5.1. BANKALAR MEVZUATI ÇERÇEVESİNDE BAĞIMSIZ DENETİM
5.3.2.1. Denetim
Os questionários fechados, de múltipla escolha ou discursivos, são empregados no intuito de levantamento das primeiras informações de um estudo. Segundo Seliger & Shohamy (1989), os questionários são instrumentos compostos por questões apresentadas por escrito aos participantes, com o propósito de obter dados sobre opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas e vivências. Em muitos casos, são utilizados após um tempo de convivência do pesquisador com os pesquisados, ou seja, após um período inicial em que o investigador observa e desenvolve laços de confiança com o universo de estudo. Os questionários são registros importantes, pois permitem o acesso a fenômenos ou questões não facilmente observáveis.
As enquetes fechadas constituem viga importante da edificação investigativa - tanto para a pesquisa-ação como em outros métodos -, porque fazem parte da criação da superfície que dará sustentação às ações procedentes da coleta de dados. Todavia, a
elaboração de um questionário não é tarefa tão simples quanto pode parecer. Questões do tipo sim/não facilitam a tabulação, porém limitam a abrangência interpretativa. Por isso, um bom questionário deve equalizar questões com um razoável número de opções de respostas para que a tabulação gere resultados significativos. A aplicação de uma enquete-piloto é recomendada, pois garante a viabilidade das questões e a produção de resultados.
Nesta pesquisa, os questionários foram estruturados com vistas ao esclarecimento de questões relacionadas ao cotidiano dos sujeitos, em especial, a relação com o telejornalismo, com a leitura e com fontes de informação. Os questionários foram estruturados com doze questões, dividas entre os temas acima citados, conforme disposto nos Anexos. Dentre os questionamentos, os estudantes responderam a perguntas como: Você assiste a telejornais da Record News no seu dia a dia? Por que você assiste ou não a telejornais? Você já leu um livro inteiro? Você saberia dizer quanto tempo de sua semana é dedicado à leitura de livros, de jornais ou de revistas? Como livros ou outros materiais lidos no seu dia a dia chegam até você?
Na maior parte das pesquisas em que são empregados, os questionários não constituem fonte única de informações. Para Hawi et al. (2005), o ideal é que sejam utilizados em consonância com outros instrumentos, principalmente, como base para o emprego dos demais. No presente trabalho, as informações obtidas por meio dos questionários, além de servir como material interpretativo, subsidiaram a elaboração dos roteiros semiestruturados de entrevista. Isso significa, em termos de procedimentos, que após tabular e analisar as respostas, procedemos a elaboração de um roteiro de entrevistas que visava tanto o aprofundamento de questões aventadas com o primeiro instrumento, como a sondagem de questões que demandavam discussão face a face, diálogo, conversa.
Os questionários foram aplicados a todos os alunos da turma com a qual convivemos durante o período de familiarização, em caráter piloto. O encaminhamento se deu após uma explicação acerca das finalidades do instrumento, bem como da pesquisa da qual ele fazia parte, ao término das atividades de observação. Foi solicitado aos participantes que respondessem com atenção aos questionamentos, uma vez que suas respostas iriam compor um quadro de dados de um estudo acadêmico, para o qual suas ações cotidianas, de leitura e de informação, eram de suma importância.
Os estudantes levaram cerca de vinte e cinco minutos para responder às questões, sem abstenções ou recusas em participar. Dessa etapa, decorreu o entendimento de que a estrutura dos questionários atendia às demandas do estudo e que poderia ser aplicado ao grupo participante da pesquisa, em caráter definitivo de obtenção de dados.
1.4.2 Entrevistas
Na sequência dos procedimentos metodológicos demandados pelos objetivos desta tese, entrevistamos os sujeitos participantes das atividades de leitura. Diferentemente do que fora realizado com os questionários, neste processo foram envolvidos apenas os participantes das atividades de coleta.
