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DENETİM KURULUŞUNUN İÇİNDE YER ALDIĞI DENETİM AĞININ HUKUKİ VE YAPISAL ÖZELLİKLERİ

O aumento de sujeitos passivos e, consequentemente, das novas demandas alçadas ao Direito Penal é, pois, inquestionável. No entanto, qual a relação dessas mudanças com a globalização?

Não resta dúvida que a discussão sobre globalização é extremamente ideologizada, tanto pelos críticos quanto pelos defensores do processo. Adverte CAMPILONGO que:

Não faltará quem diga que as desilusões geradas pela democracia e pela globalização, ao invés de serem atribuíveis à baixa complexidade das perspectivas valorativas, sejam produzidas pelas desigualdades, injustiças e perversidades de relações sociais concretas. Há quem insista na linearidade, causalidade e determinismo das relações sociais. Como se mais participação sempre provocasse, necessária e inequivocamente, mais legitimidade, e esta mais igualdade, e daí mais justiça, num incessante círculo virtuoso. A globalização seria a negação disso tudo e, conseqüentemente, um círculo vicioso. Tudo simplório demais para ser levado a sério. Não há soberania mundial, mas sim consenso forçado. Não há oposição, mas capitulação ou resistência. Não há cronologia nem variabilidade de opções, mas cartilhas unilaterais. E, onde não há incerteza nem indeterminação, não pode haver democracia30.

BECK assevera, por sua vez, que o processo é irreversível e, para provar isso, apresenta os seguintes argumentos:

a) redução dos espaços geográficos e crescimento do comércio internacional, estimulando a conexão global dos mercados financeiros e aumentando o poder econômico das companhias transnacionais;

b) revolução dos meios tecnológicos de informação e comunicação;

c) reclamação universal por direitos humanos, ou seja, estabelecimento do

28 Ibid, p. 133; no mesmo sentido, especificamente no tocante aos efeitos da emergência no Processo Penal: AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de. Tendências do controle penal na época contemporânea: reformas penais no Brasil e na

Argentina, Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392004000100006&script=sci_arttext&tlng=pt,

Acesso em 22 ago. 2005

29 CAVALCANTI, op.cit., p. 131

discurso democrático;

d) inextricável movimentação da indústria cultural global;

e) aparecimento de atores supranacionais e transnacionais (companhias, organizações não-governamentais e uniões nacionais);

f) pobreza mundial;

g) destruição ambiental e seus efeitos globais; h) conflitos transculturais localizados.31

Portanto, sendo um fenômeno irreversível, como conviver com tais mudanças e como analisá-lo adequadamente na busca de alternativas para essa convivência? Por ora, as respostas são desanimadoras.

A globalização econômica, diante da ausência de uma efetiva jurisdição

internacional e de uma Carta política mundial,32 apresenta as seguintes

transformações: expansão das empresas multinacionais; crescente importância dos acordos comerciais; tendência da regulação jurídica a ser mais maleável, pragmática e pluralista; tudo, enfim, para atender aos anseios da eficiência econômica e da maximização de riquezas.

Essas mudanças, contudo, enfraquecem não apenas o Estado, mas todo seu aparato de garantias da esfera pública em que se inclui o Direito. Nesse debate, o Direito se confunde com instrumentos que estão aquém ou além das operações que o sistema jurídico é capaz de processar, como adverte CAMPILONGO com

arrimo em LUHMANN. 33

Por isso, parece açodada a análise de BATISTA Jr., segundo a qual, a globalização seria um mito, no sentido de retratar “um processo em curso que domina de maneira inexorável a economia mundial e tende a destruir fronteiras nacionais” e no sentido de que “os Estados nacionais estariam em crise ou declínio irreversível”.34 Se a descrição e a percepção do economista eram corretas, o fato é que até o momento alguns Estados, sobretudo aqueles em desenvolvimento, não se prepararam para as anunciadas mudanças de paradigmas.

