2. ĠLGĠLĠ LĠTERATÜR
2.2 Depresyon
2.2.2 Depresyonu açıklayan bilimsel yaklaĢımlar
Antes de iniciar as discussões sobre soluções de projeto, reforçamos aos jangadeiros que a proposta do carrinho surgiu a partir da percepção dos problemas de postura, esforço físico e riscos de acidentes durante a movimentação da jangada com auxílio dos rolos, não se tratando de uma imposição para substituí-los, mas como proposta para melhorar a atividade.
Para estimular o processo criativo dos jangadeiros, projetamos imagens de carrinhos/ reboques de lanchas e barcos, analisando as soluções existentes, o que resultou em comentários úteis para o projeto do carrinho adaptado às jangadas de Ponta Negra, como ser necessário utilizar pneus mais largos, como os de Buggy, considerando o peso da jangada e a tendência desta atolar caso seja utilizado um pneu mais fino:
“Esse pneu aí, pra você colocar um pneu grande aqui na praia ele é mais adequado, porque um pneu largo ele tem menos a tendência de atolar, se você bota um pneu fino
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com certeza ele vai atolar na areia. O pneu quanto mais largo milhó é porque tem uma estabilidade bem milhó pra não enterrar” (Jangadeiro – J10); “Tem que ser pneu de buggy” (Jangadeiro – J1). Discutimos também sobre a possibilidade de utilizar material
na superfície do carrinho para que a jangada deslize sobre ele e não seja danificada, conforme falas do jangadeiro J10: “Porque uma jangada dessa quando ela subir no
reboque ele tem que ter uma coisa que não machuque a jangada de lado, entendeu? a forra da jangada subir e nada do compensado em baixo atingir, porque tudo que o rolo sobe não atinge o compensado não.”; “Um carro desse aí, tirando esse material que tem aí, butando a táuba em cima, deixando o local pra você colocar a jangada ele vai embora.” Neste caso, a sugestão do pescador seria a utilização de tábuas. Outra
sugestão foi inserir no projeto do carrinho barras estruturais revestidas com borracha, permitindo o deslizamento das forras da jangada, considerando o espaço do patião. Segundo os jangadeiros, a utilização de tábuas torna-se mais adequada ao projeto do carrinho, pois as barras estruturais (no sentido longitudinal) podem não resistir ao peso da jangada e quebrar, o que pode ainda causar danos à embarcação: “Porque a jangada
aqui, uma jangada... além dela vir com peixe, ela vem com 20 rede, 25 rede dentro, certo? E quando uma jangada chega vem com todo peixe em cima, entendeu? As vezes vem a jangada com água, a jangada ela deu um poblema, ela veio com água dentro, ela dobra o peso.” (Jangadeiro – J10).
Devido à variação existente na assiduidade dos jangadeiros durante as oficinas, algumas questões precisavam ser retomadas, visto que alguns deles não estavam cientes do que vinha sendo discutido em reuniões anteriores. A viabilidade do projeto do carrinho tornou-se o ponto mais polêmico, necessitando de conscientização sobre sua importância em todas as oficinas. Os comentários a seguir representam a discussão esta viabilidade durante a terceira oficina, com opiniões divergentes: “Oh, isso aí é uma
idéia que a gente, cada um, quando puder, comprar cada um o seu carrinho. Quando puder, ta entendendo? É que nem o caso do motor, no motor surgiu aqui três motores em Ponta Negra, ninguém poderia mais comprar o motor, hoje não tem mais ninguém que não tenha o motor e todo mundo pode comprar, do mesmo jeito é o carrinho [...] Antes o motor não prestava, o motor era isso, aquilo mas hoje não tem um paquete que não tem um motor. [...] A coisa milhó que aconteceu nessa praia de Ponta Negra foi o motor.” (Jangadeiro – J1); “Ninguém tem condição de fazer um carro desse não, rapaz! A maior parte deles tem mas tem muitos que não faz não.” (Jangadeiro que não
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participou das ações conversacionais, por este motivo não está identificado por numeração).
Embora nesta oficina tenham surgido novas propostas para o projeto do carrinho, com base nas informações obtidas nas reuniões anteriores, foram elaborados croquis com alguns conceitos de carrinhos (figuras 62 e 63). Estes foram levados à praia e apresentados aos jangadeiros que compuseram o grupo de acompanhamento (GA) antes da realização da terceira oficina com o intuito de avançar na busca de soluções adequadas. As considerações feitas pelo GA levaram a mestranda a alterar os desenhos para apresentar durante a oficina (figura 64). Para minimizar os custos do carrinho, eles sugeriram que na parte traseira houvesse apenas grampos por onde passariam cordas, sendo isto suficiente para prender a jangada no carrinho, “uma corda amarra e pronto.”
