Para Okada (2006a, p. 77), o mapa cognitivo é uma representação gráfica do pensamento não linear, sendo ele multilinear, compacto e dinâmico. Além disso, considera que o mapa cognitivo permite exteriorizar ideias, argumentos e conceitos, ou seja, elementos e suas relações do mundo mental, possibilitando o seu entendimento por meio da descontrução-reconstrução.
Conforme Okada (2006a, p. 77), o mapa cognitivo pode representar graficamente a complexidade do nosso pensamento, mostrando as associações existentes dos elementos e também os próprios elementos. Sendo assim, considera que
um mapa cognitivo representa um conhecimento, uma interpretação, um entendimento, uma compreensão.
Segundo Okada (2006a, p. 77) o mapa cognitivo pode representar graficamente a multi-linearidade do pensamento, possibilitando elasticidade na representação como na leitura. Lembra também, que a edição dos elementos de modo fácil nos mapas cognitivos permite realizar simulações das associações entre eles, de maneira que encontre uma consistência nas representações.
O mapa cognitivo por ser compacto, não representa a totalidade do mundo abstrato interior, porém pode ajudar na compreensão, na clareza e no foco, por possuir apenas elementos relevantes e significativos e suas associações. (OKADA, 2006a, p. 77).
Através do mapa cognitivo o mundo abstrato interior pode ser visualizado, reorganizado e reconstruído de forma contínua. Por esse motivo, o mapa é considerado dinâmico, apresentando facilidade e flexibilidade na sua descontrução-reconstrução (OKADA, 2006a, p. 77).
Okada (2006a, p. 12) afirma que:
Mapa cognitivo é uma representação gráfica multilinear, compacta e dinâmica do conhecimento não-linear, abstrato e sempre em fluxo. Estes mapas reflexivos permitem exteriorizar elementos e suas relações facilitando a compreensão. Com o mapeamento é possível desconstruir-reconstruir conhecimentos prévios, compreender novos conceitos através da associação de diferentes perspectivas, criar redes de significados em níveis mais elevados de diversidade, coerência, consistência e clareza.
Além disso, Okada (2008a, p. 37) considera que os Mapas Cognitivos,
Podem ser aplicados para integrar saberes prévios, individuais e coletivos, novos conceitos, referências, questões de investigação e avaliar processos de pesquisa e aprendizagem.
Okada (2008a) identifica sete tipos de mapas que colaboram para a elaboração de um projeto de investigação: Mapa do Projeto, Mapa de Referência, Mapa do Estudo, Mapa de Leitura, Mapa de Campo, Mapa da Escrita, Mapa do Processo.
Seguem algumas das características dos Mapas do Projeto estabelecidas por Okada (2008a):
a) Registra questões-chave (O quê? Para quê? Quem? Onde? Por quê? Quando? Como?).
A Figura 2.2.1.1 representa o Mapa do Projeto associado ao mapeamento das etapas da presente dissertação, que foi construído com auxílio do software XMind, podendo se efetuar seu download gratuito, no seguinte endereço na internet:
http://www.xmind.net/download/ .
Figura 2.2.1.1 - Mapa do Projeto da presente pesquisa.
Enumeram-se algumas das características dos Mapas de Referência, estabelecidas por Okada (2008a), ilustrando-se, em seguida, sua aplicação para o mapeamento da presente dissertação:
a) Permite registrar relevâncias.
b) Representa a trajetória da busca percorrida.
d) Possibilita classificar as referências em: livro, questões, história, teses, definições, fundamentos, papers, web site, artigos e glossários.
Figura 2.2.1.2 - Mapa de referência da presente pesquisa.
A seguir, enumeram-se características do Mapa do Estudo (OKADA, 2008a): a) Busca o significado dos elementos e o sentido das suas relações.
b) Proporciona o aprofundamento de conceitos já construído. c) Visualiza melhor as múltiplas faces do conceito.
d) Facilita análise de conteúdos simplificando e reinterpretando.
e) Para o esclarecimento de conceitos que podem ser notado sob várias perspectivas em varias áreas. Lembrando que estes conceitos podem ser polivalentes, divergentes ou contraditórios.
Prosseguindo-se na identificação dos tipos de mapas auxiliam a elaboração de um projeto de investigação, descrevem-se características do Mapa de Leitura (OKADA, 2008a):
a) Favorece o processo de síntese
b) Oferece uma visão global do conteúdo
c) Permite analisar nas dimensões horizontal e vertical. Em que o processo na dimensão horizontal é alargada através das diversas leituras, pesquisas e elaborações, e na dimensão vertical se propõe ao aprofundamento do projeto com mais reflexões específicas, explorando mais os detalhamentos do assunto. Outra forma de mapeamento da pesquisa é representada pelo Mapa de Campo (OKADA, 2008a), do qual se relatam algumas características, a seguir:
a) Também denominado de corpus de investigação, tem a finalidade de inter- relacionar, articulando referenciais teóricos e empíricos.
