3. DENEYSEL KISIM
3.4 DEOKSİMASYON
3.4.1 Derişik oksim 1,2-dikloroetan çözeltisinin deoksimasyonu
Conforme Machado (ibidem) “foi o cinema que forneceu o modelo básico de serialização audiovisual de que se vale hoje a televisão”. Sobre a serialização, Lorenzo Vilches (apud Machado, idem: 89), a define “como um conjunto de seqüências sintagmáticas baseadas na alternância desigual: cada novo episódio repete um conjunto de elementos já conhecidos e que fazem parte do repertório do receptor, ao mesmo tempo em que introduz algumas variantes ou até mesmo elementos novos”. Podemos exemplificar, nas três tabelas abaixo, no horário de edição semanal supracitado, conforme a pesquisa durante a semana de 07 a 13.02.06, alguns programas classificados segundo os três tipos mais notáveis de formas de narrativas seriadas apresentados por Machado (idem: 84-85): 1) narrativas únicas ou narrativas entrelaçadas em capítulos; 2) narrativa em cada episódio seriado; 3) narrativas independentes caracterizadas pela exibição de episódios unitários.
189 Narrativas seriadas tipo 1
Narrativa seriada tipo 1
Band Cultura Gazeta Globo Record Rede
TV! SBT Telenovela Floribella Mandacaru - - Malhação Alma Gêmea Bang Bang Belíssima Prova de Amor A Escrava Isaura Betty, a Feia. Café com Aroma de Mulher Canavial de Paixões Rebelde Mariana da Noite Minissérie JK
As narrativas seriadas tipo 1 ou os seriados de televisão preenchem as grades de cinco emissoras com os gêneros telenovela (em um total de treze) e uma minissérie. A TV Bandeirantes exibe dois seriados: Floribella às 20:10h e Mandacaru às 22:00 horas.
ATVBANDEIRANTES
A TELENOVELA FLORIBELLA
A telenovela Floribella é construída por doze pequenas narrativas29 entrelaçadas – 1) O reino de Krikoragán; 2) O mundo encantado das fadas; 3) A Flor e o Máximo; 4) O temido colégio com internato; 5) O conde Máximo Augusto na mansão dos Fritzenwalden; 6) A rádio Beijos; 7) O quiosque ‘a gata da praia’; 8) Teodoro Timóteo Teófilo Temístocles Tolentino ou rei Totoca de Krikoragán; 9) JP (Johann Peter Fritzenwalden) em busca de sua identidade perdida; 10) Olívia reencontra Betinho no Brasil; 11) Os costumes na mansão dos Fritzenwalden; 12) O testamento de Bettencourt e as irmãs herdeiras: Flor e Delfina – desenvolvidas em capítulos com a participação de vinte e oito personagens.
Evidencia-se, em Floribella, uma construção teleológica em que, logo no início (o mundo encantado das fadas) a narrativa apresenta “uma difícil missão” da Tera-Fada para socializar o conde Máximo Augusto Caldeirão de Alicante, considerado um playboy
29 O termo narrativa é utilizado para designar o discurso narrativo de caráter figurativo (que comporta personagens que realizam ações) (Greimas /Courtés, 1979:294).
190 desinteressado e egoísta; ela o retira do reino e manda para a mansão dos Fritzenwalden (aqui começa a confusão) para que o conde se transforme, mude suas atitudes de um bon vivant e, assim, possa receber a coroa e ser o rei de Krikoragán. A narrativa retoma o equilíbrio quando o Rei Totoca “vem avaliar as condições de preparação do futuro rei de Krikoragán (...) e saber qual das moças, Flor ou Delfina, é digna de se tornar rainha ao lado de Máximo” (www.band.com.br/floribella).
