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TGS DIŞ TİCARET ANONİM ŞİRKETİ

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TGS DIŞ TİCARET ANONİM ŞİRKETİ 01 Ocak 2020 – 31 Aralık 2020 Dönemi

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O centro da cidade de Fortaleza, ainda hoje, agrega estereótipos ligados ao perigo, à perversão e à prostituição, mantendo-se, assim, como um “espaço de interação” e de possibilidades na cena prostitutiva e principalmente da cena gay. Parece-

me que a importância e o atrativo das antigas “pensões galantes”67

de outrora hoje foram ressignificados por boates e bares de público LGBT, cinevídeos pornôs e motéis, entre outros espaços, sejam eles gays ou não.

Neste terreno fértil e propenso para o desenvolvimento urbano e econômico, e também para as desigualdades sociais e violência, a cena gay e trans fortalezense ganha destaque. Hoje, a capital cearense chega a reunir 1 milhão de pessoas na Parada Gay68, e ainda comporta diversas boates de público LGBT ou “Mix”, como os proprietários preferem chamar, diversas saunas masculinas, vários cinevídeos, estando todos eles, ou sua grande maioria, no centro da cidade, assim como muitos bares, pontos de

“pegação”. No que se refere à prostituição travesti, alguns espaços públicos (ruas,

esquinas e avenidas) são quase exclusivos, tais como: a prostituição constante na rua Clarindo de Queiroz, continuação da rua Bárbara de Alencar, o trecho da rua Meton de Alencar nas proximidades do colégio Marista, a rua Conselheiro Tristão, a Avenida Barão do Rio Branco e a Avenida Duque de Caxias (lugares importantes na presente pesquisa de campo), mas a estes espaços ela – a prostituição travesti– não se restringe. Podemos acrescentar ainda a Avenida José Bastos, Avenida Francisco Sá, Avenida Padaria Espiritual (nas imediações do Estádio Castelão); Avenida Osório de Paiva, Avenida Historiador Raimundo Girão, na Praia de Iracema e na Barra do Ceará.

67 As “pensões galantes” localizavam-se em vários pontos da cidade, mas no centro era sua grande

concentração: na Praça do Ferreira, esquina com Pedro Borges; na rua Barão do Rio Branco; na travessa Crato; na rua Senador Pompeu etc. Essas “pensões galantes” eram uma espécie de “night club”, ou seja, um clube noturno para homens, onde havia música, dança e o comércio do sexo (SOUSA, 1998).

68 Dados referentes à XIII Parada Pela Diversidade do Ceará em 2012 (nome oficial da Parada Gay de

Fortaleza), organizada pelo Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), uma Organização Não- Governamental (ONG), sem fins lucrativos ou vinculação partidária, reconhecida como de Utilidade Pública Municipal. Fundado em 1989, sendo uma das organizações LGBT em funcionamento mais antigas do Brasil, o GRAB tem atuado diretamente no enfrentamento ao preconceito por orientação sexual, desenvolvendo ações no âmbito da proposição, execução e controle social de políticas públicas, assim como do ativismo em torno dos direitos da população homossexual, tendo como missão melhorar a qualidade de vida de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Pessoas Vivendo com hiv/aids no Estado do Ceará. Desta forma, a instituição tem desenvolvido diversas ações e projetos nas áreas da Saúde, Direitos Humanos, Ativismo e Organização das Paradas pela Diversidade Sexual no Ceará.

Mapa da cidade de Fortaleza divida por bairros sinalizando a região do centro da cidade, espaço este lócus importante na pesquisa de campo.

Mapa das ruas do centro Fortaleza onde foi realizada parte da pesquisa de campo.

A expansão destes territórios prostitutivos no centro da cidade e pelos arredores, juntamente ao fator da rotatividade de travestis por eles, dificulta um possível mapeamento destas práticas e sujeitos, e inviabiliza, por vezes, de falar da existência de uma guetificação (COELHO, 2012) dos espaços LGBT na cidade.

Além destes espaços já demarcados noturnamente pela prostituição travesti, vale salientar que outros espaços no cenário Fortalezense também comportam travestis que desenvolvem trabalho sexual, como é o caso do Cine Majestic, localizado à Rua Major Facundo, no centro da cidade, entre outros espaços da mesma natureza. No capítulo seguinte, faço uma descrição mais detalhada deste espaço – o Cine Majestic – como também dos diversos sujeitos que lá frequentam e que utilizam o espaço como estratégia dentro de uma reelaboração das práticas sociais e corporais. Vale salientar que os cinevídeos não se restringem à frequência do segmento LGBT.

Uma observação feita por Coelho (2012) parece-nos ser muito interessante para exemplificar um pouco dos processos de homossocialidade no centro fortalezense, principalmente na região onde fiz pesquisa de campo, o que vem a justificar a

permanência de uma cena gay nestas imediações até os dias atuais. A autora começa suas observações acerca da homossocialidade trans no centro da cidade a partir de uma relação geográfica e arquitetônica com o Edifício Jalcy Avenida:

Situado na Avenida Duque de Caxias (no cruzamento com a rua General Sampaio), o prédio Jalcy possui grande relevância para a cena gay e trans da cidade. Muitos dos seus moradores eram do atualmente

chamado “segmento LGBT”. Outro aspecto importante é a sua localização. A “Duque”, uma das avenidas mais importantes do centro

da cidade, ainda é hoje considerada um point gay e trans, “abrigando” bares reconhecidos como gay, tais como o Disney Lanches e o Mega Lanches. A proximidade com a boate Divine, localizada na rua General Sampaio; com a ONG Grupo de Resistência Asa Branca – GRAB, na Rua Tereza Cristina; e com uma grande quantidade de

“cinemões” (cinevídeos pornôs nos quais há uma intensa interação

sexual) situados na rua Assunção e adjacências fazem dessa área do centro tradicionalmente também um perímetro gay, nos quais encontram-se entretenimento, prostituição e militância (COELHO, 2012, p. 87).

Neste sentido histórico e social, o entendimento das zonas de prostituição localizadas em Fortaleza permite desenvolver uma compreensão mais geral que, de uma forma ou de outra, acaba por se refletir no habitus (Bourdieu) de uma sociedade ou permite fazer reflexões na forma como travestis se relacionam com suas memórias, trajetórias e velhice.

No entanto, é importante destacar que mesmo estando diante desta pluralidade envolta da cena gay e da prostituição em Fortaleza, mais especificamente da prostituição travesti, “certamente, seria um exagero afirmar que a cidade de Fortaleza é uma cidade trans. Afinal, o machismo e a homofobia enraizados no cotidiano logo desmentiriam tal afirmação”, como bem destacou o pesquisador Veras (2011, p. 13).

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Benzer Belgeler