1. DESEN HAZIRLAMA
1.4. Desen Hazırlama
No Brasil, a partir da fundação do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, as empresas começaram a se mobilizar e sensibilizar para compreender seus negócios sob a ótica deste novo conceito.
Paulo Augusto Itacarambi, vice-presidente-executivo do Ethos, na entrevista realizada, relatou que a liderança na criação do Ethos foi do empresário Oded Grajew, presidente do instituto: “ele puxou este movimento” quando, em 1997, Oded entrou contato com algumas organizações de responsabilidade social tanto na Europa como nos Estados Unidos e conheceu iniciativas semelhantes.
Em 1997 foi realizado um encontro em Miami, nos Estados Unidos, organizado pelo Business Solutions Responsablity e por Eric Lins, um dos membros do conselho do Instituto Ethos. Deu-se, nesse momento, uma aproximação com outros empresários, inclusive muitos do Brasil, como Helio Mattar, hoje do Instituto Akatu para o consumo consciente. Desse encontro saíram todos entusiasmados para criar uma organização desse tipo.
Em Julho de 1998, o Ethos já estava criado e foi feita a 1ª Conferência do Ethos junto com a criação do Fórum Empresa, uma organização para fazer funcionar a responsabilidade social nas Américas estimulando a criação de organizações semelhantes ao Ethos nos outros países. Hoje, existem aproximadamente 26 países com organizações de Responsabilidade Social com características semelhantes a do Ethos. O assunto
Responsabilidade Social não era até então trabalhado, eram trabalhadas as questões dos projetos sociais e o investimento das empresas na sociedade. O GIFE - Grupo de Institutos Fundações e Empresas - ajudou a trabalhar o conceito de investimento social privado. Antes da sua fundação, as empresas e institutos estariam mais voltados para um trabalho filantrópico das empresas preocupados em ajudar projetos e trabalhos comunitários, mas de forma mais errática e pontual. Assim, o GIFE, possui grande liderança neste trabalho com os institutos empresariais e com as empresas para desenvolver uma política de investimento social. (Entrevista com Helio Mattar, pesquisa de campo).
Segundo Itacarambi, o Ethos foi criado para trabalhar com a empresa e não com os projetos sociais, isso trazia uma mudança de cultura na gestão do negócio, ou seja: “você pode desenvolver o seu negócio com lucro, mas de uma forma responsável, mas, é preciso ter um diálogo com os stakeholders, entender quais são os impactos que a empresa tem e administrar estes impactos, pois se você não conhece os impactos não consegue administrá-los” (Paulo Itacarambi). Até esse momento, o conceito de responsabilidade social que estava no Brasil não era o supracitado, e o Ethos tornou-se o protagonista neste capítulo da nossa história.
Foi meio que uma “pregação”. Uma das atividades foi fazer seminários, encontros palestras, encontrar lideranças empresariais que assumiam e enxergavam nessa proposta alguma coisa que fazia sentido para que essas lideranças pudessem reproduzir este discurso, ampliar o discurso e mostrar como é que se faz. Outra estratégia foi produzir publicações mostrando o que as empresas poderiam fazer, porque, às vezes, a pessoa entende o discurso, mas não enxerga qual é a prática, então, no início, o Ethos fez uma série de publicações do que as empresas podem fazer para serem socialmente responsáveis, o que as empresas podem fazer pela sociedade e foi se desenvolvendo por temas como educação, saúde, pelas pessoas com deficiência, pela saúde da mulher, foi trabalhando estes diversos temas e mostrando os diversos tipos de ações que, às vezes, as empresas até já faziam, mas não prestavam atenção e não tinham uma política voltada para isso. A partir dessas publicações, palestras e seminários a gente buscou identificar aquilo que a empresa já faz, ou seja, construir sobre o construído, valorizar o que já é feito e propor as mudanças. (Entrevista com Paulo Itacarambi, pesquisa de campo).
Para o Instituto, responsabilidade social empresarial pode ser definida como:
Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.9
O setor da construção civil também começou a se mobilizar e o “Projeto Tear: Tecendo Redes Sustentáveis”, promovido pelo Instituto Ethos e pelo Fundo Multilateral de Investimento (Fumin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), tem como principais objetivos aumentar a competitividade e a sustentabilidade das pequenas e médias empresas (PMEs) e ampliar suas oportunidades de mercado, contribuindo assim para o desenvolvimento do País.
Busca-se realizar esses objetivos pela adoção de medidas de responsabilidade social empresarial (RSE) em PMEs que atuam na cadeia de valor de empresas estratégicas em sete setores da economia: açúcar e álcool; construção civil; energia elétrica; mineração; petróleo e gás; siderurgia; e varejo. (Entrevista com Paulo Itacarambi, pesquisa de campo).
Algumas empresas do setor da construção civil no segmento de incorporação como Y. Takaoka10 e a Gafisa são empresas âncora.
9 Disponível em
http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/pt/29/o_que_e_rse/o_que_e_rse.aspx acessado em 20/02/11.
10 “A Y. TAKAOKA EMPREENDIMENTOS S.A. foi idealizada pelo engenheiro Yojiro
Takaoka, um dos fundadores da Construtora Albuquerque, Takaoka, sendo responsável por empreendimentos como Alphaville e Aldeia da Serra, na Grande São Paulo – projetos que marcaram o conceito de condomínio horizontal de luxo no Brasil e que resultaram em um salto de qualidade no mercado imobiliário do País. Presidida por Marcelo Takaoka, filho mais velho de Yojiro, a Y. Takaoka iniciou suas atividades a
O Projeto Tear já foi objeto de pesquisas anteriores e foi percebido como relevante para o desenvolvimento da cadeia de fornecedores da construção civil, principalmente porque é possível que ele incentive as empresas de pequeno e médio porte a se tornarem mais competitivas em relação aos aspectos de responsabilidade social incorporados à sua estratégia de negócios.
2.5. Indicadores de sustentabilidade e sua aplicabilidade nas