7.1 A dinâmica do cérebro humano e sua importante contribuição para o rompimento de limites
O sistema neurológico humano, atualmente, considerando-se o estágio do avanço da ciência da medicina, tem-se descoberto tão complexo quanto imaginamos ser. É suscetível de ser representativo de uma das viagens rumo ao desconhecido mundo por onde caminha a vida humana cerebral e todas as suas faculdades, tais como: memória, mente, consciência, pensamento, percepção dentre outras.
Se a hipótese da viagem se converte concretamente, existe uma grande probabilidade de, quando do seu retorno, ter o pesquisador criado uma teoria da mente humana, o que ainda não existe, porém se apresenta como uma hipótese desafiadora que se refugia no mundo da pesquisa, diuturnamente.
O caráter científico como forma de obter informações, de como o cérebro funciona está validado e justifica-se tamanho desafio. Esse, portanto, é a uma das missões mais desafiadoras do atual estágio do desenvolvimento da ciência e dos cientistas que se ocupam do estudo do cérebro humano.
Toda fronteira disponibiliza uma linha com o desconhecido. A psicologia e a neurobiologia em todas as antigas e modernas escolas fornecem vasta literatura para dar condições à compreensão e à explicação aos fenômenos envolvendo a mente do homem.112
112 Para Lévy, “A ecologia cognitiva nos incita a revisar a distribuição kantiana dos papéis entre
sujeitos e objetos. A psicologia contemporânea e a neurobiologia já confirmaram que o sistema cognitivo humano não é uma tábua rasa. Sua arquitetura e seus diferentes módulos especializados organizam nossas percepções, nossa memória e nossos raciocínios, de forma muito restritiva. Mas articulamos aos aparelhos especializados de nosso sistema nervoso dispositivos de representação e de processamento da informação que são exteriores a eles. Construímos automatismos (como o da leitura) que soldam muito estreitamente os módulos biológicos e as tecnologias intelectuais, o que significa que não há nem razão pura nem sujeito transcendental invariável. Desde o nascimento, o pequeno humano pensante se constitui através de línguas, de máquinas, de sistemas de representação que irão estruturar sua experiência (LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática; tradução Carlos Irineu da Costa. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. 34, 2011, p. 163).”
De uma forma mais restritiva, para tentar aproximar-se melhor da realidade científica e extrair dessa uma maior compreensão de como se estabelecem as funcionalidades cerebrais do homem, é preciso estudá-lo em suas minúcias. Nesse contexto, a psicologia, neurologia e suas áreas derivadas em especialização são ciências que vêm buscando dar efetiva resposta.
Ainda que não se esgote todo o conteúdo, a proposta de sistematização ofertada pelas referidas áreas de pesquisa tende a cada momento de seu trabalho avançar na descoberta de novas informações e dados que possam contribuir com o avanço da própria ciência.
Essa dinâmica é compatível com a natureza da ciência, do definitivo, porém sempre provisório. Esquematizar e ilustrar como a máquina central operacional que comanda a biossistema humano desenvolve suas funcionalidades e revela-se essencial como pressuposto necessário para a comprovação da limitação cognitiva.
Isso é evidente, visto que o próprio homem sequer consegue explicar-se frente aos mistérios de seu sistema processador e programador de ideias, pensamentos, decisões e demais atos que, de uma forma ou de outra, esbocem seu ato volitivo intencional em prover uma ação positiva ou negativa.
O processo histórico do homem registra momentos de crença e de descrença, não somente sobre aquilo que não enxerga como o seu contrário. Esse retrato, que ilustra um determinado texto e contexto social, revela que o conhecimento, as faculdades intelectivas e neurais, e a cognoscibilidade sobre os objetos e o mundo de uma forma geral não se encontram dentro de sua cabeça.
Comprova-se, dessa maneira, que a capacidade cognitiva do ser humano e sua relação com as coisas e o mundo seja um processo exógeno. Por outro lado, há que se considerar, e não restam dúvidas a respeito disso, que todo o processo intelectivo seja realizado endogenamente.
