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2.4. ALT EKSTREMİTE AMPUTELERDE DENGE

2.4.3. Dengenin Değerlendirilmesi

A televisão, como principal mídia de massa do século XX, vem sendo objeto de análise e crítica de inúmeros estudiosos. Na obra Televisão pública: do consumidor ao cidadão (2002), Omar Rincón buscou analisar os diversos modelos existentes de televisão pública, mas, para fazer tal discussão, procurou apresentar as principais linhas de investigação e pesquisa sobre televisão. De forma geral, o autor aponta que os estudos na área de comunicação de massa se concentram em investigar a incidência da televisão sobre a conduta, atitudes e compreensão das pessoas, análises essas que abordam tanto o aspecto televisivo-industrial como a função cultural educativa. Interessa, neste capítulo, realizar uma breve exposição desses estudos, abordando alguns trabalhos que defendem a televisão como mecanismo importante e representativo da democracia e aqueles que acreditam na hipótese de que a televisão exerce e promove a alienação social e política.

Nos anos 1960, Umberto Eco (1993) cunhou conceitos de grande importância para entender as diferentes correntes teóricas da área da comunicação. Segundo o autor, havia, de um lado, os intelectuais “apocalípticos” ou “teóricos críticos” da Escola de Frankfurt, entre esses, Adorno e Horkheimer (Adorno e Horkheimer, 1986; Adorno, 2002). Defendiam que os meios de comunicação de massa propiciavam meios imaginários de escape da dura realidade na qual a população estava inserida, situação que proporcionava uma debilitação da capacidade de pensar e atuar de forma crítica. Contrários aos efeitos da tevê, esses autores argumentavam que o meio de comunicação levaria à perda da capacidade de nossa sociedade em julgar as suas reais necessidades. Esses trabalhos realçavam, muitas vezes, essa característica não só como fator de maior relevância, mas como fator determinante de todas as possibilidades dos meios de

comunicação de massa. Por outro lado, os “teóricos da mídia” identificavam os meios de comunicação como um novo espaço de produção cultural. Denominados por Umberto Eco de “integrados”, eles defendiam que os fenômenos provocados pelos meios de comunicação de massa poderiam não ser resultado da decadência do ser humano. Pelo contrário, acreditavam no alargamento da cultura e na ideia de que a arte poderia ser consumida por todos através da democratização oferecida pela abrangência dos meios de comunicação.

Um dos principais expoentes dessa corrente, Marshall McLuhan (Souza e Curvello, 1997), criou, por exemplo, o termo “aldeia global” – baseava-se na hipótese de que a mídia eletrônica criava um novo ambiente que, por sua vez, estava interconectado a outros ambientes ligados por redes globais de comunicação instantânea. Essa categorização criada por Umberto Eco ajudou a delimitar determinados pressupostos teóricos de duas correntes de estudo no campo da comunicação e teve fundamental importância no surgimento dos estudos semióticos da mídia.

No âmbito de uma série de cursos do Collège de France, Pierre Bourdieu (1997) chamou atenção para distorções no papel ocupado pela televisão na sociedade, na medida em que o veículo que se propõe um instrumento de registro, torna-se um instrumento de criação da realidade.

O pensador francês não considerou essa característica um defeito do veículo, mas sugeriu a importância da compreensão do fenômeno e recomendou a apropriação do funcionamento desse meio de comunicação pelos pensadores, com vistas à produção de manifestações voltadas para a televisão, ou “manifestações que sejam de natureza a interessar às pessoas de televisão” e que possam ser retomadas por elas e amplificadas, de forma a atingir seus objetivos sociais.

Tal como fez para analisar outros universos, como a arte e a universidade, Bourdieu também trabalhou com a noção de campo. Ele analisou justamente o campo do jornalismo televisivo. Em suas palavras:

[...] um campo é um espaço social estruturado, um campo de forças – há dominantes e dominados, há relações constantes, permanentes, de desigualdade, que se exercem no interior deste espaço – que é também

um campo de lutas para transformar ou conservar (Bourdieu, 1997: 57)

Assim, para Bourdieu, o universo do jornalismo é um campo que sofre constantemente pressões de ordem econômica específica – os índices de audiência. São eles que determinam e impõem a lógica da televisão, sobrepondo-se às produções de caráter cultural. A televisão, segundo o autor, acabou se transformando em uma espécie de espelho de narciso, um lugar de exibição das produções culturais e artísticas. Há, nesse sentido, uma necessidade de aparecer na televisão. Se antes havia uma desconfiança geral quando uma determinada obra fazia sucesso comercial imediato, hoje, a consagração de uma obra artística ou literária é dada justamente por tal êxito – os bestsellers, as listas diárias nos jornais dos mais vendidos etc., apenas refletem essa tendência.