(Jangadeiro – J16); “Você montou (a jangada) em cima do carro, o cara que vai pegar na frente vai levantar ela aqui (proa). Aqui você bota corda, amarra do lado do carro. Você amarrou a corda aqui dum lado e doutro a jangada num desce mais.” (Jangadeiro – J10)
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No conceito 2 (figura 64) foram implementadas barras laterais retráteis cuja altura deveria ser determinada com base nas medidas antropométricas dos jangadeiros, correspondendo a pontos de apoio para os jangadeiros o empurrarem em uma postura mais ereta, sem flexão de tronco. Estas barras, chamadas pelos jangadeiros de braços, foram bem aceitas. Quando o carrinho não estivesse sendo empurrado, os braços poderiam voltar à posição neutra, não comprometendo o espaço ao seu redor. Já as grades também laterais deste conceito foram dispensadas, visto que, segundo os jangadeiros, não é preciso ter mais pontos de apoio, pois, uma vez estando sobre o carrinho, a própria jangada torna-se um ponto de apoio para empurrar, além das barras laterais (braços). Discutimos também, conforme conceito apresentado, a viabilidade de um sistema frontal passível de rotação no sentido superior/inferior, com um pneu de menor proporção do que os pneus utilizados na parte traseira do carrinho. Esse sistema
Figura 63: Conceito 1
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não impediria a colocação da jangada sobre o carrinho porque esta operação deverá ser feita pelo mesmo lado, ou seja, a jangada entraria de proa pela parte traseira e sairia de popa, pelo mesmo local.
As prováveis soluções para o carrinho foram sendo discutidas, a exemplo do questionamento feito por um jangadeiro acerca da necessidade de tirar o motor da jangada antes de colocá-la sobre o carrinho, para não haver risco de quebrar a rabeta (eixo do motor): “Uma coisa que eu me lembrei aqui agora, essa jangada quando
chegar ela não vai subir com o motor e nem vai descer com o motor do carrinho. Porque se você descer com ela no motor ela quebra a rabeta e se você for subir ela machuca. É melhor você tirar a rabeta do que desamarrar pra rodar (girar a rabeta para o lado da jangada de forma a não correr risco de quebrar).” Jangadeiro – J10.
Em consenso, eles decidiram que este fato não influenciaria no projeto, pois, de acordo com o modo operatório, a maioria já retira o motor antes de transportar a jangada na areia, quando retornam da pescaria. O jangadeiro J2 relatou deixar o motor amarrado na jangada, não o levando para casa ou armazenando no barraco próximo ao local onde as jangadas ficam estacionadas, como a maioria dos jangadeiros procede. Mesmo assim, informou que não haveria risco de quebrar a rabeta, pois o motor é desamarrado e a rabeta rotacionada, permanecendo apoiada sobre a jangada.
Quanto às dimensões do carrinho, estabelecemos uma largura de 2 metros, visto que as jangadas mais largas têm 1,60 m de largura, deixando assim uma folga de 20 cm nas laterais. Esta necessidade se justifica pela variação de medidas e despadronização das jangadas de Ponta Negra. O jangadeiro J1 relata: “O carro você tem que ver a
jangada mais larga, e a mais pesada. Você não pode fazer o carrinho da largura da jangada mais fina.”
No sentido longitudinal, os jangadeiros estabeleceram que a jangada deveria passar 50 cm do carrinho na parte traseira, ou seja, livrando parte do patião, além de determinarem 3,50 m correspondentes à área do carrinho onde haveria contato com as forras das jangada. A proa da jangada ficaria livre do contato com a superfície do carrinho por causa de sua angulação, o que também favorece o sistema frontal do carrinho para puxar a jangada, que não estaria em contato com a proa. Após discutirmos coletivamente as questões que envolveram o dimensionamento do carrinho, o jangadeiro J1 comentou: “Agora chegou o que nós queria!”
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Com base nessas discussões e em simulações 1linguageiras, foram feitos novos ajustes no modelo e iniciado o processo de detalhamento utilizando software 3D
(sketchup).