• Sonuç bulunamadı

Diğer Sağlık Personeli İçin PDC Dağılım İlkeleri:

PERSONEL DAĞILIM CETVELİ DAĞILIM İLKELERİ

B) ÖZEL HÜKÜMLER

5) Diğer Sağlık Personeli İçin PDC Dağılım İlkeleri:

Meu nome é Roberto Tomaz de Aquino, tenho 20 anos. Quem ocupou lá de casa foi a minha mãe e o meu pai, eu vim logo na cola dela. Quando eles ocuparam, eu tinha uns irmãos mais velhos que era a Maria de Lourdes e a Iraneide. Elas ficaram em casa com os demais e eu que era de colo tive que vir junto com a minha mãe. Os ocupantes daqui foram direto para o Caldeirão, só que com o tempo, virão que não ia dar pra ficar naquela terra . Então, certo prefeito ou era algo parecido, comprou esse terreno que é onde a gente mora, o Assentamento 10 de Abril, e trouxe todo pessoal de lá para ficarem ocupando aqui. Assim aconteceu toda a ocupação daqui, no dia 10 de Abril foi quando tomaram realmente a posse daqui e é quando a gente faz a comemoração do aniversário da comunidade e foi, também, de onde veio o nome do assentamento. Desde então, estamos aqui.

O assentamento tem muita história se a gente for contar mesmo. Né? No começo eram barraquinhas de lonas e onde tinha o barracão era onde aconteciam todos os eventos, com o tempo, em torno de 1996 ou 1997, foi que vieram fazer as primeiras casas de barro e taipa e entre 1999 e 2001 foi que surgiram as primeiras casas de tijolos. De lá para cá foram muitas mudanças e aumento da população, ficando também mais adaptados.

Em termos, a história do assentamento está mesmo na “capacitação” dos que já vieram vivendo ela desde o começo. Os demais, que estão surgindo agora no assentamento e que é a nova juventude, poucos tem interesse por essa história, pois eles já fazem parte de uma nova sociedade e estão vivendo uma coisa diferente, bem sucedida, sem saber o que aconteceu. Eu diria que entre dez novos, só três têm vontade de conhecer.

Meu pai nunca contou como era a vida antes de vir pra cá, mas minha mãe sempre falava onde morava antes de participar da ocupação. Era na serra, vizinho ao sítio Zabelê, entre o sítio Cruzeiro e o município de Nova Olinda, foi lá onde ela viveu quase toda a vida dela com seus irmãos. Depois, aos 16 anos, casou e teve o primeiro filho com meu pai e de lá eles vieram morar no “Engenho da Serra”, que era onde meu pai morava antes de casar. Depois, com o tempo, eles vieram pra ocupação juntos.

Meus pais trabalhavam em terra própria, porque minha mãe tinha umas terras que eram do meu avô, e trabalhavam plantando mandioca. Naquele tempo, mandioca era um meio de vida bem sucedido, tanto quanto o carvão. Da mandioca não se desperdiça nada, se faz a farinha, goma, e a casca se vende para os criadores de gado. E o pai de meu pai sempre viveu bem, sem muita preocupação, mas o assentamento foi que ajudou muito meus pais.

Minha mãe deixou de morar com o pai dela porque quando se é jovem e se casa, sempre tem desavença nas famílias. Aí foi por causa disso que foram morar no Engenho da Serra, na terra do pai do meu pai. Lá onde eles foram morar era pouca terra e sempre havia desavença entre os irmãos do meu pa i e outras coisas lá. Então, quando surgiu a ocupação aqui do Caldeirão, eles viram que a terra aqui é bem produtiva, diferente de lá da Serra, que se você for plantar um pé de milho dá apenas uma espiga e mal, aqui como a terra é baixa e de boa produtividade foi um incentivo pra eles virem pra cá.

Aqui no assentamento eu sou do grupo de jovens, trabalho na horta com a minha mãe, trabalho um pouco no coletivo, que é difícil de eu ir, mas eu vou também, e trabalho com apicultura com meu pai, e vou levando. No coletivo aqui é assim: quando se junta são uns três grupos de homens, uns vão roçar a manga do gado, outro vai para restauração das cercas e outro vai fazer uma revisão nas cercas mais longe, nas divisas da terra pra ver se está precisando de alguma reforma, trocar alguma estaca ou alguma coisa.

