• Sonuç bulunamadı

6. DENEYSEL SONUÇLAR VE ANALİZ

6.2. Çok Sınıflı Veri Setleri Üzerindeki Uygulamalar

6.2.1. Deniz kabuğu veri kümesi

Neste capítulo, refletimos sobre a interação, a partir dos estudos de Barros (1991), Marcuschi (1999), Hilgert (2001), Galvão (2004), Kerbrat-Orecchioni (2006), Santos (2007), entre outros, tendo em vista nossa proposta de analisar a interação em sala de aula, a saber, a organização dos tópicos discursivos.

Pontuando que nosso foco de investigação, neste trabalho, parte de uma visão de interação, enquanto ação partilhada, procuramos estabelecer uma discussão acerca dessa noção que permite aos interactantes estabelecerem conexões de compreensão mútua e de construção de relações sociais.

No tocante ao termo interação, o Dicionário Michaelis ressalta que, etimologicamente, interagir é um verbo derivado do substantivo interação. É um vocábulo formado etimologicamente pelo prefixo inter (entre) + substantivo ação, ao que se pode ler como ação integrada. A classificação proposta nos direciona para a compreensão de que interação é fundamentalmente a relação com o outro.

Barros e Crescitelli (2007 p. 6) fazem uma analogia para definir interação. Assim:

A interação é um sistema organizado, o que significa que os conversacionalistas negociam identidades sociais, posições, tópico, alocação de turnos. A concepção de interação como um jogo de xadrez, com que tais estudiosos trabalham, em que um participante cede uma peça num momento para obter algum lucro mais adiante, dá margem às tais estratégias de monitoramento. Nessa visão, há sempre, de forma subjacente, um conflito na busca de maior controle da interação.

Nesse sentido, buscamos na discussão de Marcuschi (1999, p. 15) a noção de interação: “[...] é um processo cooperativo no qual entram em jogo múltiplas estratégias de

cooperação. Essas estratégias são resultantes da interpretação que cada falante faz das expectativas do(s) seu(s) interlocutor(es)”. Ao interagir, as pessoas utilizam diversas estratégias para construir a compreensão mútua, que são construídas pela interpretação das expectativas do interlocutor.

Esse ponto de vista é partilhado por Dionísio (2001, p.71), quando compreende a interação como aquela que "se constrói a cada intervenção dos interlocutores [...]. É uma

atividade co-produtiva, que nunca se pode prever com exatidão em que sentido o parceiro vai orientar a sua interação”. Dizemos que, na interação, se estabelece uma relação de intercompreensão entre os interactantes, não sendo possível determinar, com exatidão, o ponto de chegada, visto que os discursos sofrem mútua intervenção dos interlocutores.

Na perspectiva dos estudos interacionais, Hilgert (2011, p. 244) afirma:

A busca por compreensão é, portanto, condição de existência da interação, e nesse fundamento está inscrito também o princípio de que o falante construirá um enunciado que contemple as condições de compreensibilidade, o que quer dizer que ele investirá na construção desse enunciado os recursos linguístico-discursivos que, em sua avaliação, assegurem a compreensão do ouvinte.

De acordo com esse autor, para haver interação, é necessário que o falante estabeleça condições que permitam ao interlocutor a clara compreensão daquilo que é partilhado e, para tanto, a utilização de recursos linguísticos são condições sine qua non para assegurar a compreensão do ouvinte.

Assim sendo, pode-se dizer que a interação é um processo complexo e interpessoal no qual as pessoas são envolvidas no discurso, tanto para compreender o outro, quanto para serem compreendidas. Não se pode falar de interação sem que nela esteja implicada a relação entre interactantes.

Kerbrat-Orecchioni (2006, p. 8) afirma, seguindo em igual direção dos autores já citados que:

Para que haja troca comunicativa, não basta que dois falantes (ou mais) falem alternadamente; é ainda preciso que eles se falem, ou seja, que “estejam engajados” na troca e que deem sinais desse engajamento mútuo, recorrendo a diversos procedimentos de validação interlocutória.

