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Não poderíamos falar deste ponto sem destacar a importância do SAFE. Assim, sugerimos que nos acompanhe em apêndice72 por uma breve explicação do mesmo.

A constituição de um Sistema de Forças depende das disponibilidades orçamentais para o efeito, deste modo “Portugal só pode ter as Forças Armadas que as suas capacidades financeiras permitirem, tanto ao que respeita ao número de homens como ao respetivo equipamento e à sua prontidão”73 ou seja, a organização e preparação de uma FND deve ser planeada tendo em conta os recursos disponíveis para cada missão.

Portanto, foi impreterível definir-se os procedimentos administrativo-financeiros às FND, com o fim de regular e otimizar a conjuntura vigente e futura, uma vez que possuir uma visão estratégia sobre o futuro é imprescindível para as organizações serem competitivas (Standing, 1999) e ajuda a produzir informação útil para a tomada de decisão dado que não basta ser competitivo no presente, deve-se estar atento às oportunidades do futuro.

O General CEME, através de delegação competências de Sua Excelência o General CEMGFA74, é o responsável pelo “levantamento, preparação, aprontamento, projeção, sustentação das suas forças e meios envolvidos e a sua retração” (MDN, 2008, p. 45)

através do seu órgão de apoio à decisão o CFT, bem como a execução do apoio logístico as FND. Com a publicação do Dec-Lei n.º 33/99, de 5 de Fevereiro, “O CEME ficará autorizado a adquirir material insuficiente no Exército e específico para as missões no estrangeiro”75.

No cumprimento dos compromissos assumidos76 pelo Estado, as FND estão na dependência administrativo-financeira da SecLog/UnMob que é “quem recebe as verbas para poder responder aos encargos durante o período da missão”77, afetando

72 Ver Apêndice A.

73 Disponível em http://www.jornaldefesa.com.pt/conteudos/view_txt.asp?id=248, no dia 26 de fevereiro de 2012, às 19h30.

74 Compete ao EMGFA “ propor a participação nacional, especificando os requisitos operacionais que as forças e meios podem satisfazer, as eventuais limitações ao seu emprego e a sua composição, organização e custos associados, em função dos diversos cenários de participação definidos pelo Governo para o desenvolvimento da sua política externa”. Cfr. Anuário Estatístico da Defesa, 2008, p. 46.

75 Cfr. RA/DSF, 1999, p. 2.

76 Cfr. Decreto-Lei n.º 233/96 de 7 de Dezembro.

77 Cfr. Inquérito por entrevista realizado na EPS, no dia 11 de abril de 2012, às 15h00m, tendo como interlocutor o Sr. Ten AdMil Horácio Ferreira.

obrigatoriamente a cada documento de despesa o centro de custo78 e fase79 a que se refere a missão. Esta dependência à UnMob segue uma logica coerente, visto ser da responsável pela fase aprontadora e de sustentação das forças, assim como o primeiro elo de ligação entre TO´s.

Contudo, a proposta e consolidação orçamental relativa aos recursos financeiros necessários à preparação e emprego das forças deve centralizar-se no CmdLog80, uma vez que é o OCAD onde se processa o grosso81 do apoio logístico, mas Afonso, Arcanjo, Pereira e Santos (2005, p. 410) referem que a “obrigatoriedade de verificar se o OE foi rigorosamente cumprido, em todos os atos e operações da Organização, resulta da execução orçamental”, que deve ser conduzida rigorosamente por todos os escalões.

Em seguida, o CmdLog após prévia coordenação com a UnMob responsável82 pelo aprontamento e sustentação da FND atribui as estimativas que servirão de base à execução orçamental. Este orçamento é “efetuado trimestralmente e baseado em estimativas”83

assentes no histórico das missões anteriores. Segundo Franco et al(1994, p. 188) “executar o orçamento significa cobrar as receitas nele inscritas e realizar as despesas por ele autorizadas”, mas as mesmas devem ser comedidas e utilizadas da forma mais racional

(Idem, p. 187), garantindo assim os recursos financeiros necessários ao desempenho de todas atividades intrínsecas às FND.