Essa gestão neural-intelectual acontece dentro do cérebro humano, que é abastecido por intermédio de informações e dados empiricamente catalogados pela racionalidade humana na sociedade em que vive. Tal processo gera condições para que o indivíduo se compreenda e consiga relacionar-se bem com as coisas e seus assemelhados perante o mundo que os rodeia.
O processo apontado ainda permite o desenvolvimento de habilidades e competências que coloquem o indivíduo em condições de atingir a cada instante um ponto diferente em sua existência. Para Oliveira Lima (2010, p. 2), em artigo intitulado “Modelos de categorização: apresentando o modelo clássico e o modelo de protótipos geram inquietações”:
Desde a época de Aristóteles, já havia a preocupação com as práticas de nomear, definir e categorizar. Com o desenvolvimento dos estudos na ciência cognitiva, a visão de como categorizamos sofreu modificações. A categorização passou de um processo cognitivo individual a um processo cultural e social de construção da realidade que organiza conceitos, parcialmente baseados na psicologia do pensamento. A informação perceptiva e fundamental na definição das extensões de uma categoria, porque, a categorização não é feita artificialmente, mas, sim, levando-se em conta as informações do mundo a que pertencemos e como respondemos a elas. Na categorização, o reconhecimento das similaridades e diferenças leva a criação de um conhecimento novo, pelo agrupamento de entidades, de acordo com as similaridades e diferenças observadas.
Nota-se que o aspecto essencial da cognição é a habilidade de categorizar: julgar que uma coisa particular é ou não é, é um exemplo de uma categoria particular. Nesse processo, entidades distintas são tratadas como equivalentes, o que faz a categorização ser considerada como um dos principais processos cognitivos para organizar e conduzir a compreensão de como a cultura e a sociedade edificam sua realidade a partir de conceitos.
Sabe-se que as ciências cognitivas têm como objeto de estudo os processos gerais regentes da percepção, da organização, do armazenamento, da recuperação e da utilização dos dados e informações, bem como de formas como se organiza a representação dessas atividades.
A organização conceitual está diretamente relacionada à capacidade de aprender. Ela supõe, então, que a assimilação de novas informações, sua estocagem e sua acomodação são materialmente construções realizadas por intermédio de uma psicologia do pensamento.113 Todo esse processo é realizado
113 Segundo Bezerra (2011, p. 2), “Esta realidade exige como condição para a mudança, não apenas a solução de problemas estruturais das escolas, mas também conhecimento de como realmente se aprende e o que acontece quando aprendemos, subsídio que pode ser fornecido pelas neurociências”. E complementa o mesmo autor (2011, p. 5): “À década de 90 – conhecida como a “década do cérebro” – trouxe avanços tecnológicos e ferramentas para estudar a estrutura cerebral e seu funcionamento. As técnicas de neuroimagem possibilitaram um mapeamento do cérebro humano e trouxeram subsídios para um maior conhecimento dos mecanismos cognitivos. Esses novos conhecimentos nos possibilitam saber que lidamos, predominantemente com três estilos de aprendizes. São eles: 1) aprendizes visuais que prestarão uma atenção particular às informações
dentro do cérebro humano a partir do contato do homem com os objetos e com o mundo. Uma das questões que vai além da busca por compreender como é realizado tal fenômeno seria, a partir dessa compreensão (teorização), obter a possibilidade de transportar e replicar as funções categoriais para uma base artificial, conservando nela todo o processo realizado pelo cérebro humano.
O questionamento desse ponto dentro de uma perspectiva desenvolvimentista apresenta-se no domínio do possível, uma vez que, se a cognição é um processo de categorização da mente, é possível que tal organização possa ser realizada a partir de estrutras lógicas e/ou de algoritmos e sistemas de cognição artificialmente programados.
Em simetria com a estrutura cognitiva do cérebro e suas faculdades funcionais e reservando a natureza formal e material de cada sistema, resta uma via restritiva quanto ao processamento das categorias cerebrais, dado o mapeamento de todas as possibilidades categoriais.
