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2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.4 Revize Edilmiş Bloom Taksonomisi

2.4.4 Diğer Değişiklikler

Mesa governa até 2005 e o congresso ainda polarizado não chega ao consenso sobre a Lei da Convocatória. O clima é de descrença nas instituições políticas. É o que se pode ouvir do boliviano comum com quem se trava uma conversa corriqueira, a polarização aumenta o nível de insatisfação não importa o espectro ideológico. Assim, estava aberto o caminho para mudanças mais radicais. A subida de Evo traz consigo uma nova agenda, o governo é sustentado, em grande medida, pelo apoio dos movimentos sociais e indígenas. E tem como base aliada um partido que muitas vezes bebe com fervor do espírito e do discurso dos movimentos sociais. Fruto do que Boaventura (2005) apontaria como uma transição paradigmática em que surgem epistemologias do sul mais em contato com sua própria história e demandas e que em uma perspectiva de emancipação social vão em direção a práticas de democracia participativa, consequentemente a democracia representativa aparece em questão..

Ainda assim é a partir da conquista de uma maioria no congresso, ou seja um grande aumento de políticos do MAS, que se faz não só a governabilidade de Evo, como também traz a viabilidade de uma Assembleia Constituinte, constituída por uma maioria dentro e fora das instituições. Setores esses, os quais reivindicam um conjunto de mudanças profundas. Em 2005 as principais promessas de Evo é a Assembleia Constituinte e a nacionalização dos hidrocarburos.

No dia que toma posse em janeiro de 2006 , Evo Morales afirma diretamente que se o Poder Legislativo freasse a Assembleia Constituinte, o povo obrigaria os parlamentares a levar em frente o processo. Os deputados da oposição, nesse momento, já levantavam críticas à posição do presidente e, desde o começo, reivindicaram a necessidade de obter dois terços para aprovar uma lei convocatória. Evo por sua vez evoca a demanda das ruas e barganha com a latência dela, mirando em direção ao congresso. A disputa que a oposição levanta sobre os dois terços segue-se por praticamente toda a constituinte e é sustentada pela ideia de equilíbrio do poder – ou aumento qualitativo da representatividade da sua bancada, no momento em que o partido MAS tem a maioria na casa. Para o grosso de dirigentes do MAS, a ocasião sinalizava o contrário, uma Assembleia trazia a oportunidade de utilizar a maioria como mecanismo de solução dos problemas substanciais do país e os requerimentos de reconversão econômica para ir mas além do neoliberalismo (Gamboa, 2008). O impasse entre maioria qualificada e maioria simples poderia ser interpretado como estratégia de entrave a mudanças mais profundas ou radicais.

O resultado final da Lei de Convocatória é frustrante para o Pacto de Unidad e tantos outros movimentos de base – as questões processuais e a forma de representação é a replicação de um jogo político cuja representação se daria também de forma muito similar à fórmula partidária. A Lei de Convocatória define que 255 constituintes a maior parte serão eleitos das 70 circunscrições já registradas tradicionalmente em eleições anteriores. A Lei prevê alianças entre partidos, povos indígenas e outras agremiações. A CIDOB ao fim tem um constituinte, indicado pela organização. Romero41 é filiado ao MAS, é advogado de La Paz e possui um histórico de estar próximo à organização em definições ténicas e jurídicas ao longo dos anos, é dele o camalhaço que agrega

41 Romero é intelectual e advogado nascido em La Paz, trabalhou com organizações do Altiplano e da região dos Yungas. Ele se conecta ao oriente através do seu ofício de advogado e a sua consultoria juridical prestada a CEJIS de Trindad. O que demonstra por um lado, a força que essa organização técnico jurídico, a CEJIS tem na criação de um estilo de reivindicação e relação com o Estado utilizando de um discurso e de conteúdos jurídicos pra trafegar na esfera do processo decisório e da criação de políticas.

informações sobre a IV Marcha Indígena do Oriente boliviano, em que resume as demandas desses povos.

Em 12 de fevereiro de 2006, as cotas de participação indígena estavam sendo deslocadas dos debates do congresso. Tanto o projeto do MAS como o da Unidade Nacional42 , ignoraram uma representação indígena mais contundente, enquanto o senador Carlos Borth do Podemos, partido da oposição, ironicamente era um dos únicos que concebia de maneira específica a criação de onze circunscrições especiais para povos indígenas minoritários, tais quais populações Guaraní, Chiquitana, Mojeña, Chimán, Tacana, Itonama, Baure, Weenhayek, Uru, Afroboliviana e Kallawaya. Em todas as propostas o critério escolhido enfatizava a distribuição equitativa em função da população e de uma representatividade indígena, no entanto, era muito complexa a combinação de circunscrições nacionais, departamentais e especiais ao mesmo tempo, recai aí um problema das disputas regionais. Para uma representação plurinacional, os povos indígenas do oriente, minoria com 6%43 da população da Bolívia, idealmente teriam que contar com uma representação proporcional a essa porcentagem populacional das terras baixas e a única maneira de consegui-la seria configurando circunscrições especiais.

