Os modelos eclesiais de instrução aos sujeitos que aderem a este ou aquele segmento cristão, estão focados na reprodução do conhecimento doutrinal, histórico da tradição a que pertencem, alimentados por uma cosmovisão denominacionalista e competitiva, focada na manutenção de seus quadros de membresia, quiçá, conquistando outros adeptos, e estimuladas pelo arcabouço do pietismo que sustenta um apego ao conhecimento da Palavra de Deus como fonte de sucesso e prosperidade, gerando focos de manifestações intimistas e individualistas da mística da fé, sobretudo nos círculos estimulados pela competitividade do mercado dos bens espirituais, submetidos a liturgias que negam o pluralismo, reforçam o individualismo, cegam os olhares aos pobres em busca da prosperidade pessoal, reforçando que o senso do conceito de comunidade é restrito, não amplo.
A reflexão da fé só faz sentido se nasce na práxis, e esta, por sua vez não servirá de acúmulo de conhecimento teórico bíblico-teológico, mas se revestirá de ação transformadora, de
serviço, de anúncio, de engajamento, de formulações críticas à ordem estabelecida, de busca de caminhos alternativos, especialmente para atender os que estão em zona de abandono social e alta vulnerabilidade em exposição às forças que conduzem a morte espiritual, moral social, comunitária, civil e política.
Reconhecer estas tensões, com elas viver e conviver, pode gerar princípios de partida para ações pastorais que postule a promoção humana e a construção da cidadania.
A seguir se abrirão as considerações finais desta pesquisa que trata da População em Situação de Rua na Cidade de São Paulo, tendo-se escolhido como objeto de Pesquisa a Comunidade Metodista do Povo de Rua, localizada no Viaduto Pedroso, trazendo-se para esta reflexão os seguintes documentos:
a) Decreto lei Nº 40.232, de 02 de janeiro de 2001 que regulamenta a Lei nº 12.316, de 16 de abril de 1997, que dispõe sobre a obrigatoriedade do Poder Público Municipal a prestar atendimento à população de rua da Cidade de São Paulo, e dá outras providências.
b) O Plano de Assistência Social da Cidade de São Paulo (2002-2003), ao tempo em que A Profª. Dra. Aldaíza Sposati ocupava o cargo de Secretária Municipal de Assistência Social, e o decreto lei,
c) Decreto Nº 7.053 de 23 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua, assinado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva , na data citada.
A partir, portanto, desses indicadores serão construídas as considerações finais desta pesquisa.
De 1992 a 2009, dezessete anos são passados da presença da Comunidade Metodista do Povo de Rua na cidade de São Paulo, desde o tempo da Prefeita Luíza Erundina, que alavancou, por meio de um levantamento de dados desenvolvido pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social, com vistas a identificar a População de rua paulistana respondendo a três perguntas fundamentais:
1) Quem é? 2) Como vive? 3) Como é vista?
Na década de noventa, o levantamento que fora elaborado por pesquisadores sob a coordenação da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social da cidade de São Paulo com a finalidade de responder às perguntas propostas acima, apontaram que o total de moradores em situação rua no centro da cidade chega à casa de três mil pessoas, o que representava um desafio à criação de políticas públicas adequadas e focadas. A evolução numérica desta população foi expressiva passando de três mil pessoas na década de noventa para dezoito mil pessoas na década seguinte, sendo a mesma constituída predominantemente por pessoas sem escolaridade, sem vínculos familiares declarados, dependentes químicos e mais da metade deles na faixa etária entre vinte e cinco e quarenta anos. Tal relação numérica que em uma década aponta que a população de rua na cidade de São Paulo cresceu seis vezes já é um forte indicador de que qualquer proposta de ação pastoral ou mesmo elaborada pelo poder público entrou em colapso em apenas dez anos, em função do volume da demanda ocorrido, bem como a complexidade que esta população tem em si. Fato é que a população em situação de rua vem crescendo e preocupando as autoridades municipais, especialmente por que as políticas desenvolvidas até então não reconheciam este segmento urbano. Por conta desta preocupação crescente, em 2007- 2008 o Instituto Meta, mediante acordo de cooperação assinado entre a Organização das Nações Unidas, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) desenvolveu um levantamento abrangeu um conjunto de 71 cidades brasileiras. Desse total fizeram parte 48 municípios com mais de 300 mil habitantes e 23 capitais, independentemente de seu porte populacional. Não foram contempladas com a pesquisa as cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Recife, uma vez que já tinham elaborado suas próprias pesquisas em anos recentes. O contingente de adultos entrevistados pelo Instituto Meta foi de
31.922. Aponta-se para o futuro, a partir de novos movimentos em nível dos governos municipal, estadual e principalmente federal, que sejam implementados novos modelos de atendimento a esta população e que, na medida em que as políticas públicas forem sendo desenvolvidas se perceberá que de fato, a polução de rua abrigadas nas grandes e médias cidades pode representar o triplo do que foi constatado em 2007-2008.