A entrevista é aqui empregada como “parte integrante da construção sociológica do objeto de estudo” (ZAGO, 2003, p.295); como etapa fundamental na e para aproximação e estabelecimento de laços de confiança com os integrantes da pesquisa. Para investigações em Ciências Humanas, sobretudo aquelas mais próximas às ciências sociais, o discurso, a fala, de homens comuns, aqueles que Certeau (1994) chama de homens ordinários, constituem rico manancial e ponto de arrancada para compreensão de questões complexas e de lógicas internas de certos comportamentos e atitudes.
Em diferentes áreas do conhecimento, a exemplo da Educação, em estudos qualitativos, quando questões de ordem subjetiva ou explicações mais complexas e detalhadas são necessárias, a entrevista emerge como importante instrumento. Lakatos (apud Szymanski, 2004), de maneira simples e objetiva, define entrevista como o “encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação profissional” (LAKATOS apud SZYMANSKI, 2004, p.10). Porém, o aspecto profissional não significa um processo ou procedimento intimista. Trata-se de entrevista e não de interrogatório.
No caso do presente estudo, em que os participantes eram jovens estudantes, entrevistados no espaço da escola, a atmosfera que se tentou criar para realização dessas entrevistas era aquela, cujo pressuposto basilar está em Bourdieu (2003), de neutralização da violência simbólica, o tanto quanto possível, que se pode exercer por meio dela. Trata-se, segundo o sociólogo francês, de procurar “instaurar uma relação de escuta ativa e metódica, tão afastada da pura não-intervenção da entrevista não dirigida, quanto do dirigismo do questionário” (BOURDIEU, 2003, p.695).
Os adolescentes devem ter ciência de que o entrevistador não é alguém de fora que os questiona para posteriormente julgá-los. Tudo para que se sintam à vontade e seguros para falar, de maneira sincera e direta, sobre os temas questionados. Dizer o que se pensa e o que se sente, dentro de instituições de um modo geral, inclusive a de ensino, é de certa forma desconfortável, não só para os alunos, mas para os demais membros do corpo escolar. Existem certos tabus que impedem ou bloqueiam o diálogo na escola e em sala de aula. Em muitos casos, a voz adolescente ecoa revestida de uma aura contra discursiva; não raras vezes recebida pelos membros desse corpo com comentários do tipo: “Não se interessam por nada”; “Estudam sem pagar e ainda
querem reclamar”.
Atento a tais episódios, ao realizar as entrevistas, se possível, o pesquisador, inicialmente, deve apresentar-se ao entrevistado, esclarecer os objetivos de seu estudo, bem como os princípios éticos norteadores do processo. Como essência do procedimento, é preciso reconhecer, segundo Szymanski (2004), que todo saber vale um saber; isto é, escutar respeitosamente a narrativa alheia e não simplesmente aderir a ela. Esta seria uma perspectiva próxima a de Freire (2002), que em sua Pedagogia da
Esperança, lhe intitula saberes da experiência ou compreensão de mundo do outro.
Nesse sentido, Bourdieu (2003) chama atenção para aspectos relevantes que se associam na relação de entrevista, são eles:
[...] disponibilidade total em relação à pessoa interrogada, a submissão à singularidade de sua história particular, que pode conduzir, por uma espécie de mimetismo mais ou menos controlado, a adotar sua linguagem e a entrar em seus pontos de vistas, em seus sentimentos, em seus pensamentos, com a construção metódica, forte, do conhecimento das condições objetivas, comuns a toda uma categoria (BOURDIEU, 2003, p.695).
Assim, a relação de entrevista não é fria nem deve se basear em perguntas secas e diretas. Longe de se deixar levar por uma enxurrada retórica, entrevistador e entrevistado devem estabelecer um “intercâmbio contínuo entre significados e o sistema de crenças e valores, perpassados pelas emoções e sentimentos dos protagonistas” (SZYMANSKI, 2004, p.14). Afinal, conforme ainda explica a autora:
Há algo que o entrevistador está querendo conhecer, utilizando-se de um tipo de interação com quem é entrevistado, possuidor de um conhecimento, mas que irá dispô-lo de uma forma única, naquele momento, para aquele interlocutor. Muitas vezes, esse conhecimento nunca foi exposto numa narrativa, nunca foi tematizado. O movimento reflexivo que a narração exige acaba por colocar o entrevistado diante de um pensamento organizado de uma forma inédita até por ele mesmo (SZYMANSKI, 2004, p.14).
