4. BULGULAR
4.3. Deney ve Kontrol Grubunun Müdahale Öncesi, Müdahaleden Bir Hafta ve Bir Ay
A preparação do PLANAFLORO teve início em 1986 junto com a Nova República no Brasil. A conjuntura de abertura política criou condições mais favoráveis para a discussão sobre alternativas sustentáveis de desenvolvimento em Rondônia. Além disso, esse projeto foi pensado para ser uma continuação do POLONOROESTE, por isso sua concepção refletiu diretamente as conjunturas relacionadas com o Programa anterior.
A “Avaliação de Meio Termo” do POLONOROESTE, divulgada no começo 1985, apontou uma série de desvios e problemas graves em Rondônia e no programa que precisavam ser corrigidos. Quando o prazo para o seu encerramento se aproximou, o governo estadual buscou logo uma alternativa para garantir a continuidade do afluxo de recursos externos que este já vinha recebendo desde o início da década de 1980 e, por essa razão, solicitou o financiamento do Banco Mundial para um segundo projeto, o PLANAFLORO, inicialmente chamado de POLONOROESTE II. Como o projeto antecessor havia trazido uma imagem negativa para o banco, este poderia usar PLANAFLORO como uma estratégia para se redimir dos males causados e, consequentemente, limpar a sua imagem. Todavia, os
62 No início da década, o movimento dos seringueiros já havia perdido os líderes Wilson Pinheiro (1980); Jesus
diretores do banco estavam bem mais receosos e colocaram como pré-condição para qualquer negociação a existência de um forte componente ambiental no novo plano (PLANAFLORO, 1994).
Antes de o projeto ser apresentado ao Banco Mundial, o governo do estado, juntamente com outros órgãos responsáveis pela elaboração – INCRA, FUNAI e Secretaria Especial do Meio Ambiente – solicitaram a assistência técnica da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e ainda consultaram algumas ONGs e lideranças indígenas (TACHINARDI, 1991). O governo procurou tomar as medidas adequadas para conseguir a aprovação do banco e, em pouco tempo, este decidiu mandar as missões para auxiliar na elaboração dos novos projetos63 – o que não implicava uma aprovação automática por parte do banco, tanto que entre a etapa de confecção do projeto até sua aprovação transcorreram cinco anos.
Nesse período, surgiu a proposta de Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE), também chamado de Zoneamento Socioecológico Econômico (ZSEE) ou Zoneamento Agroecológico, que se tornaria a base estratégica para a elaboração do PLANAFLORO – todas as atividades do projeto seriam embasadas nesse plano de zoneamento estadual.
O ZEE consistia em uma política de ordenamento ambiental cujo objetivo era promover a ocupação sustentável das terras rurais. Sua proposta visava “intensificar a agricultura nas áreas já ocupadas por pequenos agricultores e, ao mesmo tempo, definir estratégias alternativas para a conservação e manejo dos recursos naturais em outras áreas do estado” (PLANAFLORO, 1994, p. 8-9). Era um paradigma alternativo que tentava equilibrar as atividades de exploração e preservação ecológica, respeitando os interesses dos indígenas e as potencialidades e limites dos ecossistemas locais (BRASIL, 1988a).
Em 1987, foi elaborada a versão preliminar do plano de zoneamento, sendo oficializada em junho do ano seguinte, através do decreto n. 3782, assinado pelo governador do estado de Rondônia. Nessa primeira aproximação64, com base em suas potencialidades naturais (estrutura fundiária e aspectos socioeconômicos e culturais), o estado foi dividido em seis zonas – ver Anexo B –, cada uma com suas diretrizes de ocupação e objetivos específicos. Dentre eles, estavam: o ordenamento e a recuperação das atividades agrícolas (incentivo à pequena produção) e agropecuárias (restrição da pecuária extensiva), o
63 O POLONOROESTE II acabou se desmembrando em dois projetos: o PLANAFLORO, para o estado de
Rondônia, e o PRODEAGRO, para o estado do MT.
desenvolvimento do extrativismo vegetal, o aproveitamento florestal de espécies madeireiras em escala comercial e a preservação das reservas ecológicas e indígenas (BRASIL, 1988a).
Uma das principais preocupações do banco nesse período de negociações era garantir a existência de um quadro institucional em Rondônia que pudesse encaminhar de forma adequada as atividades do zoneamento agroecológico e as medidas de ação fundiária, de apoio à produção agrícola e de proteção ao meio ambiente. Por isso, houve a reformulação de várias políticas governamentais a fim a assegurar ao Banco Mundial que o desenvolvimento sustentável na região seria cumprido (DIEGUES, 1997; PLANAFLORO, 1994).
Dentre as medidas adotadas no nível nacional está a criação do “Programa Nossa Natureza”, através do decreto n. 96.944, assinado em outubro de 1988, pelo então presidente, José Sarney. Em seu discurso oficial de lançamento do Programa, Sarney justifica a sua criação devido à “necessidade imediata de ações efetivas” no que diz respeito à proteção das florestas e ecossistemas amazônicos (SARNEY, 1988). Os objetivos do Programa foram resumidos nos seguintes itens: contenção da ação predatória do meio ambiente, estruturação de um sistema de proteção ambiental, incentivo à educação ambiental e conscientização pública para a conservação do meio ambiente, ocupação racional da Amazônia, regeneração dos ecossistemas e proteção das comunidades indígenas e extrativistas (BRASIL, 1988b).
No entanto, de acordo com o Comitê organizador de um evento que procurou discutir alternativas de desenvolvimento para Amazônia65, a criação do Programa ocorreu a portas fechadas, onde estavam presentes o governador do estado e uma comissão formada por membros do Instituto Superior de Estudos Amazônicos (ISEA). A falta de consulta às populações locais que seriam diretamente afetadas por essas políticas gerou insatisfação por parte das ONGs e demais grupos da sociedade civil que estavam à frente do evento. O Comitê organizador alegava que, apesar de o “Programa Nossa Natureza” apresentar pontos positivos, este pecava por não questionar o modelo de desenvolvimento vigente no Brasil, sendo apenas um instrumento de retórica governamental (CICLO DE DEBATES SOBRE ALTERNATIVAS DE DESENVOLVIMENTO PARA A AMAZÔNIA, 1989).
No nível estadual foram criadas – já com base na 1ª aproximação do ZEE de Rondônia – novas unidades estaduais de conservação e preservação, as quais eram algumas das condições estipuladas para a possível aprovação dos empréstimos pelo Banco Mundial e, em
65 O Ciclo de Debates sobre Alternativas de Desenvolvimento para Amazônia, realizado em março de 1989, foi
uma resposta da sociedade civil à criação do Programa Nossa Natureza (CICLO DE DEBATES SOBRE ALTERNATIVAS DE DESENVOLVIMENTO PARA A AMAZÔNIA, 1989).
1990, os órgãos recém criados IEF/RO e SEMARO deram origem a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) (PLANAFLORO, 1994).