeção de empregos por localidade, tem-se para o Cumbe 0,08 empregos/ha, na Canavieira 0,04 empregos/ha, na Vila São José 0,04 empregos/ha, no Alto da Cheia 0,07 empregos/ha e na Lagoa do Mato 0,04 empregos/ha, diminuindo ainda mais a capacidade de geração de renda e emprego garantida, conforme apontado por alguns estudos, especialmente para a região Nordeste, primordialmente no período de estiagem, onde existe uma defasagem de oportunidades de emprego significativa. Em se colocando o valor atribuído a essas
5 Nas localidades de Alto da Cheia e Lagoa do Mato estão localizadas a Unidade de Beneficiamento e
Laboratório de Pós-larva, respectivamente, pertencentes à empresa de grande porte não representando, portanto, um valor a mais no quantitativo de empreendimentos.
comunidades, retirando-se os empregos ofertados pelo Laboratório de Pós-larva e a Unidade de Beneficiamento, caem para 0,12 empregos/ha. Assim, dos 1.154 empregos registrados no município de Aracati na carcinicultura, 610 (53%) estão distribuídos pelas cinco comunidades que abrangem a área dos viveiros de camarão, ficando os outros 544 (47%) entre os trabalhadores de Aracati sede, os trabalhadores dos municípios de Fortim, Itaiçaba e Jaguaruana que estão empregados nos empreendimentos de carcinicultura de Aracati. Em relação aos hectares ocupados pelos viveiros e os empregos oferecidos entre os trabalhadores, tem-se uma relação de 0,2 empregos/ha para aqueles que residem nas comunidades de abrangência e 0,3 para aqueles trabalhadores que moram na sede do município e os moradores dos municípios de Fortim, Itaiçaba e Jaguaruana.
Na relação de trabalho estabelecida pelas micros e pequena empresas, prevalece a informalidade, dado que na pequena empresa apenas 50% dos trabalhadores (15 funcionários) tem a carteira assinada, estando os demais trabalhadores em acordos informais, estabelecidos verbalmente, sem nenhum contrato que venha a lhes garantir qualquer direito trabalhista, jornadas prolongadas, ambientes de trabalho inadequados, mostram que na realidade local, a precarização do trabalho também é um ponto extremamente importante e deve ser levado em consideração. Na grande empresa, a relação de trabalho é baseada no vínculo celetista, através da Carteira de Trabalho, porém o processo de trabalho também exige extensão da jornada, situações de desgaste físico extremo, entre outros. Alguns depoimentos reafirmam as informações apresentadas.
“A empresa tem 30 funcionários mais a metade é sem carteira assinada. Eu tenho um ano de carteira assinada” (E6PM).
“Não tenho carteira assinada porque primeiro era um gerente, aí foi trocado de gerente, aí pediram os documentos, só que eu levei, não tiveram tempo e o gerente viajou. Agora modificou, até agora não pediram (a carteira de trabalho)” (E8PM).
“Tava com carteira assinada foi dado baixa agora há a pouco tempo. Porque tava pagando muitos impostos, era uma confusão medonha e deu porque também teve a fazenda que fechou e ele comprou e agora vai assinar de novo” (E10MM).
Dentre as 14 Microempresas do município, algumas são parceiras da empresa maior, recebendo desta, materiais e insumos para o seu funcionamento como: aeradores, pós- larvas, ração, assistência técnica especializada, nessa relação é firmando um contrato de fidelidade, garantindo que o produto final somente será comercializado pela empresa contratante, a um preço inferior ao preço de mercado, garantindo com isso a recuperação de todo investimento empregado, a subordinação do contratado, como também pode ser visto como uma forma de terceirização do serviço, na medida em que caberá ao pequeno produtor arcar com os prejuízos que venham a ocorrer no processo produtivo do camarão em cativeiro.
Desse modo, a “parceria” estabelecida, torna-se unilateral quando são colocados os custos benefícios para cada parte, ressaltando a dominação do mercado por aqueles que detêm o poder econômico e tecnológico do ramo.
A tabela 3 vem apresentar a distribuição, por sexo, da população das comunidades abrangidas pela carcinicultura, demonstrando que o quantitativo de homens e mulheres é quase o mesmo com uma diferença para mais de 54 pessoas do sexo masculino.
Tabela 3: Distribuição, por sexo, da população das comunidades abrangidas pelos empreendimentos de carcinicultura e localidades, em Aracati – Ceará, 2006.
LOCALIDADES SEXO TOTAL
MASCULINO FEMININO
CUMBE 297 266 563
CANAVIEIRA 119 107 226
VILA SÃO JOSÉ 349 343 692
ALTO DA CHEIA 163 176 339
LAGOA DO MATO 187 169 356
TOTAL 1115 1061 2176
Fonte: SIAB/PACS/ACS – 2006
Na tabela 4 é apresentada à população, por faixa etária, dos cinco distritos abrangidos pela carcinicultura no município de Aracati – Ceará, evidenciando a predominância de crianças, adolescentes e adultos jovens.
Tabela 4: Distribuição da população, por faixa etária, dos cinco distritos abrangidos pelos empreendimentos de Carcinicultura, em Aracati – Ceará, 2006.
FAIXA