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Deneysel Sistem Tasarımı

4. DENEYSEL ÇALIŞMALAR

4.3 Deneysel Sistem Tasarımı

Os batistas brasileiros partem do princípio protestante de que tod@s “foram chamados por Deus para a salvação, para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o seu reino, na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo” (CBB, 1986, p. 15). A princípio, os batistas, por meio de sua

Declaração Doutrinária, admitem a existência do Espírito Santo dirigindo e

concedendo dons aos membros da comunidade de fé para o desempenho do serviço cristão. Entretanto, a eclesiologia batista reconhece que há apenas dois oficiais na

igreja, pastores e diáconos (FERREIRA, 2001, p. 59). Na eclesiologia batista, outros

termos como bispo e presbítero, são considerados intercambiáveis, ou seja, eles são aplicados à mesma pessoa para funções diferentes (FERREIRA, 2001, p. 59). Apesar de reconhecer a diversidade de dons no serviço eclesial, a Declaração Doutrinária da CBB faz uma distinção em relação ao ministério da palavra quando diz que: “Deus escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial, para o serviço distinto, definido e singular do ministério da palavra” (CBB, 1986, p. 15). Aqui, a Declaração Doutrinária

escolhe, chama e separa certos homens”, ou seja, é dada a diferença entre membros da comunidade e, a certos homens, que se tornam especiais, quando desempenham o

ministério da palavra (ministério pastoral), sendo estes, portanto, distintos, definidos e

singulares. Com esses adjetivos, a Declaração Doutrinária vincula o ministério da

palavra apenas aos homens fazendo importantes distinções em relação aos demais

participantes da comunidade e, principalmente, às mulheres.

A Declaração Doutrinária da CBB, aceita a mediação dos dons ou carismas no desempenho das funções e serviços na comunidade, mas, por outro lado, faz a diferenciação com o cargo, para usar a linguagem moltmanniana, de pastor. Nesse sentido, a eclesiologia batista faz o processo da dimensão carismática nos ministérios para a dimensão institucional.

Nesse aspecto, Moltmann diz que a igreja sofre com a “usurpação de todos os ministérios e tarefas por uma hierarquia de dignitários clericais ou por uma aristocracia de pastores” (MOLTMANN, 2013, p. 379). Muito embora a eclesiologia batista não aceite que haja uma hierarquia funcional e muito menos leigos, advogando de que todos são ministros, todos são servos, ainda há uma distinção significativa entre pastor e demais participantes da comunidade (SOBRINHO, 1998, p. 45). Essa compreensão é possível, porque a Igreja Batista brasileira comunga da mesma concepção de que apenas o ministro que recebe a imposição de mãos pode ser pastor. De um modo geral, o protestantismo(s) de missão viu a figura do pastor a partir de um evangelismo conversionista. O pastor é o evangelista que “ganha almas” para Jesus. Além disso, o

pastor, no protestantismo(s) de missão, em particular no universo batista, é o guardião

do sistema denominacional, onde sua figura é central para o bom desempenho das

funções eclesiásticas. Nesse sentido, então, é uma pastoral voltada para a o templo, para

os membros.

Assim como no protestantismo(s) de missão, a eclesiologia batista tem sérias dificuldades quanto à compreensão do pastoreio quando entendido fora do indivíduo, ou seja, do pastor. De alguma maneira há uma excessiva preocupação com o ser do pastor, como suas qualificações morais, oratória e credenciais teológicas, gerando um

pastoreio preocupado “unicamente com a manutenção de seus membros e programas”

(KOHL & BARRO, 2006, p. 105). Por essa razão que o pastor batista, precisa “manter em equilíbrio a carga acadêmica, a maturidade do caráter cristão e o treinamento prático para o ministério cristão” (AZEVEDO, 1998, p. 30). O vocacionado para o ministério

da palavra tendem a serem homens, por isso há uma preocupação com o preparo e a

vocação do candidato a pastor (FERREIRA, 1998, p. 141).