Dessa forma, na interação verbal, devemos considerar os papeis intercambiáveis dos participantes e a sincronização interacional. Os participantes devem deixar claro que estão falando um com o outro por meio do olhar, das posturas orientadas, das formas de tratamento, dos marcadores conversacionais. Nesse processo, atenta-se também para as eventuais correções ocorridas no transcurso da interação, sejam motivadas por falhas de compreensão, incompletudes discursivas seguidas de retomadas, reformulações, reparos etc, ou ainda por necessidade de refazer o estilo e polir o texto. Assim, é na interação que os participantes influenciam e são influenciados pelos comportamentos uns dos outros, desde a postura, os gestos, as mímicas até as escolhas dos temas, do vocabulário, do registro da língua. Assim sendo, na interação o discurso é orientado durante o seu desenvolvimento.

Para Kerbrat-Orechioni (2006, p 12 e 13), há uma extensa abrangência dos tipos de interação. A autora traz para destaque alguns exemplos como a natureza do lugar que marca a localização de espaço e tempo da interação. Esses são puramente os aspectos físicos que dão conta das características do local no qual ocorre a interação, destacando que esse espaço precisa também ser visto pelo âmbito da função social e institucional. Assim, a interação terá contornos adequados às funções que se objetivam em determinado espaço.

Para Brait (2001), a organização interacional prevê um conjunto de regras com o objetivo de oferecer aos que participam de dado evento de interação determinadas características de comportamento que estimulam ou antecipam atitudes caracterizadoras do intercurso conversacional.

Há, também, clara distinção no objetivo das interações, conforme aponta Kerbrat-Orecchioni (2006), a respeito da existência do objetivo global na interação. Por exemplo, na consulta médica, apesar de mudarem os interactantes quanto ao objetivo, a interação sempre conduzirá para um campo definido. Há, ainda, as interações nas quais não se tem um objetivo definido que não seja o simples prazer de falar e manter os laços sociais nos quais se envolvem os interlocutores.

Segundo Kerbrat-Orecchioni (2006), no estudo da interação são ponderados os partícipes, considerando se é uma interação face a face (diálogo), se a três (triálogo) ou se mais que isso (poliálogo). Igualmente, são observadas as características individuais, como idade, sexo, classe social etc, e as relações sociais que orientam os interactantes na interação, contudo, esses elementos ainda constituem um reduzido número de possibilidades da interação.

Com base nos postulados de Marcuschi ([1986]2003), dizemos que na conversação, um tipo de interação, normalmente há um número mínimo de dois participantes;

os papeis exercidos não são pré-determinados e nem sempre há um objetivo a priori. Isso implica uma organização realizada passo a passo durante o intercâmbio. Outros aspectos, como expressões faciais, entonações específicas, sorrisos, gestos, olhares e outros que entram na construção do sentido do enunciado linguístico, por ocasião das negociações interativas, nos permitem afirmar que os estudos conversacionais não apenas se detêm na análise das estruturas, mas também na sua interpretação, tal como sugere Marcuschi([1986]2003).

Pelo viés social, a interação de um indivíduo com o grupo social ao qual pertence, ou no qual se encontra inserido, acontece a partir do momento que esse passa a assimilar a cultura do grupo social. Interagir, portanto, é um processo de integração entendido como as relações cotidianas dos interactantes, por exemplo, as interações em sala de aula.

Torna-se relevante, nesse sentido, citar a contribuição de Morato (2004, p.322), no campo do interacionismo, a partir do seguinte ponto de vista:

A linguística interacional [...] configura um conjunto de questões ligadas a todo tipo de produção linguística que é considerada material interativo: práticas, estratégias e operações linguageiras, dinâmicas de trocas conversacionais, comunicação verbal e não verbal, construção de valores culturais, atividades referenciais e inferenciais realizadas pelos falantes, normas pragmáticas que presidem a utilização da linguagem.

