BÖLÜM 4 - ACİL DURUMDA DİKKAT EDİLECEK HUSUSLAR
4.2. DEPREM
Ao longo do início do ano e até o final do mês de abril, o risco Lula ainda era difuso para os atores econômicos e financeiros, prestando-se a movimentos especulativos localizados. Isso, enquanto as pesquisas de opinião tiveram apenas efeito sobre as bolsas. A partir do dia 29, quando o país começou a sofrer rebaixamentos na recomendação de instituições financeiras internacionais a seus clientes, e no mês seguinte, quando o mercado interno sofreu o revés de uma decisão atrapalhada do Banco Central que potencializou ainda mais a crise, consolidou-se um cenário de ataque especulativo.
Nos primeiros dias do mês de abril, os sinais de que o mercado se preparava para especular com as eleições e de que o país poderia ter dificuldades de rolar sua dívida quando se aproximasse o pleito já eram visíveis, mas eles foram mascarados por um ingresso forte de dólares por conta da venda de ações da Companhia Vale do Rio Doce e rumores de lançamento de títulos securitizados da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica Federal e da Bandeirantes de Energia, que mantiveram o câmbio contido. No dia 13, a Folha, ao avaliar o mercado, previa que o cenário favorável estava no final, porque as emissões do governo e das empresas estavam terminando, em primeiro lugar, e porque no segundo semestre entraria em cena o fator eleições. A sinalização de que o mercado financeiro já incorporava o risco eleitoral em suas operações com o país, alertava a matéria, era o fato de que, quase no momento em que o dólar bateu no piso de 11 meses, o governo brasileiro ter sido obrigado a adiar por um dia uma emissão de US$ 1 bilhão no exterior. As taxas acabaram sendo semelhantes às anteriores, mas elas, como as outras, “incorporaram seguros de risco político”. “O problema é que a disponibilidade de
recursos para esse tipo de seguro é limitada. No segundo semestre, é possível que as seguradoras não queiram mais fazê-lo, por conta dos custos” (“Pechincha do dólar
acaba no 2º semestre”, Marcelo Billi e José Alan Dias, FSP, 13/4/2002). Ainda assim, somada esta emissão, o BC chegou a 78% da captação planejada para o ano, de US$ 5 bilhões (“Emissão soberana mais difícil”, OESP, 12/4/2002). Estes já eram sinais de que o país tinha dificuldades de rolagem lá fora.
Os jornais também não atentaram para o fato de que as chamadas “operações casadas” de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) com swaps cambiais já causavam “empoçamento” no mercado – excesso de títulos em negociação –, deságio e fuga dos fundos de investimentos lastreados em títulos públicos, que sofreram prejuízos com as operações. A fuga dos investidores internos dos títulos do governo foi tomada como referência também para os investidores externos, dificultando a rolagem da dívida externa, pública e privada84.
Ainda com o cenário do mercado atenuado pela forte entrada de dólares, mas já com sinais de que os ventos não recomendavam o uso político do terror eleitoral, o presidente Fernando Henrique Cardoso, a equipe econômica e o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, dividiram-se na tática eleitoral do uso do “risco Lula”. A equipe econômica recuou. Serra ainda manteve esse discurso. “Dependendo do resultado das
eleições, o país pode sair do rumo”, afirmou o tucano, em palestra a cerca de 600
empresários no norte de Santa Catarina. O Brasil “corre o risco de enfrentar uma
situação difícil como a da Argentina, se você tiver um resultado eleitoral com um governo que quebre a austeridade fiscal, que não mantenha a casa arrumada, o câmbio flutuante, as metas de inflação” (“Brasil corre o risco de repetir Argentina, diz Serra”, OESP, 27/4/2002). Em maio, também sob ataque do mercado e de forças de direita
representadas pelo PFL, Serra recuou. Retomou o discurso de que a vitória do PT representaria a argentinização do país a partir de junho, quando as pesquisas eleitorais começaram a registrar uma reação de sua candidatura e isso foi atribuído ao uso do “risco Lula” na campanha. Nesse mês, no entanto, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, se descolaram totalmente dessa estratégia eleitoral e voltaram seus discursos para o mercado, na tentativa de acalmá-lo, e para o PT, para forçá-lo a fazer as revisões programáticas que pretensamente cumpririam o papel de tranqüilizar os investidores.
