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4. POMPALARIN TÜM ALAN KARAKTERİSTİKLERİNİN DENEYSEL YOLLA ELDE EDİLMESİ

4.4 Deneylerin Gerçekleştirilmes

Formação, segundo o dicionário Aurélio, é a maneira porque se constitui uma mentalidade, um caráter, ou um conhecimento profissional. Está ligada à capacitação ao

255 UANHENGA XITU – Agostinho A. Mendes de Carvalho. Mungo: Os sobreviventes da máquina colonial

depõem... Luanda Angola, Editorial Nzila, 2002, p.164.

exercício de determinada atividade, trabalho ou profissão por meio de um processo educacional. Segundo o dicionário litúrgico, o termo formação refere-se tanto a ação formadora voltada para determinado objetivo, quanto ao estado de formação atingido em determinados níveis257.

Pretende-se tratar da formação adquirida mediante o processo de ensino e aprendizado, na perspectiva pastoral. Com a formação pastoral, as mulheres adquiriram conhecimentos teóricos, práticos e habilidades. A mesma formação permitiu que as mulheres assumissem compromissos pastorais no sentido de reproduzir conhecimentos, recriar uma dinâmica de fé cristã e serem agentes de mudanças de usos e costumes.

A formação proporcionou refletir em valores e perspectivas que mudaram suas vidas, comunidades e sociedade. Para esse processo de formação, a Igreja Evangélica Congregacional, inclusive outras igrejas protestantes e a Católica, criaram escolas para crianças e jovens de ambos os sexos e escolas domésticas específicas para meninas e senhoras. As referidas escolas tinham sido construídas no espaço de cada estação missionária (Missão) e Centros que eram filiais, fazendo parte integrante do programa global do serviço missionário da Igreja258.

Para Lawrence W. Henderson as igrejas projetaram as primeiras escolas de formação para mulheres numa perspectiva de domínio da vida doméstica e casamento cristão. Com relação ao mesmo aspecto, Henderson afirma que:

Os rapazes, que tinham tido oportunidades de se instruir, procuravam raparigas que tivessem alguma preparação para orientar uma casa e para serem boas companheiras. Por conseguinte, muitas missões protestantes começaram a incluir nos seus programas de educação, as chamadas Escolas Domésticas259.

O processo de formação pastoral das mulheres começava nas aldeias que constituíam os Centros, ia até as escolas de alfabetização e iniciação doméstica no Centro, continuava nas missões, passando pela Escola Means, estância mais avançada. A alfabetização e lições da Bíblia começavam no Centro, durante a estação climática seca, que dura aproximadamente quatro meses. Na estação missionária, a duração era de dois anos, dando continuação à alfabetização e às lições bíblicas iniciadas no Centro, acrescida as matérias de higiene, saúde, aritmética, culinária, tricô e bordado260.

257 Dicionário de Liturgia. Tradução de Isabel Fontes. São Paulo, 1992, p. 480-481.

258 CHIPESSE, Augusto. Entrevista concedida à pesquisadora. Luanda Angola, novembro de 2003. 259 HENDERSON, Lawrence, W. Op. cit, p. 176.

Em todas as estações missionárias da Igreja Congregacional no período de 1965- 1975 (Bailundo, Chissamba, Camundongo, Chilesso, Dôndi, Elende, Bunjei), havia a formação pastoral, inclusive na cidade do Lobito e Lares Acadêmicos do Kuito (ex-Silva Porto) e Huambo (ex-Nova Lisboa). Os lares acadêmicos, acolhiam estudantes filhos e filhas da Igreja que eram bolsistas, e aqueles que tinham familiares com condições econômicas de custear todas as despesas para a formação no Lar. As moças, depois das aulas acadêmicas tinham obrigatoriamente aulas de economia doméstica. Para qualquer formação na Igreja Congregacional, o estudo da Bíblia era disciplina obrigatória261.

Nas instituições mencionadas, por vezes, dava-se o caso da/o aluna/o ser classificada/o excelente em todas as disciplinas, mas quando tivesse nota baixa nas lições da Bíblia a/o aluna/o era considerada/o não apta/o. No Lar Acadêmico, tendo nota baixa no estudo da Bíblia, perdia a bolsa de estudos e a vaga.

No processo da formação das mulheres as três estações missionárias do estado do Huambo desempenharam papel preponderante no período de 1965 a 1975.

