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1. BÖLÜM:

3.1. DENEY

A década de 1920, tanto na questão política quanto econômica, foi caótica. As revoltas militares que se espalharam com frequência pelos quartéis em todo o Brasil deixaram um clima de agitação no ar. O sistema oligárquico entrava em agonia com as dissidências dentro do próprio conjunto. A falta de consenso entre o candidato a ser escolhido pelas oligarquias levou a cisão entre o tradicional pacto entre São Paulo e Minas Gerais, empurrando os mineiros para uma aliança com os gaúchos e paraibanos, isolando São Paulo e seu candidato Julio Prestes.

Economicamente, o país vivia uma crise generalizada por conta da constante desvalorização do café, que ocorria, pelo menos, desde o inicio do século. Fausto indica que em 1928 o Brasil era o país da América Latina que possuía a maior divida externa, perfazendo aproximadamente 44% do total, consumindo algo em torno de 22% da receita brasileira de exportação.110 Essa dívida derivava principalmente de empréstimos feitos de norte-americanos e de ingleses para o financiamento do café e a manutenção da economia interna. A própria política de valorização do café, que assegurou a rentabilidade do setor cafeeiro no período de 1906-1924, deixou a política cambial em frangalhos, desvalorizando cada vez mais a moeda nacional frente à libra.

Como consequência, o país não possuía uma base industrial capaz de se opor à política econômica cafeeira. A industrialização, nesse período, nunca “obedeceu a um desenvolvimento contínuo e regular”.111 Se, de um lado, a

desvalorização cambial permitia a substituição das importações, dado seu encarecimento, por outro dificultava a entrada de bens de produção indispensáveis à formação de uma indústria de base.

Socialmente, a primeira república assistia aos movimentos de trabalhadores que ganharam terreno, não só nas cidades, como também no campo. Para Fausto, esses movimentos podem ser divididos em três grandes grupos: movimentos que combinam conteúdo religioso e carência social, como o exemplo de Canudos (1897- 1898); movimentos que combinam religiosidade e reivindicação social, como o

110 FAUSTO, História Concisa... p. 165.

111 FAUSTO, Boris. A Revolução de 30. In: MOTA, Carlos Guilherme (org.). Brasil em Perspectiva.

Contestado e os que expressam conteúdo apenas social.112 Neste caso,

enquadram-se os movimentos da classe trabalhadora que, não obstante, foram limitados e com pouco êxito. Cabe, no entanto, assinalar o conturbado período de greves entre 1917 e 1920, influenciados sobretudo pela carestia, em consequência da Grande Guerra e da Revolução na Rússia.

Além disso, é durante a Primeira República que ocorre o grande fluxo de mão de obra imigrante para os grandes centros urbanos: cerca de 3,8 milhões de imigrantes de diversas etnias entraram no Brasil no período de 1887-1930.113 Em meio a tudo isso, encontrava-se a política oligárquica do “Café com Leite”, a favor da qual a elite política, principalmente dos estados de Minas Gerais e de São Paulo, alternava-se no poder. Além disso, os estados possuíam fortes grupos políticos majoritários, denominados muitas vezes de “Coronéis”, além do controle político das polícias militares, verdadeiros Exércitos dentro dos estados. E é logo ali, no setor político, que estaria o principal fator desencadeador da Revolução de 1930.114

As raízes do movimento revolucionário podem ser associadas, portanto, a uma série de fatores, entre os quais a política de sucessão presidencial conhecida como Política dos Governadores. A eleição que colocou o presidente Washington

