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I. BÖLÜM

1.3. DENETİM TÜRLERİ

A República de Angola está situada na região Austral da África Subsariana, com uma superfície de 1.246.700 Km2, com uma costa atlântica de 1.600 Km2 de Norte ao Sul. É em extensão um dos maiores países da África, de língua oficial portuguesa.

Sob o ponto de vista social, ambiental, crescimento económico e de desenvolvimento, depois da guerra civil que devastou o país, Angola desfruta agora de um período de paz e estabilidade social, com um crescimento económico sustentável pela produção de petróleo.

Possui uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruno de 11.6% ao ano. O desenvolvimento económico e social resultou num crescimento e desenvolvimento com melhorias evidentes na educação, formação profissional, infraestruturas, tecnologia e saúde.

Todavia, o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2015) assinala um Índice de Desenvolvimento Humano baixo, colocando a nação no 147º lugar entre os 186 países classificados em 2014. Mais de 61% da população angolana vive abaixo da linha de pobreza, dos quais 26% em pobreza extrema. O nível de pobreza da população reflete-se no deficiente acesso à alimentação, água potável, saneamento, educação, saúde, energia elétrica e outras comodidades. A taxa de dependência é estimada em 92.3 em cada 100 pessoas em idade produtiva dos 15 aos 64 anos, o que traduz o elevado índice de desemprego.

De acordo com os resultados do Instituto Nacional de Estatística (INE, 2015) relativo ao censo populacional de 2014, a população angolana é estimada em 25.789.024 de

habitantes, dos quais 12.499.041 pertencem ao sexo masculino (que corresponde a 48% da população total residente) e 13.289.983 do sexo feminino (correspondendo a 52% da população total residente), distribuída em 18 Províncias, 164 Municípios e 532 Comunas.

O esforço no âmbito da saúde tem sido visível, nomeadamente ao nível da reestruturação da rede de cuidados primários e na construção de infraestruturas que tinham sido destruídas no período da guerra. Foram construídos e reabilitados, cerca de 100 hospitais e 500 centros de saúde.

Em 2012, o Ministério da Saúde fez um estudo no qual mostrou que entre 80 a 90% da população tem acesso ao serviço de saúde e que existem investimentos nesta área ao nível das infraestrutura, recursos humanos, tecnologia e equipamentos. Apesar destes esforços, a qualidade global dos serviços de saúde é pobre, devido às graves dificuldades de acesso, falta de diferenciação profissional, atendimento de baixa qualidade técnica e de infraestruturas modernizadas.

O estado de saúde da população angolana é caraterizado por uma baixa esperança de vida ao nascer, altas taxas de mortalidade materna e infantil, um fardo pesado de doenças transmissíveis e crescentes doenças crónicas e degenerativas, bem como mortalidade prematura evitáveis. A malnutrição, a obesidade, doenças crónicas como a hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e diferentes cancros, têm registado um crescimento acentuado (Direção Nacional de Saúde Pública, 2009). Observa- se, ainda, uma grande carência de profissionais de saúde a todos os níveis, nomeadamente de enfermagem de reabilitação, saúde mental e psiquiatria.

Segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS), divulgado pelo Ministério da Saúde (2012) de Angola, é possível verificar-se a preocupação com as doenças cardiovasculares, presentes no âmbito do designado Projeto 9 - Prevenção e tratamento de

doenças cardiovasculares (pp. 78-82). Nesse projeto, está patente a urgência em se dedicar

uma atenção especial às doenças cardiovasculares, ao nível da prevenção, deteção, tratamento e reabilitação.

Em Angola, os fatores de risco que contribuem para essas doenças são modificáveis, tal como sustenta o referido programa, nomeadamente a hipertensão arterial, a diabetes e as dislipedimias, doenças que ainda são deficientemente diagnosticadas, tratadas e seguidas devido à insuficiência dos serviços de saúde e também a aspetos associados ao doente, como questões económicas, culturais e de compreensão da doença.

O Serviço Nacional de Saúde angolano (SNS) é composto de duas redes com Unidade Públicas e Privadas (Queza, 2010), encontrando-se organizado em três níveis hierárquicos: o primeiro nível é constituído pelos cuidados primários de saúde, representado pelo postos ou centros de saúde, Hospitais Municipais, postos de enfermagem e consultórios médicos, que constituem o primeiro ponto de contacto da população com o Serviço Nacional de Saúde; o segundo nível ou intermédio é representado pelos Hospitais gerais e é o nível de referência para as unidades de primeiro nível e, o terceiro nível, é representado pelos Hospitais de referência mono ou polivalentes diferenciados e especializados, atualmente institutos que corresponde o nível de referência para as unidades sanitárias do nível secundário.

Apesar da hierarquia estabelecida, o sistema não tem sido operacional por vários fatores, principalmente, por causa da desestruturação do sistema de saúde e da redução da cobertura sanitária decorrente do longo conflito armado que o país viveu.

Por conseguinte, a prestação de cuidados de saúde em Angola realiza-se nos setores público, nomeadamente Serviço Nacional de Saúde, serviços de saúde das Forças Armadas e do Ministério do Interior, bem como empresas públicas, como a Sonangol e a Endiama. O setor privado está confinado aos principais centros urbanos do país e cujos preços praticados não são objeto de regulação e, portanto, sem grande acessibilidade para a maior parte da população. Muitos doentes recorrem à medicina tradicional e ocidental, ou até à chinesa e à asiática, contudo este tipo de assistência não tem regulamentação. Muitos medicamentos tradicionais estão à venda em mercados informais e nas ervanárias, sem qualquer controlo de qualidade e em inadequadas condições de conservação.

Estamos perante uma realidade diferente da portuguesa, com necessidade de melhorar a qualidade assistencial e ainda o processo de regulação, por parte do governo.