2.4– A formação pastoral das mulheres nas Missões: Bailundo, Elende e Dôndi

2.4.1– A formação das mulheres no Bailundo e Elende

Uma análise do processo da formação pastoral na perspectiva da práxis religiosa se torna relevante, pois ela, atualmente, é considerada tradicional e sem novidade pelas mulheres mais jovens.

Economia Doméstica

Esse foi um curso ministrado pela Igreja ao longo de sua história. Basicamente constava do currículo as seguintes áreas: lições da Bíblia, aulas acadêmicas, nutrição/culinária, agricultura, corte e costura, cestaria, tricó, lavagem de roupa, tratamento de casa, saúde pública, também conhecida por melhoramento do povo. Cada uma dessas disciplinas era lecionada em seis semanas, exceto as lições bíblicas e aulas acadêmicas, que eram ministradas ao longo dos dois anos.

Durante o tempo seco, a Igreja dava curso de seis meses nos Centros pastorais, às meninas de doze anos em diante, que nunca tiveram oportunidade de passar pela escola. Nos centros, elas eram alfabetizadas pelo método Laubach, do missionário norte americano Frank Laubach.262 As que fossem aptas eram encaminhadas para o Centro, que dava o

primeiro ano do curso de Economia Doméstica. As aptas eram encaminhadas para a missão e ali faziam dois anos do curso de Economia Doméstica e de aulas acadêmicas, seguiam respectivamente as matérias de iniciação, primeiras e segundas classes do Ensino Rural. Elas aprendiam também lições da Bíblia, educação dos filhos, educação cristã e dietética. No período da tarde aprendiam costura, tricô, culinária, bordados, agricultura, tratamento de roupa e de casa263.

Nas casas de práticas da estação missionária, as alunas eram treinadas para administrar o lar do meio rural, sem recursos. Na casa do meio rural, ou seja, da aldeia sem condições, a aluna era treinada a administrar segundo as circunstâncias socioeconômicas, adaptar-se ao uso de utensílios rudimentares artesanais e trabalhar com o que existia usando a criatividade. Fazia-se de conta que a aluna estivesse casada com o marido pobre e nisso cozinhava-se à lenha, sem mesa, sem armário de cozinha, sem cama nem colchão264.

Porém, da aluna exigia-se usar a criatividade e nisso improvisavam, por exemplo, mesas e armários de cozinha com paus, confeccionavam colchões e os enchiam de palha de milho seco ou folhagem seca de bananeira. Os utensílios de cozinha eram lavados com vassoura própria de capim, diferente da vassoura usada para varrer o chão. Aprendiam a improvisar detergente, que era obtido a partir da cinza fervida que tem propriedades de soda cáustica uma vez submetida a temperatura própria265.

Ainda nas casas práticas, as alunas simulavam a administração de um lar de família do campo cujo marido, por exemplo, era um professor, um enfermeiro ou catequista na aldeia da Igreja Evangélica. Nesta casa de treino a aluna tinha contato com uma casa em condições econômicas razoáveis, que a permitia administrar a casa e seus membros de cultura aproximada aos missionários. Nesta casa o mobiliário era completo em cada cômodo, fogão à lenha ou fogão a gás, utensílios de cozinha quase completos. Na terceira casa de treino era como se estivesse administrando um lar de família de assimilação de cultura portuguesa, onde a inspeção portuguesa tinha que vir e comprovar o estilo de vida

262 LAWRENCE, W. Henderson. Op. cit, p. 176-177.

263 Relatório geral da Missão Evangélica do Dôndi. Bela Vista (Catchiungo), 1967, p.14.

264JAMBA, Celestina. Entrevista concedida à pesquisadora. S. Bernardo do Campo, julho de 2004. 265JAMBA, Celestina. Entrevista concedida à pesquisadora. Idem.

de assimilado assumido. Ali a aluna era treinada a administrar a casa de forma a manter o status266.

2.4.2–A formação pastoral das mulheres no Dôndi

Dôndi era uma instituição da Igreja Congregacional criada para a formação. Por isso falaremos um pouco da história da sua criação.

Aos poucos, houve a necessidade de se criar uma instituição de nível mais elevado para a formação. A idéia tinha sido lançada pelo missionário Walter Thomas Currie, proveniente da Junta Canadiana e fundador responsável da estação missionária de Chissamba, coadjuvado por Abrão Ngulu que veio a ser o primeiro pastor na Igreja Congregacional. A idéia de Currie era criar uma instituição educacional de nível mais elevado, até então apoiada pelos demais missionários, culminando assim no encaminhamento da proposta à Junta Missionária.