A parceria da Igreja Metodista com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social ao tempo da prefeita Luiza Erundina, quando Igreja Metodista Coreana Ebenezer atendia a polução de rua oferecendo dominicalmente o Café do Coreano.
A presença dos coreanos iniciou-se na década dos anos setenta os coreanos metodistas chegam a São Paulo, motivados pela cultura da economia das confecções e vão se estabelecer nos bairros da Luz e do Brás, tradicionalmente marcado pela presença dos judeus. Deste momento em diante os coreanos vão se organizando em igrejas e passam a usar os espaços de cultos já existentes, como foi o caso da Igreja Metodista no Bairro da Luz. São estes coreanos que começam, entre 1987 e 1992, a servir café, achocolatado e pão com manteiga à população em situação de rua que se agrupa na Praça Fernando Costa e no Parque D. Pedro II. O movimento foi bem aceito, repercutiu pelo pela população, chegando a oferecer o café com pão para até mil pessoas ali reunidas. A Igreja Metodista já se fazia presente junto à população em situação de rua por meio do referido “Café do Coreano”. Neste tempo a secretaria do bem-estar social da Prefeitura , associado à disposição da Prefeita Luiz Erundina em criar um mecanismo de atendimento à população de rua formaram um movimento sinérgico aliando-se a disposição e posicionamento do Bispo Nelson Campos Leite, que admitiu não perceber qualquer problema em a Igreja Metodista conjugar força com o poder público municipal, entendendo que juntos poderiam atender à População de Rua. Ato contínuo, a Comunidade Metodista do Povo de Rua assume sua dimensão teológico-pastoral urbano com a declaração do Bispo Geoval Jacinto da Silva argumentando que a Igreja Metodista era, e é, parte do cenário urbano paulistano, e por isto, sua atuação junto à população de rua era o encarnar da dimensão evangélica do Reino de Deus, numa demonstração clara à cidade e à população de rua do testemunho do amor de Deus a toda gente. A Igreja Metodista se estruturou para organizar e depois gerir a Comunidade Metodista do Povo de Rua visando dar eficiência e cumprimento às leis, tendo se orientado por meio da A.M.A.S. (Associação Metodista de Assistência Social), da Igreja Metodista Central, por uma questão de proximidade geográfica.
A Comunidade Metodista do Povo de Rua ocupa seu lugar público na cidade de São Paulo em três estágios de implantação, a saber: (1) Casa de Convivência, (2) o atendimento sazonal oferecendo dormida à população de rua na Operação Inverno, (3) e depois o albergue.
Neste período, passaram pela direção da Comunidade Metodista do Povo de Rua três coordenadores, sendo dois deles pastores: Pastores Alcides Barros e Samuel Duarte, nomeados pelos Bispos da 3ª Região. Hoje a coordenação está sob os cuidado de Wilson Pereira, convidado para a função pela liderança da Catedral Metodista de São Paulo.
Nesta trajetória de relacionamento entre a Igreja Metodista e o poder público Municipal é gestada a Comunidade Metodista do Povo de Rua na sua versão plena, que consiste na criação e operacionalização do albergue instalado no interior do Viaduto Pedroso.
