As informações descritas nesta seção foram obtidas por meio do questionário enviado aos professores. Os dados referentes à formação acadêmica e à experiência profissional foram descritos no capítulo da metodologia ao descrevermos os participantes da pesquisa. As questões do questionário que serão descritas e analisadas nesta seção referem-se diretamente à leitura na formação dos futuros professores e não foram analisadas sequencialmente, mas sim, por uma ordem que consideramos processual para a progressão do trabalho.
É unânime entre os professores que a leitura é trabalhada
sistematicamente nas aulas (Questionário dos professores, nº 5 – QP5) e é fundamental,
pois por meio dela, exploram-se outras habilidades e competências.
Na questão 8 (QP8) perguntamos aos professores participantes da pesquisa sobre a importância da leitura nas aulas de espanhol. Seguem as respostas:
P1: É uma das vias de entrada de informação para os estudantes, além de contribuir para desenvolver o prazer pela leitura e pelo descobrimento de novas ideias e pensamentos.
P3: Muita, pois é uma forma de contato com produções linguístico- discursivas reais do idioma estudado. Também é um modo de contribuir para o desenvolvimento de habilidades de leitura crítica nos alunos.
P4: Para o propósito da disciplina, a leitura é fundamental e é cobrada nas atividades e avaliações.
P5: Pra mim, é fundamental. Normalmente, a partir da leitura, além de estimular o pensamento crítico, é possível explorar e desenvolver as outras habilidades.
Respostas como, ―desenvolvimento de habilidades de leitura crítica nos alunos‖ (P3) e o estímulo do ―pensamento crítico‖ (P5), ressaltam a importância da
leitura nas aulas de espanhol. Contudo, não há uma abordagem da leitura como função
social. O trabalho com a leitura nas aulas deveria ter um resultado mais abrangente: contribuir para que os estudantes possam ler, não só textos escritos, mas ler o mundo por outra ótica.
Para que haja um trabalho relativamente eficaz na formação leitora de professores de espanhol, também faz-se necessário o contato com uma diversidade de gêneros textuais e que estes estejam em materiais autênticos, pois, a língua estudada a partir de situações reais do idioma torna o estudo mais motivador. Sobre os critérios que
120 os professores utilizam na escolha e aproveitamento de materiais para o ensino de leitura em espanhol (QP7), tivemos as seguintes respostas:
P1: Diversidade de autores e atualidade e interesse pelos temas tratados nas obras. Por exemplo, este semestre, os alunos de Língua Espanhola IV estão lendo uma novela de um escritor espanhol contemporâneo (Lorenzo Silva) e já leram um conto de uma escritora espanhola também contemporânea. Além disso, viram o filme cujo roteiro foi baseado neste conto e fizeram um trabalho escrito e outro oral comparando os dois textos: o narrativo e o fílmico.
P3: Textos autênticos, de acordo com o nível dos alunos e que permitam um trabalho interessante e consistente. Também tento buscar textos que permitam um trabalho com os elementos linguísticos importantes na construção do texto e de seu sentido e objetivo.
P4: Não trabalho especificamente com leitura em língua espanhola. A leitura se concentra basicamente em textos teóricos, do gênero científico, sobre os temas do programa. Outras leituras são feitas como corpus de análise linguística: transcrições de língua oral, textos informativos e anúncios publicitários.
P5: Sempre procuro textos (orais e escritos) que possibilitem discussão sobre temas atuais; esse é o critério principal, mas tento que esses textos favoreçam também a discussão/reflexão sobre aspectos linguísticos (variação, por exemplo) e culturais.
As respostas dos professores à QP7 mostram uma adequação à atualidade teórica sobre o trabalho com leitura: privilegiar materiais autênticos; atualidade e pertinência de temas; contrastar modalidades textuais (narrativo e fílmico), além do trabalho com diferentes gêneros discursivos.
P4 diz que não trabalha com leitura em língua espanhola, isso porque sua disciplina é Introdução aos Estudos Linguísticos II. Para o estudo dessa disciplina, P4 utiliza textos do gênero científico, além de informativos, anúncios, propagandas, diálogos e transcrições de língua oral. Entendemos que todo trabalho realizado no curso de Licenciatura, em todas as disciplinas, sejam elas voltadas ou não diretamente ao ensino e aprendizagem da língua estrangeira, contribui para a formação do professor como leitor e como futuro professor de leitura. A resposta de P4, de que não trabalha com língua espanhola, pode representar uma visão de disciplinas estanques ou mesmo certo desconforto em relação ao questionário por este ser voltado à leitura em língua espanhola.