Diligências foram feitas no concernente a estudos da localização de uma área propícia para a construção da instituição de formação. O trabalho iniciado pelo missionário Currie se concretizou com a ajuda dos missionários Henri Neipp, William Bell e os membros, pois Currie já se encontrava aposentado no Canadá em virtude de sua saúde debilitada. Depois de várias sondagens, os dois prepararam uma viagem para Elundambaka, na época sede da região do Dôndi, onde foram ter com o Soba Mukandavandu chefe da região do Dôndi, em 1912. Maria Chela Cikueka revela que Mukandavandu era homem que velava pelas caravanas comerciais e sabia distinguir perfeitamente os comerciantes portugueses dos missionários que vinham na missão do evangelho e por isso não hesitou em oferecer recepção e cordialidade característica da terra267.

O Soba Mukandavandu, indicou a localidade que achava ser ideal para a futura instituição. O lugar indicado era denominado Kacivungo, esse nome aparece em virtude da localidade ser morro rochoso e pelo barulho da queda das águas do rio Cutato vindo de uma espécie de cachoeira. Daí a proveniência do nome Kacivungo, que tem haver com o som. A área de Kacivungo tinha sido abandonada durante a guerra de resistência contra a ocupação e tráfico de escravos, dirigida por Mutuyakevela em 1902. Esta guerra ficou conhecida por “guerra de Mutuyakevela” o nome significa abóbora que não coze. Ele dizia

266Idem.

que não se podia tolerar o comércio de aguardente e o tráfico de escravos. Perguntava por que ser caçados e morrer como coelhos. Dizia que as linhagens de Ekuikui e de Viye se levantavam para batalhas contra a ocupação dos portugueses. Por isso houve batalha que deixaram aldeias destruídas e povos que foram para outras localidades268.

Foi esta área que encantou Neipp, Neill e seus acompanhantes angolanos para a construção de futuras instituições educacionais. O início da construção deu-se em junho de 1913, quando foi convocada a assembléia para o efeito. A prioridade foi para a formação dos rapazes e o início das aulas deu-se em 1914, entretanto, a inauguração foi realizada em 1915, com o nome de “Instituto Currie”, em homenagem ao missionário que idealizou a instituição escolar. Seis meses depois da inauguração oficial, Currie faleceu por uma enfermidade, no Canadá269.

Dois anos depois, é criada a instituição de formação para as mulheres, a Escola Means. Segundo a explicação de Henderson, os alunos que se formavam tinham dificuldades de arranjar mulheres para casar, pois tinham a formação de catequista270, o que requeria que eles tivessem companheiras com capacidade de ajudar a assegurar o ministério.

Esta colocação de Henderson, diz que a princípio a formação das mulheres foi proposta em função dos homens que se formavam e é perceptível. Mas ao analisar os documentos e entrevistas em anexo, os relatórios da Igreja, livros e experiências vividas concluímos que houve preocupação de formar as mulheres, independentemente das dificuldades dos rapazes.

O fato de a Igreja ter criado escolas em todas as estações missionárias, com suas filiais abrangendo determinadas áreas geográficas na região que comportava estruturas físicas para o efeito (administrativa, salas de aulas, residências para alunas/os e responsáveis, capelas e outras dependências), eram indicadores de preocupação com a formação do povo local271.

268Idem, p.200.

269CHIKUEKA, Maria Chela. Op. cit p.200.

270 Os catequistas da Igreja Congregacional eram responsáveis pela fundação de novas comunidades ou

aldeias cristãs e sua manutenção, ensino religioso cris tão, responsável pelas aulas acadêmicas que eram ministradas na capela da comunidade. Por isso a comunidade chamava de escola e não de igreja.

271I.E.C.A – Igreja Evangélica Congregacional em Angola. Plano Estratégico (Qüinqüênio 2003-2007).

Huambo, 2003, p.30.

