4. ARAŞTIRMA BULGULARI
4.3 Dişi Anadolu Mandalarında Çeşitli Vücut Ölçülerinin Bazı Vücut Özelliklerine
A opção pela atividade florestal realizada na empresa siderúrgica mineira do início do século XX foi uma decorrência natural da adoção da tecnologia dos altos-fornos a carvão vegetal. O profissional da side- rurgia, no Estado de Minas Gerais do início do século XX, invariavelmente era um engenheiro formado pela Escola de Minas de Ouro Preto; com aquela opçãoflorestal, ele dava continuidade à tradição herdada das fa- bricações nas forjas africanas e catalãs, alí implantadas durante o correr do século XIX.
Estas, que surgiram no interior de Minas Gerais desde os tempos da descoberta do ouro, passaram a constelar aquele interior, principalmente após os aportes tecnológicos que lhes foram trazidos por Eschwe- ge, a partir de 1812.
Poucas décadas mais tarde, após essa contribuição lapidar de Eschwege, os lentes e alunos da Escola de Minas de Ouro Preto vieram sistematizar e descrever, em seus detalhes, as tecnologias então adotadas nas principais fábricas de ferro daquela região; registraram-nas e as criticaram, à luz dos conhecimentos cien- tíficos então disponíveis – e o mais importante para nós, como estudiosos dessas tecnologias – fizeram com que seus alunos as registrassem minuciosamente, em descrições que nos permitem reconstituí-las em seus aspectos essenciais.204
204- Ver, por exemplo: FERRAND, Paul. A indústria do ferro no Brasil( Provincia de Minas Gerais) , Sem maiores indicações. Consta que tal estudo teria sido
Entre outras peculiaridades percebidas nos estudos referidos, contava-se a reafirmação das adve- tências que vinham sendo feitas desde a segunda década do século XIX, por personalidades como Saint- Hilaire e o próprio Eschwege: o primeiro, quando da sua passagem por Catas Altas do Mato Dentro (que as- sim fora denominada por sua localização, em meio à Mata Atlântica), em 1817, que não mais haviam matas em torno da localidade, fato que levava as autoridades locais a descartarem a implantação de forjas, alí. Da mesma forma, o segundo afirmava que a sua fábrica, situada em Itabira do Campo (hoje, Congonhas), estava limitada em sua produção, porque as matas necessárias à produção do carvão que lhe era indispensável, já se encontravam à distâncias consideráveis e que pesavam no custo do transporte (SAINT-HILAIRE, 1975; 2 ºvol., p. 131) ; (ESCHWEGE, 1933; vol II, p. 381).
Era uma consequência evidente da devastação florestal que se processava em Minas Gerais, como de resto ocorria em todo o litoral do Brasil, embora este não representasse uma região de exploração meta- lúrgica. De fato, a devastação florestal, em nosso passado colonial, estava presente onde houvesse um centro populacional, posto que a madeira era matéria-prima para a construção militar e civil, bem como combustível para fins de aquecimento e alimentação.
A expansão da fronteira agrícola, como também a da pecuária, era realizada através da derrubada e da simples queima das madeiras, in loco.
Como se passou a praticar uma agricultura andeja, sem os cuidados necessários à recuperação con- veniente da fertilidade dos tratos culturais, através da adubação conveniente, seguia-se que a conquista à flo- resta nativa gerava o espaço vital para os novos plantios, através das derrubadas e das queimadas. Esse pro- ceder tornou-se em prática consagrada.
Desse modo, cerca de 100 anos após a descoberta das minas do ouro, a situação já era aquela la- mentada, tanto por Eschwege como por Saint-Hilaire.
De fato, em 1799, em carta régia dirigida ao Governador da Província de Minas Gerais, o Príncipe Re- gente determinava as providências para que fosse estabelecida uma fábrica de ferro que seria conduzida pe- lo naturalista João Manso Pereira, a quem caberia escolher o local mais adequado para o cometimento. O Príncipe Regente recomendava “...a demarcação dos bosques que pela sua extensão e qualidade fossem pró- prios para dar carvão para o consumo da fábrica”. Não se tendo realizado tal intento, em 1808, o Príncipe Re- gente reitera, em nova carta régia, os termos daquela anterior. Agora, o responsável pela implantação era o Capitão Luiz de Souza Menezes, o qual se ocuparia de constituir uma companhia para “fabricar e coar o fer- ro”; entre outras vantagens, concedia-lhe as matas necessárias para fabricar o carvão (XAVIER DA VEIGA. 18[?];1;efemérides de 9.08.1799 e 24.11. 1808).