Nos estudos eu to parado agora, porque terminei o 3º ano do ensino médio. Eu estudei até a 4º série aqui no assentamento, fiz até a 7º em Monte Alverne e o restante no colégio Presidente Vargas anexado a Santa Fé. Não precisei ir para o Crato não. Eu concluí, mas não fiz o vestibular do PRONERA não, porque o tempo agora tá curto pra eu me interessar pelo vestibular. Mas eu fiz o ENEM e vou fazer de novo, aí, dependendo da minha nota, facilita mais pra mim no vestibular. Mas eu fiquei sabendo do PRONERA. Teve uns meninos aqui que fizeram, mas por alguns pontos não passaram.

Eu penso em fazer um curso pra poder trabalhar com a terra, pois já participei de alguns eventos e fiz um curso agora com a Graça, da FETRAECE, teve carga horária de 96 horas de estudos, era sobre a adaptação do solo e do meio ambiente. Penso em fazer um curso de agronomia para trabalhar o solo aqui dentro, porque se a pessoa souber trabalhar mesmo tem como ele ter uma renda boa. Mas, em compensaçã o, a terra aqui é difícil. É difícil porque ela não é toda adaptada para trabalhar com agricultura de irrigação, aqui só tem três lugares adequados para trabalhar com isso, e tem muita gente que já tá produzindo nesses locais. Então, pra eu fazer um curso profissionalizante para trabalhar nesses setores, eu tenho que repassar para os demais membros da comunidade. Porque só pra mim não dá, já que os locais que a gente trabalha são públicos, dividido pra todos. Então eu não posso fazer e ficar com a capacitação só pra mim, tem que passar o contexto do que eu estudei. Mas é isso, eu quero um curso que mexa com irrigação.

Mas aqui a rotina da juventude é um pouco devagar, porque as oportunidades de emprego são poucas. Só que, incluindo os demais jovens que já quem tem a idade mais

avançada, sempre tem alguma coisa pra fazer: o trabalho da roça do pai, alguns já têm suas roças também, outros trabalham com outras coisas como a apicultura (tem dia que é puxado pra fazer tudo isso), outros cuidam do gado, e assim vão levando o dia a dia deles.

Quando eu estudava, trabalhava pelo dia e ia pra escola de noite. Eu trabalhava pelo dia de serviço, alugado como a gente diz. Trabalhava alugado para um patrão ou trabalhava na horta ajudando minha mãe. Isso até que terminei meu 3º ano, agora estou só trabalhando na horta dos orgânicos e na sexta-feira sou eu quem vai vender os produtos lá na cidade, na feira da ACB. Esse dia de alugado que eu disse que trabalhava era aqui dentro do assentamento mesmo, os mais velhos me pediam para ajudar em algum trabalho, pedia pra fazer alguma coisinha. Aí eu ia fazendo e ganhando um dinheirinho pra ir me mantendo enquanto não arrumo um emprego mais adequado. E trabalho colocando água no colégio também, duas semanas por mês, com isso eu ganho uma renda de R$ 120,00 reais mensal. Não é muita coisa para quem mora aqui, mas já é uma ajuda boa. Eu boto água no colégio do assentamento 10 de Abril mesmo, o colégio aqui se chama “Construindo o Caminho”.

Eu não cheguei a sair do assentamento para traba lhar, mas conheço muitas pessoas que já saíram daqui e voltaram. Tenho um irmão que está em São Paulo e não fala mais em voltar, outros vão trabalhar na Fábrica Santa Luzia, outros nas construções. Trabalham um período de três ou seis meses e depois voltam e passam mais seis meses aqui. Essa é a rotina deles, indo e vindo, porque isso é um meio de ganhar dinheiro e estar se mantendo, porque só aqui o rendimento não dá pra se manter . Aí eles tem que sair e procurar outra coisa fora.