Essa não é uma ocorrência rara, por isso é importante que o encaminhamento das perguntas e a sequência previamente estabelecida não siga critérios rígidos, porque mudanças ou adaptações de rota durante o percurso podem ser necessárias. A narrativa do entrevistado costuma dar pistas a esse respeito. Ademais, os momentos iniciais da entrevista são de grande relevância para o desenvolvimento de todo o processo, pois é nele em que: a) os envolvidos vão se apresentar de maneira mais detalhada; b) o pesquisador vai esclarecer os objetivos e propostas do estudo; c) as dúvidas serão sanadas, tanto do pesquisador como do pesquisado. Em suma, é o momento de aquecimento que, para Szymanski (2004), já pode fornecer informações substanciais para o estudo.
Todavia, um bom aquecimento deve ser acompanhado de uma boa questão desencadeadora, ou seja, de uma pergunta cuidadosamente formulada que dará início à entrevista. A título de exemplo, nas entrevistas que realizamos, o aquecimento se deu a partir de uma apresentação como a abaixo recriada, elaborada com base em Szymanski (2004):
Bom dia, meu nome é Samir Mustapha Ghaziri, sou aluno de doutorado da UNESP/Marília e estou aqui, como você já sabe, acompanhando aulas em sua turma para realização de uma pesquisa sobre leitura. Neste momento, estamos iniciando uma entrevista que me auxiliará a alcançar o objetivo da minha pesquisa, que é o de estudar modos de leitura de textos em movimento do telejornalismo news na escola. Para isso, vamos conversar por um tempo, caso você queira, e tudo o que me falar será muito importante, pois auxiliará no entendimento de como se dá o processo de leitura. Como tudo o que você disser será muito importante, gostaria de gravar, com sua permissão, deixando bem claro que somente meu orientador e eu teremos acesso ao que for dito, e, no trabalho final, no texto da tese, citarei trechos da nossa conversa. Vou usar nomes fictícios, sem identificação de nenhum dos participantes. Além disso, ao final de todas as atividades, nós leremos a transcrição de nossa conversa para, juntos, refletirmos sobre mudanças que possam ter ocorrido em seu modo de pensar e agir, sobre os temas da conversa. Caso você tenha alguma dúvida sinta-se à vontade para esclarecê-la.
Nota-se que o discurso de apresentação visa a estabelecer um vínculo de confiança e tranquilidade entre o entrevistador e o entrevistado. O pesquisador esclarece os objetivos do estudo, demonstra a liberdade de participação, garante sigilo e a volta dos dados ao participante. Já no que diz respeito à questão desencadeadora, elas foram duas, a saber: Você acredita ser importante assistir telejornais? Conte como ele está presente em sua vida.
Os objetivos das questões eram os de investigar a visão dos estudantes acerca do telejornalismo e em seguida os incitar a uma narrativa acerca da relação que possuem com esse meio de informação. Cabe dizer que o roteiro semiestruturado foi elaborado com intuito de respostas mais amplas, num clima de diálogo, em quenovas perguntas surgiam no calor do processo. O processo é definido por Zago (2003) nos seguintes termos:
Tratando-se de uma relação social, temos que contar com esta realidade viva sujeita a imprevistos, os quais, com freqüência, oferecem pistas importantes para a compreensão do fenômeno estudado. Essas pistas revelam a singularidade de cada entrevista. Dependendo da importância que sentimos em esclarecê-las e aprofundá-las, vamos além do que foi previsto no roteiro inicial. Porém, cuidados são sempre necessários. Não se trata simplesmente de estender a entrevista a todas as direções. O interesse é acrescentar questões que a situação sugere quando estas têm relação com a problemática de pesquisa (ZAGO, 2003, p.305).
Foi, portanto, esse modo de conceber e conduzir entrevistas que amparou este estudo. Tal instrumento, amplamente utilizado, contribui de maneira decisiva para o debate e para o aprofundamento de questões do campo educacional, tanto em trabalhos que lidam com a formação docente, tanto em estudos que focam a perspectiva dos alunos, crianças ou adolescentes.