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Neste estudo, retrata-se a questão da (im)possibilidade de sucessão nas obrigações pelo adquirente que compra em juízo um estabelecimento em recuperação judicial. A partir da análise documental de fontes doutrinárias, além da legislação e da jurisprudência concernentes, leva-se aos entendimentos que serão a seguir expostos.

O estabelecimento empresarial é o conjunto de bens tangíveis e intangíveis reunidos pelo empresário/sociedade empresária com o fito de praticar determinada atividade empresarial. No entanto, os contratos, as dívidas e os créditos não fazem parte desse conglomerado patrimonial.

O contrato de compra e venda do estabelecimento empresarial, o denominado trespasse, repassa para o adquirente todo o complexo de bens corpóreos e incorpóreos relacionados com o exercício dessa atividade empresarial.

Entretanto, apesar de não serem componentes do estabelecimento, as dívidas são repassadas para o adquirente na sucessão empresarial com respaldo no artigo 1.146 do Código Civil de 2002, no art. 133, do CTN, quanto às dívidas tributárias e nos artigos 10 e 448, da CLT, quanto às trabalhistas.

Na mesma situação, estão os contratos, os quais são abrangidos pelo art. 1.148 do Código Civil de 2002 para serem transmissíveis. Os créditos, no mesmo sentido, também mereceram atenção da legislação civilista por meio do seu art. 1.149.

Um dos meios elencados no art. 50 da Lei nº 11.101/05 para recuperação da empresa em crise é exatamente o trespasse do estabelecimento. No entanto, o trespasse do estabelecimento em crise tem algumas peculiaridades.

No caso específico da recuperação judicial, o que há é a alienação judicial de filial ou unidade produtiva isolada do devedor. Filial refere-se a um dos estabelecimentos secundários, que não compõem a sede administrativa da empresa. Unidade produtiva isolada é uma parcela produtiva da empresa que pode ser individualizada.

A alienação judicial dá-se por meio de procedimento em hasta pública, a qual pode ocorrer por meio de leilão, propostas fechadas ou pregão.

O ponto principal dessa especial alienação é que o arrematante estará livre de qualquer ônus anterior e não sucederá em nenhum débito o devedor.

Dessa forma, depreende-se que a recuperação judicial, instituto trazido pela Lei nº 11.101/05, tem como meta principal o soerguimento da empresa que se encontra, momentaneamente, em crise.

Baseada, precipuamente, nos princípios elencados na Constituição Federal de 1988, a exemplo da livre iniciativa e da função social da empresa; a não- sucessão se encaixa exatamente como instrumento eficaz a atrair a atenção dos investidores para o prosseguimento daquele estabelecimento empresarial ainda viável.

Prezar pela manutenção da atividade empresarial significa o mesmo que conservar uma fonte produtora de bens, serviços, empregos e tributos, os quais asseguram o progresso social e econômico de um país, indubitavelmente. Desse modo, a sua preservação não diz respeito apenas aos interesses do empresário/sociedade empresária, mas sim aos vários outros partícipes da cena econômica, o que beneficia a sociedade em geral.

A negativa de sucessão mostra-se como uma via estimulante da aquisição judicial do estabelecimento em recuperação, porquanto nenhum investidor sério irá se arriscar a comprar uma empresa que está em crise se ainda tiver que responder pelos seus débitos anteriores.

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Benzer Belgeler