1. GİRİŞ VE AMAÇ
2.3. Dermatolojide Depresyon ve Anksiyete
Conforme afirmamos na seção anterior, os locutores utilizam a prosódia como um aspecto de veiculação de sentido. Por muito tempo, e o advento da tecnologia foi fundamental nesse sentido, o estudo da prosódia, sobretudo no âmbito da fonética experimental, restringiu-se a delimitar, em laboratório, aspectos quantitativos relacionados ao sinal acústico. Esse modelo contribuiu, inegavelmente, para que hoje pudéssemos contar com uma descrição acústica com base em análise instrumental de várias línguas.
Entretanto, ao considerarmos a perspectiva da enunciação, principalmente após BENVENISTE (1976) e BAKHTIN (1986), vemos que, ao isolar o sinal da fala da situação de
interação, perde-se a função primordial da linguagem, que é a interação entre locutores. Portanto, estudar a fala em uma situação de uso é uma opção metodológica, tão válida quanto determinar apenas, do ponto de vista físico, valores numéricos em que se pode traduzir o sinal da fala.
Apesar de podermos considerar certa regularidade de padrões entonativos, nos usos intencionais de pausas ou nas mudanças de tessitura em alguns contextos, não é possível, porém, determinar que aspectos prosódicos sejam exclusivamente determinantes do alvo de sentido pretendido pelo falante. PAKOSZ (1982), COUPER-KUHLEN
(1986), HIRST (1998), WICHMANN (2000) demonstram que não são padrões prosódicos
que delimitam o significado. Antes, o mesmo padrão pode ser encontrado em situações diferentes para os quais os locutores podem atribuir diferentes significados. Por outro
lado, numa mesma situação, padrões diferenciados podem ser passíveis de uma mesma interpretação.
Vale ressaltar o que HIRST (1998) argumenta sobre essa questão. Mudar o movimento
melódico de um enunciado não implica transformá-lo em outra modalidade. O exemplo dado pelo autor é que usar a entonação ascendente não é uma forma de converter uma declarativa em questão total. O uso dos padrões entonativos do inglês, segundo o autor, aponta para o fato de que, em determinados contextos, é possível uma asserção ser utilizada com uma melodia ascendente. De acordo com HIRST (1998), essa é uma
maneira de transformar uma afirmativa num pedido de informação, em uma determinada situação comunicativa.
Em quaisquer dos casos, é inegável que a prosódia contribui, de uma forma ou de outra, para a construção do sentido. É comum, em situações cotidianas, que interlocutores afirmem algo como “não gostei da forma como você disse X”, ou mesmo “você poderia ter dito X de outra maneira”. O uso de palavras como “forma” e “maneira” revelam um juízo de valor sobre modulações prosódicas que fazemos ao falarmos. O modo como afirmamos, perguntamos, pedimos ou ordenamos é um ponto relevante para que nossos enunciados sejam bem interpretados, ou pelo menos, que nossas intenções sejam compreendidas por aqueles que são alvo de nossos enunciados.
FIORIN (2002, p.168) afirma que
(..) a pragmática deve explicar como os falantes são capazes de entender não literalmente uma dada expressão, como podem compreender mais do que as expressões significam e por que um falante prefere dizer alguma coisa de maneira indireta e não de maneira direta.
É justamente nessa acepção que compreendemos a prosódia dentro de uma visão pragmática da linguagem: um aspecto não-verbal capaz de modalizar, produzir efeitos de sentidos aos enunciados dentro de uma situação de comunicação.
Ainda sobre a afirmativa de FIORIN (2002), é possível que se pense que a prosódia seria,
então, uma forma indireta de se dizer alguma coisa (conforme discussão no item 1.3). Tal raciocínio significaria atribuir à prosódia um papel secundário no contexto comunicativo, o que não corresponde à nossa perspectiva. O uso do recurso prosódico é,
no nosso ponto de vista, um fator que funciona de forma integrada à estrutura da sentença – o que quer dizer que não é a forma lexical e sintática que determina o uso de parâmetros prosódicos – mas que, no momento da enunciação, esse se soma às informações lexicais e sintáticas, bem como às informações contextuais para conduzirem aos participantes da situação à produção de sentido(s).
Entretanto, os fenômenos linguísticos não ocorrem de forma exata. Cada comunidade, a seu tempo e de modo peculiar, escolhe que forma é, do ponto de vista pragmático, mais interessante se veicular o sentido. O que não deixa de ser interessante é que tais fenômenos não ocorrem ao acaso, eles tendem a se repetir, em grupos linguísticos distintos e que nem sempre passaram por alguma situação de contato.