A eclesiologia batista, quando trata de vocações e ministérios, traz concepções que denotam a uma eclesiologia fechada. Mesmo admitindo a contemporaneidade dos

dons e talentos como meios que configuram a vivência eclesial, faz uma clara distinção

com o ofício de pastor no sentido deste ter a primazia quanto aos demais participantes da comunidade de fé. Não obstante a isso, a clara discriminação quanto às mulheres no exercício pastoral, como se elas não pudessem receber, de igual modo que os homens, o

carisma do pastoreio. Indubitavelmente essa posição da Declaração Doutrinária da CBB, embora represente o modo de pensar da denominação, não é também

unanimidade por conta da pluralidade e diversidade denominacional. Em relação às

mulheres no ministério da palavra, Zaqueu Moreira de Oliveira, por exemplo, é

plenamente favorável. Quando a Associação Brasileira de Instituições Batistas de Ensino Teológico (ABIBET) se reuniu em Guarapari/ES em 1996 para repensar a

denominação batista, Oliveira já apresentava argumentos quanto às mulheres

assumirem o pastorado de comunidades batistas. Pontua ele: “imposição de mãos não era exclusiva [no Novo Testamento] para homens nem para o ministério pastoral, e, segundo, porque elas eram ativas e nada existe que leve alguém a acreditar na rejeição de seu ministério em áreas diversas, inclusive pastoral” (OLIVEIRA, 1998, p. 70).

A pesquisa de Yamabuchi (2009) traz importante contribuição para se entender o universo machista e preconceituoso na Convenção Batista Brasileira quando do embate entre José Reis Pereira, então historiador oficial da CBB, e Betty Antunes de Oliveira, uma mulher que decidiu pesquisar o início do trabalho batista no Brasil sem o apoio da CBB e, portanto, não estando dentro do sistema denominacional como Reis Pereira estava. Reis Pereira advogava o surgimento do trabalho batista no Brasil a partir da Primeira Igreja Batista do Brasil, em Salvador/BA, em 1882. Já Betty Oliveira, defendia o marco inicial dos batistas no Brasil a partir da cidade de Santa Bárbara d´Oeste/SP em 1871.11 Esse embate, que ocorreu de maneira desproporcional e teve como palco as assembleias da CBB, serviu, de acordo com Yamabuchi, para demostrar “o poder de influência da elite masculina nas decisões oficiais das assembleias convencionais” (YAMABUCHI, 2012, p. 61). Betty Oliveira torna-se símbolo de uma luta que, até o

11 A pesquisa de Marcelo Santos (2011) traz uma importante contribuição histórica para a definição do

momento, as mulheres vêm travando, ou seja, o de “questionar o poder masculino de estabelecer o saber religioso” (YAMABUCHI, 2012, p. 72).

Para refletir sobre esse quadro, enfatizamos que a eclesiologia aberta que Moltmann propõe, traz o Espírito Santo para a comunidade, pois ela é uma “comunidade carismática” (MOLTMANN, 2013, p. 373). Daí sua valorização quanto aos dons que opera e vocaciona a tod@s para o serviço na comunidade. Uma vez que o “Espírito faz criar o povo; o Espírito empodera-o para a missão; o Espírito opera suas forças de vida e seus respectivos serviços; o Espírito une, ordena e preserva o povo” (MOLTMANN, 2013, p. 374). A comunidade sob a força do Espírito, não convive com um “domínio sagrado (hierarquia), mas opta pela expressão diaconia” (MOLTMANN, 2013, p. 374). Nesse sentido, tod@s são vocacionad@s na comunidade, pois tod@s vivem a diaconia, assim, “todos os membros da comunidade messiânica são todos [pelo] Espírito, portanto, ministros. Não existe separação entre os que possuem ministérios e o povo” (MOLTMANN, 2013, p. 377). Mesmo com esse modo igualitário entre os participantes da comunidade, Moltmann não deixa de fazer uma diferença

funcional na comunidade.

Ainda que haja a necessidade de pessoas designadas para serviços específicos na comunidade, Moltmann faz questão de ressaltar que

os distintos ministérios da igreja tem como pressuposto e base o ministério comum e único da igreja. Os serviços diversificados pressupõem o serviço comum do reino de Deus em que cada crente está inserido. Os cargos distinguíveis na comunidade estão relacionados com o encargo comum por Cristo que atinge todas as pessoas (MOLTMANN, 2013, p. 380).

Em uma eclesiologia aberta, os dons continuam tendo a primazia. Sendo essa comunidade de iguais, o principal “cargo da comunidade reside na vocação dos crentes por Cristo no poder do Espírito Santo para o reino de Deus. Ele [o cargo] se torna visível por meio do sinal do batismo. A comunidade dos batizados é a comunidade dos vocacionados” (MOLTMANN, 2013, p. 380-381). Para Moltmann, portanto, não há alguns que são vocacionados e outros não, tod@s são vocacionad@s para o reino de

Deus e tod@s tem um serviço a desempenhar nessa “causa comum” (MOLTMANN,

Benzer Belgeler