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1. TOPLAM KALİTE YÖNETİMİ

3.7 DİĞER DEĞERLENDİRMELER

A descentralização do processo de incentivo à Cultura, sendo delegada a autonomia para os estados e os municípios promulgarem suas próprias leis e modelos, foi importante para aproximar o Estado brasileiro das demandas sociais, seja através das propostas colocadas pelas Organizações Culturais, seja em concordância com a própria sociedade, no sentido de fazer jus do seu direito republicano de acesso ao patrimônio cultural.

Isto também permite que as entidades empresariais envolvam-se com o contexto social local, o que corrobora em maior eficiência no processo e efetividade na aplicação das políticas públicas voltadas à área.

Se levado em conta o montante de recursos na esfera federal destinados ao incentivo à Cultura e as demandas oriundas em todo o território nacional considerando o tamanho de cada unidade federativa e a importância dela para o contexto geral da Cultura, representado na forma de dados estatísticos e matemáticos, além das variáveis macroeconômicas as quais definem o grau de participação e de importância de cada região e unidade para a União,

conforme se espera, em Meny et. Thoenig (1992), as políticas públicas, apesar de implantadas com o fim de atender às demandas de toda a esfera, quando implantadas, devem atender aos anseios e às demandas da maioria. Desta forma, demandas menores podem ficar desassistidas, caso elas representem a minoria no contexto.

Bresser-Pereira (1998 apud Araújo, 2010, p. 132) complementa que:

As dimensões do controle por resultados, do controle por competição administrada e do controle social estão contidas nas orientações técnica (mudança de controle de procedimentos para controle de resultados), econômica (controle por quase mercados) e política (controle social) da reforma do Estado, e que, combinadas às formas de controle já existentes, criem condições efetivas para uma transformação no padrão de atuação do Estado, que deve atuar em conformidade às demandas da cidadania. […] Os mecanismos burocráticos de controle existentes têm se mostrado insuficientes para dar respostas aos cidadãos, especialmente quando os parâmetros de avaliação pública levam em conta aspectos como equidade, qualidade, justiça e adequação dos serviços às necessidades dos cidadãos.

Em termos de políticas públicas, mais do que nunca a descentralização do processo de incentivo à cultura o tornou mais eficiente e efetivo, ou seja, também, mais próximo dos cidadãos, das instituições e das entidades integradas no processo. A isto, tem-se como crédito a responsabilização sobre os procedimentos, sobre a participação e interação dos agentes envolvidos, sobre a influência dos agentes sociais nas decisões do Estado – empresas, entidades sociais e a própria comunidade –, e no melhor conhecimento de demanda deste ultimo quanto às necessidades em suas diversas esferas da ação pública.

É comum verificar a ocorrência de reuniões e encontros entre os distintos grupos culturais com o fim de discutir as propostas colocadas pelos governos; os últimos encontros trataram da criação do Fundo Estadual de Cultura, sobretudo, no que concerne à transparência quanto aos procedimentos relativos à proximidade e à inserção dos agentes sociais nos benefícios proporcionados pelo Fundo, a democratização do acesso e as divisões nas distribuições dos recursos quanto ás categorias de “eventos culturais” 9 a serem contemplados pelo mesmo.

Como coloca Araújo (2010, p. 133):

9 Eventos culturais, diga-se de passagem, trata-se das modalidades de no âmbito da cultura que serão contemplados pelo FEC, no Rio Grande do Norte. Como tratado no início deste capítulo, trata-se da distribuição dos recursos por categorias, denominadas como “Bandas de Música”, “Grupos de Teatro” e até “Decisões de Interesse dos Governos”.

A questão da responsabilização é, portanto, por diferentes razões, um tema central da agenda pública, dando visibilidade à discussão sobre desempenho dos gestores públicos, o controle do uso e da aplicação dos recursos públicos, mecanismos de responsabilização dos gestores públicos, adoção de novos procedimentos administrativos que conduzam a uma gestão por resultados, eficiência dos gastos públicos, eficácia das políticas públicas, o combate à corrupção e ao desvio de recursos públicos, insuficiência dos mecanismos de controle social.

Araújo (2010, p. 133) ainda acrescenta que:

[…] a necessidade de estreitamento das relações Estado/sociedade é decorrente da própria natureza das sociedades contemporâneas, cada vez mais complexa, em que a multiplicidade de problemas a atender e de atores envolvidos constituem poderosas forças de pressão sobre a forma de gerência pública, criando a necessidade de compartilhar tarefas e responsabilidades entre diferentes atores. Esse movimento pressupõe um novo modelo de accountability (a obrigação de prestar contas e assumir responsabilidades dos gestores públicos perante os cidadãos) e uma ampliação do espectro de atores, anteriormente restrito aos políticos e burocratas. Essa também é a opinião de Caiden e Caiden (1998), ao afirmarem que a prestação de contas não pode ficar restrita aos controles burocráticos, que somente asseguram o cumprimento de procedimentos legais, diante das múltiplas ações que os governos devem implementar – operar agências, fazer contratos, construir acordos, coordenar programas, regular atividades – em um mundo de incertezas e de demandas crescentes.

