• Sonuç bulunamadı

2.7. Denetim Süreci ve Aşamaları

2.7.3. Denetim Testleri

Outra questão feita para as crianças foi sobre a leitura do livro (se ela havia sido realizada sozinha ou se o aluno teve necessidade de que alguém lhe ajudasse a ler). Apenas uma criança de seis anos de idade manifestou dificuldades na leitura do livro e no entendimento de algumas partes do texto, mas sua mãe a auxiliou na leitura e interpretação. Por essas narrativas, percebemos a autonomia dos educandos em relação à leitura que, muitas vezes, é diagnosticada como de difícil realização: os professores chegam ao ponto de não deixar as crianças lerem certos tipos de livros pela crença de que elas não conseguirão, devido ao tamanho da obra, por considerar que a extensão do texto para uma criança que inicia sua alfabetização desmotiva a leitura. A dupla caixa e as letras impressas em maiúscula e minúscula também são um fator de rejeição de obras, pois dificultaria o entendimento das

frases ao não compreender a relação delas dentro do texto. Tais aspectos subtraem da criança as possibilidades da qual a escola é fim, possibilidades de desenvolver adequadamente o nível de conhecimento, de ter contato com textos diferentes, dificuldades que podem, também, contribuir para motivar o aluno. De acordo com Bajard (1992),

[...] não oferecer à criança, além da cultura oral, um manancial de linguagem escrita, equivale a eliminar suas possibilidades de expressão. A biblioteca pode ser esse lugar da cultura do livro na escola, no qual a aprendizagem da escrita se realiza através da frequentação de textos, alimentando a potencialidade de expressão da criança.

Quando o acesso à leitura por meio de jornais e obras literárias acontece mais cedo, com o envolvimento dos pais auxiliam na formação desse leitor iniciante, o respaldo da família configura um novo rumo para o futuro do estudante, de forma que a

[...] ampla disseminação dessa ideia, de que a família influencia fortemente o comportamento das futuras gerações de leitores, cada vez mais são destacados, seja pelos especialistas, seja pela mídia, aspectos e ações que caberiam aos pais realizar para estimular a formação de leitores competentes e duradouros:

• A leitura de histórias aos filhos desde a primeira infância, impregnando de afetividade tanto o ato de ler quanto as obras lidas;

• A ampla disponibilização de livros e materiais de leitura diversificados e de boa qualidade;

• A leitura cotidiana de livros, jornais e revistas de modo a oferecer modelos positivos de leitura, que possam ser continuamente introjetados pelas crianças; • O debate frequente das leituras realizadas pelos integrantes da família;

• A constante visita a bibliotecas, feiras do livro, bate-papos com escritores e ilustradores, entre outras possibilidades.

Naturalmente que se trata de uma situação absolutamente idealizada, em oposição às reais condições materiais e afetivas vivenciadas no dia a dia [...] (CECCANTINI, 2009, p. 211-212).

Essas condições ideais de envolvimento dos pais, abordadas por Ceccantini (2009), nem sempre são identificadas no meio escolar, mas, algumas acontecem em determinados momentos, como na difusão das obras literárias no meio familiar. Ao serem questionadas se, ao levar o kit para casa, haviam mostrado a obra para mais alguém, todas as crianças relataram que apresentaram o livro do PNBE e o Caderno Viajante aos pais e irmãos. De acordo com o relato delas:

Criança do 1º ano: A mãe achou o livro bom e leu com a criança todo o livro. O pai

achou mais ou menos e leu só uma parte.

Criança do 2º ano: A mãe achou interessante e o pai também gostou. Criança do 3º ano: O irmão gostou do livro, mas não leu.

Criança do 4º ano: A irmã gostou e leu, a mãe também leu e no início não gostou,

mas depois de ler o final da história passou a gostar.58

Alguns familiares, apesar de não terem lido a história, no ideário e na manifestação da criança, gostaram, e isso implica em aceitação e incentivo para o estudante no desempenho dessa atividade;

[...] assim, a gênese de dicotomias como ‘ler x não ler’, ‘gostar de ler x não gostar de ler’, atitude positiva x atitude negativa frente à leitura’, ‘ler mais x ler menos’, etc., depende, fundamentalmente, das incitações do meio sociocultural (família, escola e sociedade), isto é, da quantidade e qualidade dos estímulos encontrados no meio onde vive a criança e das relações que ela trava com esses estímulos (leitores, livros e situações de leitura). Além disso, os indivíduos presentes no meio donde a criança habita se colocam como mediadores e informantes de leitura ao longo do seu crescimento e desenvolvimento (SILVA, 2012, p. 79).

É perceptível que alguns alunos têm mais apoio em casa em relação às atividades escolares, como as crianças do 1º e 2º ano – pai e mãe fizeram a leitura e manifestaram apreço e descontentamento, e a aluna do 4º ano, cuja mãe e irmã foram envolvidas no trabalho que ela deveria realizar em casa, proporcionando que o livro fosse lido e houvesse um diálogo sobre os sentimentos de agrado e desagrado manifestados pela discente ao responder as perguntas da entrevista.

As últimas perguntas foram sobre se as crianças gostaram de realizar a atividade do Caderno Viajante e se elas gostariam de levá-lo para casa novamente. Elas foram unânimes nas respostas: todas gostaram e fariam o mesmo procedimento (de levar o projeto para suas residências). Abaixo há alguns comentários das crianças:

Criança do 1º ano: Gostei muito [porque o pai o ajudou a fazer as atividades, mas

ele fez o desenho sozinho. Ele gostaria de fazer novamente todas as atividades].

Criança do 2º ano: Gostei porque gosto de desenhar e colorir; gostei do final do

livro e as atividades são boas.

Criança do 3º ano: Sim, porque gostei de fazer a atividade e a sacola é bonita. Criança do 4º ano: Sim, gostei, porque aprendi muito com o livro e queria levar

novamente.59

As crianças gostaram muito de fazer a ilustração. Seguem algumas imagens da atividade realizada por elas no caderno que compõe o kit:

58 Nota de Campo – 29 de junho de 2012: Relato das crianças registrado, durante a entrevista, de acordo com as manifestações delas.

Foto 39 - Atividade da criança do 1º ano.