Finalizando a primeira década do novo milênio, a Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio de sua Secretaria de Ação Social e atualmente com uma assessoria constituída denominada Conselho de Monitoramento da Política dos Direitos das Pessoas em Situação de Rua na Cidade de São Paulo, tem iniciado o desmonte da malha de atendimento à população de rua, especialmente os albergues que operam sob viadutos, como é o caso da Comunidade Metodista do Povo de Rua sob o Viaduto Pedroso, ou em outras construções e espaços insalubres, visando com esta iniciativa humanizar o atendimento e atender a novas demandas que eclodiram nesta segunda década, considerando-se a primeira entre 1992-2002 e a segunda entre 2003-2013, mas principalmente a questão de normas sanitárias.
Os documentos fundantes da Comunidade Metodista do Povo de Rua são constituídos em três, a saber: (1) O Plano de Trabalho em que se justifica e organiza as ações da Igreja Metodista junto à População de Rua por meio do Albergue com a Secretaria Municipal da Família e Bem- Estar Social – FABES, que computou a presença de 4.549 pessoas dormindo na rua na Cidade de São Paulo, sendo que 3.032 na região central. O documento é assinado em 01 de novembro de 1994 e em 1995, a Comunidade Metodista do Povo de Rua assume sua faceta de Albergue, com novos projetos e programas; (2) O Credo Social da Igreja Metodista que afirma sua responsabilidade cristã pelo bem-estar integral do ser humano como decorrente de sua fidelidade à Palavra de Deus expressa nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos. Esta consciência de responsabilidade social constitui parte da preciosa herança confiada ao povo metodista pelo testemunho histórico de João Wesley. O exercício dessa missão é inseparável do Metodismo Universal ao qual está vinculada a Igreja Metodista por unidade de fé e relações de ordem
estrutural estabelecidas nos Cânones; (3) e o Plano para Vida e Missão da Igreja é a continuação dos Planos Quadrienais de 1974 e 1978 e conseqüência direta da consulta nacional de 1981 sobre a Vida e Missão da Igreja, principal evento da celebração do 50º aniversário de Autonomia.
É com base raiz teológico-social de uma igreja pública que se forma não para construir um denominacionalismo doutrinário, mas que entende que sua paróquia é o mundo, segundo João Wesley, o projeto da Comunidade Metodista do Povo de Rua foi implantado e procurou se desenvolver, objetivando no Plano de Ação o seguinte: prestar atendimento à população moradora de rua oferecendo-lhe acolhimento e desenvolvendo atividades e projetos complementares que possibilitem o resgate de sua cidadania.
A hipótese que se levantou nasceu desta dimensão da Igreja que se propõe ao anúncio do Reino na dimensão urbana, ou seja, a Comunidade Metodista do Povo de Rua cumpriu o seu Plano de Trabalho/1994, a saber: o resgate da cidadania, ou não? Entendendo que CMPR impôs a si uma tarefa na dimensão de caminhar com os pobres e viver com eles, e em favor deles, sendo este um segmento notadamente vivido em zona de exclusão social, privado dos direitos civis, políticos e sociais. E que o resgate da cidadania implica em devolver aos pobres exatamente os direitos civis, políticos e sociais, o que efetivamente falta à população em situação de rua.
Visar o ser humano em sua integralidade, radicado este em seu contexto, é preciso propor não somente a transformação e resgate a indivíduos, mas se exigem ações alimentadas numa pastoral que não seja meramente repetitiva e eclesial, mas que seja criativa, reflexiva, liberadora, radical, na perspectiva da práxis em suas vertentes filosóficas, educacional e religiosa, conduzindo a pessoa em situação de rua à dimensão do resgate de sua cidadania.
Embora o objetivo de resgatar a cidadania à população em situação de rua tenha se inspirado na Constituição Federal promulgada em 1988, é inegável que a Igreja Metodista reflete, desde a sua nascente, o pensamento de João Wesley, que postulou o princípio do amor a Deus e ao próximo como fundamento do movimento que liderou.
Este eixo se refletiu nos documentos da Igreja Metodista que tem em sua história, desde a Inglaterra, registros de compromissos assumidos com os pobres e marginalizados, propugnando uma fé salvadora do indivíduo e um Profetismo de denúncia das estruturas sociais, políticas e econômicas que conspiram contra a vida. Destarte, nesta dimensão, o movimento metodista teve como marca o conceito de que a fé individual tinha, por óbvio, que ser construída em comunidade, em contexto de vida cotidiana.