A prática de leitura em sala de aula forma o aluno-leitor e o futuro professor de leitura. Por isso, perguntamos aos professores como o estudante de
Letras/Espanhol, futuro professor, é preparado para trabalhar de maneira contextualizada a leitura em língua espanhola (QP11):
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P1: Na língua há um aspecto formal, sistemático. No entanto, quando nos situamos no âmbito do ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira, o foco se orienta por uma preocupação metodológica e o trabalho com as habilidades e os conteúdos linguísticos tem, necessariamente, que obedecer a um exercício constante de contextualização. O aluno não lê desconectado de sua prática formativa em sala de aula; outra coisa seriam as leituras complementárias, mas hoje em dia muitos poucos alunos encontram tempo para realizá-las.
P3: Como mencionei antes, no meu caso, tento elaborar materiais que possibilitem uma experiência de aprendizado dentro de uma perspectiva contextualizada e significativa, que lhe servirá de base e de reflexão para sua atuação docente futura. Inclusive tento seguir os princípios das Orientações na elaboração de meu material.
P4: Quando se fala em contextualização, pensa-se, sobretudo, no uso da língua. E o uso implica conhecer não só fatores lexicais, morfossintáticos e semânticos envolvidos em uma construção, mas também fatores pragmáticos e discursivos. O aluno-professor deve conhecer esses ―sistemas‖ que convergem na produção e interpretação de um texto.
P5: O aluno pode ser preparado (tomando como base a minha experiência) durante a própria aprendizagem. Mais uma vez, acho que não é possível separar (a não ser nas disciplinas de prática de ensino): o aluno aprende da maneira como ele deve ensinar. Então, se eu busco fazer um trabalho contextualizado de leitura e discuto isso com meus alunos, eles estão sendo preparados indiretamente para fazer um trabalho semelhante quando forem professores.
Para os professores participantes da pesquisa parece ser unânime a visão de que a reflexão/estudo de como se aprende por parte do aluno faz com que ele aprenda como ensinar contextualizadamente. A reflexão sobre o próprio ato de ler e sobre as atividades de leitura desenvolvidas em sala de aula busca fazer com que o aluno tome consciência do que é ler, como ler e como ensinar a ler. Nota-se nas respostas dos professores que existe a concepção de que a experiência da aprendizagem realizada pelo estudante é a base para a futura atuação como professor de línguas.
Perguntamos aos professores formadores como eles avaliam o
desempenho da compreensão leitora em espanhol dos estudantes durante o curso de Letras (QP13). Vejamos as respostas:
P1: Não sei se entendi bem a pergunta: acho que ler é fundamental para a formação de qualquer profissional em qualquer área, em Letras e em Educação, mais ainda. O desafio é estimular os estudantes a vivenciarem práticas leitoras críticas e significativas, uma vez que muitos deles chegam à Universidade com experiências muito negativas de leitura e consequente resistência a ler, não conseguem ver que a leitura é uma habilidade de processamento cognitivo importantíssima para a sua formação pessoal e profissional.
P3: Razoável; há alunos que avançam muito, mas boa parte fica aquém do esperado. Inclusive uma professora de nosso setor vem oferecendo uma optativa de leitura e escrita, para contribuir no avanço e na resolução de problemas dessas habilidades que os alunos estavam apresentando.
P4: Como afirmado acima, não tenho trabalhado nos últimos anos com compreensão leitora em espanhol.
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P5: Acho que os alunos avançam, mas terminam o curso sem alcançar um estágio que, pelo menos em minha opinião, seria o ideal. Ou seja, na maior parte dos casos, não terminam a licenciatura sendo leitores ―autônomos‖, porque o que se pode fazer na universidade é pouco se comparado ao que poderia ser feito ao longo do Ensino Básico (e aperfeiçoado no curso superior). Durante o curso, eles vão (re)aprendendo a ler de forma mais consciente, a otimizar o uso de estratégias, a identificar os recursos usados na construção/compreensão de um texto etc. Mas, poderia ser melhor.