A autora chama a atenção para a interação enquanto prática social, a partir de um conjunto de fatores que configuram a utilização da linguagem na condição de elo das práticas sociais operadas interacionalmente entre os falantes.

É possível afirmar, ancorados em Kerbrat-Orecchioni (2006), que na interação não há apenas o material verbal envolvido, mas essa se constrói por meio de gestos, expressões, olhares, entonações e outros elementos significantes além do verbalmente expresso. Por exemplo: pronunciamos em tom mais alto os enunciados de maior relevância para a construção dos sentidos daquilo que queremos dizer; fazemos meneios com a cabeça quando concordamos, ou não, com o interlocutor. Ou seja, fornecemos pistas de contextualização6 ao longo de nossas interações.

6

Entendemos pistas de contextualização tal como descrito por J. J. Gumperz ao dizer que “pistas de contextualização são todos os traços linguísticos que contribuem para a sinalização de pressuposições contextuais. Tais pistas podem aparecer sob várias manifestações linguísticas, dependendo do repertório linguístico, historicamente determinado, de cada participante.” J. J. Gumperz (1998, p.100)

No trabalho, Les interactions verbales: l’approche interacionelle et structure dês conversations7, Kerbrat-Orecchioni menciona que o que caracteriza a abordagem interacionista é:

Consideramos que o sentido de um enunciado é o produto de um trabalho colaborativo, que esse sentido é construído em conjunto pelas diferentes partes envolvidas - a interação pode então ser definida como o lugar de uma atividade coletiva de produção de sentido, atividade que implica a realização de negociações explícitas ou implícitas, que podem ter sucesso ou fracassar (é o mal entendido) (KERBRAT-ORECCHIONI, 1990, p. 28-29).8

Essa autora faz referência a um tipo de interação dada na forma de uma relação vertical, cujas trocas interpessoais se constroem em torno do eixo da dominação, do poder e da hierarquia decorrentes do estatuto social dos participantes ou de sua habilidade discursiva na construção interacional.

Assumimos, então, os postulados dos autores citados, para compreender o conceito de interação como uma troca participativa de sujeitos socialmente integrados em um contexto no qual partilham crenças, informações, desejos, práticas explícitas e/ou inferíveis e que ocorrem pela atividade linguística tanto verbal quanto não verbal.

Consideramos importante mencionar que a interação também se realiza, conforme Steinberg9 (1988, p.18), pelos recursos de:

a) a paralinguagem, representada por sons emitidos pelo aparelho fonador, mas que, no entanto, não fazem parte do sistema sonoro da língua usada;

b) a cinésica, que se refere ao movimento do corpo, como os gestos, a postura, a expressão facial, o olhar e o riso;

c) a proxêmica, que se efetiva pela distância mantida entre os interlocutores; d) a tacêsica, que se concretiza pelo uso de toques na interação humana; e e) o silêncio, que se explica pela ausência de construções linguísticas e de recursos provindos da paralinguagem para o uso dos falantes.

Para discutir acerca de interação em sala de aula, questão mais específica ao nosso objeto de estudo, buscamos amparo teórico em Marcuschi (2004b), Matêncio (2001), Cajal (2001), Galvão (2004), Fávero et al (2010) e outros, para compreendermos como estas

7 Interações verbais: Abordagem interacional e estrutura de conversas (Tradução nossa)

8Tradução nossa. Considérons que le sens d'un énoncé est le produit d'un travail collaboratif, ce sens est construit

conjointement par les différentes parties concernées - l'interaction peut alors être définie comme le lieu d'une activité collective de la production de sens, une activité qui implique la conduite de négociations ou implicite, qui peut réussir ou échouer (c'est l'incompréhension)

9Steinberg (1988) desenvolve estudos no campo da linguagem gestual na perspectiva Etnometodológica tendo a

interações ocorrem. Neste sentido, vemos que a sala de aula é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da interação no qual estão envolvidos diversos agentes e, dentre esses, alunos e professor. É este universo que nos voltamos a observar, na seção seguinte.

Benzer Belgeler