BÖLÜM 3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.1 Potansiyometrik Yöntem ile Ligandların Protonasyon Sabitlerinin ve Komplekslerin
3.1.2 Deneysel Yöntemler ve Kullanılan Aletler
Historicamente, segundo Botelho (2005),
a legislação do censo abortado de 1852 previa a identifi cação das tribos a que pertenciam os indígenas ou caboclos. Em 1872, desapareceu essa preocupação, embora se tenha explicitado a necessidade de declarar a cor. A identifi cação das tribos indígenas seria aquilo que mais se aproximaria da preocupação com a língua expressa nos congressos estatísticos. Entretanto, sua supressão em 1872 aponta para a visão de que o Brasil não conhecia problemas de divisões internas, o que reforçava a convicção de uma identidade estreita entre o Estado imperial e a nação brasileira. As categorias censitárias também revelavam permanências signifi cativas em face da experiência colonial. Se a divisão entre livres e escravos (e, eventualmente, libertos) era uma decorrência óbvia da segmentação fundamental que marcava a sociedade brasileira, a preocupação em registrar a cor era certamente uma herança portuguesa muito importante. A maior parte dos levantamentos censitários da época dividia a população em pelo menos três segmentos: os brancos; a população de ascendência africana nascida no Brasil, mestiça ou não; e os pretos. Onde a população indígena assumia proporções signifi cativas, essa categoria também se incorporava aos censos, descrita como caboclos (BOTELHO, 2005, p. 336).
Importância dos censos nacionais no conhecimento da
demografi a e da saúde dos indígenas no Brasil ______________________________________________________________
Após praticamente 120 anos, em 1991, foi incorporada e investigada nacio- nalmente a categoria indígena no quesito "cor ou raça” do Censo Demográfi co. A experiência do Brasil quanto à aplicação da metodologia de autoclassifi cação na captação da população indígena, portanto, data de menos de duas décadas, quando foi incorporada mais uma categoria às quatro já existentes (branca, preta, amarela e
parda). Com isso, foi possível obter a categoria indígena separadamente das pessoas
que se classifi cavam como pardas nos censos até 1980. O Censo Demográfi co 2000 manteve as mesmas categorias, assim como a mesma conceituação, e o quesito for- mulado foi “A sua cor ou raça é”, onde era recomendado ao entrevistador que fi zesse a leitura de todas as categorias na ordem que constava no questionário.
Esta metodologia está baseada na declaração espontânea do indivíduo e con- siste na formulação do quesito onde a pessoa tem que se autoclassifi car segundo a consideração que tem de si mesma (GIUSTI, 2000). No caso dos indígenas, o conceito tanto foi aplicado àqueles que viviam em Terras Indígenas como também aos que viviam fora das mesmas.Esta forma de captação da informação, porém, não identi- fi ca cada povo indígena, pois apenas toma como critério o índio genérico, deixando de identifi car os cerca de 220 povos que habitam o território brasileiro. É importante mencionar que existem algumas questões metodológicas particulares aos indígenas no âmbito do censo, incluindo tanto a subenumeração da informação em função do processo de miscigenação que a sociedade brasileira sofreu, e que se mantém até hoje, como também a sobrenumeração resultante de uma certa simpatia pela causa indígena e suas culturas específi cas ou de percepção de possíveis benefícios prove- nientes de políticas destinadas a favorecer estes grupos, conforme visto em Encuentro Internacional Todos Contamos: los Grupos Étnicos em los Censos (2002).
É importante ressaltar que a categoria indígena levantada pelos Censos Demo- gráfi cos 1991 e 2000, realizados pelo IBGE, não deve ser tomada como sinônimo ou substituta de “povos indígenas”, de “grupos indígenas” ou de “população indígena”, nos moldes que predominam na literatura antropológica especializada. Isso porque, através de seu sistema de coleta de informações, os censos vêm captando diferentes categorias sociológicas, duas das quais são as seguintes: a) povos indígenas enquanto totalidades sociológicas distintas, defi nidos pela Convenção 169 da Organização Inter- nacional do Trabalho - OIT1, ou seja, povos que se diferenciam da coletividade nacional
por seus usos, costumes e tradições; e b) conjuntos de pessoas que se reconhecem como descendentes de índios (ou índio-descendentes), mas que podem não saber a que povo ou etnia pertenciam seus ancestrais indígenas.
Tendo como referência as informações sociodemográfi cas dos dois últimos censos populacionais, foi realizado, em 2005, o estudo Tendências demográfi cas: uma
análise dos indígenas com base nos resultados da amostra dos Censos Demográfi cos 1991 e 2000, que contou com a participação de um grupo de antropólogos, demógra-
fos, estatísticos, epidemiologistas e sociólogos, estudiosos das questões indígenas, que tinham a demografi a como ponto em comum.
1 Adotada pela Conferência Geral da OIT, em 27.06.1989. Para informações complementares, ver: CONVENÇÃO n. 169
sobre povos indígenas e tribais em países independentes e resolução referente à ação da OIT sobre povos indígenas e tribais. 2. ed. Brasília, DF: Organização Internacional do Trabalho, 2005. 64 p. Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/ info/downloadfi le.php?fi leId=131>. Acesso em: jul. 2009.
Os resultados por situação do domicílio, quer residente na área urbana quer na rural, revelaram a existência de um grande diferencial entre esses dois subgrupos populacionais para as características demográfi ca, social e econômica. As políticas públicas voltadas para esta população, com ações específi cas que sejam efi cazes, deverão levar em consideração, portanto, a grande diversidade existente no âmbito geográfi co, uma vez que a infl uência do meio onde a população indígena é encontrada interfere nas suas características, haja vista a sua estrutura etária, a fecundidade das mulheres indígenas na área urbana - compatível com a do total de mulheres desta mesma área - e os indicadores educacionais.
A partir dessas análises, observou-se que a categoria indígena apresentou indicadores que a situaram, em relação aos demais grupos de cor ou raça, em con- dição menos favorável, inclusive no que diz respeito aos aspectos socioeconômico e educacional.