Tivemos o objetivo, com essa pergunta, de ter dados sobre a avaliação de professores sobre o desenvolvimento da compreensão leitora dos estudantes durante o curso. Sabemos ser difícil que um professor possa acompanhar toda a evolução desses estudantes no decorrer do curso. Porém, a visão de cada professor, presente em cada etapa da formação, pode contribuir para uma melhor percepção de como se desenvolve a habilidade de leitura dos estudantes. Conforme vemos na análise do PPC, existe um perfil de profissional almejado pela Instituição formadora. Todo trabalho realizado em sala de aula tem objetivos que buscam alcançar certos resultados.
P4 não trabalha diretamente com leitura em língua espanhola e por isso não realiza nenhum tipo de avaliação da compreensão leitora dos estudantes. Novamente, consideramos que essa visão pode representar a concepção de disciplinas estanques ou o desconforto que este professor formador teve em relação ao questionário. Porém, consideramos que a disciplina de Estudos Linguísticos II deve contribuir para a constituição do sujeito leitor e, consequentemente, colaborar para que o futuro professor tenha mais consciência e competências em trabalhar leitura.
P5 traz para a sua avaliação o mesmo aspecto de P1: experiências negativas com leitura, ou seja, a leitura realizada no percurso do Ensino Básico não estimula o indivíduo ao ato de ler e muito menos à leitura crítica, reflexiva, autônoma. Traduz-se assim, a crítica ao ensino de leitura domesticador, sem reflexão e sem sentido que muitos vivem no ambiente escolar. A morte do prazer da leitura e pelo estudo que muitas crianças encontram desde cedo na escola. O desafio no trabalho com leitura continua sendo a tentativa de quebrar o círculo vicioso do ensino decodificador, gramaticalista e domesticador. Pois, o estudante sai do curso e será professor de leitura e, essa carga social e cultural irá com ele e influenciará no ensino de leitura aos novos leitores. Para P3 e P5, existem avanços, mas estes poderiam ser maiores.
Por fim, em decorrência do trabalho de formação realizado durante o curso de licenciatura, buscamos conhecer como os professores avaliam a formação dos
123 futuros professores para encaminhar o ensino de leitura em espanhol no Ensino Básico
(QP14):
P1: Nos últimos anos temos trabalhado bastante no sentido de formar professores-leitores críticos quanto ao seu fazer e ao ―produto‖ que oferecerão aos seus alunos. Acho que estamos no caminho adequado, mas não depende somente de nós, formadores.
P3: Acho que saem com boas ideias e concepções, mas ainda com dificuldades na prática; ou seja, avançam no discurso e nas reflexões, mas pouco na prática. Refiro-me à prática em 2 sentidos: eles como leitores e como futuros formadores de leitores. Isso porque é natural que o avanço prático como leitor seja mais lento e demande mais tempo do que o que se tem na graduação, e há poucos espaços para a prática (elaboração de atividades etc.) sobre ensino de leitura.
P4: Não me considero a pessoa mais indicada par fazer essa avaliação (pelos motivos já expostos), mas posso afirmar que, pela presença e oferta de disciplinas sobre leitura que os alunos têm e pela quantidade de pesquisas que a universidade desenvolve nessa área, o formando deveria ser capaz de aplicar em sala de aula o conhecimento sobre leitura de diferentes gêneros. Espera-se, por exemplo, que esse professor saiba como e por que utilizar o texto literário, considerando toda a dimensão estética do prazer da literatura. P5: Acho que há muito ainda a ser feito. Aqui, na nossa licenciatura, já avançamos muito, principalmente porque nós mesmos preparamos nosso material didático e sempre nos reunimos (os professores de língua) para discutir os cursos; procuramos dar ênfase à integração das habilidades e ao desenvolvimento das competências relacionadas a elas e isso se dá, geralmente, a partir da leitura. A Prática de Ensino também tem procurado privilegiar o letramento e o trabalho com diferentes gêneros textuais. Diria que os alunos terminam a licenciatura com uma noção básica do que pode e deve ser feito, mas é preciso alcançar mais que isso.