112 FAUSTO, História Concisa... p. 166. 113 Ibid. p. 155.

114 Embora tenhamos utilizado a obra de Fausto para contextualizar historicamente o período aqui

abordado, é importante assinalar que existem diversas interpretações para a Revolução de 1930 e suas causas. Para muitos historiadores, a visão de que o movimento teve como causas precípuas a questão da economia agroexportadora, do Tenentismo e dos conflitos intraoligárquicos é uma visão tradicional, construída pelos próprios agentes do processo, isto é, construída pelos vencedores da Revolução imediatamente após sua vitória. Esta construção nulificou a participação de outros movimentos, como o movimento operário, através do Bloco Operário Camponês (BOC), a partir de 1928. Nesse período, o BOC fez uma aliança com a pequena burguesia a fim de consolidar sua participação no debate político. O BOC, como representante do PCB, uniu-se às oposições contra as oligarquias. Os tenentes revolucionários e o Partido Democrático paulista (dissidência do Partido Republicado Paulista) uniram-se ao BOC para criar uma frente de luta revolucionária. Foi a CIESP, em aliança com o PRP, que criou paulatinamente a ideia de “perigo comunista”, principalmente após os avanços das leis trabalhistas em 1928 (a Lei de Férias e o Código de Menores) e a maior participação do BOC no debate político. Os constantes entraves entre os movimentos levaram o BOC a decretar uma greve de mais de 70 dias no estado de São Paulo em 1929, levando o movimento para a arena do debate revolucionário, ao invés do político. Com esta manobra, o movimento da pequena burguesia retira seu apoio ao BOC varrendo o movimento, definitivamente, da arena do debate político. Estas ideias são defendidas por DE DECCA, Edgar. : O Silencio dos Vencidos. Editora Brasiliense: São Paulo, 1997. e TRONCA, Ítalo. Revolução de 1903 - a Dominação Oculta. Editora Brasiliense: São Paulo, 1985. Por outro lado, Joseph Love acentua a participação da política regional gaúcha e o apelo ideológico do positivismo como importantes causas do movimento revolucionário. A união dos grupos políticos do Rio Grande do Sul (Vargas conseguiu unir as oposições a partir de 1928, quando era presidente do estado), aliada a elementos do Exército e ao grupo revolucionário dos tenentes, possibilitou o encerramento da república oligárquica. As condições políticas e econômicas únicas do RS possibilitaram que o movimento e suas principais lideranças partissem deste estado. LOVE, Joseph. O regionalismo gaúcho e as origens da revolução de 1930. São Paulo: Perspectiva, 1975.

Luís (1926-1930) no poder foi comandada pelo grupo político de São Paulo, que não enfrentou oposição e obteve o apoio de Minas. No entanto, a campanha pela sucessão de Washington Luís trouxe desavenças entre os estados alinhados politicamente, sobretudo São Paulo e Minas Gerais. O desentendimento teve início quando Washington apoiou a candidatura de um paulista, Júlio Prestes, então presidente do estado de São Paulo. Sua candidatura fora lançada, empurrando mineiros e gaúchos para um acordo, pois as elites políticas de Minas não estavam satisfeitas com o candidato.

Durante o ano de 1929, os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba lançaram a candidatura de Getúlio Vargas à presidência e João Pessoa como vice, não sem enfrentar séria oposição da elite política paulista. Foi fundada a Aliança Liberal, em nome da qual seria feita a campanha presidencial de Getúlio. A Aliança Liberal reúne os estados cujos interesses não estavam ligados à produção de café.

Em outubro de 1929, em plena campanha eleitoral, explode a grande crise mundial, colocando a cafeicultura em posição delicada. O café estava sofrendo um processo de desvalorização desde o início do século XX. Apesar disso, seu preço permaneceu estável e seu negócio lucrativo, graças ao apoio do governo central aos cafeicultores. Até 1924, o Estado intervinha diretamente, comprando uma parte da produção e vendendo-a em momento propício. Depois deste ano, a intervenção passou a ser menos direta, pois dependia da atuação do Instituto do Café. Essa política propiciou a alta rentabilidade do café no período de 1906-1930. A crise alterou este cenário profundamente. Como o Estado garantia os lucros, muitos fazendeiros tiraram empréstimos em bancos internacionais a juros altos para financiar o lucrativo café.115 Isto tornou a elite cafeeira extremamente vulnerável a

crises internacionais.

