O desflorestamento da Floresta Amazônica relaciona-se aos fatores que exporemos a seguir.
O surgimento de extensas fazendas de criação de gado bovino, cuja consequência é o desmatamento em larga escala, que visa à obtenção de pastagens e tem, como pano de fundo, intensa especulação fundiária. As dificuldades financeiras que o país vivia desde o choque do petróleo de 1973, quando a cotação do barril partiu de U$$ 2,53 (HOBSBAWN, 2002, p. 459 apud TOLEDO, 2012, p. 25), até chegar à casa dos U$$ 11,65 (GASPARI, 2003, p. 507 apud TOLEDO, 2012, p. 25), obrigaram o governo a mudar a estratégia de exploração da região amazônica, por meio de alteração sensível do foco produtivo.
No período anterior, nos tempos do Milagre Econômico Brasileiro, incentivava-se a instalação de projetos agrícolas que demandavam maior quantidade de financiamentos. Com a crise do petróleo, o Estado foi obrigado a frear os gastos públicos, implicando maior incentivo à atividade pecuária extensiva, nicho em que as despesas são sensivelmente menores (TOLEDO, 2012, p. 25).
O governo militar realizou na Amazônia o projeto Radam, cujo objetivo era produzir conhecimento detalhado sobre a área e estabelecer um padrão inteligente de utilização dos recursos naturais, colocando a ciência à frente do pioneiro, que invadia o interior da floresta através das grandes rodovias de penetração, como a transamazônica, na forma de hordas desorientadas, que provocaram o maior desmatamento da história da humanidade. A vigência do Radam, entretanto, não serviu para estabelecer o primado da razão na expansão da frente amazônica que, cada vez mais, se baseava numa ocupação caótica e desorientada (PINTO, 2002, apud TOLEDO, 2012, p. 27).
O Processo de ocupação da Amazônia descontrolou-se. A pecuária expandiu- se rapidamente para o Acre, Roraima e novas áreas no norte de Mato Grosso e sul do Pará. Durante a década de 1980, o desflorestamento chegou à média de 21.130km2 ao ano. Houve ligeira queda nos primeiros anos da década de 1990, e em 1996, período em que o desflorestamento chegou à média de 21 mil km2 ao ano (MEIRELLES FILHO, 2004, apud TOLEDO, 2012, p. 31).
Em 1994, alcançou-se o pico superior a 29 mil km2. No total, em duas décadas, desmataram-se 587 mil km2. A madeira é o principal produto florestal explorado em larga escala na Amazônia. Essa exploração madeireira na floresta amazônica ocorre de forma, quase sempre, predatória, isto é, provém de invasões ou grilagens em áreas públicas, como unidades de conservação ambiental
indígenas, ou através dos desmatamentos realizados em pequenas, médias e grandes propriedades rurais (TOLEDO, 2012, p. 31).
Também são fatores que contribuem para o desflorestamento: o incremento da atividade da pecuária em latifúndios; a colonização agrícola de pequenos produtores; a implantação de projetos agrícolas; o desenvolvimento de projetos de evolução urbana e de mineração; a instalação de usinas hidrelétricas, com a destruição de grandes barragens.
O emprego aleatório do fogo como método de “limpeza” do solo e de manejo de pastagens (queimadas) contribui significativamente para o processo de desflorestamento, aos impactos ecológicos variados, além do empobrecimento orgânico do solo. Conforme dados ofertados pelo Programa Piloto para a Proteção das Florestas do Brasil, os incêndios florestais na Amazônia Brasileira acarretam as seguintes consequências: substituição da vegetação florestal por ecossistemas antropogênicos; contribuição ao fenômeno do aquecimento global, através da liberação do carbono (4 a 5% do fluxo global anual de carbono para a atmosfera); as pastagens e lavouras implantadas após a queimada da floresta liberam menos quantidade de água para a atmosfera que a vegetação original, absorvendo, também menos energia solar, o que pode contribuir para a redução dos índices pluviométricos e a elevação da temperatura (CASTRO
apud BRAGA; SION; BARRETO JR., 2007, p. 132-3).
Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM,8 aproximadamente 90% das atividades madeireiras na Amazônia são ilegais.
A facilitação do acesso às áreas isoladas de floresta poderá acarretar o aumento de oferta de terras baratas, ampliando a fronteira de devastação, seja em decorrência da implantação de novas atividades agropastoris ou em razão da atividade madeireira, que melhor poderá escoar o produto extraído da floresta.
São preocupantes os dados decorrentes da ausência de uma política florestal eficaz e bem definida para a Amazônia brasileira.
Após ser apontado o maior desmatador da Amazônia, Incra firma acordo com o MP da redação, com a gazeta net. Depois de ajuizadas ações em seis estados que apontam o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como o maior desmatador da região, o Ministério Público Federal (MPF) e o próprio Incra vão assinar termo de compromisso para a redução do desmatamento em assentamentos na Amazônia Legal. Os estados onde foram ajuizadas as ações foram Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Mato Grosso. As ações reúnem dados inéditos sobre o desmatamento em assentamentos de reforma agrária que mostram que cerca de um terço das derrubadas ilegais vêm ocorrendo nessas áreas. De
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IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Disponível em:
acordo com as investigações, procedimentos irregulares adotados pelo Incra na criação e instalação dos assentamentos vêm promovendo a destruição da fauna, flora, recursos hídricos e patrimônio genético, provocando danos irreversíveis ao bioma da Amazônia. A participação do Incra no volume total de desmatamento da região também vem crescendo por conta da regularização ambiental da atividade pecuária. O termo de compromisso será assinado amanhã (8), em Brasília. É prevista a participação dos procuradores da República que integram o Grupo de Trabalho Amazônia Legal, vinculado à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (meio ambiente e patrimônio cultural), e o presidente do Incra, Carlos Mário Guedes de Guedes. Também estão previstas a participação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do procurador federal dos Direitos do Cidadão, Aurélio Veiga Rios (Disponível em: <www.agazetanet.com.br>)9.
Segundo Lamarca, (2007, p. 58), “Margulis considera que a grilagem de terras públicas devolutas é fator fundamental no processo de conversão de áreas de floresta nativa em pastagens; parte da alta rentabilidade da pecuária deve-se à apropriação privada ilícita de terras”.
É importante discutir o problema da exploração madeireira na Amazônia, pois a maior parte da extração da madeira segue um caráter predatório: em 2001, somente um terço do volume da madeira extraída teve origem em planos de manejo de acordo com os critérios adotados pelo IBAMA (Cf. LAMARCA JR., 2007, p. 58).
Há grande carência na quantidade de guardas florestais do IBAMA disponíveis para fiscalização do cumprimento das leis ambientais. Os problemas de fiscalização permitem que muitos proprietários desrespeitem tanto os limites mínimos de reserva florestal legal nas propriedades privadas e os planos de manejo florestal suscetível como outras regulamentações. Vale ressaltar a questão dos problemas de fiscalização no cumprimento das legislações florestais pelos madeireiros na Amazônia, porque o número de agentes fiscais do IBAMA é muito pequeno em comparação com a área total da região.
Deve ser levado em consideração o importante papel das políticas públicas governamentais, da apropriação privada de bens públicos por meios ilícitos, da ocupação desordenada do território, das atividades econômicas ilegais e de falhas nos mecanismos de fiscalização.
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Publicado em 7 de agosto de 2013. Disponível em: <www.agazetanet.com.br>. Acesso em: 10 out. de 2013.