P1 diz haver trabalhos voltados para a formação de professores conscientes quanto ao exercício profissional, porém, a responsabilidade dos professores formadores tem limite, não depende somente deles. Entendemos que há aqui uma menção sobre a responsabilidade do próprio estudante sobre a sua formação e sobre o seu fazer pedagógico. P4, que não ministra propriamente aulas de língua espanhola e por isso não se considera indicado para fazer essa avaliação, diz ser relevante o número de aulas e de pesquisas sobre leitura na universidade e, como consequência dessa exposição do estudante a esse contexto acadêmico, o formando deveria ser capaz de aplicar em sala de aula conhecimentos sobre leitura. P1 e P4, portanto, coincidem na proposição de que a UB, em especial, o curso de Letras/Espanhol, tem oferecido a oportunidade de uma formação voltada para o ensino de leitura57. P3 aborda a
57Recordamos aqui nossa análise sobre a infraestrutura da UB, no capítulo 2 Metodologia da pesquisa, 2.2. Contexto da pesquisa: ―O acervo da biblioteca e os laboratórios, em particular, de línguas e redação, para nós, representam parte da infraestrutura do curso que podem contribuir diretamente na formação leitora dos estudantes. Aliás, toda a infraestrutura da UB pode
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dificuldade da relação teoria e prática: os estudantes adquirem ―boas ideias e concepções‖, mas tem pouco espaço para a prática, como a realização de atividades de leitura. Há avanços teóricos, mas pouco avanço prático. Para P5, também existem avanços, mas há muito a melhorar. Cita que as quatro habilidades são trabalhadas conjuntamente e que é por meio da leitura que geralmente se inicia o trabalho formativo. P5 também acrescenta a contribuição da Prática de Ensino que privilegia o
letramento e o trabalho com diferentes gêneros textuais. Essa afirmação de certa forma
comprova o que está escrito no PPC sobre o Projeto de Estágio Supervisionado, o qual prescreve que as 400 horas de prática devem ser de ―disciplinas e/ou atividades baseadas em reflexões sobre metodologias específicas, sobre avaliação de aprendizagem, sobre letramento digital, sobre metodologia de pesquisa, etc.‖ (PPC, 2007, p. 21).
Ao falar-se de leitura, é raro que não se fale de desenvolvimento de cidadania. A inserção da pessoa na sociedade está atrelada ao desenvolvimento social, à justiça e à sua participação efetiva nas tomadas de decisões que decidem os rumos da vida humana na cidade, no Estado, no país, enfim, no mundo. Nesse contexto, a instituição escolar tem um papel ativo, pois ela é um dos instrumentos privilegiados de inserção/inclusão do indivíduo na sociedade.
A última questão do questionário destinado aos professores (QP15) remete diretamente à concepção do professor formador sobre como a leitura em língua
estrangeira (espanhol) pode contribuir para o desenvolvimento da cidadania de um futuro professor brasileiro (de língua espanhola). Vejamos as respostas:
P1: Fundamental, num país que traz um atraso histórico vergonhoso na formação leitora e com governos que, independentemente do partido político e da ideologia à qual se associam, muito pouco têm feito pela educação entendida como um valor integral e operativo das pessoas. É inegável que houve melhoras, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido e a nossa sociedade atual focada prioritariamente na imagem e no instantâneo, nem sempre resulta o lugar ideal para o desenvolvimento de um projeto educativo mais humanístico.
P3: Formar um leitor crítico, autônomo e reflexivo é sempre importante; portanto, essa habilidade em LE para os graduandos-futuros professores abre possibilidades de contato mais profundo com outras culturas, no caso as de língua espanhola; dá-lhe a possibilidade de atuar como docente de forma mais crítica, o que significa um profissional-cidadão mais autônomo; e lhe permite formar também de maneira crítica seus alunos∕leitores-futuros∕atuais cidadãos, cumprindo, de maneira cidadã, sua função social. A leitura assim
contribuir com a formação leitora, porém parece não ser bem aproveitada por professores formadores e estudantes de Letras/Espanhol‖.
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tem uma função importante de acesso a uma vida mais inclusiva e cidadã em um mundo cada vez mais dominado por linguagens. Finalmente, o professor deve ser cidadão-letrado para letrar seus alunos e formá-los como cidadãos também; a leitura, mais que uma decodificação de signos, é a porta de acesso a tudo isso.
