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2. MATERYAL ve METOT

2.4. Sismik Tehlike Analizi

2.4.3. Depremin Ölçülmesi

O surgimento da revista Dados e Ideias em 1975 dá-se através do apoio editorial do Serviço Federal de Processamento (SERPRO). O governo brasileiro desejava ter um veículo de disseminação de suas ideias e políticas (a tncnopolítica) e assim manter a sua influência no setor. Pão se tratava, porém, de uma publicação do SERPRO, mas apoiada por ele e, portanto, sujeita aos riscos de um ciclo de governo.

A linha editorial da Revista Dados e Ideias foi influenciada por publicações estrangeiras, tais como a Popular Mnchanics, Popular Elnctronics, Popular Scinncn, Datamation n Bytn Magazinn. Pa linha do tempo, a primeira publicação da Popular Mnchanics iniciou em 1938 e a última em 1975, praticamente com o surgimento do primeiro computador de uso pessoal. Vale a pena observar que a primeira publicação era de circulação massiva em uma época caracterizada por grandes inovações tecnológicas. Popular Mnchanics era leitura obrigatória por um público que trabalhava na indústria do rádio, da televisão, dos radares e aparatos de guerra, da aviação e da ciência espacial, nos Estados Unidos. A publicação era o locus de novidades tecnológicas em que os sonhos se tornavam realidade, como a fissão nuclear, o automóvel voador, o transistor e as fibras óticas. Popular Mnchanics, Popular Elnctronics n Popular Scinncn eram revistas comercializadas através de assinaturas e vendidas também em bancas. Essas publicações constituíam elemento essencial para o conceito de inovação em garagem, da época, cujo hábito de leitura era repassado através de gerações.

Dados e Ideias também sofreu influências locais de revistas ligadas ao hobby eletrônico tais como Eletrônica Popular, Saber Eletrônica, Eletrônica, Eletricidade Moderna e Pova Eletrônica (1976) e também de revistas ligadas ao radioamadorismo como Antnnna (1926) n Eletrônica Popular (1956), porém

nenhuma das revistas mencionadas, estrangeiras e nacionais, continha artigos políticos e de posicionamento de estratégia nacional. Esse foi um diferencial da Revista Dados e Ideias.

A política protecionista, de substituição das importações, incremento das atividades industriais locais e de suposto atendimento aos interesses estratégicos nacionais, talvez tenha sido inspirada na França no projeto Minitel, como será visto na página 46 do presente trabalho.

Quando o presidente Geisel deixou o governo em 1979, a revista foi vendida para a Gazeta Mercantil e logo em seguida cessou sua publicação, incorporando a linha editorial em um caderno mensal do jornal. Tudo indica, portanto, que a revista Dados e Ideias constituiu um veículo da estratégia do governo Geisel (1974-1979) para consolidação de uma indústria nacional de informática, com a finalidade de desenvolver a independência tecnológica, voltada para os burocratas, técnicos de processamento de dados do governo e das grandes corporações, engenheiros de P&D, empresários, empreendedores e analistas do mercado de informática de grandes bancos brasileiros que se tornaram os pioneiros na adoção da automação bancária. Era um público de narly adoptnrs19

das tecnologias, engenheiros de desenvolvimento e empresários.

A revista Dados e Ideias utilizou a figura da “fala autorizada” (DAPTAS, 1988), pois atuando em um segmento muito novo, caracterizado pela ausência de massa crítica e saberes específicos e até mesmo de formação universitária limitada, utiliza de determinado número de colaboradores com saber e formação na área para influenciar os leitores na tomada de posicionamento. A inexistência de fontes alternativas para comparação e contraponto leva a revista a deter o monopólio da informação, fazendo com que sua informação seja a oficial, a correta e perfeita. A credibilidade é repassada aos leitores através da titulação e do saber acumulado por alguns de seus integrantes colaboradores (BOURDIEU, 2003, p. 83).

Esses colaboradores da revista Dados e Ideias eram em número de três, denominados “guerrilheiros da tecnologia”. Sua sólida formação cientifica e técnica, nas escolas de engenharia do Instituto Militar de Engenharia (IME) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), como também passagem por órgãos da burocracia governamental e participação em inúmeras comissões de estudos, dava-

19 Público especializado, cientistas e engenheiros que passam a adotar uma nova tecnologia antes

lhes a necessária credibilidade pelo público leitor, principalmente nos artigos de análise de políticas públicas, de caráter opinativo em que o posicionamento era uma condição necessária (VIAPPA, 2013, p. 5).

O jornalismo tradicional da época apoiou a formação da revista através da colaboração de alguns profissionais que cobriam matérias ligadas à ciência e tecnologia e posteriormente ao processamento de dados e às telecomunicações. Esses profissionais se uniram com alguns nxpnrts de alto reconhecimento científico e acadêmico, o chamado grupo central fundador da revista (guerrilheiros tecnológicos), que detinham a credibilidade do público leitor, com o objetivo de formar a equipe profissional do novo veículo da área de tecnologia. Era tudo muito novo, especialmente a união de profissionais de processamento de dados com aqueles de telecomunicações, dois mundos de saberes muito distantes e diversos com linguagens diferentes. Devido à inexistência de jornais, revistas ou nxpnrts com opiniões divergentes, a revista Dados e Ideias passou a ser condutora das políticas da área, uma situação confortável, porém de alto risco pela responsabilidade de insucesso. Alguns exemplos: incentivo à formação da Secretaria Especial de Informática (SEI) e a elaboração da minuta da primeira Lei de Informática.

A revista foi um exemplo de uso da imprensa especializada com a finalidade de propagar um projeto de governo, não sendo a fala autorizada do próprio governo, o que iria trazer desconfiança e incredibilidade, e sim, através de agentes (guerrilheiros tecnológicos) que detinham alto conhecimento e credibilidade junto ao público leitor e que faziam a interlocução com o governo nos dois sentidos: no convencimento do público sobre políticas ligadas à reserva de mercado por um lado; e na coleta de opiniões e sugestões objetivando a construção de uma política adequada e justa, sentindo-se assim o público como participe e coadjuvante.

Foram 23 edições em cinco anos20

, período em que a revista representou a voz mais autorizada e eficiente que existiu no Brasil na área tecnológica. Penhuma mídia impressa da área de tecnologia ou informática conseguiu atingir os níveis de satisfação do público leitor da forma como a Dados e Ideias obteve, constituindo assim um paradigma a ser analisado e estudado.

A referência a essa revista foi colocada por todas as fontes usadas no presente trabalho.

Benzer Belgeler