• Sonuç bulunamadı

4. BULGULAR VE YORUM

4.1. Demografik Değişkenlere Göre İş Doyumu

FIGURA 12 – Ficha de identificação de Gilney Amorim Viana no DOPS/MG. Fonte: APM, Fundo DOPS/MG.

No dia 14 de maio de 2011, fui à antiga sede da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG (FAFICH/UFMG), localizada na Rua Carangola n° 288, a fim de presenciar o lançamento público da Associação dos Amigos do Memorial da Anistia. Na localidade, mais precisamente, no antigo Colégio Aplicação da UFMG, mais conhecido como Coleginho, onde depois abrigou o Departamento de Psicologia da FAFICH, funcionará a sede do Memorial da Anistia em Belo Horizonte.

O objetivo era contactar ex-integrantes da CORRENTTE, que certamente compareceriam à cerimônia, sobretudo Gilney Amorim Viana, um dos convidados do evento. Aos poucos foi possível identificar alguns integrantes da organização que poderiam contribuir para minha pesquisa.

O comportamento de um senhor eloquente, cuja fisionomia não me era estranha, me chamou a atenção. Tratava-se de Gilney Amorim Viana, o qual havia visto em fotografias e vídeos.

Aproveitei a oportunidade para conhecê-lo, bem como apresentar minha pesquisa, a qual foi aceita com grande entusiasmo. Passados aproximadamente 6 meses, encontrei novamente com Gilney Amorim Viana nas dependências do Arquivo Público Mineiro e

marcamos a desejada entrevista, cujo ocorreu no dia 29 de junho de 2012, na casa do irmão do Gilney, Rodney Amorim Viana.

A fim de nortear a entrevista, elaborei um roteiro, que o entrevistado pediu para verificar. Em seguida começamos a entrevista, que durou aproximadamente 2 horas. Gilney relatou desde a origem da CORRENTE até a fusão da mesma na Ação Libertadora Nacional. Narrou, como sujeito ativo, toda a história da CORRENTE, bem como sua trajetória na mesma.

Filho de pais baianos, Divaldo Francoso Viana e Maria da Glória Amorim Viana, Gilney nasceu no ano de 1945, no estado de Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Águas de Formoso. Em decorrência da naturalidade de seus pais, passou uma infância de idas e vindas para Minas e Bahia. Já sua adolescência viveu na cidade de Belo Horizonte, quando veio, no fim do ano de 1959, realizar seus estudos.

Dois anos depois, em 1961, Gilney Amorim Viana se filiou ao Partido Comunista Brasileiro, onde permaneceu até o ano de 1967, quando, insatisfeito com a linha programática do PCB, se juntou com dissidentes do Comitê Municipal de Belo Horizonte e formou a Corrente Revolucionária de Minas Gerais, a fim de estabelecer um combate mais violento contra a ditadura.

Na CORRENTE, participou praticamente de todos os setores, se destacando no setor ligado ao funcionalismo público, em razão de seu período como servidor, e nas ações armadas empreendidas pela organização. Talvez pelo seu alto nível de instrução (nesse período era estudante da Faculdade de Medicina da UFMG, além de dissidente do PCB), foi um dos redatores do documento inicial do grupo Orientação básica para atuação: 20 pontos e do jornal Faísca, voltado para a classe dos funcionários públicos. Na mesma proporção de sua atuação política, se deu o policiamento sobre seus atos.

Gilney Amorim Viana é o único integrante da Corrente Revolucionária de Minas Gerais que foi indiciado em todos os oitos Inquéritos Policial Militar produzidos pelo DOPS/MG para averiguar a estrutura e atuação da CORRENTE no estado.

Seu nome também integra o Processo N° 15/70 da Auditoria da 4º Circunscrição Judiciária Militar. De acordo com o Processo:

Gilney Amorim Viana: (Codinomes: “Augusto” e “Antonio”); foragido; GILNEY e o não denunciado Zanconato (porque banido) são os chefes da “CORRENTE” em

