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Deliklere Kama Yeri Açma

3. ÖZEL TORNALAMA İŞLEMLERİ YAPMAK

3.9. Tornada Kama Yeri Açma

3.9.2. Deliklere Kama Yeri Açma

141

Esse novo papel, que pode ser desenvolvido pela empresa moderna, tenha por enfoque seus funcionários ou a comunidade, tem suscitado inúmeros questionamentos.

Um dos principais, é a confusão com as obrigações legais com “obrigações” sociais. O móvel de um comportamento social é essa última.

A contribuição da empresa moderna para a efetivação dos direitos sociais, há de ser voluntária, ainda que se valore positivamente o comportamento consistente em cumprir a legislação.

Ao praticar a responsabilidade social, o empresário vai além da responsabilidade legal, pois adota uma conduta comprometida com o resgate da cidadania, assumindo uma posição de co-responsabilidade na busca do bem-estar público, investindo parte de seus recursos na promoção de políticas sociais fundamentais, visando a melhoria da saúde, meio ambiente, educação, moradia, previdência social, assistência social e segurança da comunidade em geral.

Vale ressaltar que a responsabilidade social não é um instituto que pertence ao Direito – ao menos o positivado, tampouco dele nasceu. A responsabilidade social reside, antes de mais nada, na moral do empresário. Corresponde à obrigação de atender valores morais eleitos sociedade. E a moral como é sabido carece de coerção.

Assim, fácil deduzir que não pode o ordenamento jurídico contemplar regras que obriguem o empresário a tal agir. Se assim o faz, adentramos à esfera do direito positivado, donde impera a imposição.

Responsabilidade social não pertence ao Direito, mas o Direito faz parte da responsabilidade social, na mesma medida em que o Direito participa da moral.

Desse modo, é de admitir-se que a sociedade demande do empresário o cumprimento da legislação. Ou seja, atender às normas legais pode ser um requisito da responsabilidade social. Nesse particular, embora a questão será tratada adiante, em face aos benefícios advindos da postura socialmente responsável há de se valorar distintamente uma ação que restringe-se a cumprir a lei, daquela que, voluntariamente, leva a efeito dos direitos sociais.

Isso porque, ao assumir voluntariamente o papel do Estado, a empresa se compromete com a sociedade profundamente, de modo que deve ser séria a sua intenção de contribuir com o desenvolvimento, bem estar e a melhoria de qualidade de vida da população.

A responsabilidade social é muito mais profunda do que a legal, pois requer uma atuação voluntária, organizada e eficiente da empresa em prol da comunidade, não se atendo ao estrito cumprimento da legislação em vigor. Daí, a valoração distinta que se pretende.

Recordamos o que dissemos no primeiro Capítulo, de que “a responsabilidade social pode ser vista como uma forma de atendimento

aos direitos sociais previstos na Constituição Federal, cujo comportamento do particular é impulsionado por padrões éticos que conduzem à valores de interesse da sociedade - bem-estar social”

Nessa esteira, a responsabilidade social, na verdade, implica no gesto ou no ato, não imposto por lei, destituído de

obrigatoriedade ou compulsoriedade, cujo descumprimento não acarreta sanção e que tem por finalidade colaborar com qualquer daqueles direitos sociais mencionados no aludido artigo 6º da Constituição Federal.

Ocorre que os padrões éticos, por vezes, estão repetidos na legislação – trabalhista, ambientalista, v.g. – o que inibe a voluntariedade que pode ser elemento caracterizador da responsabilidade social, mas não exclui a responsabilidade legal.

NILSON LAUTENSCHLEGER JÚNIOR, lembra que “algumas

preocupações estão incluídas, em forma de proteção mínima, em leis”, vendo-a

como instrumento da sociedade civil “capaz não só de viabilizar melhoria nos

padrões mínimos de proteção legal, como também incentivar o cumprimento dos padrões mínimos.” 142

Por exemplo, a empresa que coloca à disposição das funcionárias uma creche. Se a empresa contiver em seus quadros funcionais o número de funcionárias suficientes para enquadrá-la na lei que a obriga a tanto, a empresa atende a uma demanda da sociedade baseada também em valores éticos, mas o faz também e acreditamos que prioritariamente movida pelo dever legal.