P4: Supõe-se que o graduando em língua espanhola tome contato, ao longo do curso, com diferentes tipos e gêneros textuais, produtos de distintos grupos sociais do mundo hispânico. Espera-se que esse contato propicie o reconhecimento da diversidade linguística e cultural dos países de língua espanhola e, consequentemente, o respeito a esses grupos. Esse respeito à diversidade deverá ser peça fundamental no desenvolvimento da cidadania não só do graduando em Letras, mas de todos os estudantes para os quais esse futuro professor vier a ensinar espanhol. Em outras palavras, o reconhecimento da pluralidade e o respeito à diversidade linguística, social e cultural que o graduando desenvolverá a partir da leitura dos textos deverão ser também levados ao contexto de ensino-aprendizagem quando estiver atuando como docente.
P5: (...) para mim leitura é fundamental, primordial, indispensável. Mas a leitura em espanhol (ou em qualquer língua) só contribui para o desenvolvimento da cidadania, se é feito um trabalho com esse propósito. Ou seja, não basta ler, decodificar o que está escrito e ter contato com textos diversos e sobre temas instigantes. Então, nesse sentido, o mais importante é o trabalho que é feito com os textos, o que depende da compreensão que se tem da palavra ―leitura‖. A leitura só contribui para a formação da cidadania se for feita (trabalhada, desenvolvida) na perspectiva do letramento: entender o que se diz (e o que não é dito), como se diz, por que se diz, e apropriar-se das ferramentas necessárias para atuar criticamente (lendo e escrevendo) nas diferentes práticas sociais.
P1 não consegue responder à pergunta realizada. Esse professor parece entender que a leitura é fundamental na formação do indivíduo, mas que há ―um atraso histórico vergonhoso na formação leitora‖ no Brasil. Realiza uma crítica para com a sociedade atual, ―focada prioritariamente na imagem e no instantâneo‖, e diz ser difícil um trabalho que propicie resultados satisfatórios para a formação de um professor. Percebemos que há um descontentamento com o público que entra na universidade, principalmente, se pensarmos na resposta que ele dá à questão 3 (QP3) sobre as
principais dificuldades e conquistas na atuação como professor formador de professores de espanhol:
Encaro o meu trabalho com muita seriedade e dedicação (são quase 30 anos trabalhando com o ensino de espanhol) e gosto do que faço. O alunado tem mudado bastante ultimamente, observando-se, por exemplo, menor grau de comprometimento e dedicação à formação, baixa competência linguística no espanhol e no português (as notas de corte nos exames vestibulares vêm caindo ano a ano), o que tem provocado desafios e a busca de novas abordagens.
A relação que inferimos, segundo a visão de P1, entre o nível do alunado, ―menor grau de comprometimento e dedicação à formação, baixa competência linguística no espanhol e no português‖, e a sociedade atual ―focada no instantâneo‖,
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tende a ser negativa e interfere diretamente na relação professor e aluno em sala de aula. Uma concepção negativa da sociedade e do aluno tende a criar um distanciamento nas relações acadêmicas, pois o professor sempre partirá de sua concepção como a certa, e não conseguirá se abrir ao positivo que há nos indivíduos dessa nova geração. Partindo da concepção de leitura como prática social, o professor precisa conhecer melhor sobre a diversidade social e cultural existente entre o público estudantil para melhor se adequar ao trabalho formativo de futuros professores. Parece existir uma dificuldade de aceitar o perfil atual dos estudantes.
P3 e P4, ao responderem à questão 15 (QP15), mostram a relação da aprendizagem e do ensino de línguas estrangeiras com a diversidade cultural. O encontro com outros grupos socioculturais deve produzir no futuro professor de espanhol o ―reconhecimento da pluralidade e o respeito à diversidade linguística, social e cultural‖. O desenvolvimento da cidadania está atrelado ao respeito às diferenças. Aprender uma língua estrangeira é aprender a conhecer o outro, sua forma de expressar e dizer o mundo.
Conforme P5, a formação leitora só contribuirá para o desenvolvimento da cidadania se o trabalho, com leitura, for feito ―com esse propósito‖. Para esse professor, a concepção de leitura de um professor formador é a base do trabalho que será realizado em sala de aula. A concepção de leitura que propicia a formação da cidadania é a da leitura na ―perspectiva do letramento: entender o que se diz (e o que não é dito), como se diz, por que se diz, e apropriar-se das ferramentas necessárias para