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1) Descrição da elaboração e aplicação do programa e seus instrumentos e procedimentos; 2) Descrição dos 13 encontros do treinamento: detalhamento das técnicas e materiais utilizados em cada encontro;

3) Descrição da assiduidade/desistência dos pais no programa: com base nos registros semanais dos encontros, foi calculada a porcentagem de presença de cada participante nas sessões;

4) Análise e identificação da aceitabilidade e validade social e relevância clínica do programa e de sua eficácia:

Na percepção dos pais:

a) Transcrições das verbalizações, dos depoimentos nos auto-relatos dos pais durante a filmagem dos encontros e dos auto-relatos escritos espontaneamente;

b) Aplicação de um questionário para os pais sobre auto-avaliação e avaliação do programa de intervenção (Anexo F): foi solicitado aos pais a: 1) estimar, em escalas de 0 a 10: (a) o desempenho, envolvimento e motivação do grupo como um todo; o crescimento do grupo como um todo; o seu próprio crescimento no grupo; o seu próprio crescimento em sua vida; o seu próprio desempenho, envolvimento e motivação; (b) o desempenho, envolvimento e motivação de duas pessoas que eles consideraram que mais se beneficiaram (melhoraram) com o grupo (caso eles se situassem nessa relação, era solicitado que colocassem os seus nome na ordem suposta), em ordem decrescente, e registro, em seguida, das mudanças que foram percebidas nesses participantes; 2) três questões sobre as tarefas de casa realizadas nas sessões; 3) avaliação das melhoras observadas nos próprios pais, nos filhos e na relação pais-filhos; e 4) opinião sobre as contribuições do programa para os pais.

Na percepção dos filhos: Avaliação dos pais pelos filhos (Anexo G): avaliação por meio de auto-relatos escritos a respeito das melhoras e pioras observadas pelas crianças em seus pais e sobre a descrição dos comportamentos apresentados pelos pais antes e depois do programa. A aplicação desta avaliação foi feita individualmente com cada criança, assegurando-lhes quanto ao sigilo das informações ali contidas, principalmente em relação aos seus pais, orientando-lhes sobre a importância de lembrarem honestamente o maior número de mudanças observadas em seus pais durante esse período.

5) Classificação e análise dos repertórios comportamentais dos filhos:

a) carimbos: os dados foram organizados em um gráfico para análise da evolução, ao longo do período do programa, da qualidade das tarefas de casa das crianças na avaliação dos pais, das Tarefas de Aprendizagem em Casa (“TAC”) feitas por eles (a ser explicada em Resultados) e das notas no boletim escolar;

b) execução de Tarefas de Aprendizagem em Casa –“TAC”: os dados foram comparados com as notas dos boletins das crianças e com as notas das disciplinas com o conteúdo das tarefas dadas pelo programa.

6) Classificação e análise dos repertórios comportamentais dos pais:

a) classificação e análise das tarefas de casa dos pais: os dados das tarefas de casa denominadas Tarefa para Observação em Casa (“TOC”) foram categorizados, pelo seu conteúdo, em classes comportamentais de acordo com os auto-relatos dos participantes, para classificar os dados em grupos funcionalmente relevantes para os objetivos do estudo, definidos com base na funcionalidade das ações e exemplificadas com a descrição das verbalizações escritas, buscando-se refinar o sistema com base nos critérios de exaustividade, exclusividade e manutenção (Alves, Koller, Silva, Reppold, Santos, Bichinho, Rode, Silva & Tudge, 1999). As demais tarefas de casa, por ser compostas por atividades práticas realizadas na interação entre pais e filhos, não foram categorizadas, visto que seu objetivo era estimular os pais a aplicarem o conteúdo aprendido durante o programa em casa e acompanhar as tarefas escolares dos filhos.

b) filmagens domiciliares das tarefas de casa de seus filhos: as filmagens executadas pelas monitoras, treinadas, em três momentos ao longo do programa de treinamento dos pais, entre: (1) a primeira e terceira semana; (2) sexta a oitava semana; e (3) décima primeira a décima terceira semana. Posteriormente foram assistidas pela pesquisadora para serem feitos registros cursivos das situações representativas de déficits ou excessos comportamentais inadequados e de comportamentos socialmente adequados quanto ao repertório de habilidades sociais na interação pais-filho, que foram colocadas em quadros, contendo:

situação antecedente; comportamento do filho; comportamento dos pais. Por fim, em cada um desses momentos, foram agendados encontros individuais com os pais após terem feito as filmagens, para serem exibidas imagens selecionadas contendo cada situação considerada relevante quanto às habilidades sociais para cada família, separadamente, visando proporcionar uma estratégia de modificação do comportamento familiar frente à situação de estudar em casa ao orientá-los quanto a alternativas de comportamentos mais adequados nessas situações. Neste sentido, o objetivo esperado foi de aprimorar seus comportamentos ao longo do tempo. Para classificação do repertório, foram classificadas: (a) as situações a partir das categorias propostas por Rocha (2003), (b) os comportamentos dos pais a partir das habilidades sociais e habilidades sociais educativas definidas por Del Prette & Del Prette (2001; 2007), e organizados em classes e subclasses de acordo com Del Prette, Del Prette, Garcia, Silva e Puntel (1998) (Anexo H).