Nesta dimensão percebe-se que a Comunidade Metodista do Povo de Rua perdeu-se em seus referenciais teológico-sociais, sua tradição de proposição de uma fé cidadã, no dizer de Clovis Castro, e encaminhou-se por uma pastoral repetitiva, na dimensão da ação do pastor/a, e envolvida em servir a indivíduos, esgotando-se assim sua ação que poderia hoje ser uma referencia de agente de transformação social, interferindo efetivamente na construção de políticas públicas voltadas à população em situação de rua.
Em que pese a tradição teológica e pastoral justificando a presença e o testemunho da Comunidade Metodista do Povo de Rua no contexto urbano, seguindo o legado missionário e pastoral de João Wesley, esta comunidade, opostamente, estagnou-se. O poder público, em suas diferentes políticas foi se estruturando e deixando para trás a Comunidade Metodista do Povo de Rua que mergulhada em afazeres meramente operacionais e não percebeu que o poder público somente recolhia relatório e demandava ações mediante repasse de verbas.
A pesquisa de campo desenvolvida e constituída dentro dos parâmetros do Comitê para Ética em Pesquisa da Universidade procurou resgatar junto àqueles/aquelas que desenvolveram e que hoje desenvolvem as ações visando o resgate da cidadania da população de rua que acessa a CMPR. A receptividade dos sujeitos e a boa vontade em participar da pesquisa de campo são os destaques que não podem ser olvidados por este pesquisador. Percebeu-se que as pessoas que operacionalizam a ação diretamente junto a população de rua são jovens entre 20 e 40 anos; outro dado relevante é que a formação acadêmica da equipe conta com 90 % de agentes com curso superior; a carga horária, em função do estresse que envolve a população em situação de rua, é de quarenta horas. Evidentemente que há folgas, mas mesmo assim é um regime, no mínimo massacrante; e um destaque que se faz é que 80% dos sujeitos se detiveram em explicar a expressão ação pastoral ou como um cuidado com pessoas ou mesmo a ação do pastor e da pastora.
O entendimento de que pastoral é ação do pastor e da pastora, e não da Igreja, data do século XIX, conforme apontados pelos sujeitos pesquisados na CMPR, e indicam que a concepção de pastoral em seu viés científico, interdisciplinar e ecumênico ainda não chegou aos agentes que são responsáveis pela execução da pastoral em nome da Igreja Metodista que sustenta, pelo menos teológico-socialmente, a ideologia da CMPR.
Esta constatação se consolida na medida em que se reconhece a ausência de cursos de pastorais aos sujeitos interventores no cotidiano da CMPR, e, por outro lado, a prática dentro da
comunidade de programação tipicamente eclesiástica, como se o espaço utilizado pela CMPR, por sua dimensão e natureza religiosa, devesse se constituir como uma “igreja alternativa” a oferecer a mensagem do Evangelho à população em situação de rua.
A Cidadania, como categoria vista em diferentes épocas e contextos, vem se adaptando as condições e contextos sociais, sem perder sua essência que é: o cidadão/ã na plenitude do exercício de sua cidadania goza de direitos sociais, políticos e civis.
Estes são direitos inalienáveis e consolidados na Constituição Federal de 1988. Aponta as temáticas que podem servir como elementos para elaboração de uma ação pastoral que tenha dimensão de práxis junto à população de rua por meio da Comunidade Metodista do Povo de Rua.
São caminhos já formatados como vias de acesso a cidadania, a compreensão e a assunção ao direito à liberdade, igualdade, segurança, organização de cooperativas e partidos representativos nos quais os excluídos possam construir a sua inclusão, bem como, o reclamo das carências nas áreas de educação, saúde, moradia e outros, não sendo estes meramente interpretados como um gesto de benemerência do Estado, ou uma facilidade oferecida ao cidadão por meios de secretarias de assistência social, muito menos como gesto de solidariedade da CMPR, mais sim, daqueles direitos inalienáveis das pessoas humanas segundo propugna a Constituição Brasileira.
