Os procedimentos utilizados foram: observações nos locais já descritos, aplicação de entrevistas individuais semi-estruturadas com os alunos, professores e pais participantes da pesquisa e o registro de fotografias dos respectivos alunos e professores. Informamos que, para viabilizar este estudo, cadastramos a pesquisa no Conselho Nacional de Saúde/Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP e tivemos, ainda, que submetê-la ao Conselho de Ética da Universidade Federal do Ceará para aprovação e desenvolvimento do trabalho de campo.
Para aprovação no Conselho de Ética da Universidade Federal do Ceará, foram entregues: documento de encaminhamento do Projeto de Pesquisa à Comissão de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará (ver em Anexo nº 3), uma cópia resumida do Projeto de Pesquisa contendo a apresentação, área do conhecimento a ser desenvolvido o projeto, nome do grupo de pesquisa onde se originou a pesquisa, introdução ao objeto de investigação, os objetivos gerais e específicos, metodologia proposta para execução do trabalho, local de realização, procedimentos para coleta de dados, roteiro das entrevistas a serem aplicadas junto aos pais, alunos e professores, escolha dos sujeitos, formas de registros, infra-estrutura disponível para o projeto, cronograma de realização, as fontes bibliográficas básicas e o documento de cadastro no Conselho Nacional de Saúde/Comissão de Ética em Pesquisa - CONEP (ver Anexo nº 4). O cadastro se fez necessário pelo fato de a investigação envolver seres humanos, crianças menores de 18 anos e também por essas serem pessoas com deficiência.
Junto ao Projeto, também foram entregues os modelos de cartas que seriam entregues aos pais (ver Anexo nº 5) pedindo a colaboração destes no desenvolvimento do trabalho e solicitando autorização para entrevistar, observar, fotografar e possivelmente filmar o seu (sua) filho (a), alunos participantes da pesquisa, e também das professoras dos referidos alunos, cedendo uma entrevista (ver Anexo nº 6). Foram entregues, ainda, declarações dos gestores das escolas escolhidas, autorizando a realização da pesquisa nos respectivos estabelecimentos e uma declaração da pesquisadora responsabilizando-se por todos os trabalhos desenvolvidos na realização do trabalho de investigação.
Diante da aprovação do Conselho de Ética da Universidade Federal do Ceará, demos início ao trabalho de campo. Começamos pelas observações, que aconteceram durante
os meses de setembro, outubro e novembro do ano de 2006. Diariamente as escolas eram visitadas, normalmente em turnos integrais ou parciais. Informamos que esse período de observação aconteceu logo após o término da greve dos professores do Município, ou seja, a dinâmica escolar estava sendo restabelecida depois de alguns meses de paralisação do corpo docente das escolas. Pairava no ar certo desconforto no ambiente escolar, que era fruto, quem sabe, do tempo de paralisação das aulas.
Após algumas observações, foram surgindo os primeiros contatos com os alunos, possíveis sujeitos da pesquisa. Criou-se inicialmente um laço de amizade que possibilitou, sem nenhuma dificuldade, o caminhar para as entrevistas individualizadas.
Antes de entrevistar os alunos, os pais foram convidados a irem à escola para tomar conhecimento da pesquisa que envolvia diretamente seus filhos. A própria gestão da escola ou professoras das salas de apoio cuidavam de comunicar aos pais acerca da pesquisa e de marcar um encontro conosco na própria escola. Outras vezes éramos autorizados a ligar para os pais, agendando um horário para um encontro inicial. Ao manter contato com os pais, explicávamos detalhadamente do que se tratava a pesquisa, como ocorreria, informávamos dos objetivos, procedimentos que seriam desenvolvidos e possíveis riscos que poderiam acontecer ao longo do trabalho, como, por exemplo, o (a) aluno (a) desistir de participar. Esclarecíamos que isso não acarretaria nenhum dano para os participantes. Na ocasião, os pais também eram convidados a participar da pesquisa cedendo uma entrevista em outro momento e local a combinar. O mesmo procedimento acontecera com as professoras participantes da pesquisa.
4.8.1 Entrevista com os alunos com necessidades educacionais especiais
Os alunos eram convidados a saírem de sala para conceder a entrevista. Como forma de deixá-los à vontade, antes era entregue a eles o gravador com o qual brincavam de gravar a voz deles, cantavam e depois pediam para ouvir a própria voz. Depois era mostrado e lido para eles o roteiro da entrevista. Assim criava-se um clima descontraído para realização das entrevistas. As mesmas aconteceram em uma sala de aula comum da escola ou num espaço reservado, como na sala dos professores.