c) filmagem dirigida à situação de jogo com o filho (a ser explicado no Capítulo Resultados, p. 72 e no Anexo K): as filmagens foram feitas pelas monitoras, treinadas, entre a quarta e oitava semana do programa de treinamento dos pais. Após s gravação, foram agendados encontros individuais com os pais para ser exibida a imagem completa da filmagem do jogo, cuja duração correspondeu a cerca de uma hora, contendo diversas interações consideradas relevantes quanto às habilidades sociais para cada família, separadamente, visando proporcionar uma estratégia de automonitoramento e modificação do comportamento e de solução dos problemas encontrados no dia-a-dia frente à situação de interação pais-filho ao orientá-los quanto as habilidades presentes em seu repertório comportamental, e também a alternativas de comportamentos mais adequados em situações de déficits dessas habilidades, além de auxiliá-los a praticar os conceitos aprendidos durante o programa de intervenção ao observar situações reais nas quais eles ocorriam. Neste sentido, o objetivo esperado foi de ensiná-los a aplicarem na prática o conteúdo teórico que estava sendo aprendido no treinamento e a auto-avaliarem seus comportamentos buscando aprimorá-los ao longo do tempo. As ações interativas das filmagens foram assistidas e organizadas pelos próprios pais em classes e subclasses a partir dos conceitos aprendidos por eles no programa, incluindo habilidades sociais e habilidades sociais educativas (Del Prette e Del Prette, 2001; 2007³). Enquanto os pais assistiram ao vídeo do qual participaram, fora solicitado a eles que formulassem opiniões, análises e observações a respeito de sua “atuação” relacionada aos temas abordados durante o programa, sendo oferecida ajuda sobre os conceitos, dando pistas para que observações mais acuradamente as situações de modo a desenvolver neles a habilidade social de automonitoria. Cada relato de observação foi lido e

analisado sem alterar sua forma literal escrita pelos pais, e foram feitas anotações a partir dos próprios relatos, identificando situações conforme a fundamentação teórica da área de habilidades sociais, análise do comportamento e práticas parentais, para serem posteriormente montados quadros referentes a cada um dos relatos de observação dos pais de forma literal, incluindo apenas os conceitos correlacionados a cada item mencionado por eles, as práticas parentais e habilidades sociais categorizadas empiricamente determinadas a partir de outros estudos realizados anteriormente a esta pesquisa, sendo organizadas a partir de categorias e subcategorias da literatura da área de habilidades sociais (Del Prette & Del Prette, 2001; 2007) e a classificação de 20 habilidades de manejo de comportamentos categorizadas por Grossi (2003) que permite ser aplicada em diferentes situações do cotidiano da família, conforme Anexo H. A utilização destas categorias na observação da situação de jogo foi priorizada para auxiliar na análise e investigação do padrão de interação entre os membros de uma família e relaciona-lo às habilidades sociais estudadas.

d) filmagens do grupo participando durante os encontros: Foram selecionados relatos dos pais referentes a percepções quanto a melhora de seus filhos e a auto-relatos avaliando suas próprias mudanças comportamentais, que foram organizados em categorias de acordo com Rocha e Brandão (2001):

Pais falam sobre os filhos: organizado em subcategorias de comportamentos adequados (1. organização, 2. cumprimento de obrigações, 3. responsabilidade) e inadequados (1. hábitos de higiene, 2. reações anti-sociais, 3. desorganização, 4. lazer, 5. expressão de sentimentos negativos);

Pais falam das interações: organizados em categorias e subcategorias a partir da literatura (Deshler & Schumacher 1986 apud Neves, 1996; Swanson 1989 apud Neves, 1996) (Anexo H);

Pais falam sobre si mesmos;

Pais estabelecem novas contingências.

Ao final, os dados foram cruzados para confirmar os efeitos do treino por meio do aumento da freqüência de auto-relatos dos pais referentes à presença de habilidades sociais educativas e sua interferência na redução das queixas escolares dos filhos a partir dos carimbos e do aumento dos escores no TDE, indicando a possibilidade de haver relações entre as variáveis estudadas (Gresham, 1992 em Del Prette & Del Prette, 2005).

Resultados

V

iver implica mudança e

transformação. A relação homem-mulher vai passando por modificações ao longo do tempo, o relacionamento pais-filhos transforma-se na medida em que as crianças crescem e a experiência de trabalho se amplia com o tempo e a experiência. Por isso, desde que comecei a trabalhar com famílias e com grupos, muitas mudanças ocorreram. O que está descrito sobre o funcionamento dos grupos refere-se ao modo de trabalho atual, em muitos aspectos diferente de tempos atrás e talvez diferente do que será o futuro.” (Maldonado, 1997, p. 164)

RESULTADOS

São apresentados, a seguir, os resultados referentes a: (1) análise qualitativa do treinamento: a) descrição e elaboração dos procedimentos usados no programa; b) descrição do programa de intervenção; c) assiduidade/desistência aos encontros; d) classificação e análise dos repertórios comportamentais dos filhos; e) classificação e análise dos repertórios comportamentais dos pais; f) análise e identificação da aceitabilidade social e relevância clínica na percepção dos pais; e g) análise e identificação da aceitabilidade social e relevância clínica na percepção dos filhos sobre os pais; e (2) análise quantitativa com comparação dos resultados pré, pós-intervenção e avaliação de acompanhamento (follow-up): a) Checklist; e b) TDE.

Benzer Belgeler