4.3. Diğer Eserleri
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Na Tabela 7 são apresentados os resultados determinísticos do custo operacional de produção e do lucro operacional, para as densidades de 300, 476 e 512 plantas/ha, com base no preço médio dos insumos e do produto para safra 2004, e produtividade média estimada.
Tabela 7 - Indicadores de produção e econômicos da produção de laranja para indústria, região sul do estado de São Paulo para 3 densidades de plantio, safra 2004.
Valor Indicadores Unidade
Densidades (plantas por ha)
300 476 512
Produtividade (cx/ha) 660 952 973
Produtividade (cx/pé) 2,2 2,0 1,9
Preço (R$/cx) 7,00 7,00 7,00
Custo operacional (R$/ha) 3793,00 5153,00 5699,00
Receita Bruta (R$/ha) 4620,00 6664,00 6811,00
Lucro operacional (R$/ha) 827,00 1512,00 1111,00 Fonte: Dados da pesquisa (2005).
Embora o plantio mais adensado (512 pl/ha) apresente maior produtividade por área, os maiores custos de produção não são compensados pela produtividade. Plantios mais adensados apresentam maiores custos de produção por área, devido à utilização mais intensa de insumos e maiores custos de colheita, conforme Tucker, Wheaton e Muraro (1994), pomares mais adensados necessitam de equipamentos, mão-de- obra e materiais adicionais, assim como mais cuidados culturais.
Para a safra 2005 são determinados os mesmos resultados econômicos de forma determinística, com base em estimativas realizadas por especialistas, em relação aos preços de venda da caixa de laranja para indústria, à produtividade média do estado de São Paulo e sobre os custos operacionais de produção da cultura.
Para analistas de mercado as estimativas com relação aos preços é de aumento em relação à safra do ano anterior. Segundo (MENDES, 2005), os preços devem se elevar em razão do baixo volume de estoques no início da safra 2004/05 que a indústria deverá recuperar, aumentando o esmagamento de frutas. Para o Instituto de Economia Agrícola (IEA) o aumento de preços deve ocorrer também em razão da queda de 3,5% da produção paulista em relação à safra passada, diminuindo a oferta da fruta no mercado.
Além disso, estimativas de redução da área de plantio de laranja, devido ao aumento de problemas fitossanitários e também à melhoria de rentabilidade de outras culturas como a cana-de-açúcar, devem afetar a expansão citrícola. Como ambas as culturas concorrem pelas mesmas áreas, em muitas regiões do território paulista e mineiro, com tanta incerteza, os produtores poderão optar por uma cultura mais segura como a cana-de- açúcar, embora esta decisão tenha maiores efeitos nos preços a médio/longo prazo.
No mercado internacional estima-se uma queda de 27% na safra dos Estados Unidos para o próximo ano, em conseqüência dos furacões Charley, Frances, Ivan e Jeanne que afetaram os pomares de laranja da Flórida, entre agosto e setembro de 2004 (NEVES, 2004).
Um reflexo imediato da previsão de quebra da safra americana foi a alta significativa do suco de laranja concentrado e congelado na bolsa de Nova York, que atingiu em 2004 o mais baixo valor da história (inferior a 60 centavos de dólar por libra-peso), alcançando 84 centavos de dólar após a passagem dos furacões (MENDES, 2005). Além disso, mesmo com elevados estoques de suco existentes no país, os Estados Unidos podem ter que importar centenas de milhões de litros de suco de laranja concentrado brasileiro neste ano (JULIBONI, 2004).
Como os preços recebidos pelos citricultores brasileiros pela caixa de laranja para indústria relacionam-se diretamente às cotações do suco da fruta no mercado internacional, que sofrem influência da oferta, demanda e estoques de passagem de suco no mercado internacional, prevê-se a possibilidade de aumento dos preços pagos ao produtor pela caixa de laranja já para a próxima safra.
A partir destas informações, a expectativa dos citricultores é de que os preços subam além dos verificados na safra 2004, ano em que o preço oscilou entre R$ 1,63/cx a R$ 10,76/cx de 40,8kg. Segundo os produtores que foram entrevistados, nos anos de 2001,
2002 e 2003 foram firmados contratos de venda com a indústria de até US$ 3,50/cx e em 2004 foi de US$ 2,50/caixa. A partir destas informações, estimou-se o preço de venda da caixa de laranja para indústria em R$ 8,00/cx (US$ 2,70 contrato firmado entre a indústria e produtores para safra 2004/05), representando um aumento de 14,00% em relação ao preço na safra 2004. Na Tabela 8 são apresentados os resultados econômicos para a safra 2005, comparativamente à safra 2004, sob o impacto de um aumento de preços.
Tabela 8 - Indicadores de produção e econômicos da produção de laranja para indústria, região sul do estado de São Paulo, para 3 densidades de plantio, efetivos para 2004 e estimativas para 2005, para previsão de aumento de preços de laranja indústria.
Indicadores Resultados Econômicos
Densidade (plantas/ha) 300 476 512 Safra 2004 2005 2004 2005 2004 2005 Produtividade (cx/ha) 660 660 952 952 973 973 Produtividade (cx/pé) 2,2 2,2 2,0 2,0 1,9 1,9 Preço de venda (R$/cx) 7,00 8,00 7,00 8,00 7,00 8,00 Custo operacional (R$/ha) 3793,00 3793,00 5153,00 5153,00 5699,00 5699,00
Receita Bruta (R$/ha) 4620,00 5280,00 6664,00 7616,00 6811,00 7784,00 Lucro operacional
(R$/ha) 827,37 1487,37 1511,47 2463,47 1110,92 2038,72
Impacto no lucro
operacional (%) 80,00 63,00 83,50
Fonte: Dados da pesquisa (2005).
