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Utilizando os dados disponibilizados pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (DETRAN/MG) em 2001, Dutra et al (2001, p. 51) observaram que 50% da frota dos municípios e Belo Horizonte, Contagem e Betim apresentavam ano de fabricação posterior a 1993. Segundo os autores, o surgimento e oferta de veículos leves, de mil cilindradas – conhecidos comumente como carros populares, devido à redução do imposto sobre produtos industrializados – apresentou-se como atrativo ao consumidor, no início de sua comercialização, por apresentar um preço bem menor em relação aos outros tipos (Dutra et

al, 2001, p. 53). Em meados de 2005, segundo dados do DETRAN/MG2, a frota veicular

registrada no município de Belo Horizonte correspondia a 744.557 automóveis, sendo que grande parte dela (93%) correspondia a automóveis do ciclo Otto3 e a parte restante (7%)

2 MINAS GERAIS. Departamento de Trânsito. Informações sobre o ano de fabricação dos automóveis registrados no município de Belo Horizonte, 2005. Base impressa de dados disponibilizada para Fundação Estadual do Meio Ambiente, em 2005.

3 Motores de ignição por faísca, onde a centelha dá início ao processo de combustão. Utilizam como combustível a gasolina, álcool, gás veicular ou uma combinação dos mesmos.

correspondia ao ciclo Diesel4 Em Belo Horizonte, a frota de veículos leves registrados era constituída, principalmente, por automóveis de uso particular, ou seja, a posse desses automóveis pertencia, em grande parte, às pessoas físicas e não às pessoas jurídicas.

Os dados do Censo Demográfico de 2000 apresentam um aumento de 24,8% no número de domicílios em Belo Horizonte, em relação a 1991, que contava, então, com 510.086 domicílios (particulares permanentes, particulares improvisados ou coletivos). Com base nos dados dos Censos Demográficos de 1991 e de 2000, verifica-se que o número de indivíduos com 18 anos ou mais passou de 1.302.341 (64,5% da população) para 1.569.381 (70,1% da população), ou seja, um aumento relativo de 20,5% de pessoas de 18 anos ou mais. Nesse mesmo período, o número de automóveis particulares declarados nos censos demográficos aumentou de 223.798 para 376.7075, correspondendo a um aumento de 68,3%.

A TAB. 1 apresenta as porcentagens de domicílios localizados no município de Belo Horizonte que não possuíam automóveis particulares, ou que possuíam 1, 2, 3 ou mais automóveis em 1991 e 2000. Tanto em 1991, quanto em 2000, a maior parte dos domicílios não possuía automóvel particular, correspondendo a mais de 50%. Dentre os domicílios que possuem automóvel particular, a maior porcentagem corresponde aos domicílios que possuem um único automóvel particular, 74,8% em 1991 e 71,7% em 2000.

Para o município de Belo Horizonte, a freqüência de domicílios que possuem um único automóvel cresce com a idade do chefe do domicílio até o grupo etário de 40 a 44 anos; ao passo que a freqüência de domicílios que possuem dois automóveis, observa-se um aumento até o grupo etário de 45 a 49 anos. Já para os domicílios que possuem três ou mais automóveis, há uma maior freqüência de chefes de domicílio pertencentes ao grupo etário de 55 a 59 anos, conforme pode ser visualizado no GRAF. 1.

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Motores de combustão espontânea que é gerada por compressão do ar, aquecendo-o para injeção do combustível líquido, dando início, assim, ao processo de combustão.

5 Ao truncar em três ou mais automóveis por domicílio, o cálculo corresponde a 371.452 automóveis, que, em relação a 1991, corresponde a um aumento de 66%.

Gráfico 1: Distribuição percentual dos chefes de domicílio por grupo etário, em função das categorias de posse de automóvel, Belo Horizonte, 2000

Nota: total de 100% por número de automóveis no domicílio. Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 2000, IBGE.

Tabela 1: Distribuição percentual dos domicílios em função do número de automóveis particulares, Belo Horizonte, 1991 e 2000

Número de domicílios Porcentagem de domicílios Número de automóveis 1991 2000 1991 2000 Variação Percentual 0 328.898 351.413 65,8 55,9 -15,1% 1 127.995 198.537 25,6 31,6 +23,4% 2 33.707 62.234 6,7 9,9 +47,8% 3 ou mais 9.463 16.149 1,9 2,6 +36,8% Total 500.063 628.333 100 100 ...

Nota: em 1991 e 2000, o número de domicílios para os quais a informação sobre número de automóveis encontrava-se omissa corresponde a 10.023 e 8.181 domicílios, respectivamente.

Fonte dos dados básicos: Censos Demográficos do IBGE, 1991 e 2000.

0 5 10 15 20 25 10-14 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80-84 85-89 90-94 95-99 100+

Grupo etário (anos)

P or ce nt ag em

Tendo como base o Censo Demográfico de 2000, Fioravante (2008) avaliou a associação entre as características do domicílio e a posse de automóvel, para o município de Belo Horizonte, cujos resultados assemelham-se aos obtidos por Pfeiffer & Strambi (2005), para a Região Metropolitana de São Paulo, e Prskawetz, Leiwen & O’Neill (2002), para a Áustria.

A idade do chefe do domicílio apresentou-se associada à posse de automóveis, principalmente, quando se compara domicílio que possui um único automóvel com aquele que não possui. Nesse caso, as razões de chance apresentaram-se bastante significativas desde a idade de 20 anos até a idade de 69 anos (Fioravante, 2008). Se o responsável pelo domicílio fosse do sexo masculino, a chance do domicílio possuir um automóvel corresponde a 2,5 vezes a chance do domicílio cujo responsável é do sexo feminino. Entretanto, se o domicílio já possuísse pelo menos um automóvel, essa razão de chance é menor, reduzindo à medida que o número de automóveis aumenta (Fioravante, 2008).

O tamanho do domicílio e o número de trabalhadores apresentaram uma relação positiva com a posse de automóvel, desde que o domicílio já possuísse, pelo menos, um automóvel; ao passo que, a presença de pessoa menor de 18 anos de idade apresentou relação negativa com a posse de automóveis, desde que o domicílio já possuísse, pelo menos, um automóvel (Fioravante, 2008). O número de estudantes apresentou-se positivamente associada à posse de automóvel, independente do número de automóveis.

No estudo de Pfeiffer & Strambi (2005), a presença de criança na família apresentava uma relação negativa com a posse de mais de um automóvel por família. Em relação à composição do domicílio, Prskawetz, Leiwen & O’Neill (2002) observaram que os domicílios constituídos apenas por adultos têm as taxas mais altas de posse de automóvel em todos os grupos etários.

De forma semelhante ao observado para a Região Metropolitana de São Paulo (Pfeiffer & Strambi, 2005), a renda do domicílio apresentou uma relação positiva e crescente com a posse de automóvel, em Belo Horizonte (Fioravante, 2008).

Em suma, a posse de automóvel, por domicílio de Belo Horizonte, apresentou-se fortemente associada à idade e sexo do chefe do domicílio; ao passo que, para tamanho do domicílio, presença de menor de 18 anos, número de trabalhadores e de estudantes, a

associação foi menos intensa, porém significativas (probabilidade de significância menor que 0,05).

Benzer Belgeler