Na década de 1930, com a queda do governo de Washington Luiz, enfraquecido pelos impactos da crise mundial ocasionada pela quebra da bolsa de valores de Nova York em 1929, pela crise de superprodução do café e pela coalizão de movimentos políticos internos descontentes com o governo, iniciou-se a era Vargas, a partir da Revolução de 30, objetivando rompimentos políticos e econômicos com a velha ordem social oligárquica.
A era Vargas foi o período da história que perdurou de 1930 a 1945, em que Getúlio Vargas governou o Brasil por 15 anos de forma contínua, tendo sido denominada de Estado Novo a fase entre 1937 a 1945, devido ao golpe de Estado, que fechou o congresso nacional e impôs um regime ditatorial ao país.
15 É possível perceber, nas páginas seguintes, a influência modernista nas manifestações artísticas e estéticas em
No novo regime, a política de modelo liberal de governo mantida até então foi substituída por um dirigismo estatal que retirou a autonomia dos estados, favoreceu a classe burguesa e incentivou o industrialismo. Essa realidade desfechou um golpe nas oligarquias latifundiárias e afetou profundamente os interesses do estado de São Paulo, que perdeu o domínio político alicerçado na Primeira República. Este estado insurgiu contra o governo provisório em um movimento que o acusava pela tendência centralizadora e pela demora em convocar a Assembleia Constituinte. Em 1932 ocorreu a Revolução Constitucionalista, iniciada no dia 9 de julho por rebelião armada –- no entanto, o movimento fracassou e, na promulgação da Constituição de 1934, os interesses dos paulistas foram negligenciados. (ROMANELLI, 1990).
Para o âmbito da educação, segundo a autora, as inovações implantadas nos setores econômico e social com mudanças introduzidas pelo sistema capitalista industrial e as novas demandas de qualificação para o trabalho e consumo, determinaram novas exigências educacionais. No cenário societário que se organizava para o modelo econômico emergente, com um processo acelerado de urbanização e industrialização, eram necessárias reformas educacionais mais profundas, com maior ação estatal na expansão do ensino público e gratuito e na adequação de diretrizes educacionais para a formação de recursos humanos no suprimento dos setores secundário e terciário da economia, antes dispensáveis pelo predomínio da economia agrária.
Configurou-se um período de disputas de poder nas várias facções das camadas dominantes, desencadeando contradições políticas que refletiram no campo educacional, com manutenção e defasagem entre a educação e o desenvolvimento do país:
As relações que o sistema educacional passou a manter com a sociedade global foram as mais contraditórias possíveis. Isso porque, no momento em que começaram os rompimentos, a nova ordem já não conseguia produzir o sistema escolar de que carecia, nem o setor social, nem o econômico. As pressões oriundas da demanda tiveram que ser satisfeitas, em parte, e o foram da forma mais precária. Refletindo as incoerências do novo regime implantado, que nem rompera de todo com o passado, nem se comprometera com o futuro, implantando completamente uma autêntica revolução burguesa, o sistema educacional brasileiro oscilou entre as novas exigências educacionais emergentes e a velha estrutura da escola, fazendo expandir aceleradamente o ensino, mas o mesmo ensino vigente até 1930. (IDEM,1990, p.68/69).
Segundo a mesma autora, a taxa de urbanização dobrou de 1920 a 1940, tendo o analfabetismo apresentado uma sensível queda, com o crescimento da alfabetização à taxa de 0,4% ano. A expansão do sistema escolar, todavia, ocorreu nas áreas geográficas coincidentes com o maior nível de desenvolvimento industrial provocando, mais uma vez, desigualdades
de oportunidades de instrução das populações nas várias regiões do país. O ensino aristocrático da antiga república passa para seletivo, apresentando dificuldades em acompanhar a velocidade crescente das transformações sociais e atender a demanda social de educação.
As lutas ideológicas se fizeram acirradas em torno da educação leiga versus religiosa desde o início do novo regime, tendo sido polarizadas entre a ala católica, que defendia o ensino tradicional e a ala renovadora, em defesa da Escola Nova. Em 1932 foi publicado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, elaborado pelo educador Fernando Azevedo e assinado por 26 educadores brasileiros, dentre os quais Anísio Teixeira, Cecília Meireles e Lourenço Filho. O movimento defendia o papel social da escolarização e vislumbrava a possibilidade de renovação educacional em âmbito nacional, tendo como premissa a garantia de ensino público leigo, o direito à escola comum e igual para toda a população na faixa etária de 7 a 15 anos – sem distinção de classes e situação econômica, a reorganização do ensino com a adoção de métodos educacionais fundamentados em descobertas no campo da psicologia, autonomia da função educativa e descentralização do ensino.
As Constituições de 1934 e 1937 deram fim à concepção de total laicidade no ensino público, anteriormente promulgada pela 1ª Constituição da República de 1891, determinando o ensino religioso facultativo e atendendo algumas das reinvindicações progressistas do movimento renovador, como política conciliatória junto às ideologias educacionais disputantes.
Uma vitória alcançada pelo movimento renovador foi a afirmação, na Constituição de 1934, do direito de todos à educação e o dever dos poderes públicos em proporcioná-la. No entanto, esta medida foi de pouca duração, tendo sido alterada na Constituição de 1937, limitando substancialmente o dever do Estado.
No governo Vargas, a área educacional passou a contar com o Ministério da Educação e Saúde, criado em novembro de 1930 e a primeira reforma educacional de caráter nacional foi elaborada pelo ministro Francisco Campos em 1931. Dentre algumas medidas dessa reforma foi a criação do Conselho Nacional da Educação, a organização do ensino secundário e comercial e a criação de um sistema nacional de inspeção de ensino secundário por uma rede de inspetores regionais. Outra reorganização do ensino efetuada por Gustavo Capanema, no período do Estado Novo (1937-1945), apresentou reformas no ensino secundário e universitário.