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No curso do SDA é normal o doente entrar em diversos programas de tratamento ao longo da sua vida. Os tratamentos anteriores foram investigados em diversos estudos como potenciais factores de prognóstico do resultado do tratamento de doentes com SDA.

Na revisão sistemática da literatura de McKay e Weiss (2001) sobre factores de prognóstico do resultado ao tratamento de doentes dependentes de álcool e/ou outras substâncias, foi encontrado que múltiplos tratamentos no tempo estavam estatisticamente associados ao resultado em 86% dos estudos. Em 58% destes estudos em que se observou a associação, múltiplos tratamentos no tempo estavam estatisticamente associados a pior resultado, enquanto que em 33% dos estudos observou-se o oposto, ou seja, que múltiplos tratamentos no tempo podem predizer um melhor resultado. Uma sugestão importante neste aspecto apresentada por McKay e Weiss (2001) é que quando é efectuado mais tratamento temporalmente muito próximo de um tratamento de referência, então, mais tratamento está associado a um prognóstico mais favorável. Contrariamente, quanto mais espaçado no tempo são os vários tratamentos pior é o prognóstico dos doentes e neste caso, múltiplos tratamentos estarão associados a pior resultado.

No estudo de McLellan et al. (1994) que investiga factores de prognóstico do resultado aos 6 meses de tratamento de doentes dependentes de álcool, cocaína e opióides (isoladamente ou concomitantemente), foi demonstrado que a recaída em álcool e/ou outras substâncias era explicado, entre outros aspectos, pelo número de tratamentos prévios para álcool e outras

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substâncias. Mais tratamento prévio estava estatisticamente associado a pior resultado.

Terra et al. (2008) concluem no seu estudo de factores de prognóstico da recaída aos 6 meses de tratamento ambulatório (após alta a internamento) que ter recebido tratamento prévio era factor de prognóstico da recaída (OR=3,7; p<0,001 após ajustamento para outras variáveis num modelo de regressão logística). Este resultado também vai ao encontro de uma maior gravidade, revelada por já ter efectuado tratamento prévio para o problema de álcool, estar estatisticamente associado a mais recaída.

No estudo de Chong e Lopez (2008) sobre factores de prognóstico de recaída em álcool aos 6 e 12 meses de seguimento após internamento de 45 dias para PLA e/ou problemas de outras substâncias, realizado em mulheres de etnia americana índia, foi encontrado que o número de tratamentos anteriores para os PLA era um factor de prognóstico estatisticamente associado à recaída em álcool aos 6 meses, sendo este resultado estatisticamente significativo após ajustamento por regressão logística múltipla (OR=1,9; p<0,001).

As variáveis que tipicamente representam os tratamentos anteriores incluem aspectos como o número de tratamentos prévios, se os tratamentos anteriores foram em internamento ou ambulatório, o número de desintoxicações prévias, o contacto prévio com Alcoólicos Anónimos (AA) e a desistência prévia de programas de tratamento (Bottlender; Soyka, 2005 a,b).

Os doentes dependentes de álcool tipicamente apresentam histórias de vida com sequências de recaídas e internamento por motivos directa ou indirectamente relacionados com o álcool, apontando a evidência científica para uma associação entre a história de múltiplos internamentos e um pior prognóstico (Glenn; Parsons, 1991). Deste modo, estes autores também

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apontam o interesse de se incluir uma variável indicadora de internamentos anteriores como eventual factor de prognóstico da recaída.

No estudo de Bottlender e Soyka (2004) conclui-se que os doentes recaídos num período de tratamento ambulatório de 1 ano tinham tido maior taxa de participação em tratamentos anteriores em comparação com os abstinentes. Mais concretamente, os recaídos durante o tratamento ambulatório apresentaram uma taxa de participação em tratamentos anteriores de 57% em comparação com os abstinentes de 24% (p<0,005). Ou seja, os recaídos podem ter feito tratamentos anteriores 2,4 vezes os tratamentos anteriores dos abstinentes, o que revela uma importante magnitude da associação entre a recaída e a participação em tratamentos anteriores. No estudo de Bottlender e Soyka (2005 a), conclui-se que era mais verosímil que os doentes recaídos ao fim de 6 meses de seguimento após tratamento ambulatório de 1 ano já tivessem sido tratados para a dependência do álcool, especialmente em regime de internamento. No estudo de Bottlender e Soyka (2005 b) os resultados sugerem que aos 36 meses de seguimento após tratamento ambulatório de 1 ano, um número superior e uma superior taxa de tratamentos anteriores em regime de internamento estavam estatisticamente associados a maior número de recaídas.

No estudo de McLellan et al. (1983) envolvendo dependentes de álcool e de outras substâncias verificou-se que um maior número de tratamentos prévios era um indicador de pior resultado aos 6 meses de seguimento após admissão a internamento, para doentes sem nível elevado de problemas psiquiátricos. No entanto, o estudo de Staines et al. (2003) sugere que os doentes com SDA/SAA que já tinham feito tratamentos anteriores para o consumo de álcool e outras substâncias estavam estatisticamente associados a uma mais baixa frequência de consumo aos 3 meses de seguimento após admissão a tratamento em internamento ou ambulatório. Ainda no mesmo estudo de Staines et al. (2003), a história de participação em programas de 12 passos pré tratamento (AA) era um factor de prognóstico de mais baixo

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consumo de álcool aos 3 e 12 meses de seguimento após admissão a tratamento.

No estudo de Glenn e Parsons (1991), com seguimento durante 14 meses após um período de internamento de cerca de 1 mês, um dos resultados que se revelou estatisticamente mais associado à recaída foi a história prévia de tratamento em internamento ou ambulatório para álcool, drogas, ou no âmbito da saúde mental, ou seja, mais tratamento anterior é factor de prognóstico de mais recaída (esta historia de tratamento refere-se aos 6 meses antes do início da admissão ao tratamento para a dependência do álcool).

Deste modo, parece que muitos estudos apontam que mais tratamentos anteriores poderão estar associados a mais recaída, e em especial para o caso do tratamento anterior ter sido feito em internamento. No entanto, refira-se que podem existir outros estudos que parecem apontar na direcção contrária, ou seja, mais tratamentos anteriores podem estar associados a mais abstinência.

Benzer Belgeler