Dessa forma, o avanço conseguido pelo MAS na comissão se reteve aos assentos especiais com 14 vagas destinadas a povos indígenas, originários e campesinos. No entanto, se o arranjo era interessante para os sindicatos de campesinos que teriam a possibilidade de serem representados se filiando ao partido (MAS ou outros) e ainda por meio dos assentos especiais, o arranjo já não era visto como conquista pelos povos indígenas, que não alcançavam a representatividade que consideravam justas, principalmente no que diz respeito a uma representatividade para se ter uma AC plurinacional, que por sua vez daria origem a um Estado plurinacional.

A proposta da CIDOB 44 reinvidicava 34 representantes indígenas, um

42 A Unidade Nacional – UN, da oposição, por exemplo sustentava uma composição de apenas 109 constituintes, 27 como base de compensação, distribuídos em três por departamento e outros 82 que expressem uma representação proporcional, eleitos de acordo com o número de habitantes nas circunscrições departamentais.

43 Dados do Censo de 2001. Consultado em http://www.ine.gob.bo/indice/indice.aspx?d1=08&d2=4. Último acesso em janeiro de 2011.

44 A CONAMAQ tinha reivindicado ao governo anterior o reconhecimento dos ―usos e costumes‖ como mecanismo para a representação direta na AC. A demanda que eles acreditavam que poderia ter sido aprovada, se o MAS tivesse se comprometido. Por sua vez a CONAMAQ é acusada pelo MAS de impedir o processo, e estar do lado do grupo conservador, ao insistir na demanda por representação direta. Para a CONAMAQ a traição do MAS com os movimentos indígenas e suas comunidades se configurou como uma forma de fazer política ainda num sistema de partidocracia. Meio a essas críticas se cunhou o

representante por cada povo originário do oriente, tal proposta se somou a da Assembleia do Povo Guarani (APG). Um segundo projeto foi elaborado pelo Pacto da Unidade dirigido pela Confederação Sindical Única de Trabalhadores Campesinos de Bolívia (CSUTCB) e apoiadas por organizações do oriente e ocidente que sugeria 26 assembleístas, 16 para as terras altas e 10 para as terras baixas, além da criação de circunscrições especiais. A designação dos candidatos se daria por usos e costumes e seriam eleitos como constituintes por voto universal direto. Havia ainda uma terceira proposta levantada por organizações do ocidente do país que sugeria 240 assembleístas, dos quais mais de 100 vagas teriam que necessariamente para povos originários.

Dentro das propostas apresentadas se seguia em forma de agenda, uma afirmação ao seus espaços e demandas históricas que complementava o seu pedido de representatividade, o tema sobre a exigência do reconhecimento dos seus territórios, identidades étnicas, usos e costumes, assim como a propriedade dos recursos naturais marcavam o pedido de uma representação ao redor de um direito coletivo a representação. Os indígenas diziam aderirem a ―uma só Bolívia, mas com nossas próprias nacionalidades para viver segundo nossa própria cultural‖. A proposta do presidente ia de encontro com os partidos da oposição e ainda não alcançavam o desejo de vários movimentos sociais e indígenas. Evo Morales se declarou na ocasião ―órfão‖ dos movimentos ao mesmo tempo que conclamou, como se sob responsabilidade deles, os movimentos a pressionarem o congresso a aprovar um proposta consensualizada. Evo encaminhou ao congresso, em nome do Poder Executivo o que seria o projeto de lei para a constituinte. A proposta do presidente que representava a proposta do MAS recomendava a eleição de três constituintes em cada uma das 70 circunscrições uninominais, no total, 210 assembleistas. Estava prevista uma cota para mulheres – para cada constituinte homem uma constituinte mulher deveria ocupar a vaga seguinte e vice-versa. O sistema de ―representação por maioria absoluta‖, como desejava o MAS, faria com que se um circunscrição recebesse 50% dos votos destinado ao partido (MAS), a agrupação cidadã ou ao movimento indígena se obteria, então, os três constituintes relativo as vagas de cada um das circunscrições (3 para cada).

termo ―autoconvocatória‖ para uma Assembleia Constituinte, para fazer referência ao poder de mobilização social frente as decisões de velhos sistemas, e foi um termo que defendia a criação de uma assembleia popular independente e paralela a Assembleia oficial. No entanto, parte dos movimentos indígenas e sociais, incluso aí a CIDOB foram favoráveis a uma estratégia menos fragmentaria, principalmente levando em conta a posição da direita de enfraquecer a AC, eles optaram ao final por estar presentes e fortalecer a característica das suas demandas no processo oficial, mesmo que a estrutura desse processo ainda tivesse configurada em padrões não tão inclusivos para esse novo paradigma.