Fernando Henrique Cardoso oscilou entre os interesses eleitorais de seu partido e as conveniências de governo. No dia 12 de maio, por exemplo, garantia que,
84 O Banco Central passou a fazer leilões de swaps cambiais (uma proteção cambial, que garantia cobertura da diferença entre o preço do dólar na compra do título e seu valor na venda), mas
condicionados à compra de Letras Federais do Tesouro (LFTs) mais longas, o que “encharcou” o mercado de títulos e levou ao deságio do seu valor de face. Os fundos de investimentos lastreados em títulos sofreram grandes prejuízos. Em junho, o Banco Central antecipou uma nova regra, obrigando os fundos a contabilizarem os prejuízos. O item 3.7, à página 127, detalha a operação.
independentemente do governo que o sucedesse, o país seguiria “o caminho da
conquista da estabilidade, pois esta não é uma questão partidária” e que nos meses
seguintes, de intensa mobilização política, seria preciso “ter consciência de quanto
avançamos, apesar das dificuldades enfrentadas”. (“País seguirá na estabilidade”, Irany
Tereza, OESP, 13/4/2002). Numa entrevista ao Financial Times no dia 20 do mesmo mês, quando o mercado já dava sinais de que não esperaria um governo Lula para iniciar ataques especulativos contra o país, FHC reassumiu o discurso partidário: “Será que
essa posição [moderada do PT] é só para ganhar a eleição ou isso sinaliza realmente uma mudança na maneira de encarar o mundo? Se for a primeira hipótese, o eleitor não vai acreditar” (João Caminoto, “Dúvida de FHC: moderação do PT é eleitoral?”, OESP, 20/4/2002). O fato é que, antes de a crise financeira tomar proporções que
passaram a colocar em dúvida não apenas a capacidade do sucessor de FHC de pagar as dívidas, mas a do próprio governo FHC, o governo não recuou de fato da estratégia do terrorismo eleitoral.
Longe do palanque, Malan manteve uma posição linear em relação às turbulências do mercado financeiro. A imprensa explorou intensamente os bastidores de um conflito político entre o ministro e Serra, mas um fato se sobrepunha a eventuais questões de ordem pessoal: Malan assumira uma postura de mediação entre o mercado financeiro e a política, destinada a neutralizar os movimentos especulativos vinculados ao cenário eleitoral; e o papel de “tradutor” das inseguranças do mercado em relação ao favoritismo de Lula nas pesquisas. No último caso, a intenção expressa foi a de pressionar o PT para rever oficialmente as posições programáticas assumidas em dezembro, no Encontro Nacional.
“Eles (o PT) insistem muito que vão respeitar os contratos, que nunca vão considerar fazer algo que signifique o abandono dos acordos existentes tanto na dívida interna quanto na dívida externa. Acho que esse processo de racionalidade crescente no debate econômico e a maturidade política crescente vão continuar nos próximos anos”, afirmou, para investidores, em evento promovido pelo Institute of International
Finance, em Nova York (“Malan usa Goethe para não citar nome de Serra”, Cristiano Romero, VE, 24/3/2002). No dia em que os primeiros bancos internacionais reduziram a recomendação da dívida brasileira para os seus clientes, Malan falou simultaneamente para o público externo e para o PT: “Se a causa é o resultado de uma pesquisa, eu diria
que é uma razão equivocada. Pesquisa de opinião, teremos pelo menos uma por semana ao longo dos próximos cinco meses. (...) Espero que os analistas da cena brasileira levem em conta o que interessa, que é a economia, e não as danças das pesquisas” (“Efeito Lula repercute em Wall Street e Malan reage”, Lu Aiko Otta, OESP, 30/4/2002).
