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Ders İngilizce Yazma Becerileri 2 Kod OYDL152

Meirelles e Pedro Américo.

Esse estilo europeizante permaneceu por todo século XIX e início do século XX, mas, para uma parte dos pintores paulistas, era percebido apenas na técnica, pois os motivos já eram muito brasileiros, entre esses pintores podem ser citados Almeida Junior e Pedro Alexandrino.

Tal estilo foi mal recebido e, após tentativas mal entendidas, como a exposição de Anita Malfatti, em 1917, foi arrasado pelas duras críticas de Monteiro Lobato que escreveu no jornal O Estado de São Paulo de 20 de dezembro de 1917: “Ela põe todo seu talento a serviço de uma nova espécie de caricatura”52.

Em 1922, um grupo de artistas, intelectuais e empresários de São Paulo resolveu criar, no Teatro Municipal, a Semana de Arte Moderna.

2.1.1 Guignard

“Os genuínos são pessoas preciosas que possuem um inesgotável fluxo de estímulo que vai até você. Gente generosa, gente humilde; geralmente triste, o que as torna adoráveis, pois sua tristeza tem um motivo válido”. Esta definição sobre a alma dos artistas, vinda de Marlene Dietrich53, bem poderia ter sido dirigida objetivamente a Alberto da Veiga Guignard.

Esse virtuose dos pinceis teve uma vida plena e, como a maioria das criaturas, tangenciada pelas tragédias humanas, das quais a vida não poupa ninguém.

Guignard nasceu em 25 de fevereiro de 1896, na cidade de Nova Friburgo, no estado

51 MANOEL TEIXEIRA DA ROCHA. (1863 – 1941) Pintor Alagoano formado pelo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. 52 COLEÇÃO NOSSO SÉCULO. São Paulo: Abril. 1980, p. 114.

do Rio de Janeiro, “feio como todo recém-nascido”, como diria em sua curta biografia. Todos os que o conheceram sabiam como sempre sofreu por sua aparência, principalmente por um defeito congênito, fissura palatina, que lhe nasalava a voz, tornando-a quase incompreensível54. Filho de José Guignard e de Leonor Augusta da Silva Veiga Guignard; seu avô paterno, o francês Charles Guignard teria vindo para o Brasil, juntamente com a esposa, Margarite Blanche Guignard, para ser cabeleireiro da corte do Imperador, em Petrópolis. Seu avô materno, o comendador José Antônio Vieira Veiga, de quem o artista guardaria, assim como de seus pais, as mais comovidas lembranças e sua avó Leonor Augusta da Silva Veiga. Em 1900, nasceu sua única irmã, Leonor.

Seu pai, como se sabe, teve várias ocupações, foi comerciante, corretor de imóveis e fiscal de impostos em Petrópolis. Era adorado pelo filho e lutou desde logo para corrigir seu problema de fissura palatina, fazendo-o ser operado, ainda muito pequeno, mas nem essa e nem outras intervenções cirúrgicas, efetuadas mais tarde, se mostraram eficazes. O aniversário de seu pai, no dia de São João, era muito festejado, inclusive à noite com uma exibição de fogos de artifício. O menino artista era então acordado pelo progenitor e levado nos braços, para ver as luzes e os balões subindo ao céu, fato que marcou para sempre sua sensibilidade. A mãe Leonor era terna, muito ligada aos filhos e foi sempre uma feliz recordação para o artista, que declarou mais tarde: “preciso estar acompanhado e gosto de me sentir conduzido com carinho como minha mãe fazia quando eu era menino. Foi ela que, compreendendo sua vocação, encaminhou Guignard, no momento oportuno, ao estudo artístico. Aos dez anos de idade, seu pai, mergulhado em dívidas e sem possibilidade de

54TEIXEIRA LEITE, José Roberto. Pintura Moderna Brasileira. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1979. 1983.

melhora, aparentemente, suicidou-se55. Sua mãe, com o dinheiro recebido de um seguro, conseguiu saldar as pendências financeiras deixadas pelo marido, casando-se um ano depois com o barão Friedrich Von Schiligem, nobre arruinado, que foi para Guignard um péssimo padrasto. Esse enlace fez com que o futuro pintor se transferisse com toda família para a Europa, onde concluiu seus estudos elementares.