A mente humana é um centro decodificador e de interpretação das informações fluido também semanticamente. Busca-se na mente, por seus recursos, o significado dos objetos enquanto coisas e do mundo enquanto fenômeno dos acontecimentos, em que a transformação que decorre dessa interação produz, novos conhecimentos.114
visuais, incluindo texto; 2) aprendizes auditivos para quem as informações tornam-se mais assimiláveis pela discussão; 3) aprendizes cinestésicos ou táteis que aprendem melhor quando envolvem diretamente o corpo e podem precisar se “tornar” aquilo que estão aprendendo (SPRENGER, 2008, p. 33)”.
114 Para Oliveira Lima: “Nosso conhecimento reside na memória semântica, a qual Eklund (1995, p.4)
define como uma rede de conceitos inter-relacionados. Os processos cognitivos são atividades mentais como o pensamento, a imaginação, a lembrança e solução de problemas (ALLEN, 1991, p. 13). Como ocorre em outras situações humanas, essas atividades diferentes de habilidade em raciocínio lógico e em memória visual podem afetar o desempenho na recuperação da informação. A cognição humana é essencialmente organizada como uma rede semântica, na qual conceitos são ligados pelas associações (LIMA, Gernica Ângela Borém de Oliveira. Modelo de categorização: apresentando o modelo clássico e o modelo de protótipos. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 15, n. 2, mai./jun.2010, p. 3. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000009070&dd1=92ef2>. Acesso em: 10 abr. 2013)”.
Embora semelhantes, a estrutura e o modelo funcional, em que pese estarem em consonância com a psicologia clássica de Hull, apresentam as complexidades e as capacidades em habilidades e competências do que aconteceu no cérebro humano, que o fazem ser um “Ser” integrativo cujo pensamento, processado de uma forma, é exteriorizado através de uma outra forma de cognição: a cognição linguística.
As cognições são formas de conhecimentos, e não existe apenas uma forma delas; é comum que não se limitem aos limites de seus conceitos que, embora portadores de definições, esclarecimentos, compreensão do que são, promovam a interatividade e a integração dos antigos aos novos conhecimentos, até o limite de sua capacidade.
Pode-se, pois, afirmar que o ser humano é peculiar em detrimento das demais espécie animais, porque sua estrutura cerebral e suas faculdades intelectuais que habitam o sistema neural são responsáveis por definir seu funcionamento com propósitos distintos, que vão além de sua mera sobrevivência. Essa peculiar distinção, todavia, não o isenta dos efeitos do ambiente que o envolve e demais fatores que possam influenciá-lo cognitivamente de alguma forma.
A complexidade e a multiplicidade de fatores têm tornado a caminhada do homem muito mais distante de uma explicação definitiva sobre si e seus propósitos, como uma das espécies que habita não isoladamente uma das galáxias do sistema solar.
A relação de significado e de representação, apesar de não artificialmente construída, acontece a partir de um contato do homem (que tem conhecimento sobre o mundo ou passa a tê-lo pela interação interdependente) e o mundo (que interage sobre ele). É nesse fluxo que a comunicação se estabelece e tudo acontece.115
115 Para Azevedo, “Significado – Para Langacker (2004), na perspectiva da linguística cognitiva, os
significados estão nas mentes dos falantes e ouvintes. A concepção desse modelo não é, no entanto, estática, mas sim compatível com a visão interativa do significado (como emergindo na interação social) sendo co-construído com base nas várias dimensões do contexto. Para o autor, nas mentes encontram-se preconcepções, expectativas acerca dos significados usuais das palavras, bases sobre as quais a negociação pode ocorrer. Langacker (2004) define significado linguístico de maneira não técnica, admite ser a definição vaga, apesar de preferi-la a outra mais precisa, mas que totalmente composicional: “... além de elementos que sejam inquestionavelmente semânticos, o significado de uma expressão inclui quanta estrutura adicional for necessária para tornar a conceptualização coerente e refletir o que o falante ingenuamente veria como sendo o que se quis dizer e o que se disse, enquanto excluir fatos que sejam inquestionavelmente pragmáticos e desnecessários para se fazer sentido do que está linguisticamente certificado (AZEVEDO, Adriana Maria Tenuta de. Estrutura narrativa e espaços mentais. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2006, p. 25.