Mapa da Escrita (OKADA, 2008a):
a) Elabora e integra os múltiplos significados. b) Contribui para reconstrução de textos mais ricos.
c) Visualiza as fontes e descreve reinterpretando os conhecimentos.
d) Divide-se em duas etapas: a macropesquisa, que busca uma visão geral do processo, e a micropesquisa, que examina de forma minuciosa.
Finalmente enumera-se como forma de mapear o projeto de pesquisa o Mapa do
Processo (OKADA, 2008a), apresentando-se algumas de suas características:
a) Visa a auto-organização do processo.
b) Contribui para revisão do que já foi construído.
c) Aprimora a investigação através de novos questionamentos. d) Interage os vários mapas da pesquisa.
A Figura 2.2.1.3 é uma representação de como podem ser organizadas as etapas de uma pesquisa, tomando com base os Mapas do projeto de investigação.
Figura 2.2.1.3 - Etapas para o desenvolvimento do Projeto de Investigação.
A Tabela 2.2.1.1 aborda questionamentos para que o investigador possa analisar o mapa construído, com relação à consistência, objetividade e clareza.
Tabela 2.2.1.1 - Questões para avaliação da estrutura de mapeamento (OKADA, 2008a, p. 60). Questões para avaliação de Mapas Cognitivos
È possível identificar o título e o assunto do mapa facilmente? Os componentes e conexões forram bem organizados?
As relações entre os objetivos estão coerentes? A estrutura do mapa oferece visão global?
A leitura do mapa permite compreensão do conteúdo? Os elementos selecionados no mapa são relevantes? As informações são suficientes?
O mapa permite atingir o objetivo proposto?
O mapa contempla diversidade e profundidade em relação ao conteúdo?
O conteúdo está bem estruturado através de mapas e submapas? O design do mapa está claro?
As descrições dos componentes são fáceis de serem lidas?
As conexões no mapa estão bem visíveis e fáceis de serem identificadas?
As cores e textos foram bem utilizados sem poluir o mapa? As ilustrações do mapa (figuras e ícone) foram bem empregadas?
2.3 Mapa conceitual
O mapa conceitual a seguir, Figura 2.3.1, mostra algumas características referentes aos mapas conceituais e alguns dos principais teóricos abordados neste capítulo.
Figura 2.3.1 - Teóricos que fundamentam e discutem os Mapas Conceituais e algumas de suas características.
Segundo Santos e Silva (2009) os Mapas Conceituais “[...] são diagramas que indicam relações, conexões ou associações entre os conceitos [...]”. Sendo utilizado para elucidar os conceitos importantes da pesquisa, como também para categorizar conceitos e noções de subsunçores. A produção de um mapa conceitual é realizada de acordo com a observação e importância dada para si, ou seja, sua construção é idiossincrática, podendo ser reelaborada a cada informação nova adquirida.
Os mapas conceituais procuram representar a estrutura cognitiva, organizando de forma hierárquica as informações (ideias, conceitos ou proposições) adquiridas por uma pessoa, de forma bidimensional. Para construção dos mapas toma-se como base a teoria construtivista, em que as informações do aluno, são construídas e transformadas em informações lógicas e psicologicamente significativas (AUSUBEL, 2003).
Segundo Okada (2006a, p. 167),
Os mapas podem potencializar a construção do conhecimento em projetos de investigação, não só como fonte de comunicação, mas como um guia que traz orientações, uma interface para apreender feixes de relações, para fazer emergir dinâmica não linear, para explicar explicitar conhecimentos tácitos e possibilitar novas interpretações e novos ângulos para compreensão, previsão e decisão.
Os mapas devem, a princípio, procurar estabelecer uma forma de hierarquia entre conceitos, que são ligados por conectivos, dando sentido à proposição formulada pelo seu autor. “O ser humano apresenta a tendência de aprender mais facilmente um corpo de conhecimentos quando ele é apresentado a partir de suas ideias mais gerais e mais inclusivas.” (AUSUBEL; NOVAK; HANESIAN, 1980; AUSUBEL, 2003 apud
utilizar os princípios facilitadores (AUSUBEL, 2003) da aprendizagem significativa, diferenciação progressiva e reconciliação integrativa (AUSUBEL, 2003), tomando como base, por exemplo, um material de apoio pedagógico potencialmente significativo (AUSUBEL, 2003) fornecido pelo professor formador.