Outro exemplo, a empresa que considera-se socialmente responsável porque não utiliza de trabalho escravo. Ora, nenhum agir do empresário poderá ferir os princípios e as disposições constitucionais, a fim de manter-se a ordem jurídica. Tanto na análise da função social como da diretriz da solidariedade destacamos essa premissa quanto a deveres negativos. Não podemos valorar moralmente um ilícito legal. Para esse caso,

142

somente se admitiria reconhecer uma postura socialmente responsável se, além de não utilizar o trabalho escravo, o empresário contribuísse de algum modo para que o trabalho forçado não ocorresse também fora do seu negócio, da sua atividade empresarial.

Lembramos que mesmo a concepção filosófica do termo responsabilidade, pressupõe escolha com relação ao comportamento a ser seguido. Assim para que o empresário legitimamente se aposse do título de

responsável socialmente deve demonstrar que a escolha dessa postura, com

perdão da redundância, se deu voluntariamente.

Ocorre que, muitos estudiosos do tema e até mesmo empresários têm alardeado que o cumprimento da legislação trabalhista, o recolhimento dos tributos exigidos pelo fisco e, ainda, o respeito às normas ambientais, constitui uma forma de realização da responsabilidade social.

A empresa que cumpre integralmente a legislação trabalhista demonstra respeito e ética no trato com seus empregados. Ao cumprir uma obrigação legal, sem dúvida, contribui para o bom desenvolvimento da sociedade e até dá efetividade à cidadania solidária, vez que os tributos devem se reverter em despesas com os serviços e bens públicos. Sem dúvida, sua atuação ética, dentro da lei, também contribui para o progresso do país.

Igualmente, a empresa que, em seu processo de produção, cumpre a lei utilizando meio eficiente para evitar a poluição do ambiente, demonstra respeito ao cidadão. Contribui, assim, para o desenvolvimento de uma sociedade mais saudável, mas, a rigor, nada mais faz do que obedecer a rigorosa legislação ambiental existente em nosso país.

Denominar essa atuação de responsabilidade social ou

solidariedade social como sugerimos, por si só, não nos parece adequada, na

medida em que se constitui em estrito cumprimento da lei. Constitui, antes de mais nada, uma obrigação legal.

A responsabilidade social é mais exigente, reclama um comportamento positivo, voluntário, organizado e eficiente da empresa em prol da comunidade, não se atendo ao estrito cumprimento da legislação em vigor.

Não se trata de distinguir obrigação jurídica de obrigação moral para concluir que somente à última sujeita-se a responsabilidade social. Se quisermos criar essa dualidade para fundamentarmos a responsabilidade social, esbarramos na problemática da efetividade das normas constitucionais que recepcionam a atividade empresarial – solidariedade (art. 3º, I, CF) e função social (art. 170, III, CF), tratadas nos itens anteriores.

Lembramos que a concreção dos direitos sociais, assim como dos princípios da função social e da solidariedade tem efetividade imediata e não se restringe ao Estado. A diferença entre o Estado e o particular é que para esse último não existe, ao menos para o Direito, coerção.

Assim, não conseguimos separar ética de Direito, porque o primeiro contém o segundo, entretanto, podemos indicar a distinção entre eles, a imposição.

Quando a empresa extravasar o campo da lei em seus comportamentos, com ações sociais positivas voltadas para atender aos

direitos do artigo 6º da Carta Política, de fato há de se reconhecer um comportamento socialmente responsável, não em razão do seu conteúdo, mas sim em razão do seu móvel.