Ainda que os gestores públicos tomem a atitude, de certa forma, de desconsiderar o cenário decorrente no meio social e na comunidade, é possível verificar que em sua magnitude, destes dois últimos, há uma articulação no sentido de fomentar movimentos organizados, capazes de fazer pressão sobre o Estado, formar opinião, junto à própria opinião pública, e até contar com o apoio de determinados organizações empresariais.

Isto não culminou somente em reflexos os quais se limitam ao cerne eleitoral; a própria gestão pública passa, a partir deste evento, a considerar a postura dos entes e das entidades situadas fora do contexto da administração direta e dos seus interesses desalinhados com os interesses coletivos.

Como se verifica, somente no Rio Grande do Norte são 30 cidades com casas de cultura cadastradas e reconhecidas pela SECULTRN como entidades culturais as quais representam a sociedade civil no contexto da cultura regional; a SECULTRN também reconhece sete grupos culturais, dentre os quais recebem benefícios diretos da esfera estadual da gestão pública; mais de 10 organizações não governamentais interagem com as políticas de incentivo à cultura no estado, além de produtores culturais que, ainda que na essência de sua atuação exista o lucro como eixo central, haja visto tratarem-se de entidades com fins mais mercadológicos do que sociais, é possível verificar a preocupação com a articulação

organizada da sociedade para que os anseios dela e da comunidade sejam atendidos, sem prevalecer interesses particulares.

Araújo (2010, p. 134) acrescenta que:

A necessidade de ampliar as formas de responsabilização do governante em um sistema democrático e defender as formas de controle social sobre as ações dos governos é assim um imperativo do sistema democrático moderno. Dada a insuficiência dos processos eleitorais e dos controles tradicionais da administração pública – controles de procedimentos e parlamentar, associados aos processos de insulamento burocrático ou de debilidade burocrática do aparato administrativo público para produzir um sistema efetivo de prestação de contas do governante aos eleitores – começou-se a produzir uma crescente insatisfação por parte dos cidadãos diante da incapacidade do Estado em dar respostas às suas necessidades e a emergir a necessidade de institucionalizar novas formas de controle.

O mesmo autor (2010, p. 135) ainda complementa que:

[…] os cidadãos passam a assumir um papel mais decisivo no controle dos governantes, não apenas em períodos eleitorais, mas durante todo o mandato, de forma a acentuar a relação de compromisso firmada entre governante e cidadãos. Daí porque há uma vinculação estreita entre responsabilização e democracia […]. A crescente demanda dos cidadãos por participação somente encontra espaço em sociedades democráticas em que prevalece a liberdade de expressão, a pluralidade de opiniões, o direito de associação e inúmeros canais de organização e representação social. […] Nessa perspectiva, o conceito de responsabilização significa precisamente que o governo tem não só a obrigação de prestar contas, mas de apresentar um desempenho que seja satisfatório à luz das necessidades da sociedade. Logo, a ideia de responsabilização está fortemente amparada na ideia de uma atuação efetiva do poder público, para responder às inúmeras demandas dos cidadãos. Vai, portanto, além da prestação de contas, que tradicionalmente tem ficado restrita às questões formais. O gestor público é responsável pelos resultados de sua gestão. E, assim sendo, a responsabilização estimula a realização de uma gestão mais eficiente e eficaz.

Teatros, ambientes públicos para a realização de eventos de mesma metodologia, museus e anfiteatros públicos, como verificado, não têm sido contemplados pelas políticas de investimento em cultura efetuadas pela prefeitura do Natal, nos últimos dois anos. No ultimo ano, a prefeitura destinou um montante de 400.000 mil reais para serem investidos na Cultura local, através de se Fundo Municipal de Incentivo à Cultura, segundo a Lei Nº 4.838/97, montante este dirigido a entes proponentes que submeteram à FUNCARTE suas propostas para avaliação ou à concessão de reserva financeira para este fundo.

O montante de 400 mil reais é equivalente ao investimento necessário para a realização de um evento, tal qual o “Prêmio Hangar”, o qual tem por finalidade promover publicamente músicos e atribuir premiações para estes últimos como forma de incentivo, que

conta com o apoio de empresas, com ajudas de custo conseguidas junto à FUNCARTE ou e ou FJA e com a participação de outras entidades da sociedade civil. O Prêmio Hangar é realizado em espaços públicos, como o TAM e o largo do TAM, e, diferentemente das propostas colocadas pela Casa da Ribeira, o mesmo é idealizado pelo Produtor Cultural Marcelo Veni, cujo qual atua como entidade com fins lucrativos e de mercado.

