3. SÖZLÜ KÜLTÜR VE H KÂYE ANLATICILI I
3.2 Deneyimin Sözle Aktar : Hikâye Anlat
A problemática destarte abordada remonta à importância de se analisar a eficácia do princípio jurídico-filosófico da Isonomia no contexto social brasileiro, o qual se constituiu enquanto pilar do Estado democrático de Direito e, consequentemente, enquanto critério
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BARTKY, Sandra. Fortalecimento da Secretaria Especial de Política para Mulheres, p. 5. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BAFFE3B012BCB0932095E3A/integra_publ_lourdes_bandeira.p df>. Acesso em: 06/06/2015.
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BARTKY, Sandra. Fortalecimento da Secretaria Especial de Política para Mulheres, p. 43. Disponível em:
<http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BAFFE3B012BCB0932095E3A/integra_publ_lourdes_bandeira.p df>. Acesso em: 06/06/2015.
indispensável para a consagração dos ideais de Justiça. O aludido princípio retrata a necessidade ontológica das organizações humanas em conferir tratamento igualitário a todos os indivíduos, tendo em vista que o princípio da desigualdade – o qual encontrara guarida no axioma de Aristóteles, segundo o qual “há homens que nasceram para serem escravos, e outros, para senhores” 73
– sempre fora rechaçado por escolas políticas e filosóficas que
procuravam tornar reconhecida a relevância da igualdade “substantiva e moral, como critério de tratamento das pessoas” 74
.
Segundo o entendimento de Flávia Piovesan75
, a temática em comento perpassa por estágios no que tange à concepção da isonomia, senão vejamos:
Destacam-se, assim, três vertentes no que tange à concepção da igualdade: a) a
igualdade formal, reduzida à fórmula “todos são iguais perante a lei” (que, ao seu
tempo, foi crucial para abolição de privilégios); b) a igualdade material, correspondente ao ideal de justiça social e distributiva (igualdade orientada pelo critério socioeconômico); e c) a igualdade material, correspondente ao ideal de justiça enquanto reconhecimento de identidades (igualdade orientada pelos critérios de gênero, orientação sexual, idade, raça, etnia e demais critérios).
A partir das revoluções francesa e americana, as quais ocorreram durante o século XVIII, o conceito de igualdade perante a lei foi sedimentado segundo uma construção jurídico-formal, no sentido de conferir isonomia à aplicação da lei (genérica e abstrata) que regula casos concretos distintos, a fim de rechaçar distinções de qualquer natureza no que tange à aplicabilidade da norma, bem como de tornar neutra a sua incidência em relação aos conflitos interindividuais e às situações jurídicas concretas. Nesse sentido, a concepção formal da igualdade jurídica estabeleceu-se enquanto ideia principal do Constitucionalismo que emergiu no século XIX e que permaneceu se desenvolvendo no século XX76, segundo os moldes do Estado liberal adotados pela sociedade liberal-capitalista ocidental.
Desta feita, o princípio da isonomia perante a lei, segundo a concepção jurídico- formal, foi considerado, durante muito tempo, garantia de efetivação da liberdade. Outrossim, segundo a óptica liberal, para que à igualdade jurídica fosse conferida eficácia, bastaria a sua
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ARISTÓTELES. Política, p. 16. Disponível em: http://baixar- download.jegueajato.com/Aristoteles/A%20Politica%20(170)/A%20Politica%20-%20Aristoteles.pdf. Acesso em: 20/05/2015.
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MIRANDA, Jorge. Princípio da Igualdade, Enciclopédia Pólis, 3, Verbo, p. 402, apud GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como instrumento de
transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 1.
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PIOVESAN, Flávia. Ações Afirmativas no Brasil: Desafios e Perspectivas. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, 16(3): 887-896, Setembro-Dezembro/2008, p. 888. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2008000300010&script=sci_arttext >. Acesso em: 20/04/2015.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
inclusão no rol dos direitos fundamentais, a fim de tornar-se, efetivamente, assegurada no sistema constitucional77. Nesse sentido, o Estado liberal, mediante uma postura abstencionista, preconizava que a mera inserção de princípios e regras “asseguradoras de uma igualdade formal perante a lei de todos os grupos étnicos componentes da Nação” 78
garantiria a efetiva igualdade de todos os seus componentes, independentemente de raça, credo, gênero ou origem nacional, alcançando, assim, os preceitos ideais para a concretização do bem-estar individual e coletivo.