Conforme constatou RACHEL SZTAJN as relações das

companhias com o público externo passaram a incluir “’credores

involuntários’, ou seja, pessoas ou comunidades que sofrem os efeitos da atividade, especialmente no que se refere a direitos de solidariedade, direitos esses de ordem ética, moral, não legal, e que têm como contrapartida a denominada responsabilidade social”.143

A empresa pode e deve ir além das obrigações legais144

promovendo ações que contribuam para o bem-estar social.

A empresa que se auto-denomina socialmente responsável porque, exclusivamente, cumpridora das obrigações legais, peca por falta de ética. Assim, mesmo que a responsabilidade social inclua valores éticos em seu gênero, admitindo-se as espécies moral e Direito, a empresa que atende somente àqueles valores que lhe são impostos por lei e conclama essa qualidade não age com ética, ou seja, não atua da forma solidária que se espera.

Essa foi uma tentativa de dar os parâmetros do empresariado socialmente responsável. Outra tarefa difícil é encontrar uma definição jurídica adequado para responsabilidade social empresarial.

O conceito de responsabilidade social tem aparecido como um apelo de natureza ética e para a responsabilidade empresarial foi

143

A Responsabilidade Social das Companhias, p. 34.

144

“Não está, porém, só no Direito Positivo mas, também, nas regras de bem-viver, um fundamento

para as ações sociais adotadas pelas sociedades, especialmente as grandes empresas.” Ibidem, p.

lançado no Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável em 1998, na Holanda, in verbis:

“Responsabilidade social corporativa é o

comprometimento permanente dos empresários de adotar um comprometimento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de seus familiares, da comunidade local e da sociedade como um todo.”

As diversas definições têm sempre um núcleo comum –

forma de gestão com atribuição de valor às ações (ou melhor ao

comportamento) da empresa pela sociedade civil, tendo como fonte padrões éticos ou a moral.

A ética145 é que estabelece os critérios de julgamento das

ações das empresas.

Esse núcleo comum se completa com o preenchimento do valor objeto da “responsabilidade social” que é sempre o de promover o bem-estar de todos, complementado o papel do Estado.

Algumas definições de responsabilidade social empresarial, ainda incluem os diversos públicos envolvidos (acionistas, funcionários, fornecedores, consumidores, comunidade, governo, etc) e o elenco dos direitos alcançados, como por exemplo, a adotado pelo Instituto Ethos, na qual a Responsabilidade Social das Empresas é entendida “como a

145

Destaca Patrícia Almeida Ashlev que “a responsabilidade social é resultado dos questionamentos

e das críticas que as empresas receberam, nas últimas décadas, no campo social, ético e econômico por adotarem uma política baseada estritamente na economia de mercado.”“Responsabilidade social

forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.”146

Buscando uma definição no âmbito do Direito, deparamo-nos com o trabalho da Comissão de Direito do Terceiro Setor da Ordem dos Advogados de São Paulo, que distingue responsabilidade social individual147 de responsabilidade social empresarial, definindo que esta

última deve ser vista como “o papel que cada organização/empresa na

construção de uma sociedade livre, justa e solidária”. O desempenho desse

papel vai depender do quanto a organização quer vivenciar aquilo que está escrito na Constituição Federal.

Entendemos que para o Direito não é relevante constar da definição de responsabilidade social empresarial a forma de gestão, já que essa classificação interessa mais a outras ciências humanas, tal como a administração, a economia. Assim, parece-nos suficiente a definição trazida à lume pelo colegiado de causídicos, na medida em que contempla os valores da liberdade, da solidariedade e da justiça, suficientes para a escolha do empresário em atender aos interesses coletivos.

146

http://www.ethos.org.br 147

“Responsabilidade Social Individual: o papel de cada indivíduo, enquanto cidadão, na

construção de uma sociedade livre, justa e solidária.” Responsabilidade Social e o Papel do Advogado. http://www.oabsp.org.br

5.7. Identificação da Responsabilidade Social Empresarial no

Benzer Belgeler