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DERİN KAZILAR İLE İLGİLİ ÖNCEKİ ÇALIŞMALAR

Os contextos socioeconômicos e políticos sempre foram os marcos delineadores das ações de ATER, que por sua vez foram e são norteados pelas ideias e prerrogativas das noções de desenvolvimento. Sendo assim, as diferentes propostas de ação e de definição deste termo acabaram por moldar o tipo de desenvolvimento a ser encorajado (DUARTE, 2012) e consequentemente o tipo de ATER executada. Sobre isso, Bresser-Pereira (2014) afirma que a noção de desenvolvimento, com forte viés econômico, apontou como uma substituição ou novo desígnio para a ideia de progresso11 a partir do momento, pós 2ª guerra mundial, em que “[...]

reconheceu-se que muitos países tinham ficado atrasados em relação a algumas nações

industrializadas” (BRESSER-PEREIRA, 2014, p. 34). Nesse sentido o próprio autor alia a

noção de progresso ao desenvolvimento humano:

Considero que os conceitos de progresso e desenvolvimento humano são equivalentes, embora tenham origens e conotações diferentes. O desenvolvimento humano está associado ao desenvolvimento econômico, envolve mudança estrutural e está relacionado a um determinado Estado-nação, ao passo que progresso é um conceito universal. O progresso geralmente é visto como um ideal, como o permanente avanço da razão e do conhecimento, enquanto o desenvolvimento costuma ser visto como um processo histórico de realização dos direitos humanos (BRESSER-PEREIRA; 2014, p.37).

Almeida (1997), seguindo a mesma lógica, apresenta uma discussão vinculada à noção de modernização. De acordo com ele, a definição, em meados da década de 1960, aliou-se ao critério de modernização das nações incluindo a ideia de que as nações que não tinham condições para tal feito seriam nações atrasadas: “[...] a ideia de desenvolvimento se reduziu à

modernização, ou seja, a capacidade que um sistema tem de produzir modernidade [...]”

(DUARTE, 2012, P.61). Tal prerrogativa, como será vista no decorrer da discussão das fases da ER, juntamente com a conceituação de desenvolvimento ligado ao progresso, tem seu destaque por serem os principais preceitos utilizados para justificar as ações de ATER no seu período inicial.

Indo na contramão e aportando outro viés para o conceito de desenvolvimento, Amartya Sen (1998) o define como algo vinculado à liberdade e aumento das capacidades humanas. Nesse sentido, o desenvolvimento apresentado num “painel” mais humanista, se faz de forma plena quando há o acesso à saúde, à educação, às necessidades materiais básicas e à participação na vida da comunidade. Aliando-se ao que Amartya Sen defende, Mahbub ul Haq acredita que o crescimento econômico se converte apenas como um subconjunto do paradigma do desenvolvimento humano e não um fim em si mesmo. Portanto para ele,

El propósito básico del desarrollo humano es ampliar las opciones de las personas. En princípio, estas opciones pueden ser infinitas y cambiar a lo largo del tiempo. Por lo general, las personas valoran logros que no aparecen del todo, o por lo menos inmediatamente, en cifras de ingreso o crecimiento: mayor acceso al conocimiento, mejor nutrición y servicios de salud, medios de vida más seguros, seguridad frente a crímenes y violencia física, un tiempo libre más satisfactorio, libertades políticas y culturales y un sentido de participación en actividades comunitarias. El objetivo del desarrollo es crear un ambiente que permita a las personas disfrutar de una vida larga, saludable y llena de creatividad. [...] El crecimiento económico es esencial para el desarrollo humano, pero necesita ser administrado adecuadamente para aprovechar al máximo las oportunidades de un mejor bienestar que ofrece el crecimiento. (UL HAQ, 1995, p.01).

Apesar da ausência de consenso sobre o conceito de desenvolvimento, outro viés que emergiu com as consequências negativas causadas pelo caráter explorador do modelo de desenvolvimento vinculado ao crescimento econômico e ao progresso, foi o desenvolvimento sob bases sustentáveis. Considerando a finitude dos recursos naturais, o desenvolvimento humano e as formas menos degradantes da exploração, a noção do termo sustentabilidade passou a ser interpretada e utilizada em toda e qualquer reflexão sobre modelos de desenvolvimento por invocar a preocupação pela equidade social e o equilíbrio entre as dimensões econômicas e ambientais. Então, a partir do que se convencionou, o desenvolvimento sustentável tende a ser includente sob a ótica social, sustentável do ponto de vista ecológico/ambiental e viável do ponto de vista econômico (DIESEL et al., 2002; SACHS, 2003). Outro aspecto do termo sustentabilidade está ligada a sua dimensão política:

Sustentabilidade também tem uma dimensão política onde importa integrar os diversos sectores da sociedade e que seja capaz de garantir a todos os direitos, a promoção e o exercício da cidadania. A participação das pessoas na gestão das políticas públicas é fundamental para a sustentabilidade não só para garantir que elas atendam aos interesses locais mas para que tenham continuidade (FAO, 2012, p.15).

Tal dimensão deixa posta a necessidade da gestão social, sob um viés participativo, da noção de desenvolvimento sustentável. Nesse sentido é de suma importância que estas

iniciativas estejam pautadas na mobilização dos agentes e recursos locais e na relação horizontal entre estes e poder público no intuito de planejar, organizar, implementar, gerir e avaliar as políticas e estratégias propostas (FAO, 2012).

Outra definição de desenvolvimento, que surgiu a partir da noção de desenvolvimento endógeno e que guiou os discursos da ER atual, é a ligada a conjectura sustentável e territorial12 do meio rural. Segundo a FAO (2012, p.) “O território é onde começa na prática o desenvolvimento sustentável. A inclusão da noção de território nos debates sobre desenvolvimento permitiu considerar as pessoas como razão de ser de todas as estratégias, políticas, projetos e ações realizados em um determinado espaço”

A noção de desenvolvimento rural, em contraposição à de desenvolvimento agrícola, surge como alternativa teórica para orientar a intervenção por meio das políticas públicas, buscando enfrentar os limites atribuídos ao estímulo à modernização agrícola. Talvez a expressão mais evidente da incorporação destas mudanças

conceituais esteja na recente adoção de uma “abordagem territorial do desenvolvimento rural”, para a qual o desenvolvimento iria além de um viés

normativo ou ideológico (FREITAS, FREITAS e DIAS, 2012, p. 1580).

Esta nova abordagem para o desenvolvimento dos espaços rurais permitiria o rompimento com o caráter setorial das políticas públicas e das intervenções do Estado. Portanto, na medida em que as discussões em torno das noções de desenvolvimento se misturam, temos

uma Extensão Rural em processo de transição e uma “[...]história do desenvolvimentismo

institucionalizado que tem desenhado um caleidoscópio de estratégia de intervenção que vão desde verticais e dirigidas, a horizontais e participativas; de assistencialista a produtivista; de

simples e monotemáticas a complexas e interdisciplinares” (QUINTANA apud CIDONEA,

2010, p. 56).

3.2 As características das fases iniciais da extensão rural brasileira: da passagem do

Benzer Belgeler