Novak (1998 apud OKADA, 2008a, p. 44) define mapa conceitual como:
Representação de conceitos e suas relações através de ligações hierárquicas descritas por palavras que determinam sentenças ou proposições válidas estabelecendo assim um significado dentro de certo domínio de conhecimento.
Conforme Moreira (1988, p. 2):
Mapas conceituais podem seguir um modelo hierárquico no qual conceitos mais inclusivos estão no topo da hierarquia (parte superior do mapa) e conceitos específicos, pouco abrangentes, estão na base (parte inferior). Mas esse é apenas um modelo, mapas conceituais não precisam necessariamente ter este tipo de hierarquia. Por outro lado, sempre deve ficar claro no mapa quais os conceitos contextualmente mais importantes e quais os secundários ou específicos. Setas podem ser utilizadas para dar um sentido de direção a determinadas relações conceituais, mas não obrigatoriamente.
Nos mapas conceituais os conceitos são descritos textualmente no interior de retângulos, denominados caixas de conceitos, sendo estas interligadas por linhas ou denominados arcos ou setas, que contêm as denominadas palavras ou frases de
ligação. Duas ou mais caixas conceituais interconectadas por palavras ou frases de
ligação, representando uma unidade semântica, formam as denominadas proposições (DUTRA; FAGUNDES; CAÑAS, 2004).
Segundo Novak e Gowin (1998, p. 23 apud SILVA; NÚÑEZ, 2007, p. 3), “[...] os mapas conceituais têm a vantagem de servir para o estudante separar a informação significativa da trivial [...]”, também os mapas conceituais proporcionam algumas vantagens em sua aplicabilidade, por exemplo: organizar informações, que são ideias, conceitos ou proposições, de um determinado campo do conhecimento; pode ser construído no caderno, no quadro ou com o auxílio do computador; pode ser empregado em qualquer nível educacional; sua construção pode ser individual ou coletiva; pode gerar discussões em qualquer área do conhecimento.
Para construção dos mapas conceituais Okada (2006a, p. 9) estabelece as seguintes orientações: ao escolher o campo do conhecimento, definir o foco a ser seguido; destacar no campo do conhecimento os conceitos e verificar sua sequência hierárquica; interligar os conceitos através de linhas; formar as proposições geradas pelas interligações; repensar as palavras-chaves para tornar mais claras as proposições;
realizar feedback com a possibilidade de outras opiniões; avaliar o mapa destacando os pontos mais importantes do tema.
Conforme Okada (2008a) os mapas conceituais podem desenvolver habilidades através de ações e estratégias, para a construção do conhecimento, veja a Tabela 2.3.2 a seguir.
Tabela 2.3.2 - Habilidades desenvolvidas com o emprego dos Mapas Conceituais, e suas respectivas Ações e Estratégias (OKADA, 2008a, p. 61).
Habilidades Ações Estratégias
Reorganizar o conhecimento.
Refletir sobre a própria aprendizagem visualizando as mudanças que ocorrem no próprio conhecimento. Pensamento crítico reflexivo complexo, visualizando, desvelando e restringindo caminhos. Esclarecer as relações entre conceitos.
Pensar nas condições entre conceitos, avaliar as ligações, revisar e rever as relações lógicas.
Reconceitualização e ressignificação de
conceitos, o quê, como, por quê, em diferentes caminhos. Localizar e resgatar informações necessárias associando-as em outras redes semânticas.
Identificar o que já se sabe e o que falta saber,
planejar como organizar conceitos significativos mostrando autoreflexão, e raciocínio metacognitivo.
Delimitação de problemas, redefinição, busca de novas soluções, identificação de novos significados, descrição das relações semânticas.
Relacionar novos conceitos com ideias já existentes. Integrar conteúdos diferentes de conhecimento. Atualização da rede, observação e mudanças no contexto, relações e estruturas. Desenvolver aprendizagem espacial através da representação gráfica de conceitos. Resolver problemas escolhendo pontos mais relevantes, criar ideias, aprimorar domínio de um assunto. Avaliação e priorização, classificação, sistematização de conceitos, ideias, informações.
Para construção dos Mapas Conceituais, que foram produzidos na disciplina Ensino de Ciências e Matemática, ministrada no 2º semestre de 2010, no Curso do Mestrado Profissional em Ciências e Matemática, foi utilizado o software Cmap Tools, que é abordado na subseção 2.6.2.