dos cartões, as pessoas que sabiam que ela gostava também compravam e mandavam para ela... até nessa coleção você tem uma diversidade de elementos. E aí que a minha questão: a coleção é biográfica, é documento, arquivo...
Se for da mesma pessoa faz parte da coleção dela.
2a. Lá eu vi também cartões posteriores ao falecimento dela...
Não tem problema. Depende... se alguém juntou, continuou a coleção dela... a gente tem muito disso aqui. Por exemplo: uma pessoa morre, aí o filho vem e doa tudo o que era do pai. E vem um monte de coisa, vem jornal... se você consegue identificar o que era do filho, você consegue separar. Se você não consegue você não vai jogar fora... eu não jogo.
115 BELLOTTO, Heloisa Liberalli. Arquivos Permanentes: tratamento documental. Rio de Janeiro. Ed. FGV. Trata de arquivos e arquivamentos de documentos.
2b. Eu estou tentando separar o que é correspondência, o que está em branco, o que não tem data definida...
Aí você vai ter que fazer uma opção. Aí entra o recurso do papel. Você vai poder fazer um catálogo da coleção dos cartões postais da fulana de tal. Aí, esses que você classificou como correspondência vai entrar tudo em cartão postal. Porque o que é que está acontecendo: a pessoa que vê os cartões postais vai pensar que tem só aqueles. E o outro você classificou como correspondência. E o que é que a pessoa fez: ela usou o cartão postal para escrever algo. Aquilo não é uma correspondência. É um cartão postal. A materialidade do documento é cartão postal num primeiro momento. Não é correspondência. Ela usou o cartão postal para escrever uma correspondência.
2c. Pode fazer subcategorias ou não?
Na minha opinião, eu escolheria. Ou eu faria um instrumento de pesquisa, com o recurso do scanner, você pode escanear o que tem mais, no seu caso se for correspondência, escaneia todas as correspondências, imprime e faz uma anotação: cartão postal nº tal. Você vai numerar os cartões... e passa os cartões para cartões. Senão você está perdendo. Você está dividindo coisas que não dá para dividir. Porque é cartão postal. Assim como é muito difícil você pegar um monte de correspondência e querer dividir por assunto. Tem gente que quer. Indexar correspondência. Não dá. Então você vai organizar por ano, dentro do ano por mês, e por dia, direitinho, dentro daquele ano. E cabe ao pesquisador fazer sua pesquisa.
2d. Eu tenho data do que é correspondência... tenho o que não tem texto e o que não tem data definida. Houve um período que separaram os cartões por tema. Retiraram o que era referente à cidade de Jundiaí e separaram da coleção.
E você conseguiu recuperar?
Consegui.
Mas o que veio dela?
Cartões postais. Só.
É a coleção dela. Mas agora você viu que atrás do cartão postal você tem uma carta. É normal isso. Quantos cartões são?
A primeira informação que eu tive foi de 5.000, que ela foi colecionando ao longo dos anos. Pela quantidade de material que eu recebi, não havia 5.000. Aí me informaram que eram 1.500 cartões. Mas acho que não tem isso.
Está numerado?
Eu estou numerando e identificando.
Tem que numerar.
Foi uma diretriz do MHCJ, passar tudo o que fosse bidimensional para o Centro de Memória.
[Passamos para a sala do Arquivo]
Aqui normalmente a gente faz assim: aqui tudo é fotografia. E tem uma pequena coleção de cartões postais. Normalmente o que é que a gente faz... eu entrei para tomar conta dessas coisas vai fazer uns três anos só. E até hoje eu não dei conta. Nem consegui dar conta de tanta coisa que tem. A gente tem mais de 18.000 imagens. Então o que eu comecei a fazer é o que você está fazendo. Identificar as coleções. Tem vários cartões postais. Isso aqui a menina fez para a gente testar como guardar, mas não vai ser guardado assim não. Então, normalmente, cada cartão postal está MR de Museu Republicano, barra IC de iconografia, o número dele, são números corridos, começa com 001 e vai embora... e esse aqui seria a coleção.[MR/IC 001 PM]. No caso, como ela chama? [AQT] Isso mesmo. Então você coloca C AQT, por exemplo, em todos eles. Todos numerados. De 0001 até 1500 ou mais. O que vai ser feito para acondicionamento é isso: a gente vai comprar isso aqui, e coloca assim. Isso permite que você coloque até em pasta suspensa, que ele não vai dobrar. A gente não tem armário específico aqui, infelizmente. Mas existem uns armários, no MP tem esses armários, que são armários... você vê, está tudo em saquinho, porque isso está sendo organizado. Ainda está em processo de organização. Porque eu sou sozinha aqui também. Isso aqui, eu vou mostrar para você, já está organizado. É Washington Luiz. Então para os álbuns do WL nós tivemos orientação de caixas de filifold116. O álbum fica aqui dentro, numerado, é uma caixa muito fácil de fazer, você consegue até pela internet.