Quando a compulsão criativa irrompe na alma desses escolhidos por Deus, os artistas não há o que os faça retroceder em sua vocação, dessa forma, de algum modo são comparados ao Criador.

No ano de 1916, Guignard viajou para a Alemanha, matriculando-se na Real Academia de Belas Artes da Baviera, em Munique, onde ficou por cinco anos. Estudou também em outros grandes centros culturais, mas, em suas entrevistas e depoimentos biográficos, sempre ignorou esse fato. Talvez porque considerasse Munique o verdadeiro centro de sua formação artística, pois foi aí que teve o primeiro encontro com a modernidade que iria transformar sua posição acadêmica após ter visitado uma exposição de vanguardistas alemães. Na verdade, apesar dos duros estudos na Real Academia de Munique, esse pintor jamais foi um puro acadêmico, um repetidor de formas herdadas do passado: um de seus estimados professores, Hermann Groeber, era integrante de um grupo de artistas de ponta, chamado “Sezession” , surgido em 1892 que preparou o caminho para o expressionismo alemão56.

Em 1918, residiu por um tempo na casa de campo de sua mãe, em Grasse na França, seguindo daí para a Suíça e Itália, onde tomou conhecimento, de forma ampla, da moderna arte européia.

55 BRASIL ESCOLA. Disponível em: URL:http://w.w.w.brasilescola.com/biografia/alberto-da-veiga.htm Acesso em 16 de março de 2010. 56EXPRESSIONISMO. Surgiu na Alemanha, com um grupo de artistas, cognominado “A ponte”, na primeira metade do séc. XX, talvez em

reação ao lirismo do impressionismo Francês. Caracteriza-se pela constância na deformação ou acentuação das características das pessoas e natureza. O “phatos” expressionista leva seus adeptos a uma relação constante com o feio e o dramático.mmmmmmmmmmm

Guignard casou-se em Munique com uma estudante de música, Anna Döring, com quem teve um filho, que pouco viveu, um ano apenas. A própria Anna morreu em 1930, pouco tempo depois de tê-lo deixado definitivamente, durante uma estadia na Itália. Esse golpe foi terrível para o esteta, nunca mais se recuperou. Após esse breve e trágico casamento, Guignard se tornou um solitário, apesar de cercado pela juventude, principalmente de “moças bonitas”. Sempre enleado por uma ou outra jovem, recorria ao álcool para se afastar das decepções, pois estas lhe fugiam como se o temessem.

Voltou ao Brasil pela primeira vez em 1924 e participou do Salão Nacional de Belas Artes, retornou em seguida à Europa. Em 1929, voltou definitivamente, passando a residir no Rio de Janeiro, lecionando desenho e pintura na Fundação Osório e na antiga Universidade do Distrito Federal. Travou conhecimento com Ismael Nery e Cândido Portinari.

Em 1944, transferiu-se para Belo Horizonte, a convite do prefeito Juscelino Kubitschek, para dirigir a escola de Belas Artes da capital mineira, hoje Escola Guignard. Em torno do artista, se reuniu um grande número de jovens interessados em arte contemporânea.

Por falta de espaço e condições adequadas, o curso passou a funcionar na forma de ateliê livre, no Parque Municipal da cidade. No mesmo ano foi designado para organizar a Exposição de Arte Moderna de Belo Horizonte. O Parque Municipal tornou-se um centro de discussões artísticas e as novas orientações estéticas causaram espanto ao acanhado ambiente local. Nesta ocasião, alguns quadros de seus alunos foram destruídos durante uma mostra.

Guignard se apaixonou pela brasilidade, que só a sensibilidade artística consegue perceber e, sobretudo, entender, contida nas paisagens bucólicas da terra mineira, com sua aura religiosa e saudosista que envolve as igrejas e casarios daquela região. Transferiu-se para Ouro Preto em 1961 e intensificou seus registros sobre a cidade e seus personagens.

Faleceu na capital mineira em 1962.

Seu corpo repousa na antiga comarca de Vila Rica, no átrio da igreja de São Francisco de Assis.

Benzer Belgeler