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Diğer Varlık ve Yükümlülükler

31.12.2017 31.12.2016 Şirket tarafından verilen Teminat Rehin İpotek(TRİ)'ler

26. Diğer Varlık ve Yükümlülükler

De maneira recorrente encontramos em seus discursos a reprovação da caridade como virtude defendida pela Igreja. Esse discurso de deseducação constituíam a moral burguesa. Uma das passagens de seu artigo “O desperdício da energia feminina”, Oiticica combate a “caridade”:

Qual a maior virtude para a moral burguesa? Todos os livros, todos os padres,

todos os professores responderão: a caridade. Podemos, entretanto, demonstrar que a

caridade é a maior vergonha humana. Numa sociedade justa onde a verdadeira

moral se cultivasse, onde existisse a solidariedade, as irmãs Paulas seriam monstros. A

caridade é a infâmia pela qual o patrão que roubou as energias do seu operário, o agiota que especulou sobre as necessidades alheias, o jornalista que vendeu a pena a

132 trapaceiros, o politiqueiro que enganou os eleitores com as falsas promessas socialistas para ser deputado ou ministro, o padre que vendeu rosários, horas

marianas e missas, todos esses sugadores sem escrúpulos abafam os reclamos da consciência restituindo aos mendigos e proletários a título de esmolas, de sacrifícios recompensável no outro mundo, uma partícula das sobras dos seus prazeres satisfeitos. Pela caridade podeis avaliar o resto da caridade burguesa.

[...]. (A vida, Rio de Janeiro, ano I, nº 2, 31-12-1914, p. 7- 8, grifos nossos).

Oiticica atacava a “caridade burguesa” esclarecendo que se tratava da hipocrisia reinante na sociedade. Em A doutrina anarquista ao alcance de todos, por vezes se reportou ao romance Germinal, de Émile Zola, para exemplificar as mazelas da cultura burguesa. Esta evidência faz supor que muito provavelmente, em uma de suas conferências, ao tratar especificamente do tema da caridade burguesa, ele tenha se reportado a uma passagem desse romance de Zola, em que o operário enlouquecido pelo peso do trabalho, pela perda de familiares, pela derrota da greve estrangula a jovem burguesa bondosa que lhe levava ao lar a “caridade”, o alimento que sobrou da mesa.

A resignação é a destruição da vontade

Em seu ensaio “O desperdício da energia feminina”, Oiticica se reporta aos dez mandamentos e critica o ensino das escolas públicas:

E a moral dos dez mandamentos da lei de Deus e dos cinco da Igreja, Moral que diz num mandamento: não matarás e ensina nas escolas públicas, como virtude o

patriotismo e nos quartéis a arte de matar homens. Moral que prega o amor do próximo e na economia política justifica a lei da concorrência, isto, é do mais desgraçado desamor humano. O resultado dessa moral é um desperdício

extraordinário das energias morais eficazes. É a destruição da vontade. É o cultivo

da subserviência. É a lição diária das humilhações mais soezes. Não ensina ela a

resignação? E a resignação que é se não a incondicional inércia do escravo sob o látego do amo? Qual a posição da mulher nessa moral? A de uma entidade psicológica autonomata. A mulher burguesa, freira ou proletaria não se dirige. É dirigida. (A

Vida, Rio de Janeiro, ano I, nº 2, 31-12-1914, p. 7- 8, grifos nossos).

A resignação, tão estimulada pelas vozes da Igreja em nome da culpa pelo pecado original, é combatida nos discursos de Oiticica. Resignação e subserviência eram obstáculos para as atividades sindicais, principalmente pelo papel que tinha a imprensa na propaganda

social. O combate à apatia era condição imprescindível para eliminar seus efeitos nocivos que não permitiam enfrentar a repressão sobre as atividades sindicais.

A questão da emancipação feminina para Oiticica era de fundamental importância, pois ao longo de sua produção foi possível observar tal temática, como em suas peças teatrais, escritas para as suas aulas e para o teatro social, as personagens femininas refletiam os

133 desígnios e o papel da mulher libertária.