A tevê também tem função de dramatização, no duplo sentido – põe em cena imagens e exagera a importância do fato, tudo isso visando aos índices de audiência. Não por acaso escolhe-se como “furo jornalístico” fenômenos que estão relacionados a partir do que é sensacional ou espetacular. Submetendo-se à pressão econômica a televisão acaba por

[...] ocultar mostrando, mostrando uma coisa diferente do que seria preciso mostrar caso fizesse o que supostamente faz, isto é, informar; ou ainda mostrando o que é preciso mostrar, mas de tal maneira que não é mostrado ou se torna insignificante, ou construindo-o de tal maneira que adquire um sentido que não corresponde absolutamente à realidade. (Bourdieu, 1997: 25)

A tevê que se pretende um instrumento de registro torna-se, segundo as observações de Bourdieu, um instrumento de criação de realidades sendo, por isso, um campo de produção simbólica com muito pouca autonomia. As análises de Bourdieu sobre meios de comunicação de massa foram realizadas a partir das observações e das experiências do modelo de televisão francesa, assunto que, inclusive, será tratado mais adiante, sendo pertinente comparar e apontar se tais considerações ocorrem na TV Cultura.

Cabe, por fim, apresentar os recentes trabalhos na área de mediação e percepção do público e sua contribuição para esse estudo. No intuito de se contrapor às

considerações de Bourdieu sobre televisão, surgiram novas linhas de investigação no campo da comunicação preocupadas em compreender e avaliar a comunicação e a cultura popular. A linguagem dos meios, as tecnologias de comunicação, o ensino, o ponto de vista do receptor e as relações entre comunicação e educação foram os principais temas abordados por pesquisadores como Fuenzalida, Orozco e Jesus Martim Barbeiro13, que passaram a analisar a televisão como relato, um dispositivo cultural presente e atuante na sociedade.

O processo de ver tevê possui rituais muito particulares. Ao mesmo tempo em que ocorre uma divulgação de personagens, temas e histórias ficcionais, é estabelecido um diálogo com a realidade. O grande público, por sua vez, atribui um sentido àquilo que é visto. Essa ação, denominada de “inteligência televisiva” (Rincón, 1999), parte do pressuposto de que a televisão, para além do fato de ser um meio de comunicação de massa, é um dispositivo onde se encontram cultura, sociedade e subjetividade. Nesse sentido, a audiência tanto pode representar a dramatização e o apelo a algo que não é real, como também as projeções dos desejos e anseios do telespectador. A população, portanto, não é somente receptiva e passiva às informações que vê pela tevê. Mais do que conteúdos, a televisão – no seu modo de produzir – converteu-se em relatos e rotinas diárias de sujeitos comuns.

Segundo essa perspectiva de investigação, a televisão estabelece uma relação afetiva com os seus públicos, que pode ser identificada pela análise de diversos fatores. Por exemplo, os índices de audiência são usados pelos pesquisadores no intuito de se investigar quais mensagens interessam ao grande público. Assim, nessa perspectiva, os índices de audiência não são somente um imperativo de ordem econômica, mas um novo dispositivo na investigação dos valores e representações da sociedade contemporânea.

O meio de comunicação de massa, sob essa perspectiva, pode ser estudado muito mais como uma instituição cultural do que somente um dispositivo da alienação contemporânea. Isso porque essa linha de investigação leva em consideração os gostos e preferências das pessoas (que podem ser medidos pelos índices de audiência), a maneira como os telespectadores frequentam a tela (se a atenção é dispersa e frágil) e os usos e       

potenciais das mensagens (se os temas abordados nas telas relacionam-se com educação e cidadania).

Trataremos de abordar nos próximos tópicos os principais modelos de televisão pública apontando suas particularidades de funcionamento, estratégia de mercado, projetos políticos e pedagógicos, entre outros. Também trataremos de discutir que valores compuseram as linhas editoriais da TV Cultura ao longo de mais de trinta anos de existência.

Benzer Belgeler