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Tâmara, 17 anos, reside em Cidade Nova com a bisavó, a avó, a tia e duas irmãs. Numa casa conjugada à sua moram um casal de tios e três primos. Toda essa família é de linhagem materna. Sua mãe, 32 anos, está no segundo casamento com um parceiro que não é pai da jovem, mora numa casa próxima, no mesmo bairro. Desde a separação dos dois, que ocorreu quando a jovem tinha 6 anos, houve uma certa ruptura no contanto da Tâmara com seu pai, o que gradativamente gerou um afastamento completo, fato esse que, de acordo com seu relatos, é sentido com bastante raiva. As avós sustentam a família, ganhando aproximadamente 2,5 salários mínimos. Tâmara possui duas irmãs, de 15 e 12 anos, mas a mais nova é somente por parte da mãe. Atualmente encontra-se estudando, está na 2º ano do ensino médio. Mora em casa própria.

Leonardo, 22 anos, também reside em Cidade Nova. Mora com o pai, a mãe e uma irmã mais nova. Ainda tem duas irmãs mais velhas que moram fora de casa. A renda familiar varia muito, pois o pai é autônomo e os filhos não possuem emprego fixo, mas o sujeito informa que a renda total encontra-se aproximadamente a 2 salários mínimos. Os pais são casados, a mãe é dona de casa e o pai é camelô. Ambos sabem ler e escrever. Leonardo terminou o ensino médio e, no período em que aconteceram os encontros, conseguiu um trabalho temporário. Relata passar alguns problemas com o alcoolismo do pai e freqüentes discussões com a irmã. Moram em casa alugada.

Nilson, 15 anos, mora em Cidade da Esperança com os padrinhos (seus tios maternos) e primos. Seus pais e uma irmã mais nova resolveram mudar-se para Cidade Nova, condição que o jovem não aceitou e pediu para seus padrinhos manterem sua estadia em Cidade da Esperança, bairro de origem da família. O pai, 37 anos, é digitador

36 Os nomes utilizados aqui serão modificados por questões éticas, garantindo sigilo e privacidade dos sujeitos.

com emprego fixo e está casado com a mãe, 35 anos que é monitora de uma creche. A renda familiar está situada em 2,5 SM, morando em casa própria. Possui uma irmã de 5 anos, cuida dela durante as manhãs enquanto os pais estão trabalhando, mantém contato com a casa dos pais todos os dias, mas dorme na casa da madrinha. Está cursando o 2º ano do Ensino Médio e faz parte de um grupo de skatistas em Cidade da Esperança.

Luís, 18 anos, mora em Cidade da Esperança com os pais, uma irmã mais velha e uma sobrinha. O pai, 53 anos, é aposentado e casado com a mãe, 49 anos, dona de casa, que sabe ler muito pouco. A renda familiar está situada em 2 SM. Apesar de ter a família presente, boa parte da semana ele passa sozinho em casa, pois os pais resolveram comprar um sítio, onde estão passando boa parte do tempo. Luís toma conta da casa, que é mantida pelo pai. Seus irmãos são duas mulheres de 27 e 23 anos e um irmão de 25 anos. Luís não trabalha e está terminando o Ensino Médio.

Tarciana, 17 anos, mora no bairro de Felipe Camarão com seu pai, mãe e mais dois irmãos mais velhos. O pai, 44 anos, é motorista e trabalha numa oficina mecânica para complementar a renda. É o segundo marido da mãe, 42 anos, que atualmente trabalha como cozinheira em uma creche. Ela também é a segunda companheira do marido, que possui mais dois filhos do primeiro casamento que moram em sua cidade natal. O casal mora junto, mas não são oficialmente casados. O irmão mais velho, de 22 anos, é filho do primeiro casamento da mãe, trabalha em um supermercado, não ajudando na renda familiar que está situada em 3 SM. A jovem ressente-se por acreditar que sua mãe privilegia afetivamente esse irmão. O outro irmão, 19 anos, é fruto do atual relacionamento do casal. Tarciana, durante os encontros, relata diversos conflitos existentes com a mãe, ao contrário de sua relação com o pai, pelo qual relata uma preferência afetiva. Tem namorado, o qual é considerado uma pessoa muito

significativa. Está atualmente terminando o Ensino Médio e trabalha em casa, em serviços domésticos.

