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3. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA

3.2. Deneme Yapılan Diğer Tepkimeler

A Idade Média120 fora marcada, de forma incisiva, pela dominação da religião

em todos os âmbitos da vida em sociedade – que, lá, desenvolvia-se em feudos –, especialmente no pensamento da época.

Tal momento histórico pode ser dividido em três momentos: a Alta Idade Média, Idade Média Clássica e a Baixa Idade Média.

No que se refere à Alta Idade Média121 e à Idade Média Clássica (período

entre 476 até 1300 d.C.), relata-se a fragmentação política, o poder dos senhores feudais na vida em sociedade e a grande influência da Igreja em todos os aspectos da sociedade, sem qualquer avanço significativo na evolução dos direitos humanos.

119COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos, p.17.

120Recorda-se que a análise que pretende ser estabelecida, neste trabalho, é sobre o mundo

ocidental, mesmo que, para tal, muitas vezes, recorra-se a alguns aspectos do pensamento e da histórica oriental que vieram a marcar, indiscutivelmente, tais âmbitos ocidentais.

121Apenas cabe ressaltar que fora na Alta Idade Média que surgiram condições para a formulação da

Já na Baixa Idade Média (após o ano 1300 até 1450 d.C.), pode-se localizar o cerne embrionário dos direitos humanos na história ocidental, uma vez que ocorrera, neste momento histórico, as primeiras reivindicações para que o poder dos governantes fosse limitado em prol da igualdade de direitos entre os diversos estamentos da sociedade da época. Sintetizando tal ideia, transcreve-se:

A proto-história dos direitos humanos começa na Baixa Idade Média, mais exatamente na passagem do século XII ao século XIII. Não se trata, ainda, de uma afirmação de direitos inerentes à própria condição humana, mas sim do início do movimento para a instituição de limites ao poder dos governantes, o que representou uma grande novidade histórica. Foi o primeiro passo em direção ao acolhimento generalizado da ideia de que havia direitos comuns a todos os indivíduos, qualquer que fosse o estamento social – clero, nobreza e o povo – no qual eles se encontrassem.122

Documenta-se, ainda neste período, a existência de diversos documentos que marcaram, de modo incisivo, o contexto de lutas e manifestações de rebeldia contra o poder até então instaurado.

A primeira grande declaração fora a Declaração das Cortes de Leão, datada de 1188, advinda do Reino da Espanha.

No ano de 1215, na Inglaterra, veio a surgir, talvez, o mais importante dos documentos deste período: a Carta Magna. Considerada, por muitos doutrinadores, o primeiro precedente teórico das declarações de direitos humanos, tal documento veio a limitar o poder do soberano, além de ter servido como referência a alguns direitos e liberdades civis clássicas, imposta por bispos e barões. Nesse sentido, destacam-se os seguintes dispositivos da referida Carta:

1) reconhecimento da inviolabilidade dos "direitos e liberdades" da Igreja na Inglaterra; 2) o compromisso de não lançar tributos sem o consentimento do Conselho Geral do reino; 3) o estabelecimento da regra de proporcionalidade entre as multas e a gravidade dos delitos; 4) a proibição do confisco de bens por parte de xerifes e bailios; 5) a afirmação de que nenhum homem livre será detido ou sujeito à prisão, ou privado de seus bens, ou colocado fora da lei, ou exilado, ou de qualquer modo molestado senão mediante um julgamento regular pelos seus pares ou de harmonia com as leis do país: 6) a admissão da liberdade de entrar e sair do reino, "em paz e segurança", exceto em tempo de guerra.123

122COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos, p.33. 123HUSEK, Carlos Roberto, A nova (des)ordem Internacional ONU..., p.207.

Ambos os documentos acima citados são retratados como embrionários de certos direitos, uma vez que na medida em que representam e valorizam o direito à liberdade, um dos princípios orientadores do moderno conceito de direitos humanos, esses dois documentos são considerados por alguns autores o embrião desses direitos.124

Uma década mais tarde, com os preceitos desenvolvidos por São Tomás de Aquino, esquematizam-se os primeiros princípios que possibilitaram o desenvolvimento do ius naturalis. Edgar Bodenheimer125 entende que as opiniões de São Tomás de

Aquino sobre questões jurídicas e políticas mostram especialmente a influência do pensamento aristotélico adaptado às doutrinas do Evangelho e dos Padres da Igreja integrado em um importante sistema de pensamento.

Fora com São Tomas de Aquino que se delimitou os alcances do direito natural, desenvolvido na Idade Média, segundo os preceitos de direito e justiça que, naquela época, imperavam. Dessa maneira, evoca-se tal passagem:

A Summa teologica de São Tomás de Aquino é peça essencial na definição e alcance do direito natural medieval, que se estabelece como modelo da lei humana. A partir daí Aquino desenvolveu a doutrina teórica e política que fundamentaria a limitação do poder, sustentando que a submissão às autoridades seculares implicava, por parte destas, o respeito às regras da Justiça e a promoção do bem comum.126

Finalmente, pode-se julgar que fora neste período que surgiu o embrião dos direitos humanos, na acepção do valor de liberdades específicas aos estamentos, especialmente ao clero, à nobreza e algumas ao povo. Fora nesta época, também, em que ocorrera "a primeira experiência histórica de sociedade de classes, onde a desigualdade social já não é determinada pelo direito, mas resulta principalmente das diferenças de situação patrimonial de famílias e indivíduos"127.

124FICO, Carlos. Ditadura e democracia na América Latina: balanço histórico e perspectivas. São

Paulo: FGV, 2008. p.18.

125BODENHEIMER, Edgar. Teoria General de los Derechos Humanos. México: Fondo de Cultura

México, 1942. p.145.

126SILVEIRA, Vladmir Oliveira da; ROCASOLANO, Maria Mendez. Direitos humanos..., p.120. 127COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos, p.34.

Benzer Belgeler