O fato é que o resultado eleitoral de 1930 garantiu a vitória do candidato da situação, Júlio Prestes. Descontente com o resultado, a jovem oposição buscou o apoio com as lideranças Tenentistas, pois “embora derrotados, continuavam sendo uma força importante por sua experiência militar e prestígio”.116 De acordo com McCann, os tenentes mostraram-se relutantes à ideia de associarem-se a

115 FAUSTO, A Revolução de 30... p. 230.

116 FERREIRA, Marieta de Moraes. PINTO, Sumara Conde de Sá. A crise dos anos 1920 e a

Revolução de 1930. In: FERREIRA, Jorge, DELGADO, Lucília de Almeida Neves (org.). O Brasil Republicano. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 404.

conspiradores civis. Dada a pressão, o grupo preferiu a aliança ao isolamento. Ao buscar a aliança com os tenentes, os conspiradores civis “queriam absorver a heróica e extraordinária aura Tenentista”.117 Também como forma de persuasão, os projetos Tenentistas de reformas foram adicionados ao programa de governo da Aliança Liberal. O Exército, mais uma vez, tornava-se político.

Em julho de 1930 ocorre um incidente que daria força ao movimento revolucionário: é o assassinato, no Recife, do candidato a vice de Getúlio Vargas, João Pessoa. Ele foi transformado em mártir da revolução, vítima dos interesses das elites oligárquicas, embora a causa do crime tenha sido por motivos pessoais. Daí em diante, não demorou para que, em 3 de outubro, a Revolução estourasse no Rio Grande do Sul e se espalhasse, rapidamente, para todo o país, com o apoio parcial das Forças Armadas.

Quando a revolução estourou no Rio Grande do Sul, em apenas 48 horas as tropas chefiadas pelo tenente-coronel Pedro Aurélio de Góes Monteiro e o advogado Oswaldo Aranha venceram as resistências das tropas que ainda permaneciam leais ao governo do Rio de Janeiro.118 O Exército no Rio Grande do Sul sucumbiu à ação revolucionária: seja pela dispersão das tropas pelo estado, a falha de comunicação, a falta de armas ou o comprometimento de tenentes e sargentos com a revolução. A rapidez dessa vitória deixou clara a desintegração da hierarquia de comando do Exército, além de mostrar que os generais que permaneciam ao lado do governo do Rio de Janeiro perderam o controle do mesmo. Portanto, a Revolução de 30 é a culminância “das rebeliões e conspirações da década de 1920, as quais solaparam de tal modo o Exército, que sua estrutura de comando em vez de defender a República Velha, ruiu”. 119

Figura ímpar do processo, Góes Monteiro, assim como outros militares, parece ter percebido que apenas a ruptura com o atual regime poderia criar condições para a melhoria não só do Exército, mas de todo o país. Mesmo que durante o período de 1927-1930 não houvesse movimentos declarados dentro da Instituição, a crítica ao atual governo e a condição do país se fazia notar através da imprensa: a crítica ao governo era constante. Além disso, como assinala McCann, o próprio Góes Monteiro advertia em seus relatórios aos superiores que a alternativa

117 Ibid., p. 364.

118MCCANN, Frank D. Soldados da Pátria. A História do Exército Brasileiro 1889-1937. Rio de

Janeiro: Cia das Letras, 2007. p. 335.

para as mudanças seria a “reconstrução nacional” ou a revolução.120 Após o estouro

da Revolução no sul e sua consequente dispersão pelo país, houve um impasse militar entre a alta oficialidade, lembrando que nem as guarnições do Rio de Janeiro nem as de São Paulo haviam aderido à revolução. Formou-se uma junta pacificadora formada somente por militares, a fim de resolver o conflito de forma pacifica. Existiam três opções, segundo Carvalho: a resistência armada, a adesão aos revoltosos ou a tentativa de mediação. Bertholdo Klinger, Coronel e chefe do Estado-Maior das forças pacificadoras preferia a terceira opção. Entretanto, os membros da junta, Generais Mena Barreto e Tasso Fragoso, além do contra Almirante Isaías de Noronha, resolveram “sob influência [de Fragoso] adotar posição diversa à de Klinger e passar o governo ao chefe das forças revoltosas”, isto é, Getúlio Vargas.121 Depondo Washington Luís em 24 de outubro de 1930, em 3 de novembro o comando político passou a Getúlio Vargas.