Apesar dos esforços empregados pela cartilha liberal oitocentista, a experiência constatou, entretanto, que a igualdade, no que tange à sua eficácia, não conseguiu transpor o âmbito da mera ficção jurídica79. Com o intuito de ilustrar essa realidade, Carmen Lúcia Antunes Rocha aduz que o princípio da isonomia encontra-se formalizado, enquanto direito fundamental, em todas as Constituições existentes nos sistemas constitucionais positivados e em vigor no mundo, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial. Em relação à extensão da sua eficácia, contudo, ela salienta que a iniciativa dos Estados Democráticos, durante a década de sessenta e a última década do século XX, restou frustrada no que tange à promoção da igualdade jurídica e à superação dos preconceitos oriundos de comportamentos de Estados e de particulares que propagam a desigualdade80.
Conforme aduz a autora81:
Os negros, os pobres, os marginalizados pela raça, pelo sexo, por opção religiosa, por condições econômicas inferiores, por deficiências físicas ou psíquicas, por idade etc., continuam em estado de desalento jurídico em grande parte no mundo. Inobstante a garantia constitucional da dignidade humana igual para todos, da liberdade igual para todos, não são poucos os homens e mulheres que continuam sem ter acesso às iguais oportunidades mínimas de trabalho, de participação política, de cidadania criativa e comprometida, deixados que são à margem da convivência social, da experiência democrática na sociedade política. Do salário à Internet, o mundo ocidental continua sendo o espaço do homem médio branco.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 3.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 36.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 3.
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ROCHA, Carmen Lúcia Antunes. O princípio da igualdade e a ação afirmativa no Direito Constitucional -
- A ação afirmativa na Constituição da República de 1988 e na legislação infraconstitucional. Revista de
informação legislativa, v. 33, n. 131, p. 283-295, jul./set. 1996 | Revista Trimestral de Direito Público, n. 15, p. 85-99, 1996 | Gênesis : Revista de Direito Administrativo Aplicado, v. 3, n. 10, p. 649-664, jul./set. 1996. P. 284. Disponível em: <http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/176462> Acesso em 12.03.2015.
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ROCHA, Carmen Lúcia Antunes. O princípio da igualdade e a ação afirmativa no Direito Constitucional -
- A ação afirmativa na Constituição da República de 1988 e na legislação infraconstitucional. Revista de
informação legislativa, v. 33, n. 131, p. 283-295, jul./set. 1996 | Revista Trimestral de Direito Público, n. 15, p. 85-99, 1996 | Gênesis : Revista de Direito Administrativo Aplicado, v. 3, n. 10, p. 649-664, jul./set. 1996. P. 284. Disponível em: <http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/176462> Acesso em 12.03.2015.
Nesse sentido, a concepção de uma igualdade, puramente, formal – despojada de instrumentos que viabilizem a promoção da igualdade jurídica substancial ou material – não é se convolou em preceito suficiente para equiparar as oportunidades disponibilizadas aos socialmente desfavorecidos e aos indivíduos socialmente privilegiados82. Desta feita, com o intuito de proporcionar igualdade de oportunidades e de resultados entre essas categorias sociais, reconheceu-se a importância de se esboçar políticas públicas que contemplem as prerrogativas da igualdade material ou substancial, no sentido de conferir às situações desiguais o devido tratamento que contemple as dessemelhanças, a fim de evitar a propagação das desigualdades engendradas pela sociedade e de consequentes conjunturas antidemocráticas83.
Enquanto corolário do Estado Social de Direito, a concepção de igualdade substancial ou material emerge com o escopo de impedir que o dogma liberal da igualdade formal inviabilize a defesa e a proteção dos direitos dos indivíduos socialmente fragilizados e desfavorecidos, no sentido de lhes proporcionar igualdade de oportunidades e de extirpar ou mitigar os efeitos das desigualdades econômicas e sociais84. Nesse sentido, trazem-se à baila
relevantes deliberações concernentes às políticas sociais denominadas “ações afirmativas”, ou “discriminações positivas”, as quais surgem com o intuito de conferir eficácia à igualdade
substancial ou material.
Concebidas, pioneiramente, nos Estados Unidos, as ações afirmativas consistem em procedimentos obrigatórios e voluntários, elaborados com o objetivo de combater ou erradicar discriminações, bem como de extirpar ou de amenizar os efeitos das práticas discriminatórias perpetradas pela sociedade85.
Segundo o entendimento de Madruga Pessoa da Silva86:
[...] pode-se conceituar a discriminação positiva como políticas, de caráter temporário ou definitivo, concebidas tanto pelo poder público como pela iniciativa privada, de forma compulsória ou voluntária, direcionadas para uma determinada parcela da população excluída socialmente, em função de sua raça, cor, gênero, compleição física ou mental, idade, etnia, opção sexual, religião ou condição econômico-social, as quais objetivam corrigir ou, ao menos, minimizar as distorções
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 3.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA. Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 3.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 3.