Um outro exemplo (linguagem verbal) em que podemos encontrar as marcas da construção teleológica30 está no diálogo inicial entre Maria Flor Miranda (personagem da protagonista Juliana Silveira) e o Conde Máximo Augusto (personagem de Mário Frias), logo no princípio do capítulo exibido no dia 08.02.06 (quarta-feira):
- Maria Flor “Eu... Espere aí só um pouquinho... O que é que eu digo agora? O que é que eu falo? É... não pode ser Senhor Conde, não pode ser... Sabe por quê? Porque o senhor, a bruxa nova, os pipocuchos, todos juntinhos, juntinhos no reino de Krikritantã... Não! Isso não pode acontecer de jeito nenhum. É precipício demais” (foto 1).
- Máximo Augusto “É por isso que eu digo que é muito fácil de resolver: você se casa comigo, eu cumpro as exigências para me tornar um rei, você fica com a tutela das suas adoráveis crianças e nós seremos felizes para sempre” (foto 2).
Foto 1 Foto 2
Precisamente, na fala do Conde há marcas da construção teleológica, pois ele oferece a Maria Flor uma receita, em cadeia, para serem “... felizes para sempre”. Outro aspecto que
30 O termo teleologia foi empregado no século XVIII com o fim de exprimir o modo de explicação baseado em causas finais, diferentemente do modo de explicação baseado em causas eficientes (Mora, 1978:387-8).
191 podemos destacar na foto 2 é a coerência do texto sincrético (verbal, visual, gestual) organizado como um “todo de sentido” (Pessoa de Barros, 2003:7) no qual Máximo Augusto, olhando para Maria Flor, diz: “... e nós seremos felizes para sempre”. Nesse momento da fala, ele a toca (mas, com um gesto de repulsa, ela manifesta disforia31), em conjunção, como se desejasse abraçá-la, euforicamente. Nessa tatilidade, o sujeito manipulador (o conde) estaria produzindo um efeito de sentido que concretizaria a realização da promessa.
Toma-se aqui o modelo de análise semiótica greimasiana oferecido pela pesquisadora Diana Barros (idem: 10-12) para se tecer alguns comentários, sobre a telenovela Floribella, nos níveis de estruturas fundamental, narrativa e discursiva:
No nível das estruturas fundamentais, trata-se de um texto que se constrói sobre a oposição semântica “liberdade versus dominação” (manipulação, submissão, opressão). Essa oposição se manifesta nas linguagens visual, verbal e gestual. Durante quase toda narrativa, essa oposição pode ser observada, o que podemos ilustrar de forma gestual – foto 2 acima – (Maria Flor sente repulsa ao toque do Máximo Augusto).
Esse diálogo é marcado por oposições: a liberdade é eufórica e tem valor afirmativo, mas a manipulação do sujeito-manipulador (Máximo Augusto) sobre o sujeito-manipulado (Maria Flor) é disfórica, valorizada negativamente.
No nível das estruturas narrativas, Floribella é a história de um sujeito (o conde Máximo Augusto, favorito para suceder o tio, Rei Totoca, mas é um jovem interessado apenas em mulheres, carros e iates) manipulado por outros sujeitos (o Rei Totoca deve passar a coroa para o sobrinho Máximo e a Tera-Fada deve mandar o conde para cuidar dos Fritzenwalden e de Flor para que ele possa aprender a amar) por provocação e por intimidação.
Dentre as narrativas entrelaçadas, uma delas se dá com o sujeito-manipulador (Máximo Augusto) e o sujeito-manipulado (Maria Flor). Nos diálogos podemos observar que o sujeito-manipulador, por tentação, propõe entregar a tutela das crianças ao sujeito- manipulado, uma vez que só aquele sujeito é dotado de competência (poder-fazer) para transformar a relação de junção do sujeito (Maria Flor) com o objeto (a tutela das crianças).
31 Disforia é o termo negativo da categoria tímica, que serve para valorizar os microuniversos semânticos – instituindo valores negativos – e para transformá-los em axiologias (Greimas/Courtés, 1979:130).