Do PT, o ministro cobrou o aval partidário ao discurso moderado de Lula e de seus porta-vozes.
“À medida que nos aproximamos do final de 2002, os problemas com que temos de lidar no dia-a-dia são afetados menos pelo que fazemos e mais pela expectativa do que farão nossos sucessores. (...) Essa é a razão pela qual cobro um mínimo de racionalidade econômica e maturidade política, em particular daqueles que acham que vão ganhar a eleição e teriam de ter a preocupação de assegurar uma transição o menos turbulenta possível. (...) Há decisões formalizadas que espero sejam reformuladas, se a posição mudou, (...) senão causa uma enorme confusão na cabeça de um simples leitor como eu, que não sabe o que vale: o que foi aprovado no congresso do partido ou uma declaração furtiva concedida numa televisão a cabo à noite [por Lula, na Globo News] e uma entrevista, num jornal especializado [por Mercadante, no Valor Econômico], de um integrante do partido” (idem).
O recado era claro: era preciso que o PT desse provas ao mercado de que realmente havia mudado, e a prova desejada era a revogação do “Diretrizes para um Programa de Governo” por uma instância partidária. Esta, aliás, foi a tônica do discurso malanista que prevaleceu até junho, quando o PT aprovou, numa reunião do Diretório Nacional, a “Carta ao Povo Brasileiro” – uma oficialização do compromisso com o cumprimento de contratos, a meta de inflação e o ajuste fiscal. A revogação de “Diretrizes” seria também uma prova de que os setores moderados do partido tinham conseguido a hegemonia e o controle sobre os seus radicais, outra preocupação demonstrada pelo mercado.
Nos jornais, o jogo de pressões sobre o candidato favorito nas eleições de 2002 estava reproduzido nas editorias de Política e Economia – e aí, com maior clareza nas matérias de finanças. Na Folha de S. Paulo, o próprio formato das matérias informativas constituiu-se num instrumento de mediação dessas pressões. A excessiva valorização da declaração mais forte e sensacional, que por sua vez exigia respostas sensacionais de adversários, transformou por si só o debate político num jogo direto de pressões, em
especial na editoria de Brasil. No Estadão, a sobriedade maior das matérias deslocou para os espaços de opinião – editoriais e artigos – o papel de pressão direta sobre o candidato petista. A opção pelo candidato José Serra nesses espaços era explícita. Nas matérias de finanças, um padrão mantido pelos dois jornais foi o de matérias reproduzindo “rumores” de mercado, acompanhados de explicações de especialistas, em regra economistas-chefe e diretores de bancos, analistas e operadores de mercado.
As matérias de finanças, aliás, antecipavam o que seria um jogo cerrado de pressões mais à frente. Em regra, as pesquisas eleitorais divulgadas no mês de abril foram precedidas de “rumores” sobre a posição de Lula e do candidato governista. Ainda neste mês, as variações do dólar apenas foram positivas nos dias que sucediam a divulgação de pesquisas. Isso apenas não aconteceu em resposta à pesquisa Vox Populi encomendada pelo PSDB, que “vazou” para o mercado, mas só foi publicada no dia 2 e foi a única favorável a Serra durante todo o mês. Esta sondagem eleitoral dava ao tucano pela primeira vez um segundo lugar confortável e descolado da terceira colocada, a pré- candidata do PFL, Roseana Sarney. O resultado foi considerado como uma “consolidação” do pré-candidato tucano em segundo lugar. As pesquisas que a sucederam, no entanto, já sem a candidata Roseana Sarney no páreo, traziam o candidato do PSB, Anthony Garotinho, numa posição de quase empate técnico com o tucano. Em agosto, ele teria uma disputa pelo segundo lugar com o candidato do PPS, Ciro Gomes.
