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3. MATERYAL METOT

4.4. Milli Takımızda Yarışmış Önemli Devşirme Atletler

O conceito de território foi negligenciado no debate acadêmico, deixando de lado a dimensão espacial da atividade econômica por um longo tempo. O fato é que a literatura econômica preferia a noção de espaço à de território, tratada muitas vezes como um fator locacional ou como uma das bases da produção. Frequentemente utilizamos o conceito de território como sinônimo de espaço geográfico, no entanto, há aproximações e distinções, o que requerer uma abordagem conceitual mais ampla (HAESBAERT, 2006; SANTOS, 1994).

Nesse sentido, Milton Santos discute no texto “Retorno do Território (1994)” o uso do território como um objeto de análise social, uma forma impura e híbrida que merece constante revisão teórica e analisa o espaço para além do geográfico, enquanto fator social, que assume caráter de instância social, como a economia, a cultura e a política. (SANTOS, 1994).

Ao categorizar o espaço, Santos (1994) esclarece que este já foi visto como sinônimo de território usado - abrigo de todos os homens, nesse entendimento, o território era o fundamento do Estado-Nação que, ao mesmo tempo, o subordinava e o moldava. Todavia, na atualidade é necessário distinguir o território de todos daquele de interesse das empresas, em que a antiga noção de Estado Territorial dá lugar à noção pós-moderna de transnacionalização do território.

Benko (2002) também analisa a transnacionalização das economias e da produção. Para o autor a transnacionalização vem acompanhada de uma globalização espetacular dos mercados e do comércio internacional em que o ambiente econômico se torna cada vez mais flexível e mundializado. Destaca que a introdução da produção flexível exigiu uma reorganização profunda das funções de produção e de circulação na economia em que o sistema produtivo se fratura, dando origem a um mosaico de territórios diferenciados chamados de tecnopolos.

Segundo Benko (2002), a mundialização seria o processo de expansão global da relação social de produção capitalista, o “espaço mundial do capitalismo multinacional”, correspondente à nova distribuição histórico-geográfica e político-cultural das estratégias da divisão social do trabalho em nível global. Um espaço caracterizado em: i) mobilidade do capital, que se acelera a um ritmo sem precedente; ii) concorrência entre espaços nacionais, blocos (inter-) regionais e empresas transnacionais mais aguda; iii) crescente transnacionalização das economias e da produção acompanhada de uma globalização

espetacular dos mercados e do comércio internacional; e iv) um ambiente econômico que se torna cada vez mais transnacional.(BENKO, 2002, p. 45 – 46).

Porém, Santos (1994) assevera que isso não significa que todo o território era, no passado, estatizado, nem que na atualidade todo o território é estritamente transnacionalizado. Pelo contrário, essa nova realidade comporta novos recortes e novos modos de funcionamento do território sendo caraterizados por horizontalidades e verticalidades. As horizontalidades constituem o domínio da contiguidade, dos lugares vizinhos reunidos por uma continuidade territorial. Já as verticalidades são formadas por pontos distantes uns dos outros, ligados por todas as formas de processos sociais. Dessa forma, o território pode ser formado de lugares contínuos e de lugares em rede.

Ao tratar o território como lugares em rede Santos (2005, p. 256) se aproxima do conceito de ‘espaço banal’ de François Perroux. “O espaço de todos, todo o espaço, porque as redes constituem apenas uma parte do espaço e o espaço de alguns”. Todavia, espaço banal e redes, são os mesmos lugares (espaços), mas com funcionalidades diferentes, trata-se ora até mesmo de divergentes e opostos (SANTOS, 2005).

Benko (2002) examina a organização de territórios em redes, utilizando a teoria da hierarquia dos lugares. O autor argumenta que a abordagem global dos lugares define as regiões por suas posições numa estrutura mais vasta, onde o debate se trava entre a abordagem expressa em divisão inter-regional do trabalho (esquema estruturalista) e outra que fala da capacidade endógena do desenvolvimento, ou seja, o distrito industrial.

No esquema estruturalista as produções urbanas tendem a organizar-se em redes de ‘lugares centrais’ com malhas hexagonais e supondo que uma cidade esteja no nó da maior parte das redes, fazendo com que essas redes girem em torno desse ‘centro de nós’, as cidades de segundo nível. (BENKO, 2002).

Benko (2002) ressalta que a fraqueza da teoria da hierarquia dos lugares centrais é o pressuposto do espaço homogêneo. Esta se esquece da irredutível especificidade da sociedade local, do papel do Estado local, da natureza das relações e compromissos sociais locais, de seu modo de regulação garantido pelo Estado local, entre outras. Ou seja, é uma reflexão sobre a personalidade do território local, atribuindo o sucesso e o crescimento de regiões industriais à sua dinâmica interna.