116
Filifold um papel especial fabricado com reserva alcalina, possuindo características de papel permanente. Este papel contém uma reserva de carbonato de cálcio, que mantém inalterada a resistência original dos documentos contra ácidos provenientes do ar poluído, desta forma sua resistência não se altera com o tempo em qualquer ambiente. Sua composição possui 30% de fibras longas, que garantem uma alta resistência a dobras e vincos, sendo utilizado como pastas para
Aí, além de numerar o álbum a gente numera cada imagem. Por exemplo: um álbum é o nº 30 e ele tem 225 fotos. Então você vai numerando 1/225. Esse número imenso tem que ser criado por causa do banco. O Banco foi criado pelo Museu Paulista. E isso aqui, o papel japonês foi colocado um a um [entre as fotos] para a gente fazer a conservação. E tudo foi numerado. Assim: esse é o número do álbum, essa é a segunda foto de 87 fotos. Nos álbuns a gente faz isso. Se fosse avulso, não. Ele teria só esse número e iria na sequência. Então a gente tem isso primário, essa caixinha, secundário a pasta polionda sempre cinza ou incolor - não compra de outra cor – porque a gente não tem mais orientação de usar essa aqui [azul].
Identificou, - eu tenho um instrumento de pesquisa que eu vou te dar – essa é a caixa 50, está aqui [armário]. Tudo isso é Washington Luiz. Existem caixas mais reforçadas, se necessário. Aí a gente tem um inventário e esse é o catálogo de todos os álbuns. Por exemplo, armário 60 caixa 58... o que está aqui é o que eu tenho lá.
Você pode fazer com seus cartões postais, se você quiser fazer o catálogo, uma coisa assim... é muito simples: você pega um cartão postal e faz isso: coloca coleção, referência, doação, em vez de você colocar álbum, descrição, você pode colocar cartão postal nº tal, localização e você pode fazer uma descrição do cartão e uma data aproximada.
Uma coisa pequena, para cada cartão, e se você quiser incrementar ainda mais, você escaneia o cartão e põe a foto dele aqui. Como a gente fez aqui
A gente bolou esse trabalho para o pesquisador. Porque o pesquisador não vai ter acesso [ao original]... Você pode, para você não perder o trabalho – olha, a gente já começou a colocar - escanear em 300 dpi e arquivar a imagem, aí você imprime colorido, já deixa a imagem à disposição e usa aquela e não o cartão. E dá para fazer um belo instrumento de pesquisa com isso.
conservar fotos e documentos. APLICAÇÕES: Proteção de documentos e matérias especiais como fotos. Confecção de caixas, pastas e envelopes para conservação de documentos; Guarda de documentos, etc. Fonte http://www.casadorestaurador.com.br/ . Acesso em abril/2015.
No cartão a gente escaneia frente e verso, e mesmo as fotografias a gente escaneia frente e verso, pois pode ter uma dedicatória... e aí você já tem todas as informações em mãos. Por exemplo, se o pesquisador quiser só a correspondência, você 'puxa' .... Eu vou mostrar como estão as coisas que a gente está organizando. Isto aqui é Prudente de Moraes. Ele já está todo acondicionado [num envelope de polipropileno]. Mas, o que é que acontece: nessa foto, tem coisas atrás, então foi escaneado frente e verso. Aqui está tudo escaneado, numerado, acondicionado, só que não está no banco. A gente tem que colocar. Esse outro também está acondicionado.