As perguntas foram as seguintes: 1. Você gosta da sua escola? Por quê? 2. O que você mais gosta na sua escola?
3. Você tem amigos na escola? Quem são eles (as)? 4. Você gosta da sua professora?
5. Você participa das atividades na sala de aula?
6. Na sala de aula, qual a atividade que a sua professora faz que você mais gosta? 7. Fora da sala de aula, qual (is) atividade (s) você gosta de participar?
Respondidas essas questões, verificávamos se o aluno estava se sentindo bem no espaço escolar, se demonstrava entusiasmo ao ir para a escola. Caso respondesse que sim, demonstrasse satisfação ao estar e permanecer na escola, esse seria escolhido para participar das demais etapas da pesquisa, o que culminava por atender o último critério estabelecido para escolha dos sujeitos. Como foi dito anteriormente, quatro escolas foram escolhidas, inicialmente. Dessas quatro, dois alunos pertenciam a uma mesma escola e os demais (três) se encontravam cada um em um estabelecimento diferente. Dos alunos entrevistados, apenas um não se integrou ao grupo de sujeitos, pois sua expressão verbal dificultava muito a compreensão de suas idéias, o que não atendia um dos critérios estabelecidos para fazer parte da pesquisa. Infelizmente somente no momento da entrevista foi possível verificar sua dificuldade ao se comunicar.
Após entrevistar os alunos com necessidades educacionais especiais, realizávamos a entrevista com seus pais e professoras. Estas entrevistas visaram a obter junto a pais e professoras informações que indicassem como seus filhos e alunos com necessidades educacionais especiais estavam vivenciando o espaço escolar. Eles, como já exprimimos, eram convidados a participarem da pesquisa cedendo uma entrevista, cujo local e dia seriam combinados posteriormente.
Todas as entrevistas ocorreram nas escolas, de modo a favorecer os entrevistados quanto ao deslocamento e conveniências. É relevante dizermos que algumas entrevistas foram dificultadas pela dinâmica escolar, pois, como ocorriam no espaço da escola e nos momentos de aulas, o barulho externo feito pelos alunos chegou a dificultar um pouco a compreensão de algumas falas dos entrevistados, sem falar na falta de tempo das professoras que não podiam se ausentar por muito tempo da sala de aula. Não chegou, porém, a prejudicar nem invalidar
os trabalhos desenvolvidos. Todas as entrevistas foram transcritas por nós, sem perda de informações e relatos considerados relevantes.
As perguntas lançadas na entrevista para os pais e professoras foram as seguintes:
Pais
1. Como é a vinda dele (a) para a escola? Ele (a) demonstra entusiasmo para vir a escola? Gosta de vir?
2. Como foi a adaptação dele (a) na escola?
3. Ele (a) fala da escola? O que ele (a) fala sobre a escola? 4. Quais as atividades que ele (a) mais gosta?
Professoras
1. Você percebe se seu (sua) aluno (a) com necessidades educacionais especiais está satisfeito (a) na escola? O que justifica sua resposta?
2. Como se da à interação dele (a) com os colegas da escola? 3. Você acha que ele (a) gosta de estar nessa sala? Por quê? 4. Como ele (a) se relaciona com os colegas de sala de aula?
5. Ele (a) participa das atividades de sala de aula? Como ocorre essa participação? 6. A presença desse (a) aluno (a) na classe exige que você altere sua forma de
ensinar?
7. E você, gostaria de continuar ensinando nessa sala ou gostaria de mudar de sala? Por quê?
4.8.2 Apresentação dos sujeitos da pesquisa
Dos cinco alunos com necessidades educacionais especiais entrevistados, somente um deles não pode ser escolhido, pois, ao dar a entrevista, expressou-se de modo que sua fala se tornou de compreensão difícil.
A pesquisa, portanto, contou com a participação de quatro sujeitos, sendo três com deficiência mental e um com deficiência física (pessoa que faz uso de cadeira de rodas). Dois deles, alunos de uma mesma escola no mesmo turno, no caso, um com deficiência mental e o
outro com deficiência física, e os outros dois cada qual em uma escola no turno da tarde. No tópico de número 4.10, discorreremos de modo resumido acerca das duas deficiências citadas.