Eu acho que eles saem porque lá fora o rendimento é maior. Por exemplo, esse trabalho que a gente tem da horta comunitária é um meio de visar um lucro rápido, mas, em outros termos, esse lucro só dá mesmo pra você se manter. Não dá pra você manter alguma coisa mais adiante com esse trabalho da gente. Você não pode fazer uma compra em uma loja pra pagar daquela produção, porque não dá. Praticamente dá só para o consumo em casa, não dá pra você ir comprando umas coisinha e ir se ajeitando por ali. Não dá pra você elevar sua vida ao nível em que as coisas vão se desenvolvendo hoje, porque na base em que se desenvolvem a gente não tem a mesma capacidade de se desenvolver igual. É que hoje em dia a tecnologia avançada tá indo bem adiante da pessoa e a pessoa quer seguir aquela coisa. Por exemplo, se lança uma televisão nova logo “num quero essa minha televisão mais não, vou vender e comprar uma nova”. E o nosso trabalho não dá pra gente fazer isso, só dá pra pessoa se manter e manter a família em casa.

Então, eu acho que a juventude não entra em um projeto desse nosso por causa do ganho. Porque dependendo do meio do trabalho, quem trabalha lá fora como eles fazem, que não tem carteira assinada e ganha por produção, quanto mais rápido trabalha, mais ganha. Então, tem gente daqui que vai, trabalha três meses, e chega a fazer uma renda mínima de R$ 5.500,00 reais. E aqui na nossa produção, por mais que a pessoa queira, em três meses o máximo que você vai fazer são R$ 1.500,00 reais. É uma diferença grande, então, é por isso que eles saem.

No meu caso, eu não cheguei a sair ainda porque dependo muito da minha mãe e, também, se eu sair os irmãos que tenho em casa não se adaptariam ao trabalho dela. Aí ela ficaria mais parada. E já tem um irmão meu que saiu, então, se ele chegar a voltar e eu tiver a chance de ir ver o que eu faço fora, saio e depois volto de novo. Tenho essa vontade de sair e depois retornar se der certo. Mas não tem nenhum lugar específico que eu queira ir, pode ser até aqui vizinho, em Monte Alverne, basta que seja um emprego que eu tenha uma renda “mais adiantada”, que eu possa me manter e ajudar a minha família, que eu vou.

O que falta mesmo aqui é um projeto diretamente pros jovens da comunidade com o apoio dos pais. Porque hoje em dia a gente tem o nosso grupo de jovens aqui do assentamento e em reuniões a gente sugere eles a saírem pra os encontros e eventos da juventude, mas existem problemas com os pais em deixar seus filhos saírem. Acham que eles vão beber ou acontecer algo ruim, mas não é bem assim como eles pensam. E como eles estimulam os filhos a não sair, a ficar sempre dentro da comunidade sem procurar os objetivos deles, é isso que faz os meninos perderem a noção do que eles procuram mesmo. Se aqui no assentamento tivesse mais incentivo dos pais para ajudar os filhos, aqui era o lugar ideal pra eles mesmo, tanto em termo de produtividade como em renda para a própria família em casa.

Hoje em dia, quando os meninos estudam fora, os pais pensam que eles saem com o sentido de beber nas festas, porque eles sabem que hoje em dia tem as baladas e que os jovens bebem. Então os pais ficam com medo, mas esse medo acaba deixando um tipo de transtorno para os meninos. Porque eles tiram o incentivo daquilo que os meninos iam fazer. Não dão incentivos dizendo: “vá filho, e faça para que no futuro você tenha o seu lucro, lute por aquilo”. Eles não dão o incentivo necessário para os filhos fazerem o que querem.

Eu pretendo sair para poder procurar um meio de renda mais rápido para quando voltar poder investir, pois aqui é um local bem produtivo, tudo que você tentar produzir aqui dá. Por exemplo, o Luiz, ele cria porco, frango e tem a bodega dele mesmo aqui no assentamento, mas isso foi porque ele saiu e teve um meio de ganhar dinheiro rápido.

Então, quando ele chegou começou seu desenvolvimento e, como só era ele aqui dentro com a bodega, ligeiro aumentou sua produtividade. O que ele produz ele mesmo vende. Isso é uma coisa que eu penso em fazer. Se eu tivesse um capital, eu poderia trabalhar em cima disso, eu poderia me adiantar aqui na comunidade sem precisar ir embora. É esse o meu interesse em sair e arranjar um capital mais rápido, para poder desenvolver o meu trabalho aqui dentro. Porque eu pretendo trabalhar na horta lá com mãe.

6.

ENTRE AS MEMÓRIAS DOS PIONEIROS E AS PERSPECTIVAS DOS JOVENS:

Benzer Belgeler