O anticlericalismo combatia principalmente o poder papal e da Igreja, tanto no plano religioso como no temporal, sobretudo no seu aspecto ideológico e religioso, observando neles um forte caráter e instrumento de dominação, consolidação de poder e enriquecimento. A Igreja era tomada, pelos articulistas dos jornais da imprensa libertária, como uma instituição autônoma, apartada da sociedade, uma ameaça ao país, a cada consciência individual e a família.

Além disso, era praxe recuperar algumas histórias de religiosos rebeldes à Igreja, focalizando personagens como, por exemplo, Giordano Bruno que fazia parte do calendário de lutas libertárias tal como já mencionado no capítulo anterior 4.

Liga Anticlerical

Realizou-se a 17 de fevereiro e promovido pela Liga Anticlerical a comemoração do suplício de Giordano Bruno. Fez-se uma bela oração, historiando a vida de

Giordano Bruno, o camarada José Oiticica. Falaram outros camaradas. (A Voz do

Trabalhador, Rio de Janeiro, ano VI, nº 26, 01-03-1913, p.2, grifos nossos).

José Oiticica também traduzia textos sobre essas histórias dos rebeldes da Igreja, examinava as traduções de textos sacros do latim para o grego e do grego para o latim traduzido pelos padres, e, com isso, apontava-lhes as incorreções que cometiam, buscando abalar a confiabilidade das palavras dos religiosos, repetidas em suas prescrições ritualísticas. Essas cominações eram por ele tratadas como obstáculos à formação do livre pensamento.

O costume de desmontar discursos apontando os erros do outro e se posicionando em fileira de combate era um comportamento recorrente dos homens de letras de seu tempo. Uma de suas traduções que exemplificam seu interesse pela história da Igreja Católica foi noticiada nos Jornais A Lanterna, de São Paulo e, em A Voz do Trabalhador, do Rio de Janeiro, tal como pode ser observado a seguir:

História da Inquisição na Idade Média

Obra do grande historiador americano H, Charles Lea, traduzida em português pelo Dr. José Oiticica

Aos livres pensadores do Brasil

Os que estudam a história da Igreja, mormente com intuito de combatê-la como um

dos grandes males da humanidade, precisam conhecer os seus crimes, o seu papel

na sociedade moderna, pois somente pela análise do seu passado poderão bem

compreender o seu mecanismo, os seus intuitos, os seus atos de hoje. A Liga

Anticlerical inicia, por isso, a publicação em português de obras de reconhecido valor, de reputação universal, pondo ao alcance de todos os que não podem ler o original ou traduções em outras línguas.

134 Resolveu começar pela obra notabilíssima de Lea, hoje tida por todos os especialistas como o manual clássico, repertório de fatos indiscutíveis, escritos com ciência completa e notável imparcialidade. [...]

[...]

Não tendo a Liga o necessário para adianta-lo, na publicação do primeiro fascículo, apela para os que desejarem possuir a obra, pedindo-lhes que enviem desde já as quantias correspondentes aos números que assinarem.

N.B. A assinatura dos 10 primeiros fascículos custará apenas 2$ e, querendo poderá assinar um só fascículo ao preço de 200 réis.

(A Voz do Trabalhador, Rio de Janeiro, ano VII, nº 51-52, 01-04-1914, p.4).

Com estas investidas intelectuais, Oiticica fortalecia o seu arsenal de “combate pelas palavras” para criticar os representantes do clero. Ampliava o seu repertório temático e propagava os resultados de sua leitura proferindo-os em suas conferências sociais patrocinadas pela Liga Anticlerical. O programa de suas atividades, como as traduções e as conferências, era divulgado em todos os jornais da imprensa libertárias, tal como no exemplo a seguir:

Liga Anticlerical

A Liga Anticlerical lavrou mais um tento. É o caso que ela não deixou passar em branco a semana santa sem realizar soleníssimo protesto. Para este fim foram organizadas sessões especiais para os três dias últimos da semana quinta, sexta e sábado.

[...]

Na sexta-feira o Dr. José Oiticica fez uma substanciosa e brilhante conferência, discorrendo sobre a farsa da semana santa, a mentira cristã, o perigo das religiões, e a falsidade dos deuses [...]