Aproveitamos para abrir parênteses para dizer que na administração atual da Igreja Congregacional as filiais das missões que eram designadas “Centros”, são chamadas de “pastorados”, as estações missionárias que eram denominadas “Missões”, são chamadas Sínodos Locais, embora algumas das antigas missões já não existam e outras se encontrem em escombros. A administração da Igreja nos Estados são chamados de

Mulheres e homens formados em instituições como essas, uma vez colocados para trabalhar, eram como o fermento na massa que faz levedar (Mt 13.33; Lc 14.20-21) toda a massa para o crescimento 272. Além das capacidades e conhecimentos invejáveis, a postura das/os alunas/os era digna de imitação. Segundo o comentário encontrado no documento do CICA, ex-Conselho Angolano de Igrejas Evangélicas, na evangelização dos povos africanos a preocupação estava na transformação das mentes e de seus usos e costumes, com ênfase na conversão seguida de alfabetização, batismo, educação cristã e civilização. Em Angola era sabido que quando se via um negro trajado a europeu, com formação considerável, não se tinha dúvida que era protestante273. No caso da Igreja Congregacional em Angola, o processo era realizado nas missões e se efetuava com intensidade na Escola Means e Instituto Currie do Dôndi, no Kaciungo, ex Bela-Vista274.

De certa forma, as mudanças que se operavam nos/as ex-alunos/as servia de motivação e incentivo de muitas famílias nas comunidades, na criação de condições para enviarem suas/seus filhas/os para a continuação dos estudos na Missão, depois das primeiras bases no Centro. A metodologia da disciplina adotada pelos missionários para os membros e alunas/os era rigorosa. No caso de transgressão de um mandamento ou regulamento de internato era expulso, o que era uma grande tristeza para toda a família. Na Missão, havia casas separadas para as moças e rapazes, em regime de internato, aliás, era o sistema que se praticava devido as distâncias da proveniência das alunas e alunos. Os professores, funcionários e missionários viviam em residências da Missão construídas para essa finalidade.

Dôndi é um lugar que os remanescentes, ex-alunos, trabalhadores, professores e freqüentadores, lembram com saudades. Lembram com saudades o impacto que a Igreja Congregacional criou com o desenvolvimento de programas que convenceram, persuadiram os povos angolanos a se formarem e a terem uma vida nova. O antigo Dôndi deixou lembranças, era uma instituição de impacto social de relevância na sociedade angolana. Uanhenga Xitu –Agostinho Mendes de Carvalho, comentando sobre esta instituição, assevera:

Sínodos Provinciais. Existem estados com mais de um Sínodo, como é o caso do Estado do Huambo, área desta pesquisa.

272Departamento das Mulheres. Memorando das Etapas das Escolas Doméstica ontem. Huambo, IECA,

2003, p.1.

273 Conselho Angolano de Igrejas Evangélicas. CETECA: A serviço das Igrejas. Lobito República de Angola,

Centro de Estudos de Teologia e Cultura, 1983, p.17.

Dôndi (...) uma instituição religiosa de grande reconhecimento por aquilo que fez pela educação e designação do homem negro de Angola, sobretudo no centro sul do País, não falando da assistência médica sanitária que prestava sem exceção de credo religioso de classe social, inclusive as autoridades administrativas e suas famílias e a todo mundo que para ali recorria vindos de todos os pontos de Angola. Boa equipe médica e especializada estrangeira, além de muitos quadros angolanos auxiliares e superiores, competentes do ramo de enfermagem, parteiras, obstetrícia, técnico de laboratórios e raio X etc. Era uma obra de caridade de grande vulto em todos os aspetos humanitários digna de louvor275.

Dizia Uanhenga Xitu que a descrição do Dôndi, do ponto de vista turístico e paisagístico, era difícil. Pois se caracterizava pela presença de pessoas que por ali passavam em visita aos doentes no hospital, doentes em tratamento ambulatorial. Também ia para lá um grande número de pessoas cristãs e não cristãs, de estudantes internos e externos da Missão do Lutamo, da Escola Means, do Instituto Currie, da Escola de Enfermagem, Escola Hei, Hospital, Ocipinduko, Tipografia e bairros. Muitos viajavam para este lugar a fim de constatar a fama que ouviam sobre o Dôndi, onde médicos, enfermeiros, professores e funcionários trabalhavam com dedicação.

