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A descrição das etapas do sistema de produção da Novelis, assim como ocorre com as outras empresas visitadas e analisadas, tem um caráter exploratório, guiado pela descoberta. Sendo assim, as informações aqui apresentadas buscam relatar as impressões particulares da pesquisadora, que não se encontram em fontes secundárias.

O parque industrial da Novelis está instalado na cidade de Pindamonhanga (São Paulo) desde 1977, originário da antiga Alcan. Os investimentos em tecnologia produtiva estão refletidos nos processos altamente automatizados, principalmente para a laminação de chapas de alumínio74. Em 2007, a Novelis foi adquirida pela Hindalco Industries Limited, oligopólio multinacional com sede na Índia. Hoje, é a maior recicladora de latas de alumínio do mundo. Segundo informação verbal de Guedes75 (2011), a empresa produz 400 mil toneladas de alumínio por ano, incluindo a matéria-prima reciclada76.

74 Observado durante a visita à Novelis em Pindamonhangaba (SP), em 13 de setembro de 2011. 75 Engenheiro da Novelis, em apresentação realizada na visita técnica à empresa (idem nota acima). 76 Estima-se que 60% deste montante é composto por metal primário, no qual estão considerados os

refugos e a sucata de alumínio puro gerados durante os processos produtivos (uma média de 15%). Dos 40% de material reciclado pós-consumo há uma perda de 3 a 5% de alumínio, e isso ocorre em qualquer processo de reciclagem.

CAPÍTULO 4 | ESTUDO DE CASO

As instalações industriais são estruturadas e organizadas, principalmente considerando as proporções de quantidade de matéria-prima e dos produtos finais, neste caso, bobinas de alumínio. Conforme constatação anterior, os processos são todos automatizados e estão em conformidade com o atual posicionamento da empresa, que possui a maior planta de reciclagem de alumínio da América do Sul.

As etapas que compõe o sistema produtivo da Novelis são divididas em quatro grupos: refusão ou fundição; laminação a quente; laminação a frio; e acabamento. O material destinado à reciclagem é adicionado ao alumínio puro no forno de fusão, a uma temperatura de 700º C. O alumínio em estado líquido é transportado por “cadinhos” (caminhão) até a área de refusão. O material resultante é composto por sucata de alumínio (em torno de 40%) e por resíduos do processo somados ao alumínio líquido (60%) 77.

No sistema de reciclagem desenvolvido pela Novelis, os fardos de latas de alumínio78 (Figura 28) são triturados em pedaços pequenos, medindo apenas uma polegada. Em seguida, passam por um separador eletromagnético e por uma peneira, além da separação por ar quente que divide a sucata por peso, removendo as impurezas. Após as etapas de trituração e triagem, a tinta contida no alumínio (utilizada nos rótulos) é removida no forno de calcinação.

Segundo informação verbal de Rocha (2011), os demais resíduos são liberados em forma de fuligem não tóxica, previamente tratada. Os gases emitidos são processados em um incinerador e reaproveitados para aquecer o ar dos sistemas de entrada, como dos trocadores de calor, reduzindo, mesmo que minimamente, o gasto total de energia.

77 As porcentagens de quanto representa cada componente no material final da refusão (alumínio

derretido) são controladas por sistemas computadorizados e softwares específicos da empresa, que medem as quantidades dos elementos, de acordo com a liga de alumínio pretendida, e indicam o quanto deve adicionado ou subtraído.

78 Os fabricantes de latas de alumínio também enviam fardos de latas perdidas durante o processo

produtivo. Estes fardos já contêm matéria-prima “limpa” sem necessidade de passar pela triagem do material.

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Figura 28 - Fardos para reciclagem na fábrica da Novelis em Nova Iorque, EUA. Fonte: NOVELIS, 2011, online. Acesso em: 17 set. 2011.

Os pedaços de alumínio são, então, inseridos em fornos próprios para o derretimento. O metal líquido é colocado em um molde para esfriar e endurecer, formando um grande bloco sólido (chamado de lingote) que, segundo Guedes (2011), pesa cerca de 20 toneladas, com altura de 5,50 m, largura de 1,84 m e espessura de 600 milímetros (Figura 29).

Figura 29 - Lingote de alumínio sendo transportado para os processos de laminação. Fonte: NOVELIS, 2011, online. Acesso em: 17 set. 2011.

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O lingote é transferido para a laminação a quente, onde é pré-aquecido acima da sua temperatura de recristalização (500°C), preparando a superfície para o laminador. O número de passes nos laminadores depende da espessura da chapa: o lingote entra com cerca de 30 mm e sai com uma variação de 2,2 a 9,0 mm79. Posteriormente, a chapa passa para a laminação a frio80, até que a espessura seja gradualmente reduzida. Nesta fase, há o uso de um software de controle que ajusta o “GAP” (ou os desajustes) dos cilindros de trabalho. O resultado são bobinas de 10 km de comprimento, com espessura de até 0,05 mm (Figura 30).

Figura 30 – Bobinas de alumínio em uma das fábricas da Novelis, em Nova Iorque, EUA. A estrutura industrial é muito semelhante à planta de Pindamonhangaba, em São Paulo.

Fonte: NOVELIS, 2011, online. Acesso em: 17 set. 2011.

79 O controle de espessura é feito por medidores eletrônicos espalhados por toda a extensão dos

rolos. No caso das chapas utilizadas para a produção de latas, deve ser considerada a menor espessura possível.

80 Devido ao desgaste, estes cilindros são trocados de 3 a 4 vezes por dia, um número inimaginável

antes de conhecer a rapidez (a velocidade chega a 80 km por hora nesta laminação, ou seja, 1.200 metros de chapa por minuto) e a intensidade de uso, já que a fábrica funciona 24 horas por dia.

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O conhecimento dos processos industriais da Novelis foi relevante para mesurar o grau de tecnologia empregado atualmente na produção do alumínio, além das grandes quantidades de insumos e, consequentemente, de material produzido. Ao comparar as instalações industriais brasileiras com imagens de outras fábricas pelo mundo (encontradas no site da empresa), fica clara a padronização intrínseca a esta multinacional, uma vez que as estruturas físicas são idênticas. Neste sentido, o Brasil possui o que há de mais moderno para a reciclagem e para a produção de chapas de alumínio, e isto se reflete nas etapas seguintes.