Como temos vindo a ver, para o bem ou para o mal, não há forma de escapar à magnitude tecnológica que assola a vida contemporânea e que cada vez mais se apresenta como essencial no ensino e na continuidade da escola. De acordo com Mattson
Nestes dias e era o uso da tecnologia na educação musical está a tornar-se cada vez mais um lugar comum. Assim, é importante que os professores de música abracem estas tecnologias musicais emergentes e trabalhem no sentido de integrar estas tecnologias no curriculum de música existente.5 (Mattson, n.d., p. 2)
Estudos recentes (Demsky. 2010, cit. in Mattson, n.d., p. 3) indicam que mais de 80% dos atuais alunos do secundário não tirarão um curso de música durante o seu percurso pela escola secundária. Sendo que os programas e os orçamentos para o ensino da música são cada vez mais exíguos torna- se necessário refletir sobre como o melhor caminho para atrair mais alunos e assim, despertar o seu interesse para o estudo de um instrumento, ou mesmo para continuar os estudos já iniciados. Neste caso, o autor acredita que é imprescindível integrar a tecnologia no ensino da música.
Não podemos fugir ao facto de vivermos na era tecnológica e que a música também se tornou parte desse mundo tecnológico. Trata-se de alunos que não conhecem outro mundo, que não o das tecnologias e o da informação rápida, nomeadamente no que diz respeito àquelas associadas com a audição e a realização de música, como computadores, teclados eletrónicos, programas e ficheiros em MP3, CDs, internet, aplicações de software que possibilitem a sequencialização, a anotação, a edição e a gravação de música através do MIDI, etc., apenas para citar alguns exemplos de artefactos musicais digitais amplamente utilizados. De acordo com Mattson (n.d., p. 4), os “alunos ouvem mais música, criam mais música, e tocam mais música como nunca antes havia acontecido, mas nós como educadores não estamos envolvidos.”6 Há 30 anos atrás, Attali (cit. in Crawford,
5 In this day and age the use of technology in music education is becoming more commonplace. Therefore, it is important that music educators embrace these emerging music technologies and work to integrate these technologies into existing music curriculum. 6 “Students are listening to more music, creating more music, and playing more music then ever before, but we as educators are not involved.”
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2009, Mattson, n.d, p.6) vaticina que “uma nova música está a nascer, uma que não pode ser expressa nem entendida utilizando as antigas ferramentas”7.
Crawford (2009, p. 468, cit. in Mattson, n.d., p. 13) afirma que a inovação tecnológica para o futuro é inegável e que daí depende a prosperidade das nações. É necessário construir uma força de trabalho educada para a tecnologia, com competências em literacia tecnológica. Esta realidade à qual os professores de instrumento não se podem alhear tem de ser posta em prática, de forma, a que os alunos de instrumento e possíveis alunos se sintam motivados a estudar, dando, assim, continuidade ao ensino da música.
Já Demo (2009, p. 53) refere a necessidade de se proceder à “desconstrução de algumas resistências pedagógicas (Evan, 2001) ” que ainda resistem entre os pedagogos que se “agarram a uma única teoria, [à] fixação na aula instrucionista, [à] extirpação/endeusamento de processos avaliativos, etc.”.
Tal como refere Dantas, a sociedade contemporânea é irremediavelmente tecnológica e está caracterizada “pela quantidade de informação que surge continuamente, [e que] exige um repensar de ações realizadas nas instituições de educação básica e superior” (Dantas, n.d., p. 197). Não podemos negar que as inovações tecnológicas fazem avançar as diversas áreas do conhecimento, entre elas a da música. Todavia, para muitos dos professores “o uso das tecnologias digitais, audiovisuais não é visto por uma parcela considerável de docentes e por instituições com uma possibilidade de obter uma ‘modernização transformadora’ da educação e inserção dos educandos no processo de construção da sociedade.” (Dantas, n.d., p. 198).
Posto isto, considera-se que, seja de forma presencial, individual ou até virtual, o professor- mediador possibilite múltiplas formas de aprender através da exploração e compreensão dos conteúdos necessários e essenciais, mas também que seja capaz de atribuir novos significados à aprendizagem dos seus alunos.
Todavia, tratando-se de um espaço em mudança e pleno de contradições, ainda se verifica uma grande resistência por parte dos professores, incluindo no ensino do instrumento, à integração e uso das TIC no processo de aprendizagem. Mas nem a cultura musical, como espaço anteriormente definido e balizado, foge ao processo de construção e reconstrução que as TIC irremediavelmente trouxeram, que romperam com todas as fronteiras espaço-temporais e que se tornaram globais.
Mas, tal como salienta Masetto (2000, p. 142 cit. in Dantas, n.d., p. 206) “Mudar, muitas vezes significa um desconforto que gera insegurança. Para nós professores, essa mudança de atitude não é fácil.”
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No entanto, tal como dito anteriormente e pegando nas palavras de Dantas (n.d., p.204), a “escola enquanto instituição social participa das metamorfoses do espaço e acaba se inserindo nesse contexto de renovação, tentando adequar aos seus princípios e métodos de ensino. Porém, a inclusão das tecnologias demanda por recursos materiais e humanos para que o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem aconteça com eficácia e cumpra as expectativas.”
Segundo Ponte (2000, p.1) cit. in Dantas (n.d., p. 205),
Encontramos atualmente entre os professores atitudes muito diversas em relação às tecnologias de informação e comunicação (TIC). Alguns as olham com desconfiança, procurando adiar o máximo possível o momento do encontro indesejado. Outros as usam na sua vida diária, mas não sabem muito bem como as integrar na sua prática profissional. Outros, ainda, procuram usá-las nas suas aulas sem, contudo, alterar as suas práticas. Uma minoria entusiasta desbrava caminho, explorando incessantemente novos produtos e ideias, porém defronta-se com muitas dificuldades como também perplexidades. Nada disto é de admirar. Toda a técnica nova só é utilizada com desenvoltura e naturalidade no fim de um longo processo de apropriação. No caso das TIC, este processo envolve claramente duas facetas que seria um erro confundir: a tecnológica e a pedagógica. Para analisarmos os desafios que estas tecnologias trazem ao professor, temos que considerar, em primeiro lugar, o papel que elas estão a ter na sociedade, bem como os processos de transformação que, presentemente, estão aocorrer na escola.