Para Uanhenga Xito, o matagal ajudava a levar o som dos hinos e cânticos entoados, transmitindo sensação e sentimento de paz. Em Angola se canta na alegria, na tristeza, no sofrimento e no trabalho. A música faz parte da vida do angolano e do africano em geral e a mesma desempenhou um papel importante na evangelização. No Dôndi as aves e outros seres da reserva florestal, com frondosas árvores de diversos tamanhos envolvidas por trepadeiras, folhas secas caídas, evidenciavam estar em harmonia com seres humanos. Trilhos entrecruzavam-se, ligando o Dôndi com senzalas, aldeias, campos de plantações e municípios276. Diz Uanhenga Xitu a concepção a respeito da morte como passagem transitória:

É o encanto! Mas, morre-se? Sim. Passagem transitória para o além dessa vida. Chorar-se? Sim. Jesus chorou. Versículo mais curto da Bíblia. É assim o Dôndi. Tudo tem uma resposta que explica, que diminui a dor, a tristeza, o choro, o sofrimento277.

A geração remanescente lembra das estruturas físicas que cada estação missionária possuía: residências dos missionários, professores, alunas/os, as respectivas escolas

275XITO, UANHENGA – Agostinho A. Mendes de Carvalho. Mungo: Os sobreviventes da máquina colonial

depõem... Luanda, Editorial Nzila, Colecção Letras Angolanas–5, 2002, p.113.

276 XITU, UANHENGA – Agostinho A. Mendes de Carvalho. Cultos especiais. Luanda, Ponto Um

/Intergráfica, 1997, p.114.

acadêmicas, capelas confortáveis, estruturas administrativas, hospitais que faziam parte da dinâmica da Igreja no seu todo. Nesta instituição, foram formadas e saíram pessoas que contribuíram e continuam a contribuir com seu talento e saber em variadas áreas de conhecimento: educação, nutrição, ciências domésticas, saúde, teologia, ciências sociais, música, artes, comunicação e engenharia278.

Dôndi foi a sede geral da Igreja Congregacional até 1975, e parecia representar a Jerusalém dos Congregacionais de Angola. Dôndi ministrava a formação acadêmica a partir do ensino de base até o ensino médio, formação técnica em pedagogia e de enfermagem, assim como a formação de parteiras e técnicos agropecuários. A formação acadêmica técnica e profissional da Igreja Congregacional se concentrava nesta estação missionária do Dôndi. Foi o centro de formação intelectual, assistência médica e sede nacional da Igreja Congregacional até 1977.

Além do Dôndi, entre os protestantes, havia outra instituição muito importante, pertencente à Igreja Metodista, a Missão Késua279. Uanhenga Xitu diz que Késua tinha um ambiente de convivência cristã em todos os seus aspetos. A sensação que se tinha é que se cantava, se falava, se conversava, se discutia à base de uma vivência da fé em Deus. Acrescenta dizendo que a primeira impressão que se tinha era que o pensar dos moradores e o cantar ou piar dos pássaros representavam canções da Igreja. O latir dos cães era um aviso de Deus ou do diabo, o cacarejar das galinhas era sinal de Deus, o berrar dos cabritos também. Ainda comenta que o comportamento dos homens e mulheres, a juventude em si, tanto rapazes como meninas, estavam em harmonia e voltados para os ensinamentos da Igreja280.

Para Uanhenga Xitu, se por um lado sentia-se a felicidade de seus habitantes, por outro, também podia se pensar na infelicidade de algumas mulheres, que uma vez postas fora do ambiente da missão apresentavam dificuldades de encarar o que se passava na vida real. Expressavam-se bem em português, liam e escreviam otimamente, dominavam a arte culinária, uma série de artes, mas não estavam capacitadas para enfrentar o verdadeiro quadro que se lhes apontava, que era da opressão colonial, que exigia desdobramentos com níveis de conhecimentos mais elevados que eram difíceis de serem atingidos281.

278XITO, UANHENGA - Agostinho A. Op. cit p.113.

279 Késua, foi uma Missão cristã protestante da Igreja Metodista Unida de Angola. Era um dos maiores

centros de ensino primário, secundário, religioso do País.

280XITU UANHENGA – Agostinho A. Mendes de Carvalho. Op., cit., p.35. 281HENDERSON, Lawrence W. Op., cit, p.35.

2.4.3– A formação na Escola Means

A Escola Means foi uma instituição religiosa para a formação das moças, criada em 1916 no perímetro do Dôndi, após o rio Cutato. O nome Means era em homenagem ao primeiro Secretário da Junta Missionária, o Dr. John Means, pessoa que teve a iniciativa para a criação do trabalho missionário, em Angola. Esta Escola foi criada dois anos após a

Benzer Belgeler