A partir do dia 10 de abril, quando o Datafolha divulgou a primeira pesquisa em que Lula não apenas venceria em todos os cenários, mas contra todos os candidatos no segundo turno, o mercado passou a reagir de forma imediata às sondagens eleitorais. No dia 16 foi divulgada a primeira pesquisa após a desistência da pré-candidata do PFL. A sondagem foi contratada pelo Bank of America e atestava que Lula havia sido o candidato mais beneficiado pela saída de Roseana Sarney do páreo eleitoral. No dia 30, foi divulgada uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e do Instituto Sensus, juntamente com as notícias de que os dois primeiros bancos haviam rebaixado a recomendação dos títulos brasileiros a seus clientes. O mercado reagiu às notícias com cinco dias de alta do dólar, a partir do dia útil subseqüente.
bom desempenho de Lula nas pesquisas – ou ao fraco desempenho de Serra. “O
mercado de ações, principalmente, está bastante sensível a dados sobre as preferências eleitorais e os sinais de alta do candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, e estabilidade do candidato tucano, José Serra, já provocaram desconforto nos investidores”, dizia o Estadão, no início do mês. (“Política deve ditar os rumos da
semana”, Tom Morooka, OESP, 1/4/2002). A dificuldade na emissão de dívida soberana de US$ 1 bilhão, no dia 11, foi atribuída “às incertezas políticas suscitadas pelos
resultados das últimas pesquisas eleitorais e pelo atraso nas votações do Congresso”
(“Emissão soberana mais difícil”, OESP, 12/4/2002). A avidez das empresas por financiamento externo foi explicada pelo fato de que elas previam instabilidade no segundo semestre, por conta do processo eleitoral. A Folha reproduziu as previsões de José Olímpio Pereira, do Salomon Smith Barney: “Os fatores macroeconômicos estão
sob controle. Ao meu ver, o lado preponderante será o político” no segundo semestre.
(“Pechincha do dólar acaba no segundo semestre”, Marcelo Billi e José Alan Dias, FSP, 13/4/2002). “Rumores” de divulgação de pesquisa que mostraria ascensão de Lula e Garotinho explicariam a elevação do dólar em 1% (“Em alta, dólar volta a fechar acima de 2,30”, OESP, 16/4/2002; “Rumor sobre pesquisa eleva dólar em 1%”, FSP, 16/4/2002).
Um dia antes da divulgação de uma pesquisa do Ibope, a queda de 1,88% na Bolsa de Valores de São Paulo e a alta de 0,39% do dólar são atribuídas a “rumores” de que Garotinho teria ultrapassado Serra e Lula mantido a liderança por larga margem sobre o segundo colocado (“Queda em NY e rumores políticos derrubam bolsa”, OESP, 23/4/2002). No dia seguinte, os jornais divulgariam a pesquisa do Ibope, onde Lula aparecia com 35% das intenções de voto e Serra com 18%, tecnicamente empatado com Garotinho, com 16%. “Em outros anos ele [Lula] não havia alcançado preferência tão
grande. Esse cenário ruim para o governo em termos eleitorais deixa o investidor estrangeiro preocupado”, segundo opinião de Maurício Zanella, do Lloyds Bank,
reproduzida em matéria da Folha. (“Dólar sobe 0,8% com Argentina e pesquisa”, da reportagem local, FSP, 24/4/2002).
No final do mês, as pequenas oscilações do dólar em função do cenário eleitoral já haviam provocado uma valorização importante do câmbio. “Aos poucos, sem nenhum
dias e acumulam uma valorização de 2,02% no mês. Mas em relação ao nível mais baixo de preço no mês, de R$ 2,267 no dia 10, a reação já levou a um avanço de 4,63% até sexta-feira, quando o dólar fechou cotado por R$ 2,372”, registrava o Estadão no
dia 29 (“Aposta em dólar é indicada, mas embute risco”, OESP, 29/4/2002). Outra sugere: “A ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e a estagnação do senador
José Serra (PSDB-SP), o candidato preferido pelo mercado, nas pesquisas de intenção de voto também contribuíram para a recente alta do dólar. As sondagens passaram a mostrar que a disputa deverá ser mais acirrada do que esperavam os investidores. Essas incertezas provocaram o aumento do risco país, que encerrou a semana passada em 815 pontos, o nível mais alto desde fevereiro. Os preços dos ativos brasileiros, aliás, têm oscilado com força ao sabor dos rumores sobre as pesquisas” (“Cautela volta
a dar o tom dos negócios”, Sérgio Lamucci, OESP, 29/4/2002).