(A Voz do Trabalhador, Rio de Janeiro, ano VI, nº 28, 01-03-1913, p.2).

Meses após a sua libertação da prisão na Ilha das Flores, ainda no início de 1926, José Oiticica, muito atento aos artigos de religiosos veiculados pela grande imprensa e pelos jornais católicos, mantinha disposição para questionar a erudição dos autores clérigos. Adentrava no terreno teológico das produções religiosas e contra-argumentava com contundência a esses intelectuais religiosos, vasculhava as más traduções dos textos teológicos, fosse do grego para o latim, como do latim para o português, analisava as interpretações e, feita a seleção e organização desses elementos, apontava os erros dos ensaístas da Igreja.

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3.2 A educação religiosa rouba a consciência

Os articulistas dos jornais libertários lançavam críticas severas às escolas religiosas, em contrapartida cuidavam para que a propaganda social criasse o mesmo dispositivo na perspectiva libertária. Oiticica expressava principalmente por meio do jornal a crítica à educação escolar religiosa.

Figura 3 O método de ensino clerical116

(A Lanterna, ano VI, nº 186, 12-04-1913, p. 01)

A expressão de “canastrão” estampada no religioso e a cabeça de “burro” do fiel servia para comunicar a mensagem tanto aos letrados, como aos iletrados. O padre, depois de arrebatar a consciência do fiel, esvaziava-lhes os bolsos do casaco e obrigava-o ao ato

116 Ver: Figueira (2003, p.82). A dimensão da figura não é a mesma da figura original. O ano de circulação dessa imagem marcou a morte do papa Leão XIII e o novo papa foi saudado nos jornais anticlericais como a cabeça da serpente. E a serpente era a Igreja, “[...] um réptil que dá volta ao mundo/e em cujas espirais ébrias de raiva insana/um laconte imortal a consciência humana/há séculos se estorce em convulsão atroz/Os elos desse monstro implacável sois vós, sacristãs/A cabeça é o papa/Ora as serpentes/tem a força na cauda e o veneno nos dentes”. (VALADARES, 2000, p.90).

136 confessionário. A “vítima do padre” é estilizada como um personagem cuja inteligência foi subtraída pelo método de ensino religioso e por essa razão foi reduzido ao fiel que escuta o padre. A charge de A Lanterna como crítica ao método de ensino religioso fazia chacota, atacando as escolas religiosas, os padres professores e toda sorte de pregações religiosas.

É possível verificar as faces do combate aos “perigos das escolas da Igreja” em diversos artigos publicados na época, década de 1920, como, por exemplo, o artigo do periódico Crônica Subversiva, que circulou no Rio de Janeiro, em 1918, sob direção de Astrojildo Pereira, que contava com colaboração de José Oiticica:

Os grandes educadores

O acaso pois me entre mãos um programa da sessão cinematográfica havida no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa (Niterói), em benefício do Santuário de Nossa (deles) Senhora Auxiliadora. Eis os títulos de alguns dos filmes exibidos: Lord Kitchener e o homem de mascara cinzenta, drama policial. Assim procedem os “grandes educadores” de batina, aproveitam-se de todos os meios para encher as cabecinhas em formação das crianças com as caraminholas mais estúpidas e embrutecedoras. Nada mais estúpido e embrutecedor que uma fita policial: pois os frades salesianos fazem a fita policial matéria de educação. Mais e mais se me arraiga a cada hora, diante de fatos tais, a alta necessidade do furacão revolucionário.

(Crônica Subversiva, Rio de Janeiro, ano I, nº 8, 20-07-1918, apud FIGUEIRA, 2003, p.60).

A crítica desencadeou-se da observação sobre “a má escolha” ou “a escolha perigosa” dos filmes selecionados pelos padres-professores. O argumento: as conseqüências que poderiam ser acarretadas “nas cabecinhas em formação das crianças”, em razão das “caraminholas mais estúpidas” do “perigoso cinema da Igreja”.

Contra as escolas, os jornais, o teatro e o cinema da Igreja colocava-se a tarefa da militância anticlerical. Era nesse contexto que José Oiticica estava inserido.

3.3 polêmica com o padre Leonel Franca

Benzer Belgeler