O fato é que se o espaço é homogêneo, como desejava a teoria dos lugares centrais, não haveria mais fronteiras e o desenvolvimento regional seria igual para todas as regiões. Porém, ao analisar a questão do desenvolvimento regional, Benko (2004) considera o espaço de modo disjunto, sendo que as atividades tecnológicas, com alto nível de

qualificação, alta tecnicidade e funções direcionais são reservadas às regiões centrais, ao passo que as tarefas repetitivas, pouco qualificadas e que requer considerável mão de obra se veem relegadas à periferia. Por isso, pode-se dizer que há hierarquia funcional entre as cidades, o que lhes confere funções supranacionais nas quais pode basear uma nova hierarquia urbana.

Ao abordar a hierarquia dos espaços Benko (2004) discute os princípios dos novos territórios produtivos: os distritos industriais, como o caso da terceira Itália e sua importância no estudo do desenvolvimento das regiões. Entretanto, trataremos dos distritos industriais no tópico 3.3 desse capítulo.

Ainda com relação às redes produtivas e a hierarquia dos espaços, Haesbaert (2006) explica que a transnacionalização dos territórios, com base nos processos político- institucionais de construção de territórios, têm interesses de ordem político-econômica e para isso determinam as redes técnicas que lhe interessam nos espaços com maior dotação de capital, capacidades de gestão e qualificações técnicas. Outro fato importante é que as novas tecnologias de informação, comunicação e transporte, colaboram com a anulação das barreiras espaciais que diminuem o espaço, assim como o tempo das transações econômicas, mas isso não significa necessariamente o fim das fronteiras ou crise da territorialidade.

Segundo Haesbaert (2006, p.20) mesmo que o mundo das divisões territoriais, dos estados nações, na forma como conhecemos hoje, esteja condenado frente à ‘sociedade em rede’, não há ainda como definir o “indivíduo, o grupo, a comunidade, a sociedade sem ao mesmo tempo inseri-lo num determinado contexto geográfico, territorial”. (HAESBAERT, 2006, p. 20).

Haesbaert (2006, p. 21) explica que o termo ‘territorializar’ advém da “ligação com processos político-institucionais de construção de territórios, viabilizando, pelo território, interesses de ordem político-cultural (igreja), político-militar (exército) e político- econômica (redes técnicas)”. Sendo assim, em um mesmo território, podem ocorrer muitas territorialidades, resultado do esforço coletivo de um grupo social em estabelecer e ocupar esse território. Logo, não há homogeneização do espaço e sim novas territorialidades.

Santos (2005, p.255) afirma que mesmo com as modificações no espaço, este ainda é formado por um “conjunto indissociável, solidário e contraditório de sistemas de objetos e sistemas de ações”. É no espaço humano, espaço habitado e utilizado pelos indivíduos que ocorrem as interações sociais e consequentemente as transformações do espaço, sendo que as ações são resultantes de necessidades naturais ou criadas por aqueles que utilizam o território.

Diante dessa complexidade teórica, Haesbaert (2006) procura discutir as várias concepções de território num esforço de síntese onde propõe agrupá-las entre quatro vertentes básicas (HAESBAERT, 2006, p.40):

a) Vertente Política: referida às relações espaço-poder em geral ou jurídico-política relativas a todas as relações de espaço-poder institucionalizadas. Para Haesbaert é a vertente mais difundida, na qual o território é visto como um espaço delimitado e controlado, onde se exerce um determinado poder, na maioria das vezes, mas não exclusivamente, relacionado ao poder político do Estado.

b) Vertente Cultural ou simbólico-cultural: nessa concepção prioriza-se a dimensão simbólica e mais subjetiva do território, sobretudo, como o produto das relações sociais de um grupo em relação ao seu espaço vivido.

c) Vertente Econômica: é a vertente menos difundida e enfatiza a dimensão espacial das relações econômicas. O território é tratado como fonte de recursos ou incorporado ao embate entre classes sociais e a relação capital-trabalho, como produto da divisão ‘territorial’ do trabalho.

d) Vertente Natural: trata das relações da sociedade com a natureza (clima, solo, relevo, vegetação etc.).

Para a análise dessa tese interessa a perspectiva do território enquanto construção social, apoiada na vertente política, econômica, cultural ou simbólico-cultural. Ou seja, o território como uma construção social, política e histórica, enquanto espaço de ação coletiva em prol do desenvolvimento econômico local.

Bourdieu (2007), entretanto, trata a construção dos territórios com ênfase nos aspectos culturais e simbólicos, principalmente aqueles ligados ao poder, prestígio e à reputação, aspectos que de alguma maneira estão ligados ao ‘engajamento social’. O poder simbólico entendido como “o poder de construir, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo”, graças ao efeito específico de mobilização, que só se exerce, se for reconhecido pelo ‘amalgamento grupal’, visando o desenvolvimento enquanto ação coletiva dos agentes locais. O próximo tópico trata do papel exercido por esses agentes sociais na construção, emergência ou reprodução dos territórios.

Benzer Belgeler