Assim, ressaltamos a questão da interação entre níveis informacionais diferenciados. Com base no que apresentamos na figura 3 deste capítulo, apresentamos um esquema, em que teríamos, então, uma representação triangular, na qual se percebe uma interação entre níveis de informação diferenciados para a produção de sentido:
Figura 4: Relação entre os níveis informacionais num ato de fala.
A representação anterior representa três tipos de informação com os quais os locutores e alocutários precisam lidar para construir e reconstruir o(s) sentido(s) em situações de fala. Assim, temos os níveis lexical e sintático, mais gramaticalizados, nos quais se estrutura o enunciado. Nesses níveis, o significado de palavras e sentenças consiste em um dos parâmetros a ser utilizado pelos interlocutores para a compreensão.
Por outro lado, no plano não-verbal, a cadeia segmental do enunciado é associada a fatores prosódicos, tais como melodia, tempo, intensidade, pausas, dentre outros. A interação entre as informações desses dois planos pode gerar nova carga semântica para o enunciado, revelando intenções e atitudes que podem ser depreendidas a partir da cadeia suprassegmental. No plano real, temos as informações contextuais, sobre papéis sociais e discursivos desempenhados pelos locutores, além do lugar físico em que se encontram. Interligadas às dos outros planos, as informações contextuais redimensionam o significado no nível discursivo, no qual aspectos não-linguísticos são considerados pelos interlocutores para a produção do sentido.
Diante do exposto, verificamos que a tarefa de compreender como os interlocutores usam a língua para estabelecerem comunicação não pode ser desvinculada de fatores contextuais, uma vez que o processo inferencial por parte do alocutário não acontece apenas por meio da identificação de itens lexicais ou de estruturas sintáticas ou do significado.
2.4 Discussão
Apresentamos neste capítulo a relevância da Pragmática para os estudos da linguagem, sobretudo no que se refere à fala. Os pressupostos da Pragmática ajudam a compreender a integração entre texto e atores da enunciação e qual a importância de serem considerados em conjunto como essência do ato da comunicação.
Vimos também que a compreensão dos enunciados não depende exclusivamente de fatores verbais. Antes, a integração entre texto, prosódia e outras pistas contextuais são consideradas pelos falantes para serem produzidos efeitos de sentidos. Não considerar tais fatores numa análise da atividade comunicativa pode nos fornecer uma ideia incompleta de como, de fato, ocorre tal processo.
Dessa forma, devemos considerar que, se o falante usa intencionalmente a forma prosódica para salientar informações segmentais, para separar informações conhecidas de informações novas, distinguir informações importantes de outras menos importantes,
prosódia constitui uma pista na produção dos sentidos. Assim, é necessário numa análise Linguística vincular prosódia, texto e contexto de uso
Além disso, podemos afirmar que não apenas as informações Linguísticas podem ser interpretadas no nível prosódico. Outros fatores, como atitude e polidez, são intencionalmente marcadas no nível prosódico pelo falante. Acreditamos que essas pistas não se encontram nesse nível aleatoriamente. O locutor deixa transparecê-las para que, possivelmente, sua comunicação seja mais eficaz, ou mesmo porque intencione ser atendido em sua ordem, como é o caso dos enunciados que nos propomos a estudar.
Assim, temos que o falante nem sempre transforma em palavras suas intenções. Já que não o faz, como é possível ao alocutário compreender o que está sendo dito? Segundo o que defende VAN DIJK (1992) e conforme o que defendemos neste trabalho, o alocutário
é capaz de compreender porque possui esquemas mentais socialmente construídos, os quais são baseados em aspectos contextuais. Assim, a interpretação é possível pois é um processo inferencial. Por essas e outras questões o conceito de inferência torna-se imprescindível numa teoria que busque compreender a comunicação.
Entendemos também que outros fatores influenciam nas escolhas lexicais, sintáticas e, principalmente, prosódicas. Dentre eles destacamos o contexto público e privado, situações formais, informais, os papéis sociais, as relações entre os falantes (VAN DIJK,
1992). Nosso trabalho consiste, então, em correlacionar tais aspectos ao estudo da prosódia, buscando compreender em que medida esses aspectos podem influenciar nas estratégias utilizadas pelos locutores e de que forma esses mesmos aspectos podem ser considerados pelos alocutários como pista para a construção do sentido.