Hudson, 16 anos, mora também em Felipe Camarão, com a mãe, o padrasto e dois irmãos. Possui uma história de vida bastante difícil, relatando que não conhece o pai biológico. A mãe engravidou e deixou-o em um orfanato assim que nasceu, no qual esteve até os 7 anos recebendo visitas esporádicas da avó materna, sem nunca ter visto a mãe. Após essa idade, a instituição devolveu-o à mãe, que já estava morando com seu atual companheiro. A vinculação foi muito difícil, o jovem relata ter passado por diversas adversidades, ter morado na rua. Hoje está mais presente em casa, realiza serviços domésticos diversos enquanto os pais trabalham – o padrasto, 37 anos, como gari e a mãe, 39 anos, como empregada doméstica. Sente-se rejeitado e desprivilegiado com relação aos irmãos, um menino de 02 e uma menina de 07 anos. Em uma casa conjugada moram os avós maternos e um tio. A renda familiar está situada nos 3 SM. Hudson está fazendo um supletivo da 7ª a 8ª série, mas teve dificuldades de responder o questionário, tanto na leitura como na escrita. Mora em casa alugada.

Carol, 17 anos, mora no Bom Pastor com a mãe, o padrasto, quatro irmãos e um sobrinho. O padrasto, de 51 anos, é mecânico e está morando junto com a mãe, 36 anos, dona de casa, há aproximadamente 7 anos. Esse é o segundo casamento dos dois. O pai possui pouco contato com a jovem, a separação ocorreu devido a diversas brigas que acarretaram em agressões físicas. Houve briga na justiça pela guarda que ficou com a mãe, mas o pai chegava a ver os filhos no fim de semana, contato esse que foi se tornando escasso com o tempo. A jovem relata que o padrasto convidou a mãe para morar junto na casa dele, com o filho do primeiro casamento, de 22 anos. Ela tem um irmão de 17 anos que trabalha e duas irmãs, de 14 e 5 anos, que estudam. Afirma ter muitos problemas com a mãe e com a sobrecarga das pessoas, ou seja, sente-se muito

incomodada com a presença de muita gente na mesma casa. Está na 7ª série, trabalha ajudando a mãe em casa. Sua renda familiar situa-se em 2 SM, moram em casa própria.

Kristiane, 20 anos, mora em Guarapes com o esposo, filha, sogros e uma cunhada. Seus pais são separados: o pai, 40 anos é vigia e a mãe, 45 anos, cozinheira. Engravidou há dois anos, quando resolveu casar e morar com o então namorado, na casa dos pais dele. O sogro sustenta a casa, com um rendimento de 2 SM, juntamente com o marido que faz trabalhos temporários. Ela tem quatro irmãos morando com a mãe, três irmãs de 28, 23 e 21 anos e um irmão de 19 anos, que estudam e trabalham. Ela está na 8ª série do ensino fundamental: seus estudos atrasaram-se devido à gravidez. Não foi submetida à entrevista individual a tempo de elaboração da análise dos dados, mas participou dos encontros no grupo focal.

No período em que foi realizada a pesquisa37, boa parte dos jovens tinha ingressado em atividades no Engenho recentemente, no período de uma semana a seis meses; somente dois jovens desenvolviam atividades no Fórum há mais de um ano. Chegaram ao Engenho através de amigos, convites de profissionais que trabalham com os jovens da comunidade e pela participação nos seminários de diagnóstico. Afirmam acreditar no Engenho como espaço de aprendizado e troca, uma esperança positiva, apesar de alguns problemas e dificuldades. A família apóia, segundo eles, a participação do Engenho, apesar de existirem cobranças da inserção deles no contexto de trabalho para complementar a renda familiar.

Benzer Belgeler