Esses esforços foram baldados, principalmente aquele relativo à segunda carta regia, porque não ambicionava apenas montar uma forja, mas uma fábrica dotada de alto-forno, o que se depreende da refe- rência ao ferro coado. Não obstante, em Aviso datado de 05 de outubro de 1814, D. João VI comunicava ao Conde de Palma que decidira conceder a João da Mota Ribeiro e seus sócios, duas léguas em quadra de ma- tas nas proximidades do arraial de Itabira do Mato Dentro, para o consumo da fábrica de ferro que ali seria erigida. Essa foi uma iniciativa bem sucedida, e foi o início daquela que seria a Fábrica do Giráu, mais tarde visitada e descrita por Saint-Hilaire (SAINT-H.ILAIRE, 1975; pp.24-9).
Da mesma forma, ao adquirir as terras de São Miguel do Piracicaba para ali fazer a implantação da sua forja, Jean de Monlevade tratou de adquirir o equivalente a quatro sesmarias, ou seja, cerca de 8.000 hec-
mesmo na biblioteca da Escola de Minas de Ouro Preto. GORCEIX, Henri. O ferro e os mestres de forja na Provincia de Minas Gerais. In: Revista de Engenha- ria.Rio de Janeiro, 1880; n º12, vol I, e n º 1 e 2, vol.II. Esse trabalho também foi publicado em opúsculo, em 1880, em Ouro Preto, pela Tipografia Xavier da Veiga. THIRÉ, Arthur. Considérations sur l’état de l’imdustrie du fer à Minas Gerais. In: Revista Industrial de Minas Gerais. Ouro Preto, 1888; avo I, n º1, p.3; BOVET, Armand de. A indústria mineral na Província de Minas Gerais- Ouro e ferro. In: Anais da Escola de Minas de Ouro Preto. Ouro Preto: EMOP, 1883; n º2; COSTA SENA, Joaquim Cândido da. Viagem de estudos metalúrgicos no interior da Província de Minas Gerais. In: Anais da Escola de Minas de Ouro Pre- to: Ouro Preto, 1881. n o;1; THIRÉ, Arthur. A metalurgia do ferro. O processo Catalão nos Estados Unidos. In: Anais da Escola de Minas de Ouro Preto: Ouro Preto, 1883, n º2; DUPRÉ, Leandro. Mwmórias sobre a fábrica de ferro de São João do Ipanema. In: Anais da Escola de Minas de Ouro Preto. Ouro Preto, 1885, n º4.
tares de terras, bem florestadas e com jazidas minerais importantes; dessa forma garantiu o sucesso continu- ado do que foi o seu empreendimento vitorioso, do rio Piracicaba (PASSOS, 1973; passim).
Ainda baseados nas informações de Saint-Hilaire, citamos a forja do Bom-Fim, no Norte de Minas, a qual também possuía várias léguas em quadra, de reservas florestais.
Sabemos que todas essas forjas mineiras tiveram longa vida operacional, vindo a encerrar as suas atividades quando os trilhos das estradas de ferro vieram servir às suas zonas de influência comercial: com as novas condições de transportes, oferecendo fretes muito mais baixos que aqueles até então praticados, e com a permanência dos seus custos de fabricação, muito elevados, não mais houve competitividade para os produtos dessas forjas. Em realidade, antes de sofrerem a concorrência dos produtos siderúrgicos importa- dos, elas sobreviveram em função do baixo custo do combustível e redutor que usavam, contando apenas com a regeneração natural das suas florestas e com a mão de obra escrava empregada para explorá-las. Po- demos concluir que havia um equilíbrio dinâmico entre o volume de produção - e o consumo decorrente de combustível e redutor – e a regeneração florestal natural daquelas reservas, porquanto fora delas, a devasta- ção continuava, como até o presente continua. Não fora esse equilíbrio, caso as forjas fossem obrigadas a despender dinheiro vivo com a aquisição do carvão que lhe era necessário, não teriam sobrevivido até aquele momento.
Tal foi a experiência consolidada pela exploração das forjas, relatadas através das contribuições cien- tíficas dos lentes da Escola de Minas de Ouro Preto, e à qual nos referimos no início deste capítulo.
Não terá sido incidental, portanto, o fato de ter a empresa J. S. Brandão & Cia.em Caeté, iniciado a sua atividade industrial investindo em um expressivo patrimônio florestal, já que seu fundador graduara-se em Engenharia de Minas naquela escola, no ano de 1907.