Minas; já são conhecidos das autoridades, civis e militares desde os idos de março de 1964, quando militava no Comitê Estudantil do PCB, na Capital; com os denunciados HÉLCIO, JOSÉ JÚLIO E RICARDO e o não denunciado Zanconato, fundou a “CORRENTE” em Minas; com os denunciados GILBERTO, MONIR, EFIGÊNIA e FRANCISCO estêve em contato com a cúpula do PCBR, da qual recebeu o dinheiro, as armas e as munições e as instruções, com o que deu início às expropriações e à ação armada, em Minas; friamente já fêz atentados pessoais nas expropriações em que funcionou quase tôdas de que se tem conhecimento, sendo certo que, naquelas que não funcionou diretamente; estava na cobertura armada; responsável pelos planejamentos de expropriações e acões armadas e da execução dos mesmos; transportou armas e explosivos, pelo Estado e pela Capital, Coordenador dos Comitês; autor dos planos de assalto aos quartéis e delegacias, da Capital e do interior; participou e supervisionou e supriu os treinamentos de guerrilhas; supridor de armas, munições e explosivos; autor do documento base da organização (...). (Grifos do Processo) 103.

Vale ressaltar que a repressão política sobre Gilney começou logo após o golpe militar de 1964. No dia 30 de abril foi preso – por ser filiado ao PCB – durante o expediente de trabalho no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Nessa ocasião premaneceu preso por poucos dias, o que não ocorreu na 2ª prisão. Em 18 de março de 1970, Gilney foi preso na cidade do Rio de Janeiro. Iniciava ali uma reclusão de aproximadamte nove anos e dez meses no cárcere, vindo a ser solto só no ano de 1979, em razão da Lei da Anistia.

Na entrevista cedida ao autor, Gilney Amorim Viana comenta que, mesmo em cárcere, continuou a luta contra a ditadura civil-militar. Dentro da Penitenciária de Linhares/Juiz de Fora104, local onde cumpriu grande parte de seu período de reclusão, redigiu uma carta (ver anexo IV) em denúncia às torturas e assassinatos cometidos pelo regime civil-militar:

(...) quando eu vim para Juiz de Fora, quando eu caí no Coletivo, que é uma organização dos presos lá em Linhares, eu escrevi uma denúncia de tortura, (...). Então só em Juiz de fora deu 5 denúncias de tortura, que era uma forma da gente continuar a guerra, no caminho da guerra psicológica, da verdade, desmoralizar as versões da ditadura, cê entendeu? Mentiam sobre assassinato, sobre as torturas e tudo mais, isso foi muito importante, então nós continuamos a guerra dentro da cadeia, cê entendeu? Foi isso que nós fizemos 105.

103

Processo indenizatório às vitimas da ditadura de Abner de Souza Pereira, sob a guarda e organização do Arquivo Público Mineiro para ser disponibilizado à consulta.

104 A Penitenciária Regional José Edson Cavalieri foi inaugurada em 1966 com presos vindos de Belo Horizonte.

Ficou conhecida por Penitenciária de Linhares por causa dasua localização – o bairro de Linhares – na cidade de Juiz de Fora. A recepção de presos políticos começou em 1967 com militantes presos na guerrilha do Caparaó, contudo, somente em 1969 é que chegaram os primeiros militantes da guerrilha urbana, integrantes da CORRENTE e do COLINA. De acordo com Ribeiro (2007), naquele presídio todos os presos eram mantidos incomunicáveis.

Após ser libertado, Gilney matriculou-se novamente no curso de Medicina da UFMG, o qual tinha sido suspenso pelo decreto 477. Posteriormente, foi residir em Cuibá/MT, onde contribuiu para a estruturação do Partido dos Trabalhadores (PT). No ano de 1994 foi eleito o primeiro deputado federal pelo PT/MT. Em 1998 se elegeu deputado estadual pela mesma legenda e estado. Em Mato Grosso também se tornou professor da Universiade Federal. Autor dos Seguintes livros: 131 D Linhares - Memorial da Prisão Política (1979), Perspectivas da Social Democracia no Brasil (1980), A Revolta dos Bagrinhos (1991), Glória – mãe de preso político (2000), O Desafio da Sustentabilidade (2001), Fome de Liberdade: a Luta dos Presos Políticos pela Anistia (2009), Massacre da Chácara São Bento. No ano de 2002, participou da elaboração do Programa de Meio Ambiente do Governo Lula. Em 2006 foi um dos idealizadores da Organização Não Governamental (ONG) “Flor do Cerrado”, que atua na preservação da cultura regional mato-grossense.

Atualmente, Gilney Amorim Viana trabalha como Acessor Especial do Ministério dos Direitos Humanos e Coordenador do Projeto Direito à Memória e à Verdade do Governo da presidenta Dilma Vana Rousseff, atuando em defesa da memória e honra dos presos, torturados, desaparecidos e mortos pela ditadura civil-militar.