192 Mas, em um determinado momento da narrativa, o manipulador, sentindo a resistência do manipulado à sua proposta, ameaçou às crianças, dizendo: “vocês vão viver em Krikoragán e serão verdadeiros reizinhos”. Dessa forma, o manipulador agiu por intimidação, pois sabia que as crianças odeiam Delfina (fina, porém frívola) e amam Maria Flor. Porém, o manipulador, conhecido como mulherengo e egoísta, reconhece a competência feminina de Maria Flor e a seduz com toques carinhosos, pedindo com voz mansa e sedutora: “Eu sei Flor, eu sei... mas, mesmo com tudo isso, você aceita ser minha esposa”? Entendemos que os valores do manipulado são outros e, por isso, não se deixa manipular (por enquanto).
Floribella é uma narrativa em que o querer, o dever, o saber e o poder estão presentes em todo o diálogo. Vejamos as falas dos sujeitos:
Máximo Augusto: “Eu estou falando de uma troca justa, minha rainha esquentadinha. Você me ajuda, casando-se comigo e eu te ajudo passando a tutela dos Fritzenwalden pro seu nome”.
Maria Flor: “Então, é isso, é? Eu caso, aí, com o senhor e ganho, de uma vez, a tutela dos pipocuchos? Ah... Não sei! Não sei! Não sei! Não sei! Não sei! Não sei”.
Se observarmos, o sujeito Máximo Augusto tem toda competência para realizar a performance, pois ele é sujeito do querer, do dever, do saber e do poder (ele quer casar com Maria Flor, deve cumprir o contrato com o rei Totoca e sabe que o seu poder sobre a tutela das crianças é o trunfo para executar a transformação central da narrativa). Mas, por outro lado, verificamos que Maria Flor, sujeito que opera a transformação, pressupõe um não querer, um não dever, um não saber e um não poder (não quer casar com Máximo Augusto, não deve cumprir o contrato, não sabe se casa apenas para ter a recompensa da tutela, não pode arriscar-se com um homem “pé na jaca”, pois os seus valores são outros). Trata-se de um sujeito de estado em disjunção com o querer e o saber-fazer.
Além do contexto geral da narrativa, na parte da primeira fala – supracitada – de Máximo Augusto dialogando com Maria Flor “... você se casa comigo, eu cumpro as exigências para me tornar um rei...” inscreve-se a marca da “manipulação que é sustentada
193 por uma estrutura contratual” (Greimas/Courtés, 1979:270). Na verdade, “... eu cumpro as exigências para me tornar um rei...” é um enunciado de um sujeito (destinatário-manipulado – Máximo Augusto) impelido por outro sujeito (destinador-manipulador – Rei Totoca) para casar, obrigatoriamente, com Delfina ou Maria Flor e se tornar um rei (cumprimento do contrato proposto).
A oposição liberdade versus dominação manifesta-se nesse enunciado do texto e comunica a falta de liberdade do sujeito (Máximo Augusto) na posição do “não poder não fazer” em obediência ao outro sujeito (o Rei Totoca). Na continuação do enunciado “... você fica com a tutela das suas adoráveis crianças”, significa que Máximo Augusto está disposto a reconhecer a transformação que será operada pelo sujeito (Maria Flor) e, por isso, promete-lhe uma sanção (prêmio), caso a performance se realize. O manipulador também age com o manipulado por provocação: “... É pegar ou largar” (última expressão supracitada do diálogo).
Sendo assim, eu agora comunico a todos que, Máximo Augusto, futuro rei de Krikoragán, irá se casar com a senhorita Maria Flor Miranda. Em virtude desta excelente notícia, dar-se-á um baile, hoje à noite, em comemoração ao noivado do Conde de Alicante e a senhorita Maria Flor. Tenho dito”. Nessa última fala do Rei Totoca, inscreve-se a competência de um poder fazer, mas não de um saber.
O saber é atribuído a um outro sujeito que vai realizar a transformação nuclear da
narrativa: o coelhinho sagrado.
Foto 3 Foto 4