31 BECK, Ulrich. O que é globalização? São Paulo: Paz e Terra, Tradução: André Carone, 1999, p. 31

32 Registre-se que, na Europa, ainda que alguns países tenham aprovado uma Carta Política para a União Européia - Lituânia (11/11/04), Hungria (20/12/04), Eslovênia (01/02/05), Itália (06/04/05), Grécia (19/04/05), Áustria (25/05/04), Eslováquia (11/05/05) e Espanha (20/02/05), é sintomática a rejeição da adoção da Carta política unificadora operada na França (29/05/05) que, a rigor, representa uma rejeição às próprias mazelas trazidas pela globalização (seja no âmbito econômico e político, seja no âmbito cultural).

33 CAMPILONGO, O Direito..., p. 131

34 BATISTA JR, Paulo Nogueira. O Mito da Globalização. Disponível no periódico ‘Folha de São Paulo’, edição de 30 mai 1996, 2° caderno, p. 2

Com arrimo em LYRA, talvez tenha sido a ‘Carta de Direitos e Deveres Econômicos dos Estados’, aprovada pela assembléia geral das Nações Unidas de 12 de dezembro de 1974, o berço da globalização da economia, uma vez que pretendeu estabelecer nova ordem econômica mundial por meio da justiça econômica internacional. Porém, os princípios e metas almejados à época foram esquecidos completamente.35

KUJAWSKI, por sua vez, destaca a influência da economia globalizada na modernidade, salientando que

... a modernidade se vende à eficácia, acelerando a corrida para o futuro, e desfazendo os laços com as leis, as instituições, os direitos e toda aquela mística tradicionalista na qual se fundava o viver antigo. A modernidade fala como Marco Antônio: aquelas coisas veneradas por seus antepassados já não importam, não passam de antiqualhas e imbecilidades. Em outras palavras, na modernidade a eficácia se torna a medida de todos os valores, e todos os valores se subordinam a ela.36

A verdade é que a globalização econômica vem contaminando o sistema jurídico, ora propugnando pela descriminalização de condutas que atrapalhem a eficiência econômica, ora postulando pela adoção irracional de novos tipos aptos a tutelar interesses que impliquem maximização de riquezas.

JAKOBS delimita muito bem alguns problemas da globalização no sistema jurídico, salientando a constante desespecificação de ordenamentos normativos, o conflito na relação entre os distintos ordenamentos específicos e, sobretudo, a ingerência jurídico-penal em ordenamentos alheios.37

De outra parte, a globalização também não parece ser apenas o apregoado ‘mito’, tal qual previa BATISTA Jr., quando se constata a morte de diversas línguas, idiomas e identidades culturais.

A esse respeito, BONFIM informa que “(...) a revista semanal americana New Scientist publicou um artigo sobre a morte iminente de milhares de idiomas que

35 Em suma, a Carta preconizava: “a) Os Estados têm o dever de velar para que a acumulação de capital não se faça em detrimento dos homens impedindo, mediante leis e regulamentos, que a formação cumulativa de meios de produção não destrua ou desvalorize seres humanos; b) Os Estados devem reconhecer que a moeda não é mais do que instrumento e que os equilíbrios monetários jamais podem ser considerados um fim em si; c) Os Estados avançados têm o dever de participar do desenvolvimento dos países menos desenvolvidos por todos os meios, notadamente pelo emprego regular de auxílios de solidariedade; d) Os Estados têm o direito e o dever de impor às grandes unidades implantadas ou às firmas nacionais a carga de participação no desenvolvimento local; e) Os Estados têm o direito e o dever de promover controles apropriados e efetivos da ação dos monopólios sobre os preços das matérias-primas e da energia” (cf. LYRA, Criminalidade Econômico-

Financeira. Rio de Janeiro: Forense, 1978, p. 71-73)

36 KUJAWSKI, Gilberto De Mello. Império e Terror. São Paulo: IBASA – Instituição Brasileira de Difusão Cultural Ltda., 2003, p.19

ainda hoje são falados. (...) A diminuição da diversidade lingüística demonstra ser inexorável. Milhares de identidades culturais e lingüísticas estão virando poeira no passado”. A velocidade da comunicação das mídias tende a priorizar o idioma inglês38 e a nova ‘língua dos computadores’.

4. MUDANÇAS DOS SISTEMAS ORGANIZACIONAIS, COMUNICATIVOS E

Benzer Belgeler