É notório que a dimensão operacional dos sujeitos que respondem pela CMPR no cotidiano é por si só estressante e uma vez que são repetitivas e envolvem, inclusive, riscos à saúde e à segurança física dos sujeitos. Cabe à Igreja Metodista assenhorear-se de sua tradição de sua teologia herdadas de João Wesley, promover a conexão desses ideais com a CMPR, e buscar parceria com o poder público, com as Igreja Metodista propriamente e outros agentes de pastorais ecumênicas no Brasil e fora dele.
A temática Cidadania como objetivo geral da constituição da Comunidade Metodista do Povo de Rua proposto no Plano de Ação em 1994 perde suas forças e se dilui em assistencialismo, ao passo que no ambiente público nas instâncias municipal, estadual e federal de governo a temática ressurge com vigor inspirando a criação de leis e novas e inovadoras diretrizes para a população de rua.
A primeira que se faz referência é o Decreto nº 40.232 de 02 de Janeiro de 2001 que regulamenta a Lei nº 12.316 de 16 de abril de 1997, a qual, considerando os artigos 203 e 204 de
Constituição, dispõe caber ao Poder Público, ao oferecer serviços e programas de atenção à população de rua, garantir padrões éticos de dignidade e não violência na concretização dos
direitos sociais e de cidadania desse segmento social.
O Decreto Lei nº 40.232 estabelece o objetivo da Lei focada na População em Situação de Rua, e diz o seguinte, a partir do Artigo 4º (com grifos do autor):
A atenção à população de rua deve observar os seguintes princípios:
I - o respeito e a garantia à dignidade de todo e qualquer ser humano, sujeito de direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais garantidos na Constituição, na Lei Orgânica do Município e legislação infra-constitucional;
II - o direito da pessoa a um espaço digno para estar, pernoitar e se referir na Cidade, assegurado, minimamente, o direito à privacidade como condição inerente à sua sobrevivência, existência e cidadania;
III - a garantia de supressão de todo e qualquer ato violento, bem como de comprovação vexatória de necessidade, assim entendido, dentre outros, a declaração de pobreza; IV - a não discriminação, por motivos de origem, raça, sexo, orientação sexual, cor, idade e quaisquer outros, no acesso aos bens e serviços públicos municipais, principalmente os referentes à saúde, não sendo permitido tratamento degradante, vexatório ou humilhante; V - a subordinação da dinâmica do serviço à garantia da unidade familiar, sendo vedada a desintegração da família para fins de atendimento;
VI - o direito do cidadão de restabelecer sua dignidade, autonomia, bem como sua convivência comunitária, relacionando-se harmoniosamente com os demais cidadãos; VII - o exercício do direito de participação da população, por meio de organizações representativas, na proposição e no controle das ações que lhes dizem respeito.
E no parágrafo primeiro do artigo 1º se dispõe que cumpre ao secretário de Assistência Social, através da sua pasta, coordenar a ação de todos os órgãos municipais afetos à questão, em especial as Secretarias de Implementação das Subprefeituras, Abastecimento, Saúde, Planejamento Urbano, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Trabalho, Verde e Meio Ambiente, Educação, Cultura, Esportes Lazer e Recreação, Finanças e Desenvolvimento Econômico e da Guarda Civil de São Paulo, cujos titulares designarão os respectivos representantes.
Neste conjunto de formulação de políticas públicas voltadas à População em Situação de Rua do Município de São Paulo, é notada a ausência da Igreja, particularmente da Igreja Metodista, configurando que, em se tratando de cidadania, a temática não passará pela intenção
histórica da Igreja segundo a sua tradição, que vai além do compromisso com os indivíduos, mas com as mudanças das estruturas sociais.
Em segundo, no ano de 2002-2003, a Prefeitura de São Paulo, por meio de Secretaria de Assistência Social, publica o Plano de Assistência Social da Cidade de São Paulo, que é a resposta documental ao Decreto nº 40.232, cuja Lei Orgânica define em sua abertura:
a) Embelecer uma assistência social que seja integrada no município, mas co-ligada a