Verificou-se que os impactos do aumento de preços da caixa de laranja na lucratividade do produtor variaram de 63,00% (para densidade de plantio de 476 plantas/ha) a 83,00% para o plantio mais adensado, verificando-se a importância do comportamento desta variável.
Outra alteração prevista pelos analistas do segmento citrícola diz respeito à queda de produtividade dos pomares do estado de São Paulo, especialistas em torno
de 2,30% em relação à safra passada, provocada pela elevada incidência de doenças nos pomares paulistas (IEA, 2005).
Segundo Ghilardi et al. (2002), a produtividade por planta no estado de São Paulo, no período de 1990 a 1999, não apresentou tendência definida oscilando entre 1,7 e 2,2 cx/pé.
A Tabela 9 mostra o impacto da queda de produtividade nos custos de produção e lucro operacional da cultura para as três densidades de plantio.
Tabela 9 - Indicadores de produção e econômicos da produção de laranja para indústria, região sul do estado de São Paulo, para 3 densidades de plantio, efetivos para 2004 e estimativas para 2005, considerando-se redução de produtividade.
Indicadores Resultados Econômicos
Densidade (plantas/ha) 300 476 512 Safra 2004 2005 2004 2005 2004 2005 Produtividade (cx/ha) 660 630 952 904 973 922 Produtividade (cx/pé) 2,2 2,1 2,0 1,9 1,9 1,8 Preço de venda (R$/cx) 7,00 7,00 7,00 7,00 7,00 7,00 Custo operacional (R$/ha) 3793,00 3758,00 5153,00 5098,00 5699,00 5640,00
Receita Bruta (R$/ha) 4620,00 4410,00 6664,00 6328,00 6811,00 6454,00 Lucro operacional
(R$/ha) 827,37 652,00 1511,47 1233,00 1110,92 811,00
Impacto no lucro
operacional (%) -21,25 -18,45 -27,00
Fonte: Dados da pesquisa (2005).
Verifica-se que a produtividade apresenta menor impacto que os preços nos níveis de lucro operacional do produtor variando entre quedas de 21,25% para a densidade de 300 plantas/ha até 27,00% Com relação aos custos, dado o aumento dos problemas fitossanitários, prevê-se elevação das despesas com aplicação de defensivos, que compõem, em média 30%, dos custos operacionais de produção.
Em 2005 a grande preocupação do setor é o aumento de custos de produção relacionado à sanidade dos pomares, uma vez que além de doenças já existentes, como a CVC, o cancro cítrico, a pinta preta e a morte súbita, alguns pomares têm registrado o aparecimento do greening, doença que provoca deformações nos frutos e definhamento das plantas reduzindo a produção (MENDES, 2005), conforme mostra a Tabela 10.
Tabela 10 - Indicadores de produção e econômicos da produção de laranja para indústria, região sul do estado de São Paulo, para 3 densidades de plantio, efetivos para 2004 e estimativas para 2005, com previsão de elevação do uso de defensivos.
Indicadores Resultados Econômicos
Densidade (plantas/ha) 300 476 512 Safra 2004 2005 2004 2005 2004 2005 Produtividade (cx/ha) 660 660 952 952 973 973 Produtividade (cx/pé) 2,2 2,2 2,0 2,0 1,9 1,9 Preço de venda (R$/cx) 7,00 7,00 7,00 7,00 7,00 7,00 Custo operacional (R$/ha) 3793,00 3938,00 5153,00 5332,00 5699,00 5887,00
Receita Bruta (R$/ha) 4620,00 4620,00 6664,00 6664,00 6811,00 6811,00 Lucro operacional
(R$/ha) 827,37 682,00 1511,47 1332,00 1110,92 923,00
Impacto no lucro
operacional (%) -17,62 -11,90 -17,00
Fonte: Dados da pesquisa (2005).
Embora esta seja uma grande preocupação do setor o impacto da elevação dos custos em razão do aumento do uso de defensivos implicou em redução de 11,90% no lucro operacional em relação à safra 2004 para densidade de plantio de 476 plantas/ha. O maior impacto verificou-se para o plantio menos adensado.
Introduzindo a variação simultânea das variáveis explicitadas acima são obtidos os resultados constantes da Tabela 11.
Tabela 11 - Indicadores de produção e econômicos da produção de laranja para indústria, região sul do estado de São Paulo, para 3 densidades de plantio, efetivos para 2004 e estimativas para 2005, com alteração simultânea de preços, produtividade e custos.
Indicadores Resultados Econômicos
Densidade (plantas/ha) 300 476 512 Safra 2004 2005 2004 2005 2004 2005 Produtividade (cx/ha) 660 630 952 904 973 922 Produtividade (cx/pé) 2,2 2,1 2,0 1,9 1,9 1,8 Preço de venda (R$/cx) 7,00 8,00 7,00 8,00 7,00 8,00 Custo operacional (R$/ha) 3793,00 3904,00 5153,00 5278,00 5699,00 5829,00
Receita Bruta (R$/ha) 4620,00 5040,00 6664,00 7232,00 6811,00 7376,00 Lucro operacional
(R$/ha) 827,37 1136,00 1511,47 1957,00 1110,92 1544,00
Impacto no lucro
operacional (%) 37,27 29,50 39,00
Fonte: Dados da pesquisa (2005).
Os resultados mostram que os impactos na lucratividade com a variação simultânea de preços, produtividade e custos foi maior para o plantio mais adensado, embora o desempenho do sistema de 476 plantas por ha tenha sido melhor em termos absolutos.