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Perante a necessidade de analisar os resultados obtidos, face aos objetivos propostos, consideramos essencial tecer algumas considerações acerca do instrumento de medida utilizado para determinar todos os dados em análise. Antes de mais, consideramos que o primeiro objetivo do estudo foi cumprido, na medida em que foi elaborado um instrumento para a avaliação da competência de autocuidado da pessoa com ostomia de eliminação intestinal e foi possível descrever, em contexto comunitário, essa mesma competência numa amostra de 80 pessoas.

Página | 78 ESEP_ MEC 2010/2011 estudo, o instrumento em causa não é exigente, do ponto de vista da sua utilização, e é pertinente face à necessidade de sistematização da avaliação deste tipo de competências. Relativamente aos participantes consideramos, segundo as suas opiniões, que a aplicação do instrumento não implicou qualquer prejuízo do ponto de vista emocional nem foi constrangedor, pela exigência de avaliação das suas competências de autocuidado.

Relativamente às propriedades do instrumento construído, consideramos que este mediu o que se pretendia medir e, apesar de não ser possível avançar para a sua validação, é de realçar a boa consistência interna verificada com a análise do coeficiente alfa de Cronbach. Uma visão tendencialmente mais clínica do que estatística dos resultados deste instrumento, levam-nos a considerar o quanto é importante a existência de uma ferramenta deste género, que permita a avaliação progressiva da pessoa ostomizada ao longo do seu processo de aprendizagem. Assumimos que a afirmação “a amostra em causa demonstra parcialmente a competência de autocuidado”, pode ser conotada de redutora, mas se percebermos este instrumento com aplicabilidade prática a cada indivíduo, faz sentido a sua utilização, pela possibilidade da sua particularização.

A sistematização da avaliação da competência de autocuidado da pessoa com ostomia de eliminação intestinal contribui para a definição rigorosa do diagnóstico e das intervenções de enfermagem, em função das necessidades educativas individuais. Esta metodologia favorece a continuidade dos cuidados, evitando perda de informação relativa ao processo de adaptação da pessoa ostomizada, com ganhos para a sua qualidade de vida. Face à escassez de instrumentos de avaliação, é premente investir na construção e validação destas ferramentas. Este estudo poderá impulsionar um carácter científico à avaliação da competência de autocuidado da pessoa com ostomia de eliminação intestinal.

4.2. A Competência de Autocuidado da Pessoa Ostomizada

Partindo da segunda questão de investigação: “Quais são as competências de autocuidado que a pessoa submetida à construção cirúrgica de uma ostomia de eliminação possui, em contexto comunitário?”, é possível referir que as pessoas ostomizadas, incluídas na amostra, demonstraram parcialmente a competência de autocuidado. A análise dos resultados deve ser feita de acordo com os domínios da competência, podendo parecer inadequado a avaliação da competência ser resumida a “demonstra parcialmente”. No entanto, com este resultado depreende-

se que o grupo de utentes inscrito nas unidades de saúde envolvidas no estudo, não demonstra, na sua totalidade, as competências de autocuidado eventualmente esperadas para o período de adaptação à condição de ostomizado. Analisando, em termos estatísticos as pontuações relativas a todos os domínios da escala, verificamos que estas recaíram, em média, entre as pontuações 1 (demonstra totalmente) e 2 (demonstra parcialmente). No entanto, só com a análise concreta dos resultados obtidos em cada domínio se poderão fazer algumas interpretações mais sustentadas.

Tal como descrito anteriormente, na globalidade da escala utilizada para avaliação da competência de autocuidado, a opção “2- demonstra parcialmente” foi a mais selecionada. Apesar desta constatação, há particularidades de cada domínio se analisarmos, especificamente, a posição da média das pontuações nos intervalos das opções da escala, ou seja entre 1 (demonstra totalmente) e 2 (demonstra parcialmente) ou entre 2 (demonstra parcialmente) e 3 (demonstra totalmente).

Relativamente aos domínios conhecimento, auto-vigilância, tomada de decisão,

execução e negociação e utilização de recursos de saúde, verifica-se que a média

das opções selecionadas se situa entre as opções 1 e 2, sendo de destacar que o domínio da execução é o que aproxima mais da opção “1- demonstra totalmente” e o domínio da negociação e utilização de recursos de saúde é o que se aproxima mais da opção “2- demonstra parcialmente”. Destes resultados depreende-se que os participantes, mais do que necessidades de aprendizagem ao nível da execução, necessitam de apoio nos domínios da competência mais direcionados para a fundamentação das decisões relativas ao autocuidado. Reiteramos esta consideração quando verificamos que no domínio da interpretação, as opções selecionadas concentraram-se essencialmente entre as opções “demonstra parcialmente” e “não demonstra”, apresentando as médias mais altas das respostas dadas em todos os domínios. Este resultado manifesta que entre os participantes se verificou que a maior dificuldade se prende com o domínio da interpretação do autocuidado, relacionado, entre outros aspetos, com a procura de explicações e com o conhecimento sobre as causas de alterações e complicações relacionadas com a ostomia e o seu cuidado.

Face aos resultados obtidos, poderemos inferir que a amostra manifesta em alguns domínios um bom nível de demonstração da competência de autocuidado, mas noutros domínios, os resultados surgem inferiores ao expectável, indicando necessidades de aprendizagem que devem ser um foco de atenção dos cuidados de enfermagem.

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Benzer Belgeler