Na promoção de outras ações culturais não necessariamente oriundas da iniciativa de organizações culturais, como é o caso de da Casa da Ribeira, por hora, verifica-se o defronte com problemas relacionados à perturbação do silêncio, à indisponibilidade de infraestrutura essencial e à oferta de condições básicas adequadas para a concretização de uma proposta cultural, independente do seu cunho (social ou mercadológico). Como questiona Org.1, “como fazer um evento para a população nas condições em que falta segurança, controle que possa inibir fatos indesejados, brigas, alguém armado, ou até sanitário adequado? Veja aí a diferença de ter espaços adequados para promover as atividades. Se houvesse maior interesse do poder público em investir na estrutura que seria fundamental para a realização de atrações culturais, que permitissem promover melhor trabalhos com artistas locais, não há dúvidas de que quem sairia ganhando com isso seria a comunidade”.

A sustentabilidade oriunda das forças governamentais, segundo Harvey (2008), está na manutenção da ordem pública em favor de tornar plausível o acesso, por parte de seus cidadãos, ao que é de direito, garantido por lei e por sua constituição. Trata-se do Direito Republicano, que garante o acesso ao Patrimônio Histórico e Cultural a toda e qualquer entidade da sociedade. Os Fundos Públicos de Incentivo à Cultura vêm com o intuito de atender a esta demanda social e a manutenção do patrimônio e da infraestrutura usual às entidades promotoras de cultura viabiliza o acesso por parte das unidades sociais ao que lhes é de direito (e de dever, no sentido de dar garantias, da parte do próprio Estado).

Coloca Org.1 que “quando o Estado deixa de investir no patrimônio cultural, deixa, como consequência disso, também, de permitir a participação das empresas no processo de incentivo à cultura”. Isto pode ser verificado na Figura 12.

Figura 12 – Relação entre os investimentos do Estado com Cultura e a relação entre os atores sociais e a Responsabilidade Social

+ Investimento do Estado + Infraestrutura Disponível + Ações + Propostas + Eventos + Responsabilidade Cultural (Empresas) Responsabilidade Social Fonte: O autor, 2012.

A Figura 13 mostra como a relação estabelecida entre o Estado brasileiro e a sociedade se estabelece na medida em os Fundos Públicos de Incentivo servirão de mecanismo de oferta e de garantia de acesso à cultura – como instrumento legal.

Figura 13 – A Relação do Estado garantidor e a demanda social Fundos Públicos de Incentivo à Cultura Sociedade Produto Cultural Leis e Garantias Republicanas Fonte: O autor, 2012.

O Teatro Sandoval Wanderley encontra-se desativado, o Presépio de Natal e o Parque da Cidade, áreas públicas construídas com verba municipal para atender às demandas públicas locais, oriundas da comunidade, por convívio social, lazer e cultura, interditados e fechados para o acesso da mesma comunidade. Para Org.1, “de que adianta tanto dinheiro público investido, tantos recursos oriundos de nossos impostos colocados na construção de duas obras de tamanho porte, a exemplo do Presépio de Natal, do Parque da Cidade e de muitas outras encostadas em nossa cidade, se as mesmas estão aí paradas, sem funcionar e até servindo de abrigo para usuários de drogas e outros mais? O que existe em política pública na área cultural, na cidade e nos estado, são políticas de governo e não de Estado. É preciso instituir uma política de Estado. A maior prova disso é que enquanto a ultima gestão municipal levantou essas duas obras para atender às necessidades de lazer e cultura”, o Presépio de Natal e o Parque da Cidade, “sejam elas públicas ou privadas, a atual gestão ou não deu a devida atenção a esses espaços ou, simplesmente, os interditou”.

Corroborando com as colocações concebidas pelos entes entrevistados, esses espaços estariam nos mecanismos públicos municipais de propulsão da ação cultural, seja pelo viés das leis de incentivo – cujas quais estimulam o fluxo de recursos de entidades patrocinadoras para as entidades promotoras da ação social, ou seja, as Organizações Sociais –, seja na ordem que coloca à disposição destas ultimas entidades, artistas e atores da sociedade civil (interessados na promoção de alternativas culturais para a população), os recursos de origem pública através do Fundo Municipal de Cultura.

E as Organizações Culturais, como as instituições sociais e os cidadãos cobram do poder público ações que lhes garantam o respeito ao seu direito ao patrimônio cultural e às manifestações culturais diversas, em todas as suas vertentes. Trata-se de um direito republicano o qual não somente há de garantir que os entes da sociedade civil estejam em dia com a instituição maior responsável por prover isto tudo, o Estado, porém, que este ultima cumpra com o seu papel de compensá-los com a garantia e preservação de seus direitos.

Benzer Belgeler