Após a instalação do Governo Provisório, Vargas dissolvu o Congresso Nacional, demitiu todos os governadores estaduais de seus cargos, com exceção do governador eleito de Minas Gerais, Olegário Maciel, substituindo as lideranças regionais por interventorias federais. Limitava também a atuação dos estados, que não mais poderiam contrair empréstimos externos. Enfim, tentava-se reforçar o poder central. Esta seria uma constante luta, que encontraria seu ápice com o início do Estado Novo, em 1937.

Para Nelson Werneck Sodré, a Revolução de 30 foi uma etapa da revolução burguesa no Brasil, que permitiu à burguesia apoderar-se do Estado, até então na mão da elite oligárquica. A análise, sob o ponto de vista marxista de Sodré, deixa claro o papel enfrentado pelo movimento Tenentista, de apoio ao processo e sua consequente extinção após 1930.122 Em contrapartida, Fausto refuta esta

interpretação ao afirmar que a revolução não foi feita pela classe média ou a burguesia industrial. Ela foi fruto de um grupo heterogêneo, tanto do ponto de vista político quanto social. Este grupo se unia em torno de um objetivo comum: a substituição das velhas oligarquias com a reformulação do sistema político.123

120 MCCANN, op. cit., p. 360. 121 CARVALHO, op. cit., p. 51.

122 SODRÉ, Nelson Werneck. A História Militar do Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização

Brasileira, 1979. p. 251.

Portanto, a partir de 1930 um novo Estado surgiu, distinguindo-se do Estado oligárquico pela introdução de outros elementos: a atuação econômica voltada para a industrialização; a atuação social representada pela criação de leis trabalhistas, vinculando os trabalhadores a uma aliança com o poder estatal e o papel atribuído às Forças Armadas como suporte da criação de uma indústria de base e como garantia de ordem interna.124 Para McCann, a Revolução pôs os holofotes sobre o Exército que, de acordo com os revolucionários, deveria ser eliminado ou neutralizado por não estar totalmente alinhado quando o processo revolucionário estourou. 125 Já nos primeiros meses do governo haveria o expurgo de muitos militares da alta oficialidade, além da formação de um novo grupo de líderes, baseado na fidelidade de certos militares às causas da Revolução. O processo de reestruturação hierárquica do Exército só seria completado anos mais tarde, às vésperas do Estado Novo, quando a Instituição, renovada, eliminou os processos revolucionários internos e adquiriu uma forma mais coesa no meio político.

124 Ibid., p. 182.

2. A REVISTA A DEFESA NACIONAL E O EXÉRCITO BRASILEIRO (1913-1930)

Por algum ponto é preciso iniciar a organização da Nação e esse há de ser o Exército, porque de todos os departamentos dessa organização do conjunto, é ele que interessa vitalmente a todos os cidadãos.

A Defesa Nacional, no. 35, 1916.

A deficiência de nosso aparelhamento militar exaltou-se ao primeiro momento da necessidade de seu emprego. A despeito do ardente desejo pelo seu engrandecimento, por parte de grande numero de oficiais, o exército é, em quase tudo, o mesmo ou pior que o de vinte e cinco anos atrás. Apesar das alterações consecutivas de seus uniformes, das mudanças de nomes das repartições e das permutações de aquartelamentos (...) o exército é o mesmo de outrora.

Dermeval Peixoto, A Campanha do Contestado, 1916.

Tem se dito à sociedade que o Exército deve inspirar à Nação confiança e orgulho.

A Defesa Nacional, Editorial, Dezembro de 1934.