A comunicação realizada no cérebro humano acontece de diversas formas, todavia o que predomina na comunicação humana comumente é a linguagem semântica cognitiva.
Linguisticamente, representa um fio condutor para a acessibilidade da comunicação e realiza a estruturação do conhecimento. A linguagem é decisiva para definir-se em que frequência a mente humana irá estabelecer o processo de comunicação e as funções desencadeadas dentro do processo neural.
A atividade primordial dos cientistas que se dedicaram ao funcionamento do cérebro é catalogar, definir e conceituar as inúmeras possibilidades de ações e reações realizadas pelo sistema cerebral neural. A categorização das faculdades mentais, dado o desenvolvimento da ciência e sua integração, já é avançada, entretanto não ainda o suficiente a atingir a completude/teorização do cérebro. O homem, em muitos aspectos, a este respeito, já está reposicionado para não colidir com os novos territórios cognitivos que hão de ser conquistados.
Esse trabalho, o da pesquisa contínua, em que há sempre novas descobertas, também tem contribuído para o seu próprio desenvolvimento entrópico, uma vez que a troca de energias entre o humano e o tecnológico tem determinado o avanço de novos horizontes. Esclarece Azevedo (2006, p. 30):
Esquemas nesse contexto são expectativas construídas tendo por base nossas rotinas, são parte de nossa história. Ao interagirmos com o mundo, não partimos de um ponto zero; a todo instante, temos por base certas expectativas em relação ao universo à nossa volta, esquemas internalizados.
A própria interação e a negociação constantes garantem a possibilidade de alteração e flexibilização. Esquemas, portanto, não apresentam caráter de rigidez ou constância absoluta. É um processo dinâmico de materialização e de rotinização da experiência que habita o sistema neural cerebral.
Relacionadas a essas expectativas, mapas de possibilidades semânticas, ainda há os esquemas de evento que, por sua vez, são situações iminentes e de possibilidades sobre toda uma sequência de acontecimentos de determinados eventos.
Livros/Estrutura%20Narrativa%20&%20Espa%C3%A7os%20Mentais.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2013).”
A compreensão do sentido de um item lexical envolve conhecimento (s), esquema (s) ao (s) qual (is) esse item pertence, no contexto de uso. As palavras evocam sistema (s), redes emergentes de significados, aplicáveis a qualquer nível gramatical: ao léxico, à morfologia, à sintaxe, ao discurso.
A estrutura esquemática narrada e as imagens produzidas dentro do espectro do espaço mental são formas de linguagens que proporcionam a comunicação do homem com o mundo.
Nesse ambiente, o sistema neural processa todos os dados e informações e em tal processo realiza subjacentemente outras produções. Tais cenários mentais catalogam informações empíricas e racionais. A linguística da linguagem humana, se está nesse grau de avanço e contínuo estudo em pesquisa, é porque busca dar uma explicação ao fenômeno da comunicação. Isso se dá pelo foco e pela repetição.
O processamento das redes neurais ainda passa por um processo de catalogação, todavia, concomitantemente com a conceituação das partes, dos setores e da linguagem utilizada, acontece sistematicamente a comunicação.
A comunicação e a compreensão são vivenciadas no dia a dia. O dinamismo e a forma como isso acontece são mediados pelos estudos da linguística, da gramática e de todas as demais ferramentas. A gramática, a linguística e outras formas que entremeiam o sistema neural parecem necessárias, são condições para a comunicabilidade.
Os elementos da linguagem, independentemente de sua natureza, são essenciais tanto quanto as estruturas que compõem a linguagem tecnológica nos sistemas binários.
Em ambas as estruturas, algum tipo de linguagem se faz presente para a existência do processo de comunicação. A integração e a conexão para conversão são pontos essenciais para as comunicações e para as linguagens.