As organizações que faziam parte do Pacto de Unidad aliadas a outras organizações45 lançam uma declaração em junho de 2006, logo antes das eleições dos constituintes. Com o debate preso em imbróglios de polarizações partidárias e de atropelos conservadores, convocam o povo boliviano e os candidatos à AC a se assumirem alguns princípios afim de que o processo constituinte construa de fato um novo país, são doze os pontos levantados: a) o Estado Plurinacional, pluricultural e plurilíngue; b) reconstituição das nações originárias e povos indígenas, c) respeito ao exercício pleno dos Direitos Coletivos para nações originárias, povos indígenas e campesinos; d) constitucionalização e conformação da autonomia indígena originária; e) recuperação do domínio originário e da propriedade sobre os recursos naturais; f) acesso ao manejo e controle da exploração dos recursos naturais com direito a consulta, participação e veto; g) participação ativa e direta no controle e fiscalização sobre a administração do Estado através do Poder Cidadano e dos mecanismos de Democracia Participativa; h) reconhecimento dos sistemas jurídicos indígenas; i) domínio e propriedade da biodiversidade, administração, manejo e controla sobre as áreas protegidas e biodiversidade pelas comunidades campesinas indígenas originárias; j) implantação de um modelo econômico ao serviço do bem estar da sociedade com pleno exercício dos nossos próprios sistemas econômicos comunitários; k) participação na elaboração e execuçãoo dos planos de desenvolvimento econômico e social, para melhorar nossas condições de vida; l) recuperação do domínio originário e propriedade da terra ocupada ancestralmente para os povos indígenas, campesinos e originários, para a redistribuiçãoo justa, com equidade de gênero e equitativa. E com o uso comunal dos recursos.

A eleição dos constituintes ocorreu em julho no mesmo dia do referendo pelas Autonomias Departamentais. O MAS consegue 137 constituintes, seguido do PODEMOS com 60, o restante que se somará ao total de 255 constituintes pertence a pequenos partidos. Na AC, já em 2007 a presença de pequenos partidos se torna essencial para que o MAS articule apoios para conseguir 2/3 para aprovação final da CPE. No nível nacional ganha o ―não‖ pelas autonomias, mas a nível departamental o ―sim‖ ganha em quatro departamentos da meia lua.

Como forma de contornar a força que havia adquirido a questão de autonomias

45 Assinam a Declaração do II Encontro das Organizações Indígenas, Originárias e Campesinas: CSUTCB, CIDOB, FNMCB-BS, CSCB, CPESC, CONAMAQ, APG, MST, CIPLAP, FSUTCRMDP, CMIB, CAOP, FAOI, NP, CIPYM.

departamentais o congresso aprovou em março de 2006 as Leis Especiais - 3364 de Convocatória à Assembleia Constituinte juntamente com a Lei 3365 do Referendo para as Autonomias Departamentais. O debate sobre as definições da AC e o seu modo de representação havia aberto espaço para a questão da descentralização administrativa. A palavra autonomia e a sua ampla semântica faz com que os setores conservadores projetem uma disputa política no debate sobre autonomia e transformem a palavra em tabu. O debate sobre as definições da AC e o seu modo de representação havia tocado na questão da autonomia departamental, o governo, conseguiu garantir o local da demanda por descentralização, sem que essa demanda de repente se sobrepusesse completamente a um novo tipo de representação priorizasse a representação plurinacional – de outras comunidades.

Por trás disso, uma estratégia dos setores conservadores de forma a antagonizar o governo de Evo Morales. Reflete também o desejo de ter sua importância econômica reconhecida apesar da sua menor população se comparada as outras regiões. A partir daí o critério para definir espaço na AC e o poder de mobilização dessa ideia eram a estratégia desse setor, que de fato atravancou o debate sobre autonomia. No entanto o que acontece no transcorrer da Constituinte é um acordo de silêncio em que se evita o adentrar em debates potencialmente polêmicos sobre a autonomia indígena, como bem identifica Schavelzon (2013) em seu trabalho sobre a Constituinte:

―Entre la utopía y la realidad, la autonomía indígena y campesina se trataba de un proyecto de reconocimiento estatal a lo que en algunos aspectos ya existía en prácticas e instituciones indígenas, pero que en otros se relacionaba con tendencias a la reconstitución del ayllu, la consolidación de territorios ancestrales y el desarrollo del autogobierno como proyecto a ser construido hacia adelante. El tema traería también controversias, y se movilizarían las ideas de ―gueto‖, de ―nueva reducción colonial‖ (2013:27).

3.1.2. Regras do Debate – uma questão de maiorias e de constituinte

Benzer Belgeler