Nomeadamente aos reforços orçamentais necessários à execução orçamental das FND, a SG/MDN é responsável por transferir trimestralmente os reforços de acordo as estimativas atempadamente previstas84, e aprovadas. Esta modalidade de atribuição do orçamento por tramos trimestrais é vista como um ponto fraco85 do sistema. Um atraso na atribuição das dotações implica ficar“sem capacidade de efetuar despesas”86 e, “ acarreta

78 Centro de Custo é a “Unidade organizacional dentro da Contabilidade Analítica e elemento agregador de custos indicando quais as áreas de responsabilidade que geram e influenciam esses custos”. Cfr. Manual de Utilizador de CO, 2010, p. 55.

79 Cfr. Nota-Circular n.º 02/2010 de 22 de Janeiro, da DFin. 80 Cfr. Diretiva n.º 23/CEME/2008 de 23de Janeiro.

81 O principal OCAD “na minha ótica o principal e que tem mais peso na parte estrutural é sem duvida o CmdLog”. Cfr. Inquérito por entrevista realizado na DFin, no dia 15 de março de 2012, às 16h00m, tendo como interlocutor o Sr. Maj AdMil José Cano.

82 Definidas pelo COp e “normalmente são uma das três brigadas ao nível do Exército (BrigRR, BrigIntRap, BrigMec)”. Cfr. Inquérito por entrevista realizado na EPS, no dia 11 de abril de 2012, às 15h00m, tendo como interlocutor o Sr. Ten AdMil Horácio Ferreira.

83 Cfr. Idem.

84 Cfr. Diretiva n.º 23/CEME/2008 de 23 de Janeiro.

85 Cfr. Inquérito por entrevista realizado no CmdLog/EM/ RPM, no dia 27 de Março de 2012, às 15h00m, tendo como interlocutor o Sr. TCor AdMil Godinho dos Santos.

problemas na gestão e no planeamento e torna -se difícil cumprir as formalidades legais”87

o que, por conseguinte, dificulta a gestão financeira, como atividade que permite as organizações de atingir os seus objetivos financeiros (Ralheta, 2003).

O acompanhamento da execução orçamental dessas dotações é tarefa da RGO/DFin88, que através dos mapas de custo apresentados, consegue comparar a qualidade de execução conduzida no TO pela OI/FND89, entidade responsável pelo manuseamento, escrituração e contabilização dos valores. Para tal, a RGO/DFin não90 tem necessariamente necessidade em recorrer sempre aos centros de custo.

O suplemento de missão, considerado como um dos grandes encargos91 das FND é um direito dos militares em FND. A definição do montante a ser atribuído a cada militar é fixado por portaria conjunta dos Ministros da Defesa Nacional e das Finanças, sendo “atualizado de forma automática, em janeiro de cada ano” (CmdLog, 2003, p. 36).

Uma mais-valia para as FND prende-se com a possibilidade de explorar o mercado local para sua subsistência, devendo, contudo, recorrer à cadeia logística nacional com competências para o efeito, a fim de evitar-se uma exploração indiscriminada92 dos recursos locais.

Em suma, o apoio administrativo-financeiro as FND baseado numa gestão eficiente, tem sido uma das ferramentas fundamentais para o sucesso das FND.

87 Cfr. Inquérito por entrevista realizado na DMT, no dia 13 de Abril de 2012, às 10h15m, tendo como interlocutor o Sr. TCor AdMil Aquilino Torrado.

88 A RGO é responsável em preparar os projetos orçamentais do Exército, promover a sua execução e controlo e, promover, junto a DGO, a libertação dos meios financeiros para a utilização do Exército.

89 Funcionam como uma “Secção Financeira Eventual, constituída pelo Oficial de Finanças e um Tesoureiro e que faz a ligação com a UnMob”.Cfr. Inquérito por entrevista realizado na EPS, no dia 11 de Abril de 2012, às 15h00m, tendo como interlocutor o Sr. Ten AdMil Horácio Ferreira.

90 Cfr. Nota-Circular n.º 02/2010 de 22 de Janeiro, da DFin, p. 2.

91 Os grandes “encargos financeiros estão ao nível do CmdLog (…), o outro grande encargo são os suplementos de missão pagos pela DFin”. Cfr. Inquérito por entrevista realizado na DFin, no dia 15 de Março de 2012, às 16h00m, tendo como interlocutor o Sr. Maj AdMil José Cano.

92 Aquando exploração do mercado local num determinado TO, “Deve-se ter cuidado para não inflacionar o mercado local”. Cfr. Inquérito por entrevista realizado no IESM, no dia 8 de Março de 2011, às 15h0m, tendo como interlocutor o Sr. Maj AdMil Ferreira.

Benzer Belgeler