Considerando que pelas redes neurais as operações cognitivas constroem o pensamento, e que neste processo os conceitos são portados como satélites de um sistema central, o mapeamento sem agredir o sistema explorado é uma condição elementar para o avanço da ciência no sentido de descobrir os elementos neurais conectores responsáveis pelo funcionamento do cérebro, bem como se dá seu processamento, considerando as variáveis em probabilidades.116
116 Para Azevedo, “O conceito de espaços mentais constitui um elemento importante para a descrição
Parafraseando Fauconnier, os espaços mentais são catálogos do mundo real, porém não são realidades no mundo real, proporcionam fluidez e contribuem ocasionalmente de forma compartilhada quando se descreve o mundo real.
A conexão e a integração dos “imputs” é o que se denomina de mesclagem. Esse modelo é decisivo no processo de comunicação, conforme esclarece Azevedo (2006, p. 45):
Para Coulson & Oskley (2000) a teoria da mesclagem evidencia a relação entre a compreensão da linguagem e os processos de pensamento e da atividade humana, porque, na construção do significado, estão envolvidos, além das estruturas linguísticas, outros elementos: o contexto, o conhecimento de mundo e as habilidades cognitivas gerais.
Apropriando-se desses elementos, o sistema neurológico constrói sua dinâmica de funcionamento. Biologicamente existe uma correlação natural entre estrutura cerebral e suas funções, fatores essenciais para a produção científica de indicadores e demais formas para se conhecer o funcionamento do cérebro humano. Nos limites da presente pesquisa, que envolve a relação entre tecnologia entre inteligência humana e artificial, a questão que exige mais explicitação está na compreensão entre as estruturas e as funções, considerando a natureza de cada espécie de inteligência, ou seja, por serem respectivamente dinâmica e estática.
Extrair a pertinência sistemática da inteligência humana para a biológia é o mesmo que extrair do sistema neurológico cerebral da espécie humana de forma objetiva a estrutura esquemática e as funções correspondentes, dando condições de simular em semelhança por outro canal em tecnologia em inteligência as respectivas redes.117 O sistema neurológico humano é um molde complexo dententor de uma
mediadoras de um processo dinâmico no qual espaços mentais são criados, estruturados e interconectados. Nesse processo, ocorrem mapeamentos e projeções (metafóricas, de identidade ou transformação, de frames e seus elementos, etc) (AZEVEDO, Adriana Maria Tenuta de. Estrutura narrativa e espaços mentais. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2006, p. 35.
Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/site/E-
Livros/Estrutura%20Narrativa%20&%20Espa%C3%A7os%20Mentais.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2013).”
117 Segundo Changeux, “O biólogo deve definir previamente níveis hierárquicos pertinentes no plano
funcional, e isto antes mesmo de iniciar uma pesquisa experimental. / Pois bem, os filósofos do “espírito”, os maiores deles em especial, como Kant, interessam-se por essa questão. Kant distingue desse modo três níveis, que me parece ser o caso de recordar. / O da sensibilidade, definido pela capacidade de receber “impressões” por meio dos órgãos dos sentidos. O do entendimento, ou faculdade dos conceitos, que permite a síntese dos elementos sensíveis. O da razão, que contém os princípios do uso de conceitos espontaneamente produzidos pelo entendimento. Tais distinções kantianas permitem conceber três níveis de abstração: 1. A elaboração de representações a partir
dinâmica com seus limites no funcionamento neural do cérebro da espécie humana. Neste aspecto substituído por outra linguagem e toda uma sistematização distinta, porém em similiar “simulada” performance, orientou a análise, o projeto e a construção das redes neurais em Inteligência Artificial.
dos objetos do mundo exterior; 2. Sua abstração em conceitos; 3. A organização desses conceitos em abstrações de ordem mais elevada... tudo isso, bem entendido, no cérebro. Após havê-las definido, pode-se tentar, sob seu próprio risco e perigo, relacionar essas “faculdades” com as organizações conexionais de nosso encéfalo (CHANGEUX. Jean-Pierre; CONNES, Alain. Matéria e pensamento; tradução Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Ed.Unesp, 1996, p. 99).”