As três citações acima são emblemáticas porque registram anseios e aspirações dos militares a partir da segunda década do século XX. Elas poderiam ser genericamente dispostas em categorias como “Militares e a Nação”, “Militares e Política”, “Papel Militar na Sociedade” ou “Organização/Modernização do Exército”, por exemplo. Assim como estas citações, milhares de outras poderiam abrir este capítulo contemplando a mesma categorização hipotética proposta por nós, acima. O cerne da discussão das primeiras décadas do século XX no âmbito militar será justamente esta: a relação entre Militares e a Nação brasileira e a necessidade de

organização e modernização do Exército. Logo, este capítulo tem como objetivo discutir e analisar o nascimento da revista A Defesa Nacional e o papel dos chamados Jovens Turcos neste período da história brasileira (1913-1930). Tem como objetivo, também, apresentar as ideias principais deste grupo de militares e mostrar ao longo deste trabalho como, com o passar dos anos, muitas dessas ideias continuaram na pauta de discussão dos militares, principalmente daqueles ligados à edição de A Defesa Nacional nos anos subsequentes ao trabalho iniciado pelos

Jovens Turcos.

A primeira citação é bastante sugestiva e não foi escolhida por acaso: ela revela a questão nevrálgica do pensamento dos Jovens Turcos que será explicitado nas páginas de A Defesa Nacional a partir de outubro de 1913 e que continuarão a ser propagadas - ora com maior eloquência, ora em discursos menos inflamados – em relação ao papel desempenhado pela instituição militar na formação e na construção da Nação brasileira. Esse discurso foi a marca registrada desses jovens militares que acreditavam na regeneração do Brasil através de um projeto de cunho militarista, que pretendia incutir nos cidadãos brasileiros o amor à pátria, os valores nacionais e a consciência do papel do soldado-cidadão dentro de uma sociedade voltada para os princípios da defesa nacional.

A segunda citação nos remete à segunda bandeira propagada pelos Jovens

Turcos e rapidamente assimilada pela oficialidade militar: a necessidade da

organização e modernização do Exército brasileiro, a fim de atender às demandas da defesa nacional e do próprio Exército, como partícipe da construção da Nação. Ela foi escrita pelo então segundo tenente Dermeval Peixoto, que participou das operações militares na região do Contestado entre setembro de 1914 e abril de 1915 e que, a partir de 1916, inicia uma série de publicações sobre sua participação no conflito.126 Peixoto revela, de maneira crua, que o projeto de modernização do Exército posto a cabo através de diversas reformas desde o inicio do século não havia atingido grandes resultados em 1916. Sua crítica é profunda ao afirmar que o Exército é “o mesmo ou pior que o de vinte e cinco anos atrás”, deixando claro que a sua participação no Contestado foi de grande relevância para esta percepção. De fato, o Contestado foi bastante relacionado com outro conflito popular que

126 Esta citação, bem como os dados em relação ao segundo tenente Dermeval Peixoto foram

retiradas da tese de RODRIGUES, Rogério Rosa. Veredas de um sertão: A Guerra do Contestado e a Modernização do Exército Brasileiro. UFRJ, 2008. p. 103.

necessitou de intervenção militar na nascente República brasileira: Canudos. Ambos os movimentos são vistos pela historiografia como momentos de tensão onde fica patente o despreparo do Exército profissional para lidar com forças militarmente

inexperientes, formadas por sertanejos e homens do campo.

A terceira – e ultima citação de abertura deste capítulo – embora tenha sido escrita quase vinte anos depois da primeira e, consequentemente, por um autor diferente, continua a remeter à relação Exército – Nação, que foi tão propagada durante a década de 1910 por um setor bastante forte da instituição militar. Ela revela que as convicções dos militares em relação ao seu papel ainda eram as mesmas, embora advertisse sobre a necessidade de se estabelecer uma relação de confiança entre o povo e o Exército: os militares entendiam que, sendo o ente mais organizado do Estado, suas ações contemplavam sempre o interesse maior da Nação, em detrimento de interesses e ações privadas. Assim, os militares seriam os grandes guardiões da República e da Nação brasileira.127 Após estas considerações iniciais, partimos para os elementos que compõem este capítulo, sintetizados em dois eixos principais: as relações entre Exército e Nação e profissionalismo militar e modernização.

Benzer Belgeler