Podemos confrontar a atitude acima descrita, com aquela que presidiu à implantação da outra em- presa que a antecedeu, em Caeté, Gerspavher, Purri & Cia. Ltda. Esta última, como foi dito em outro capítulo, nascera sob o signo da transitoriedade, aproveitando-se das oportunidades do momento econômico. Esse oportunismo – é interessante observar - foi a marca de todas as iniciativas de José Gerspacher, embora inici- ativas pioneiras; Gerspacher se caracterizou mais como um comerciante-exportador de minérios, que como um industrial da siderurgia. Talvez, por isso mesmo, nunca cuidara das atividades florestais, nem em sua vida comercial, nem em qualquer dos seus projetos de altos-fornos, porque sempre ausente de qualquer preocu- pação conservacionista. Lembremo-nos, nesse ponto, que José Gerspacher era filho do Maître de Forges suí- ço, Jean Albert Gerspacher, o fundador da Usina Esperança, na cidade de Itabirito. Jose Gerspacher era um self-made man na siderurgia a carvão vegetal e não nos consta que houvesse mantido vínculos tecnológicos com a Escola de Minas de Ouro Preto, muito embora tivesse estreitos vínculos familiares com o professor e pesquisador no campo da eletro-metalurgia, Augusto Barbosa da Silva (o qual era seu cunhado), um dos grandes Diretores daquela Escola.205
Não obstante, até o segundo quartel do século XX , o pensamento que prevalecia entre os siderur- gistas, era o da exploração das florestas naturais e regeneração natural daquelas, por ciclos, estimados em 20 anos. Em breve, foi verificado que, com a limitação dos capitais disponíveis, suas reservas florestais torna- vam-se pequenas para a sua crescente demanda de carvão; a solução parecia estar ligada ao abastecimento pelo carvoejamento das matas – fossem elas originadas das matas atlânticas, ou dos cerrados - abatidas nas expansões das fronteiras agrícola e pecuária. Era uma solução aparentemente conveniente, porque o carvão era obtido a preços muito baixos: a madeira era obtida a custo zero e a mão de obra do carvoejamento, prati- camente, marginal; restava o custo do transporte, dos locais de carvoejamento às usinas siderúrgicas. Contu- do, o continuado aumento das demandas e a pulverização dos centros produtores, levou ao aparecimento
205- Augusto Barbosa da Silva desposara uma irmã de José Gerspacher, que conhecera quando do seu estágio de estudos em Audincourt, na França, durante
a penúltima década do século XIX. O distanciamento de Gerspacher dos conteúdos técnico-ecinômicos ministrados pela Escola de Minas, parece ser com- provado quando o vemos, já em 1936, engajado para o fornecimento de um projeto de forja de ferro pelo processo direto, adotando o sistema Bloomary. Essa forja, que teria a capacidade de produção de 1.500 kg de ferro por 24 horas, seria instalada próximo à estação de Rio Acima- MG. na fazenda Maquiné. Ora, nesse momento, a CSBM ultimava a implantação da sua usina de João Monlevade; Temos a impressão que Gerspacher ignorava a marcha vitoriosa dos altos-fornos conjugados às aciarias Siemens-Martin. Ver: (GRSPACHER, 194[?], in fine);
do “empresário” do carvoejamento: aquele cidadão que coordenava as compras nos centros produtores, a- cumulava-as e as transportava, entregando o carvão às usinas, aos preços negociados com estas últimas.
De um modo geral, os preços do carvão eram aqueles impostos pelas usinas compradoras, o que conduziu às grandes transformações ocorridas entre 1925 e 1927: a grande crise do abastecimento do car- vão, quando os empresários do carvoejamento passaram a impor os seus preços de fornecimento. Em um segundo movimento, as empresas siderúrgicas reagiram com a criação daquilo que foi denominado de o Cartel Mineiro do Gusa. Esse cartel passou a controlar os preços e o nível da produção do gusa, bem como ditava os preços de aquisição do carvão, como nos referimos em outro local deste trabalho.
A partir desses acontecimentos, algumas empresas – em particular aquelas controladas por capitais estrangeiros – passaram a se organizar visando gozar de maior independência com relação ao abastecimen- to externo do carvão que consumiam. Entre essas, destacaram-se a CSBM e a CFB, ambas desenvolvendo e- xemplares sistemas de florestas energéticas. No presente trabalho, como exemplo de realização e estudo de caso, examinaremos as sistemáticas adotadas pela Companhia Ferro Brasileiro, na construção da sua organi- zação para o abastecimento desse insumo energético.