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SILVA, Sidney Pessoa Madruga da. Discriminação Positiva: Ações Afirmativas na Realidade Brasileira. Brasília: Brasília Jurídica, 2005, p. 57.
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SILVA, Sidney Pessoa Madruga da. Discriminação Positiva: Ações Afirmativas na Realidade Brasileira. Brasília: Brasília Jurídica, 2005, p. 57.
ocorridas no passado e propiciar a igualdade de tratamento e de oportunidades no presente, em especial as relacionadas às áreas da educação, da saúde e do emprego. Outrossim, as ações afirmativas são medidas que conferem eficácia aos objetivos fundamentais elencados no art. 3º da Constituição Federal brasileira de 1988, tendo em vista a sua atuação transformadora no que tange ao quadro social e político retratado pelo constituinte, no momento da elaboração do texto constitucional87. O artigo em comento e seus incisos elencam, enquanto objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, os seguintes propósitos: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação88.
Referem-se as ações afirmativas, assim, às políticas públicas e privadas direcionadas à efetivação do princípio constitucional da isonomia material e à erradicação das consequências oriundas da discriminação racial, de idade, de origem nacional, de gênero etc.89
Acerca da temática em comento, aduz Joaquim B. Barbosa Gomes90:
De cunho pedagógico e não, raramente, impregnadas de um caráter de exemplaridade, [as ações afirmativas] têm, como meta, também, o engendramento de transformações sociais relevantes, inculcando, nos atores sociais, a utilidade e a necessidade da observância dos princípios do pluralismo e da diversidade nas mais diversas esferas do convívio humano. Constituem, por assim dizer, a mais eloquente manifestação da moderna ideia de Estado promovente, atuante, eis que de sua concepção, implantação e delimitação jurídica participam todos os órgãos estatais essenciais, aí incluindo-se o Poder Judiciário, que ora se apresenta no seu tradicional papel de guardião da integridade do sistema jurídico como um todo, ora como instituição formuladora de políticas tendentes a corrigir as distorções provocadas pela discriminação.
Com base no exposto, reitera-se o entendimento de que, as ações afirmativas são consideradas inovadores instrumentos constitucionais, concebidas com o intuito de promover a igualdade e de combater as diversas modalidades de discriminação91. Tendo em vista que esta, por sua vez, confere ao relacionamento estabelecido entre indivíduos uma roupagem
87LOPES, Ana Maria D’Ávila. NÓBREGA, Luciana Nogueira. As Ações Afirmativas adotadas no Brasil e no
Direito Comparado para fomentar a Participação Política das Mulheres. Disponível em:
http://www.periodicos.ufc.br/index.php/nomos/article/view/394. Acesso em: 23.04.2015
88
SILVA, Sidney Pessoa Madruga da. Discriminação Positiva: Ações Afirmativas na Realidade Brasileira. Brasília: Brasília Jurídica, 2005, p. 119.
89
GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 6.
90
GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
instrumento de transformação social. A experiência dos EUA). Rio de Janeiro: Renovar, 2001, p. 7.
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GOMES, Joaquim B. Barbosa. Ação Afirmativa e Princípio Constitucional da Igualdade: (o Direito como
competitiva, as ações afirmativas emergem com o intuito de conferir eficácia, inclusive, ao art. 5º da Constituição brasileira de 1988, no sentido de mitigar os efeitos da desigualdade.
Segundo o referido dispositivo constitucional:
Art; 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos seguintes termos:
I – homens e mulheres são iguais em direitos e em obrigações, nos termos desta Constituição.
No que tange à análise da disposição constitucional transcrita, infere-se que a igualdade material é exigida e almejada, enquanto escopo, pela Constituição Federal brasileira de 1988, a qual atribui ao Estado um comportamento comissivo na efetivação dos direitos fundamentais. Em outras palavras, a aludida igualdade foi prevista pelo constituinte originário brasileiro, de modo a reconhecer e viabilizar, caso necessário, o tratamento diferenciado entre indivíduos – nas situações em que reste constatada a desigualdade – com o objetivo de conferir eficácia aos objetivos elencados no art. 3º, III e IV, e aos preceitos do art. 5º, caput e inciso I, da aludida Constituição.
No âmbito jurisdicional, a igualdade material concernente aos direitos das mulheres em relação aos dos homens tornou-se um dos principais escopos para fins de efetivação dos preceitos do Estado Democrático de Direito brasileiro. A título de ilustração, seguem ementas que exemplificam a iniciativa da jurisprudência brasileira em corroborar ações afirmativas desse jaez:
NORMA DE PROTEÇÃO À MULHER. ARTIGO 384, DA CLT.