O dia D, no entanto, a partir do qual não houve mais controle sobre as “expectativas” de mercado, foi o 29 de abril, quando dois bancos de investimentos, Morgan Stanley Dean Witter e Merrill Lynch, rebaixaram a recomendação de títulos da dívida brasileira aos seus clientes. Um terceiro, Salomon Smith Barney (SSMB), reduziu a projeção do Índice da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (IBovespa) de 2002. A partir do mês de maio, as pesquisas foram usadas pelo mercado para movimentos especulativos e como instrumentos de pressão contra a candidatura do candidato José Serra85 . No mês de junho, as “turbulências” descolaram-se das pesquisas
de opinião, ganhando dinâmica própria.
No final do mês de maio, era o seguinte o “ranking” dos bancos internacionais de investimentos que baixaram a recomendação de negócios com o Brasil: Morgan Stanley Dean Witter e Merrill Lynch haviam recomendado a seus clientes a redução na exposição a títulos brasileiros no dia 29 de abril; no mesmo dia, o Salomon Smith Barney reduziu a projeção do Ibovespa de 2002; no dia 2 de maio eles foram seguidos pelo ABN Amro; no dia seguinte, pelo Santander; no dia 6, era a vez da Goldman Sachs recomendar a seus clientes que reduzissem as aplicações em ações de bancos, empresas de telecomunicações e energia brasileiros e sugerir que transferissem investimentos do Brasil para o México. Isso não supunha simplesmente uma desconfiança em relação a Lula, mas sobretudo a certeza de que as especulações em torno das pesquisas eleitorais e
de uma eventual vitória de esquerda iriam deteriorar de tal forma o cenário econômico do país que tornariam difícil não apenas a rolagem da dívida soberana, mas da própria dívida de empresas privadas.
A avaliação de que o ambiente brasileiro já era favorável à famosa “profecia auto-realizável” está clara na entrevista de Geoffrey Dennis, estrategista-chefe de Bolsa para a América Latina do Salomon Smith Barney (SSMB), um dos maiores bancos de investimento dos EUA, com sede em Nova York, que, no seu relatório a clientes, reduziu a projeção de 2002 para o Índice Bovespa de 18,4 mil pontos para 16 mil pontos.
“O problema é o seguinte: mesmo que Lula implemente uma política econômica totalmente liberal no primeiro dia de seu governo, a reação do mercado vai se antecipar a isso. Assim, antes de ele assumir, os títulos da dívida externa brasileira já terão caído, o real já vai estar mais desvalorizado, as taxas de juros provavelmente já terão subido... Isso fará com que a nova administração tenha de tomar decisões políticas muito complicadas e já no começo do governo, o que será especialmente difícil. E a reação terá sido tão rápida que talvez o mercado não dê tempo para que Lula seja construtivo”
(“Serra precisa de ‘gatilho’, diz analista”, Sérgio Dávila, FSP, 1/5/2002).
Na entrevista, Dennis falava das razões que levaram o banco a rebaixar a recomendação sobre o país. O curioso é que no início de junho, em pleno ataque especulativo que sem dúvida se intensificou com o rebaixamento das recomendações de títulos públicos e ações brasileiros, o megainvestidor Georges Soros deu uma entrevista com o mesmo teor que causou reações indignadas à esquerda e à direita.
Outros cinco bancos – JP Morgan, ING Barings, Dresdner, Barclays e Lloyds TSB – mantiveram a posição do Brasil em sua recomendação para investidores estrangeiros, sob a alegação de que as eleições estavam muito longe. O JP avaliou que o movimento de rebaixamento era exagerado (“Subida petista fez com que bancos rebaixassem o país”, FSP, 27/5/2002).